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COMENDADOR JOAQUIM PIMENTEL BARBOSA

Esquecido pelos historiadores oficiais de Paracatu, Olímpio Gonzaga e Oliveira Mello, Joaquim Pimentel Barbosa foi figura de proa na vida político – administrativa e social na então florescente Vila de Paracatu do Príncipe. Já na década de 1820 ele aparece atuando politicamente na vila e em 1827 é agraciado por Alvará assinado pelo Imperador D. Pedro I, com a comenda da Ordem de Cristo (1). Em 1833, ocupando o cargo de Juiz de Paz, tem papel fundamental na repressão ao movimento liberal restaurador em oposição ao poder central, na vigência da Regência Trina, que pode ser evidenciado nas cartas oficiais trocadas entre ele, o comandante da Guarda Nacional da vila, Teodoro Caetano de Moraes e o Ouvidor Quintiliano José da Silva, favoráveis à manutenção da ordem constitucional então vigente (2). Coronel chefe de legião da Guarda Nacional.
Com a criação das Assembleias Provinciais, ele é eleito, juntamente com seu correligionário Dr. Antônio da Costa Pinto, deputado à primeira legislatura constituinte, em 1837. Ocupou o cargo de deputado em outras duas legislaturas, tendo sido um dos membros da deputação (como se dizia) que representou a assembleia provincial de Minas Gerais nas suntuosas solenidades da coroação de sua Majestade o Imperador D. Pedro II. Em 1841, foi agraciado pelo jovem Imperador com a Comenda de Oficial da Ordem da Rosa. Retornando à sua terra natal, continuou exercendo cargos no legislativo como vereador e no executivo na posição de agente (prefeito), tendo Paracatu já sido elevada à categoria de cidade em 1840. Com a eclosão da revolta liberal de 1842 em Minas Gerais, vamos encontrá-lo ocupando o cargo de Coronel da Guarda Nacional em Paracatu, participando ativamente na defesa da cidade sitiada pelos rebeldes, bem como da causa conservadora, fiel ao grupo que detinha o poder político e que governava Minas Gerais e o Brasil na ocasião, em oposição ferrenha aos seus adversários liberais locais, comandados pelo vigário Joaquim de Melo Franco, e que culminou com a vitória dos conservadores em toda a província de Minas Gerais.
Estudando sua genealogia, o Comendador Joaquim Pimentel Barbosa nasceu em 1793 e era filho do português Domingos José Pimentel Barbosa, que foi capitão de infantaria do quarto regimento de milícias de Paracatu, com carta patente expedida em 1799, bem como a partir de 1814, Capitão-mor da vila de Paracatu, cargo que exerceu até a extinção do mesmo (3), e de Mariana de Moura, natural de Sabará – Mg. Casou três vezes, deixando numerosa descendência, que formaram ao longo do século XIX as principais famílias de Paracatu, por entrelaçamentos. Dentre seus descendentes podemos destacar como filhos ilustres da terra tanto em âmbito local, estadual e federal, seus filhos Dr. Joaquim Pedro de Melo(era filho natural), médico humanista, chefe do partido conservador em Paracatu e deputado provincial e geral do império, Dr. Nelson Dario Pimentel Barbosa, deputado provincial e estadual, seus netos Eduardo Pimentel Barbosa, também deputado estadual e federal, por seus bisnetos Genésio Pimentel Barbosa, engenheiro e notável indigenista brasileiro, morto pelos índios no Mato Grosso em 1942, Afrânio e Afonso Arinos de Melo Franco, o primeiro na esfera política e o segundo se sobressaindo nas hostes literárias, Argemiro e Emílio Jardim de Rezende Costa também na política e o Dr. Carlos Álvares da Silva Campos que foi notável jurisconsulto, e por fim, seu trineto Afonso Arinos de Melo Franco Sobrinho, intelectual, ensaísta, historiador e figura eminente na política nacional no decorrer do século XX.
Faleceu o Comendador no Rio de Janeiro,em 11 de março de 1853, quando visitava seu grande amigo, o cônego Marinho, que apesar de adversários políticos (o Cônego era Liberal), mantinham estreitas relações de amizade fraterna, vitimado pela febre amarela, doença que curiosamente acometera o mesmo cônego Marinho, que veio também a falecer poucos dias antes da chegada do Comendador à sua residência.
Foi sepultado no cemitério São Francisco Xavier, no Rio de Janeiro.
(1) – Cópia em nosso arquivo;
(2) – RAPM, CD-ROM nº4;
(3) – Cópias em nosso arquivo.
Texto elaborado por José Aluísio Botelho, abril de 2007.

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