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POR ONDE ANDAS, DONA ESCOLÁSTICA? - BIOGRAFIA DE OLÍMPIO GONZAGA

Olympio Gonzaga (1877-1948) foi, sem dúvida, o precursor da historiografia paracatuense e, inegavelmente, teve importância fundamental na sua consolidação, tornando-se o principal historiador de Paracatu em seu tempo. Autodidata em História, não se preocupou com a estruturação e contextualização de suas obras, escrevendo de forma simples o que encontrou em suas pesquisas. Tudo começou, segundo ele, no ano de 1900, quando certo padre José Vieira da Silva jogou fora no largo da Matriz todo o arquivo da igreja, tendo ele recolhido três carradas (sic) à prefeitura municipal. Foi nesta fonte preciosa que teve inspiração para vários trabalhos históricos, debruçado sobre pilhas de documentos envelhecidos e carunchados, por falta de conservação. Um parêntese: nos dias atuais, a Diocese de Paracatu continua indiferente quanto à preservação e catalogação dos documentos ainda lá existentes, que se encontram totalmente desorganizados, o que é condenável. Em 1910, publica seu principal livro - Memória Histórica de Paracatu. A partir de então e no decorrer da primeira metade do século XX, persistiu na sua incansável peregrinação por documentos antigos que registraram a história da cidade desde os tempos dos descobertos do ouro em 1744. Escreveu e publicou crônicas históricas e romanceadas, enveredou pelo jornalismo, com reportagens sobre saúde, meio ambiente, educação e na luta pelo desenvolvimento de sua terra natal, entrevistou personagens importantes da região, destacando a concedida por Afonso Arinos de Melo Franco em 1913. Imiscuiu-se pela genealogia de algumas famílias paracatuenses, inclusive a sua. Escreveu biografias de paracatuenses que ele considerava ilustre. Participou dos embates políticos em sua velha Paracatu, tomando partido de determinado grupo que lhe era simpático e narrou os acontecimentos, os fatos, as versões e as querelas e picuinhas entre adversários, principalmente em época de eleições. Normalista, professor primário, fotógrafo amador que através de sua câmera registrou para a posteridade a Paracatu colonial que tanto amava descaracterizada pelas demolições insanas promovidas e consentida pelos administradores da cidade em nome da modernidade. Foi também comerciante e funcionário público, aposentando-se como coletor federal. Criticado pelos seus adversários que o viam com antipatia e desprezo pelas suas atitudes consideradas visionárias, sem competência acadêmica para desenvolver seus escritos históricos, sendo ridicularizado em diversos momentos de sua vida pela simplicidade, imprudência e persistência em seus embates para atingir seus objetivos. Não temos a pretensão de apontar aqui os erros porventura cometidos, e sim sua contribuição inestimável para o conhecimento da história de Paracatu, cujo legado foi o mote que ensejou o aparecimento de outros historiadores interessados em pesquisar mais profundamente o assunto, e que precisam ser constantemente estimulados, pois ainda há muita história a ser contada.
Além de “Memória Histórica”, escreveu: “Lendas do Brasil Central”; “Os condenados pelo Santo Ofício em Paracatu”; “As Minas de salitre e Grutas de Paracatu”; “Árvore Genealógica da Família Gonzaga”; “Árvore Genealógica da Família Affonseca e Silva”; “Árvore da Família Mello franco” (desaparecida); “Árvore da família Sá Guimarães”; “Memorial sobre questão de limites entre os Estados de Minas Gerais e Goiás”; “Ecos da Revolução de 1842 – Uma heroína Dona Josefa”; “Paracatu, terra do ouro, berço de homens ilustres”;” Os Cangaceiros do urucuia”.
Por último e propositalmente por ser objeto deste artigo, escreveu seu romance histórico “DONA ESCOLÁSTICA”. Segundo o professor Oliveira Mello, se desconhece os originais e até mesmo o enredo. Os originais ainda estão submersos, mas o enredo veio à tona. A inspiração, ele buscou em manuscrito ao qual teve acesso e que transcrevo textualmente: “Durante os festejos do mês de Maria em 15 de maio de 1749, foram presos Dona Escolástica Correia Ribeiro e seu filho padre José Correia Ribeiro, como assassinos do Ouvidor de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Dr. Roque de Moura. Foram justiçados sumariamente nos calabouços do Santo Ofício. O sequestro elevou-se a dez milhões de oitavas de ouro”. “Os autos são volumosos e deu para eu escrever um belo romance histórico documentado – DONA ESCOLÁSTICA, A MILIONÁRIA PORTUGUESA”. *
Não se sabe se o livro chegou a ser impresso ou se os originais se perderam definitivamente. Talvez eles estejam esquecidos em alguma gaveta de alguma pessoa que tem o privilégio de possuí-lo. Se for verdadeira tal assertiva, que esse alguém se manifeste, pois desejamos ansiosamente conhecê-lo.
Um Tributo, duas sugestões: O poder público de Paracatu, pelos seus políticos, instituiu a Comenda Afonso Arinos, que não sabemos ser em homenagem ao tio escritor regionalista ou ao sobrinho intelectual, historiador e político, para agraciar filhos e pessoas ligadas a Paracatu que alcançaram projeção no contexto nacional.
Por que não criar uma Comenda, uma Medalha, um Prêmio Olympio Gonzaga, como incentivo, principalmente para a juventude paracatuense, com o intuito de fomentar o interesse pela pesquisa em seus diversos segmentos, premiando as melhores monografias sobre os diversos temas abordados, não só em história, como também em geografia, meio ambiente, artes, música etc. Não podemos esquecer de incluir o esporte, fundamental para a promoção da saúde, da inclusão social e o resgate da cidadania.
Aliás, quando nossa OLÍMPICA maratonista Lucélia Peres será homenageada?
* Cópia do original manuscrito em nosso arquivo pessoal.
* Nota: Neste ano de 2007 são comemorados os 130 anos do nasimento do historiador.
Texto elaborado por José Aluísio Botelho, novembro de 2007.

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Texto José Aluísio Botelho
Pesquisas Eduardo Rocha 
Colaboração Mauro César da Silva Neiva


Família iniciada em Paracatu com o casamento do tenente Joaquim José de Santana e Dona Maria Peixoto. Não descobrimos a data em que se deu o enlace, bem como não sabemos a naturalidade e ascendência do casal. Filho descoberto:
1 – Capitão João José de Santana, nascido por volta de 1814, pouco mais ou menos, criado e educado com esmero pela tia paterna Dona Florência Maria de Santana, tornou-se um rico capitalista, comerciante na Rua do Calvário e fazendeiro; foi vereador do município; falecido em abril de 1895. Esparramado genearca, casou três vezes, deixando 14 filhos dos três leitos.
Com Luiza de Jesus de Afonseca Costa, nascida em 21/06/1816, filha de Antonio Joaquim da Costa, falecido em Araxá aos 31/12/1839, e de Caetana de Afonseca e Silva, 

  teve os filhos:

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