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PORQUE O INTERESSE PELA GENEALOGIA?


Não sei exatamente porque a história sempre me interessou, desde a escola primária, mas o fato é que me tornei um leitor de história por toda a vida. E genealogia sendo uma ciência auxiliar da história, notadamente da história social, aguçou mais ainda minha curiosidade sobre o tema em questão. Permeando essa premissa, ainda adolescente, lá pelos idos dos anos sessenta do século passado, tinha especial curiosidade sobre meu universo familiar que se aguçavam ao ouvir histórias contadas por minhas avós e pelo meu pai acerca de parentes remotos. Ao ingressar na universidade, onde freqüentei a faculdade de medicina, tudo isso foi deixado latente num canto da memória, pois a prioridade era a minha formação acadêmica. Ao concluir o curso, transitei profissionalmente no serviço público e em instituições privadas de saúde. Pois bem, ao atingir a maturidade e me aposentar da atividade médica, reavivou-se novamente as indagações do passado relativamente à história de minha família. Já era uma época em que os parentes mais velhos já não estavam entre nós e para minha angústia e decepção, as fontes orais de informações sobre o tema em questão estavam irremediavelmente perdidas. Mas não desisti e parti para as pesquisas de campo, primárias e secundárias, através de consultas em arquivos paroquiais, municipais, estaduais e nacionais, cartórios, anotações familiares, livros especializados e de história, revistas de genealogia e atualmente sites de genealogia na internet.
Segundo o jornalista Caio Pompeu de Toledo, “A genealogia não chega a ser um fim em si próprio, mas uma ferramenta para dar cara as personagens históricas e entender suas relações pessoais, familiares e sociais”. Seguindo esse paradigma, é apaixonante o estudo da história das famílias, pois iremos encontrar fatos relacionados aos nossos antepassados capazes de estarrecerem o mais cético dos mortais, e também situações no mínimo curiosas e por que não dizer inusitadas, de acordo com a época em que viveram os protagonistas dos acontecimentos. É o tio que casou com a sobrinha, o sobrinho com a tia com a complacência da igreja e do estado. O padre que a despeito de sua condição eclesiástica, formou família com descendência numerosa, e forjou gerações de homens ilustres no campo político, intelectual e literário, ou o outro padre que mantinha relações sacrílegas com uma vizinha, aproveitando do fato dos quintais de suas moradas serem adjacentes, frutificando daí a filha natural, decorrente desses encontros furtivos, mas legitimando-a em cartório. E por que não falar dos casamentos entre primos, com o objetivo de preservação do patrimônio familiar. Da avó avoenga que dizia ser descendente dos índios Caiapós, viventes às margens do Rio Tocantins, em Goiás. A trisavó pernambucana, filha de riquíssimo senhor de engenho com origem na nobreza portuguesa, prima de barão e marquês, porém filha de mulher solteira, cuja ascendência é ignorada. Não poderia deixar de citar as nossas descobertas relativas às raças judaicas, indígenas, árabes e negras, intimamente entrelaçadas nos nossos troncos familiares ao longo dos séculos.
É através dos estudos das famílias que vamos descobrir como foram forjadas as grandes fortunas, como elas foram consolidadas ou dilapidadas ao longo do tempo pelos herdeiros na cadeia descendente; a inserção política de nossos personagens, os cargos ocupados por eles de acordo com sua condição social, as patentes militares e honoríficas, outorgadas por merecimento ou na grande maioria adquirida junto ao Estado, de acordo com as condições financeiras do interessado, mas que eram importantes na hierarquização social.
Também não poderia deixar de lado o interesse pelas biografias de membros da cadeia familiar que se sobressaiu em diversas áreas do saber humano e tiveram importante contribuição para o desenvolvimento das comunidades em que viviam, e alguns deles se tornaram universais, ao ultrapassarem os limites de suas aldeias.
Por fim nos deparamos com o estudo dos entrelaçamentos familiares propriamente ditos, que nos dá uma infindável pletora por mais investigações com relação aos indivíduos neles contidos. O que parecia ser finito, não pode mais parar, à medida que vamos descobrindo mais pessoas relacionadas com a cadeia ascendente de parentesco, sobrenomes antes desconhecidos, mas agora partícipes de nossa árvore genealógica. E vamos avidamente avançando no tempo passado, para regiões longínquas, no velho continente Europeu, na África, nas Américas, até esgotarem todas as possibilidades de ir mais além. Mas nunca estaremos satisfeitos com os descobertos, sempre querendo saber mais de nossos antepassados, e é devido a essas sutilezas que a genealogia se torna um tema apaixonante.
José Aluísio Botelho, Dezembro de 2010.

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Filhos descobertos:

1-1 Mathias Lourenço Mundim, falecido em 08/12/1834; casado com Lúcia de Sousa Dias.
Inventário: 2ª Vara 1835/1836.

Filhos:

1-1-1 Maria de Sousa Mundim, 7 anos;

1-1-2 Elias de Sousa Mundim, nascido em 1829 e falecido em 26/09/1879; casado duas vezes: 1ªvez com Maria Leocádia da Conceição em 29/04/1855:
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