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PADRE ANTONIO MENDES SANTIAGO


            BREVE NOTA BIOGRÁFICA E GENEALÓGICA

Presbítero do Hábito de São Pedro, clérigo secular, vigário geral do espiritual e temporal, juiz de casamentos e resíduos em toda a Comarca Eclesiástica de Santo Antonio da Manga, sertão das Minas Gerais, Bispado de Pernambuco. Filho de lavradores pobres do norte de Portugal, habilitado como comissário do Santo Ofício da Inquisição em 1744, tornou-se um homem poderoso, corrupto e corruptor, mulherengo, e amealhou considerável fortuna. Foi um dos líderes dos acontecimentos sediciosos em 1736 ao lado de Dona Maria da Cruz e outros, e sempre escapou da prisão e dos inúmeros processos a que foi submetido. Removido para Paracatu em 1744 por ordem Régia, onde iniciou a construção da matriz de Santo Antonio da Manga. No então nascente Arraial de São Luiz e Santana de Paracatu, ele persistiu exorbitando de suas funções, sempre acobertado pelo cargo de comissário do Santo Ofício da Inquisição, cometendo inúmeras arbitrariedades até ser questionado pela população e pelos seus desafetos que moveram um volumoso processo criminal contra ele. Criou, segundo o historiador Olímpio Gonzaga, que teve acesso a documentos da época, o famoso Livro Verde onde estavam listados os suspeitos de heresias e outros crimes, bem como uma Carta de Seguro de Vida, onde o réu poderia escapar das punições se pagasse determinada quantia em ouro, estipulada pelo tribunal inquisidor presidido por ele. Olímpio Gonzaga compulsou cerca de quarenta documentos manuscritos que versavam sobre o tribunal do santo ofício em Paracatu, enumerando os réus e os crimes cometidos por eles, a maioria de perjúrio, concubinato, prática de ourivesaria, contrabando de ouro, ateísmo, heresias etc., porém não relatou nenhum réu preso e condenado por judaísmo. Os condenados, para escapar das duras penas impostas pelo tribunal podiam em ultima instância, adquirir a Carta de Seguro de Vida, com os valores calculados em oitavas de ouro, obtendo assim a liberdade. O montante arrecadado era dividido entre o vigário Santiago e seus asseclas, causando intenso repúdio na população. Deixou descendência no noroeste de Minas Gerais.
                                ASCENDÊNCIA                  
Antonio Mendes Santiago nasceu no lugar de Gomarães, batizado a 7 de fevereiro de 1696 na igreja de São Salvador de Gandra, freguesia de Cabeça Santa, Concelho de Penafiel, distrito do Porto. Faleceu por volta de 1774 em São Romão, Minas Gerais.
                                Ascendência
1- Filho de Manoel Gonçalves (? – 1723), natural e batizado na freguesia de São Tiago da Fonte Arcada, Penafiel, e de Catarina Mendes (? – 1719), natural de Gandra, Cabeça Santa, lugar de Gomarães, casados em 25/11/1687;
2) - Avós paternos:
 Belchior Gonçalves, natural de Fonte Arcada, e Dona Catarina Antonia Santiago, natural de São Martinho da Parada;
3) - Avós maternos:
Pedro Ferreira (? - 1703), natural de Gandra, Cabeça Santa, Penafiel, e Dona Maria Mendes (? – 1705), da mesma freguesia.
Irmãos descobertos:
1 – Bento, batizado a 31/01/1692;
2 – Bernardo, batizado a 20/05/1694.

Fontes:
1 – Lendas do Brasil Central – os condenados pelo Santo Ofício da Inquisição em Paracatu, Minas Gerais (1744-1790) – Olímpio Gonzaga, manuscritos.
2 – familysearch Record - Portugal - Porto - Penafiel - Cabeça Santa – batismos, casamentos e óbitos;
3 – Processo de habilitação – digitarq.dgarq.gov.pt.

Texto escrito e postado por José Aluísio Botelho - março de 2013 

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Inventário: 2ª Vara 1835/1836.

Filhos:

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