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GALERIA PARACATUENSE: DR. JOSÉ CARLOS FERREIRA PIRES

Por José Aluísio Botelho                                                                   

             
                 
Natural de Paracatu, Minas Gerais, nascido em 27/09/1854. Mudou-se com a família para Formiga, Minas Gerais, entre 1858 e 59, quando nasce sua irmã Ormezinda Luiza. Nesta cidade completou seus estudos de primeiras letras e gramática latina. Sua inteligência acima da média impressionou a membros da família Magalhães Leite, tradicional e poderosa economicamente em Formiga, que um deles, residente no Rio de Janeiro onde comercializava o levou para estudar na capital imperial. No frontispício de sua tese médica, ele homenageia o Sr. José Teixeira de Magalhães Leite e família.
Em 1873, ingressa na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde foi aluno de renomados mestres da medicina daquele tempo, figurando sempre entre os melhores alunos do curso de graduação. Concluiu o curso médico com distinção defendendo a tese – Moléstias Crônicas do Encéfalo (que pode ser consultado online no Arquivo Público Mineiro, link – Teses Médicas). Retorna então à Formiga, onde abre consultório médico, bem assim monta um laboratório que lhe permitia estudos de química, microbiologia, fisiologia e anatomia patológica, possuindo para tal microscópio, micrótomo e um aparelho de diatermia. Preparava as lâminas a partir de cortes histológicos obtidos pelas biópsias por ele realizadas, fazendo então os diagnósticos anatomopatológicos. Já naquele tempo era um médico multifacetado, atuando em diversas áreas da medicina.
Foi um cientista de notório saber, como se dizia à época, poliglota, e sua avidez por mais conhecimentos, o levou a assinar várias revistas e adquirir livros médicos de diversas procedências, notadamente da Alemanha, idioma que dominava fluentemente. Assim, tomou conhecimento da descoberta dos raios-X por Wilhelm Conrad Roentgen, em 1895. Interessou-se pelo assunto e resolveu encomendar um aparelho aos fabricantes alemães, tornando-se o precursor da radiologia em toda a América latina, isso em 1897.
Ao receber o aparelho, que era rudimentar, conseguiu colocá-lo em funcionamento apesar de todas as dificuldades, como por exemplo, a falta de eletricidade, usando inicialmente pilhas, baterias, e posteriormente, um motor a gasolina para gerar energia. Pronto, as primeiras radiografias com finalidade diagnóstica da América do Sul começaram a ser produzidas, embora as imagens fossem precárias.
Publicou inúmeros trabalhos científicos em diversas áreas da medicina, tais como a diabetologia, reumatologia, e principalmente na área de Radiologia e Radioterapia.
Na política, foi agente executivo de Formiga entre 1883 e 1887, deputado federal por duas legislaturas sucessivas, com viés conservador. Fundou a Santa Casa de Misericórdia de Formiga. Jornalista bissexto fundou o jornal “o Democrata”, de duração efêmera, juntamente com seu cunhado José Bernardino de Faria.
Os últimos anos de sua vida foram marcados por estranha lesão destrutiva do nariz, vindo a falecer em decorrência das contínuas exposições a que se submetia durante os exames radiológicos, até porque se desconheciam os riscos dessas exposições, e não havia ainda medidas preventivas para evitar tais contatos. Pode-se dizer que ele foi vítima da própria medicina, que desconhecia os efeitos deletérios ao ser humano advindos de substâncias radioativas.
O Dr. José Carlos Ferreira Pires está entre os mais notáveis médicos e cientistas brasileiros, e a ele se junta outros dois paracatuenses ilustres, seus tios Drs. João José de San’Anna e Miguel Arcanjo de Sant’Anna (biografias neste blog), que também se notabilizaram na medicina no último quartel do século dezenove.

Para saber mais: no site www.imaginologia.com.br, ver artigo “Dr. Ferreira Pires”, escrito pelos Drs. Sandro Fenelon e Sidney de Sousa Almeida;
  
                    ESBOÇO GENEALÓGICO

O Dr. José Carlos Ferreira Pires nasceu em Paracatu em 27 de setembro de 1854, filho do Coronel José Ferreira Pires, natural da freguesia de Curral Del Rei, filho de Francisco Ferreira Pires e de Balbina Nogueira de Alckmin, e de Dona Belmira Luiza de Santana, filha do Capitão João José de Santana e de Luisa da Costa Santana, todos naturais de Paracatu ( ver - Os Santana de Paracatu - MG) , casados em 20/11/1853 no mesmo lugar. Casou em 1880, em Formiga com Matilde Guilhermina de Faria Pereira, natural de Paracatu, filha do Comendador Bernardino de Faria Pereira (1833 – 1922), natural de Formiga e de Dona Amália Guilhermina Carneiro de Mendonça (1840 -?), natural de Paracatu, filha de Manoel Carneiro de Mendonça e de Vitória Roquete Franco. O    Comendador Bernardino de Faria Pereira casou em Paracatu, onde morou por longo período, e foi vereador nos períodos entre 1861 e 1869, e 1873 – 1877*. O Comendador Bernardino era irmão do poderoso barão de Piumhí, João Marciano de Faria Pereira. Dr. José Carlos faleceu em Formiga em 29 de maio de 1912.

*In : Memória Histórica de Paracatu, de Olímpio Gonzaga, 1910;

Filhos, nascidos em Formiga:

1 – Newton Ferreira Pires, médico,nascido 18 de abril de 1881; na política foi prefeito de Formiga e deputado federal; faleceu solteiro aos 03/11/1957 em Belo Horizonte;
2 – Amália Ferreira Pires, nascida em 17 de setembro de 1882 e falecida em 21 de abril de 1914 no Rio de Janeiro;
Nota: esta filha casou com o coronel Alberto Gonçalves Amarante, e uma de suas filhas, Emília Ferreira Pires Amarante, foi casada com o empresário paracatuense Caetano Torres Lima, com sucessão;
3 - Trajano Ferreira Pires, nascido aos 25 de dezembro de 1884 e falecido aos 12 de junho de 1903 em Belo Horizonte; solteiro;
4 – Belmira Nadin Ferreira Pires, nascida aos 11 de julho de 1886, e falecida aos 10/01/1967 em Belo Horizonte; casada com sucessão;
5 – Bernardino Ferreira Pires, nascido em 15 de outubro de 1890;
6 – Washington Ferreira Pires, nascido em 13 de fevereiro 1892; médico, professor de Clínica Neurológica da Faculdade de Medicina da UFMG; Ministro da Educação e Saúde Pública no governo Vargas; deputado estadual entre 1923 e 1930; faleceu aos 23 de novembro de 1970 em Belo Horizonte; casado com sucessão;
7 – José Ferreira Pires, Cirurgião Dentista, nascido em 25 de outubro de 1894;
8 – Floriano Ferreira Pires, nascido em 16 de outubro de 1896, e falecido aos 09 de outubro de 1981 em Belo Horizonte; casado com sucessão.

Fontes genealógicas:

1 – Site Familysearch: livros paroquiais da igreja São Vicente de Ferrer, Formiga, Minas Gerais, disponíveis online.


Escrito em outubro de 2013.

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1- Leon Laboissière, natural de Blois, cidade e capital do departamento central de Loir-Et-Cer, França; emigrou na metade do século dezenove para Paracatu, aonde constituiu família e faleceu por volta de 1928; casado com Rita de Moura Barbosa (solt.) ou Rita de Moura Laboissière (cas.), falecida em 16/05/1895. Inventários: 1ª Vara I-90; 1ª Vara I-15.
Filhos:
1-1 Gustavo Laboissière, nascido em 1869 e falecido em 27/08/1944; foi casado com Julieta Roriz Meireles, com descendência na página dos Paula Sousa, queira ver;
1-2 Tenente Júlio Laboissière, falecido em 27/08/1944; casado com Ermelinda Rabelo de Sousa, falecida em 18/11/1920; fazendas Santa Rosa, Ambrósio, Boa Esperança, Cabo, Bom Sucesso, Buriti, Piripiri. Inventário: 2ª Vara 1945; Inventário: 2ª Vara 1923;
Filhos:
(Obs.: idades fornecidas no inventário da mãe).
1-2-1 Dygdis Laboissière, 24 anos; falecida em 12/1947; casada com Job Vieira Diniz, falecido em 01/11/1946.
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3.                                                Amazílis


Edmundo

Fonte: Family Search - livros paroquiais de Estrela do Sul (batismos)

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1 - SÍTIO DO ESCURO - Sesmaria concedida em 1759 ao Português João Jorge Portela e sua mulher Josefa Barbosa de Moura e Almeida. Desse casal, descendem pelo ramo materno, os Pimentéis Barbosa e Soares de Sousa;

2 - FAZENDA DO FUNDÃO - Sesmaria adquirida por João de Melo Franco em 1762, distante cerca de dez léguas de Paracatu, na chapada do São Marcos. Em 1819, segundo Pohl, se encontrava em ruínas. Passou à descendência;

3 - FAZENDA CÓRREGO RICO - Foi seu primitivo dono Joaquim de Melo Albuquerque( Seu Melo), falecido em 1880. Era filho do pernambucano Joaquim de Albuquerque e de Ana de Melo Franco;

4 - FAZENDA CAETANO - Pertenceu ao casal Manoel Caetano de Moraes e Joana Maria de Moura e anos mais tarde ao Dr. Sérgio Ulhôa;

5 - FAZENDA MOURA - Foi seu primitivo dono Romão de Moura, que se mudou para o Vão do Paranã, em Goiás, onde deixou numerosa descendência. Posteriormente, passou a ser propriedade do Coronel Fortunato Jacinto da Silva Botelho e seus descendentes;

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