Pular para o conteúdo principal

GALERIA PARACATUENSE - DR. AMÉRICO DE MACEDO



 Por José Aluísio Botelho

Natural da cidade de Paracatu deixou ainda moço sua terra natal, dirigindo-se para o Rio de Janeiro, onde, após fazer com grande brilho os preparatórios, matriculou-se na Escola Politécnica, no curso de engenharia civil, destacando-se de modo honroso para o seu nome de estudante mineiro. Numa época em que os cursos superiores ainda eram incipientes no Brasil, a exceção das escolas de Direito que formavam bacharéis em profusão, sua turma composta por somente vinte alunos, foi das que mais se destacaram naquela escola. Recebeu o grau em dezembro de 1886, e logo depois de formado, iniciou sua carreira profissional trabalhando nos projetos e na construção da então Estrada de Ferro D. Pedro II, depois Central do Brasil, no difícil trecho da serra da Mantiqueira, merecendo, pelos seus conhecimentos de engenharia, os mais francos elogios de seus superiores, entre os quais se encontrava o engenheiro alemão Reinaldo Von Kruger. Anos depois, demitiu-se do cargo que exercia na principal ferrovia em construção em Minas Gerais à época, e rumou, no desempenho de sua profissão de engenheiro, para a cidade de Aiuruoca localizada também na serra da Mantiqueira, onde casou. Nessa ocasião já estava em curso a organização da Comissão Construtora da Nova Capital de Minas sob a coordenação do engenheiro Aarão Reis, e o nome do Dr. Américo de Macedo foi lembrado para fazer parte da mesma, tendo-lhe sido confiado a chefia da 2ª secção, responsável principalmente pelos levantamentos topográficos da nova capital. Da habilidade, inteligência e honradez com que se houve no desempenho do cargo, angariou amizades e admiração de seus comandados e de seus superiores. Concomitante com o exercício do cargo de engenheiro, como jornalista colaborou com diversos jornais, destacando-se como cronista. Exonerou-se do cargo em 1896, retornando à Aiuruoca, onde participou ativamente da vida política local como vereador, exercendo ferrenha oposição ao senador Silviano Brandão, que controlava a política no sul de minas. Em 1901, muda-se com a família para a cidade de Frutal, no nariz de Minas, região do Triângulo Mineiro. Aí, continua exercendo sua profissão de engenheiro, e, ao mesmo tempo trabalha como jornalista, fundando um jornal, O Democrata, em sociedade com alguns chefes políticos locais, que faziam intensa oposição ao senador estadual Comendador Joaquim Gomes da Silva, o chefão político daquelas plagas.  Enérgico, decidido, o Dr. Américo de Macedo desbancou o velho senador, levantou todos os obstáculos, implantou uma nova maneira de fazer política em Frutal, sendo indicado e eleito deputado estadual pelo 4º distrito, para a 6ª legislatura (1902 – 1906).  Embora não tenha completado o mandato, sua passagem pelo Congresso Mineiro foi considerada das mais brilhantes páginas de sua vida: inteligente, bom orador, e, sobretudo independente, angariou respeito e admiração entre seus pares. É dele o projeto de lei apresentado em 1904, que propunha o fim dos subsídios aos deputados ausentes às sessões legislativas (sim, o Jetom já existia naquele tempo). Desnecessário dizer que o projeto foi rejeitado (existe até hoje). Sua atuação parlamentar chamou a atenção do então Presidente de Minas, Dr. Francisco Antonio de Salles, que o convidou para chefiar a prefeitura da vila de Caxambu, que por ser uma estância hidro-mineral, seus agentes executivos eram nomeados por força de lei estadual vigente. Renunciou ao cargo de deputado no meio do mandato, e em 01 de janeiro de 1905, toma posse na prefeitura da vila. No espaço de três anos em que esteve à frente do executivo, desenvolveu um plano de modernização da estância hidro-mineral, com melhorias nos sistemas viários, no saneamento básico, na urbanização da vila, atraindo investimentos no setor turístico, fomentando o fluxo de pessoas, propiciando um aumento progressivo do turismo local, principal fonte de renda do município. Com problemas de saúde, não se dando bem com o clima dali, retorna à Belo Horizonte, assumindo o cargo de engenheiro do estado. Falece aos 25/06/1912, com 48 anos de idade, vítima de tuberculose pulmonar. O Jornal carioca “O PAIZ” assim noticiou sua morte: “Faleceu no dia 25 às nove e meia da manhã em Belo Horizonte, vitimado por uma tuberculose, que lhe minava a existência há longos anos, o engenheiro Américo de Macedo, ex-deputado ao Congresso Mineiro, ex-prefeito de Caxambu e atualmente chefe de um dos distritos de obras públicas do estado, com repercussão por toda a cidade onde era muito estimado.”
O prefeito Olinto Meireles, através da portaria nº 112, de agosto de 1912, assim se referiu a ele: “Considerando os relevantes serviços prestados a Belo Horizonte pelo falecido engenheiro e ilustre mineiro Dr. Américo de Macedo como chefe da 2ª seção da Comissão Construtora da capital, encarregado do importante trabalho do levantamento da planta cadastral e topográfica de toda a área urbana e suburbana da cidade, o que por ele foi executado com muito zelo e rara competência profissional; considerando mais a sua dedicação em bem servir a causa pública como legislador no Congresso Estadual e como Prefeito de Caxambu, determino se lhe reserve perpétua e gratuitamente o carneiro 36, do quadro oito do cemitério local”.

     A FAMÍLIA
 Filho do abastado comerciante Alexandre Lourenço de Macedo, natural da então Vila de Formiga, Minas Gerais, falecido em Paracatu em 04/02/1884, e de Dona Regosina Rufina da Costa Balieiro, natural de Paracatu; nasceu o Dr. Américo de Macedo em 20/03/1864 em Paracatu e não mais retornou a sua terra natal. Casou aos 30/07/1892 em Aiuruoca com Adelina Augusta Nogueira da Gama, nascida aos 21/08/1875, filha de Martiniano Alexandre da Silveira e de Dona Maria Clementina Nogueira da Gama; Dona Adelina faleceu em Belo Horizonte aos 12/02/1970.
Filhos:
1 – Maria Macedo, nascida em Aiuruoca, *1893;
2 – Marieta Macedo, Belo Horizonte, *1895 – +1986;
3 – Aída Macedo, Aiuruoca, *1896;
4 – Iracema Macedo, Aiuruoca, *1898 – Belo Horizonte, +1990;
5 – Olga Macedo, Aiuruoca, *1899;
6 – Alexandre Américo de Macedo, Frutal, *1901 – Belo Horizonte, +1958;
7 – América de Macedo, Frutal, *1904 – Belo Horizonte, +1995;
8 – Dr. José Américo de Macedo, Caxambu, *1906; advogado, juiz de direito, desembargador do TJMG;
9 – Mário de Macedo, Caxambu, *1907;
10 – Aida de Macedo, Belo Horizonte, *1908 – +1986;
11- Dora de Macedo, Belo Horizonte, *1911.
Fontes:
1 – Jornais da época;
2 – www.familysearch.org – Brasil, Minas Gerais, Registros:
2.1 – Cemitério do Bonfim;
2.2 – Igreja Católica.

Postagens mais visitadas

SÉRIE - PIONEIROS DO ARRAIAL DO OURO 18 - NETTO SIQUEIRA

Por José Aluísio Botelho Eduardo Rocha
A família Netto de Siqueira iniciada nos primórdios do arraial de Paracatu, derivam pela linha materna dos Netto Carneiro Leão, e que exemplifica o caldeamento racial na Paracatu colonial, ou seja, a união entre o branco europeu e o negro africano. Como dito acima, são aparentados dos Netto Carneiro Leão, descendentes do português Antonio Netto Carneiro Leão, que teve a filha natural Maria Netto Carneiro Leão com uma ex-escrava, alforriada por ele, como veremos adiante (imagem de batismo de Antonia), que, por dedução, de acordo com a idades dos filhos, deve ter nascido nas primeiras décadas da povoação, por volta de 1755, pouco mais ou menos, e portanto antes do casamento legítimo do capitão Antonio Netto Carneiro Leão com Ana Maria Lemes.
                      O CASAL TRONCO E SUA DESCENDÊNCIA
1. Maurício Tavares de Siqueira, filho natural de Joaquim Tavares de Siqueira e de Joana da Costa, preta mina, nascido na fazenda dos Quirinos, ribeira do Ri…

PIONEIROS DO ARRAIAL DO OURO 21 - BARBOSA DE BRITO

POR JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO
EDUARDO ROCHA


Fato relevante: localizamos o testamento do capitão José Barbosa de Brito no Arquivo Municipal de Paracatu - ele testou aos 27 dias do mês (ilegível) de 1771. Na ocasião sua mulher já era falecida: "missa pela alma de minha mulher Agostinha da Costa Silva."Abaixo faremos algumas correções e acréscimos que achamos necessários à luz do novo documento.


José Barbosa de Brito. Em um documento datado de 1763, por nós compulsado, em que ele aparece como testemunha, está descrito: “José Barbosa de Brito, homem branco, casado, morador neste arraial de Paracatu, que vive de suas minas, natural da cidade de Braga, com idade de 60 anos, pouco mais, pouco menos.” Portanto, nascido por volta de 1703, em Braga, norte de Portugal. No seu testamento, ele declara ser natural da freguesia de São Vítor, Campo de Santana, cidade de Braga, filho legítimo de Manoel Barbosa e de Jerônima de Brito. Localizamos seu assento de batismo realizado aos 07/10/1703, vide …

LENDAS DO BRASIL CENTRAL 1 - CRÔNICAS INÉDITAS DE OLYMPIO GONZAGA

Por José Aluísio Botelho



Resgatamos, após minuciosas pesquisas, alguns escritos de Olympio Gonzaga que se encontravam desaparecidos, dentre eles, crônicas que escreveu para seu livro não editado, Lendas do Brasil Central, transcritas na grafia original, tal como ele as concebeu, sem correções ortográficas e gramaticais, para que nossos leitores avaliem a qualidade dos textos e sua importância para a história de Paracatu.
Sobre o autor: Olympio Gonzaga foi um homem inquieto, preocupado em resgatar a história de Paracatu, através de texto históricos, crônicas, narrativas de acontecimentos verídicos (como o caso dos jagunços do vale do Urucuia em 1926), seja através de registros fotográficos. Autodidata no campo da história, com formação escolar deficiente, tinha enorme dificuldade na interpretação de textos, as vezes se confundindo com as informações obtidas, falta de didatização em seus textos, bem como apresentava dificuldades no manejo da língua portuguesa. Mas, isto não importa, até …

TEXTOS INÉDITOS DE OLYMPIO GONZAGA - PRIMEIRA PARTE

Por José Aluísio Botelho

Olympio Gonzaga e o Mimeógrafo (lembram-se dele?, ancestral das impressoras modernas)

Olympio Gonzaga foi professor primário por longos anos, coletor federal, jornalista, fotógrafo, escritor, e por último comerciante: foi proprietário de um Armazém de secos e molhados (como se dizia à época) em Paracatu: no seu estabelecimento comercial vendia-se de tudo, desde um simples urinol até, eventualmente, automóveis.
Lá instalou seu mimeógrafo, com o qual prestava serviços à comunidade a preços módicos, inclusive cópias de seus escritos.

Fonte: Afonso Arinos na intimidade, Biblioteca Nacional do Brasil, divisão de manuscritos.

A seguir, alguns destes textos:

1) Reclame.



2) Biografia do Dr. Afrânio de Melo Franco, seu protetor político, a quem professava profunda admiração. 

HISTÓRIA A CONTA-GOTAS - JOSEFA MARIA COURÁ

PELA TRANSCRIÇÃO JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO

DE ESCRAVAS À SINHÁS - JOSEFA MARIA E ROSA: NA ROTA DO DIVINO Texto de LUIZ MOTT, Antropólogo, professor da Universidade Federal da Bahia.
JOSEFA MARIA ficou na história através de um sumário de culpas que localizei na Torre do Tombo intitulado: “Para se proceder contra as feiticeiras”. Esta negra fora acusada de ser a líder e a proprietária de uma casa de cultos nas Minas de Paracatu (hoje a 200 quilômetros de Brasília), onde se realizava a Dança de Tunda, também chamada Acotundá, um ritual de louvor ao Deus da nação Courá. Segundo depoimento de algumas testemunhas que participaram de tais cerimônias, o ídolo venerado era representado “por um boneco de barro com cabeça e nariz à imitação do Diabo, espetado em uma ponta de ferro, com uma capa de pano branco, colocado no meio da casa em um tapete, com umas frigideiras em roda, e dentro delas, umas ervas cozidas e cruas, búzios, dinheiro da Costa, uma galinha morta, uma panela com feijão, moringas de á…

GENEALOGIA A CONTA-GOTAS - PIRES DE ALMEIDA LARA

Por Eduardo Rocha José Aluísio Botelho
Os Pires Almeida Lara do arraial das Minas do Paracatu tem origem em São Paulo, que de lá acorreram em busca do ouro. Os Pires e Almeidas vieram de Portugal, enquanto os Lara tem origem em Diogo de Lara, vindo de Zamora, reino de Castela no início do século dezessete. Em Paracatu encontramos um tronco desta família, porém não foi possível estabelecer, por falta de documentos, a vinculação parental, assim como se legítimos ou bastardos. Família miscigenada, esse ramo dos Pires de Almeida Lara começa com: 1- Apolinário Pires de Almeida Lara, falecido em 01-01-1851; casado com Ana Soares Rodrigues, falecida em 03-08-1862. Residentes na Rua do Calvário.
Inventário: 2ª Vara cx. 1862.

Filhos:

1-1 Félix Pires de Almeida Lara, falecido por volta de 1895; casado com Joana Cardoso do Rego, falecida por volta de 1895.

Inventário: 2ª Vara cx. 1919.

" Aos vinte e sete de dezembro de mil oito centos e trinta e seis, nesta frequesia de Santo Antonio da Manga …