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ZACARIAS ALVES DE ULHOA E MELO



Ou Zacarias Alves de Melo como ficou conhecido. Natural de Paracatu, Minas Gerais, onde nasceu na segunda metade do século XIX, filho legítimo de Teófilo Alves de Melo e de Ana Beatriz de Ulhoa; neto materno Antonio Pimentel de Ulhoa e de Beatriz Santana Ulhoa (ver - Os Santana de Paracatu - MG). Ainda jovem formado normalista pela velha Escola Normal de Paracatu, mudou-se para Uberaba, no Triângulo Mineiro, à época cidade em franco desenvolvimento, e que atraía aqueles que estavam em busca de oportunidades de trabalho. O fato é que em 1901, Zacarias Alves de Melo já exercia a profissão de tipógrafo e fundava um pequeno jornal, o “Domingo”, de pouca tiragem e duração efêmera. Em dezembro de 1905, casa-se com a senhorita Maria Rita Ferreira da Rocha, de família tradicional do lugar, filha do Major Antero Ferreira da Rocha, boticário, fazendeiro, e importante chefe político de Uberaba, da qual, dentre outras funções, foi agente executivo entre 1901 e 1904, falecido em 1906, e de dona Isaura Cândida da Rocha.  Após a morte do sogro, muda para São Pedro da Uberabinha (atual Uberlândia), aonde em 1909, inaugura a Livraria e Tipografia Kosmos, que além de serviços gráficos e de editoração de jornais e livros, comerciava material escolar e de escritório, bem como vendia armas, arame, camas, ferramentas, gramofones, urinóis etc., enfim um verdadeiro armazém geral. Lá, imprimiu os jornais “O Brasil e a Livraria Kosmos”, cujo redator era o jornalista, historiador e cronista Pedro Salazar Pessoa Filho, também paracatuense; publicou também o Almanaque de Uberabinha, nos anos de 1910 e 1911, o romance Liberato e Afonso, de Pedro Salazar Moscoso da Veiga Pessoa, pai do homônimo acima citado, Trovador Real e impressos comerciais. A livraria se tornou um importante espaço de socialização da cidade, como se depreende do texto estampado no “A Livraria Kosmos” de 1909: “considera-se a livraria como espaço privilegiado para quem ama os livros, o que é sinônimo de civilização e cultura.” Mais ainda: “Para aqueles que estudam, e que amam os livros, para aqueles que admiram a resfolegação ritmada dos prelos em atividade, esse fato, a que os indiferentes não dão importância, reveste-se de um alto valor. O livro é a civilização e a terra onde o livro tem procura pode se gabar de ser culta.” O fato é que a Livraria Kosmos tornou-se um ponto de encontro dos intelectuais provincianos da cidade e região. Ao cair da tarde para lá se dirigiam homens como os paracatuenses padre Pio Dantas Barbosa, o juiz de direito da comarca Dr. Duarte Pimentel de Ulhoa, o jornalista Pedro Salazar e ocasionalmente seu pai, Dr. Pedro Salazar Moscoso da Veiga Pessoa, então juiz de direito na vizinha Araguari, pernambucano de nascimento e paracatuense de coração; citam-se ainda o promotor Manoel Lacerda, Nicolau Soares, Francelino Cardoso, professor Honório Guimarães, o charadista José Guerreiro, o historiador Tito Teixeira, bem assim o guarda livros João de deus Faria, que em um concurso lançado pelo jornal “O Brasil” em 1911 para mudar o nome da cidade, sugeriu Uberlândia. Zacarias participava ativamente dos eventos mais importantes do lugar, notadamente do carnaval, enfim, um agitador cultural. Não foi por acaso, que muitos anos depois, em 1959, por ocasião das comemorações dos 50 anos de fundação da Livraria Kosmos, Pedro Salazar Pessoa Filho escreveu uma crônica, em que afirma ter Zacarias Alves de Melo revolucionado as esferas jornalísticas, gráficas e culturais do Triângulo Mineiro. Major da Guarda Nacional fez incursões na política local exercendo o cargo de vereador. Em 1916, vende sua livraria Kosmos a Carlos de Oliveira Marques e muda com a família para o Rio de Janeiro, com intuito de estudar. Formou-se primeiramente em Farmácia pela Faculdade de Farmácia e Odontologia de Niterói; ao mesmo tempo trabalhava na produção de produtos químicos de uso industrial e doméstico, como por ex. formicidas e detergentes. E, após, em medicina pela Faculdade de Medicina também em Niterói em 1931, esta última formatura já em avançada idade, iluminando o desejo de saber que ele sempre possuiu. Formado, resolve estabelecer-se em São Paulo, na Rua Boa Vista. Aí, funda a revista Kosmos, publica um catálogo de seus produtos destinados aos médicos, dentistas e farmacêuticos, denominado “Novíssimo Formulário ZAM”. Ao mesmo tempo, continua suas atividades industriais, instalando uma indústria químico-farmacêutica com o nome de Laboratório Químico Industrial Kosmos. Exercendo a medicina, apaixona-se pela Hanseníase, tema em que irá se aprofundar, culminando com a publicação de um livro sobre o assunto intitulado “Policromorfose – Estudos Científicos Sobre a Moléstia Vulgarmente Conhecida pelas Denominações de Lepra, Morféia, Mal de Hansen ou de São Lázaro.” (nota: este livro ainda pode ser encontrado em sebos na Internet). O interesse pela doença, o levou a percorrer o Triângulo Mineiro procurando meios e modos de montar leprosários nos municípios triangulinos, missão que não conseguiu realizar. Ilustrado médico e figura representativa da sociedade paulista, suas contribuições a São Paulo, tanto como médico, como industrial, levou o poder público paulistano a homenageá-lo, eternizando seu nome em logradouro público – Rua Zacarias Alves de Melo, Jardim Ibitirama, Vila Prudente, São Paulo, capital.
Faleceu em 26 de janeiro de 1940. Parece não ter deixado descendência direta.
Fontes:
 1 – Jornal Lavoura e Comércio – Uberaba, 1940;
2 – Pereira, Antonio – cronista. Crônica publicada no Correio de Uberlândia, 2 de junho 2013;
3 – Santos, Regina Maria - Práticas Culturais: As Tipografias, os Jornais e as Livrarias em Uberlândia (1897-1950), História; Perspectivas;
4 – Familysearch.org – livros paroquiais de Uberlândia.

Texto de José Aluísio Botelho. Fevereiro de 2015.

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Texto José Aluísio Botelho
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Colaboração Mauro César da Silva Neiva


Família iniciada em Paracatu com o casamento do tenente Joaquim José de Santana e Dona Maria Peixoto. Não descobrimos a data em que se deu o enlace, bem como não sabemos a naturalidade e ascendência do casal. Filho descoberto:
1 – Capitão João José de Santana, nascido por volta de 1814, pouco mais ou menos, criado e educado com esmero pela tia paterna Dona Florência Maria de Santana, tornou-se um rico capitalista, comerciante na Rua do Calvário e fazendeiro; foi vereador do município; falecido em abril de 1895. Esparramado genearca, casou três vezes, deixando 14 filhos dos três leitos.
Com Luiza de Jesus de Afonseca Costa, nascida em 21/06/1816, filha de Antonio Joaquim da Costa, falecido em Araxá aos 31/12/1839, e de Caetana de Afonseca e Silva, 

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