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ELEGIA AO DR. JOAQUIM PEDRO DE MELO




  Escrito pelo Dr. Pedro Salazar Moscoso da Veiga Pessoa

                                            
                                   A SAUDOSA MEMÓRIA

                                                                      DO

                                                      Humanitário Médico


                                           DR. JOAQUIM PEDRO DE MELLO


                                            No 3º aniversário do seu falecimento


                                                           HOMENAGEM

                                                                     Da

                                                  GAZETA DE PARACATU

São passados três anos que do seio desta sociedade desapareceu para sempre o venerando e nunca assás pranteado Médico Dr. Joaquim Pedro de Mello.
Recordar este nome querido na data de hoje é um dever nosso, é um dever de todos os filhos desta terra, em cujos corações não pode deixar de existir gravado – porque nem tudo no mundo passa – o nome, ainda hoje mil vezes repetido, do ilustre paracatuense, entrelaçado numa saudade infinda.
Nós que, como tantos outros, conhecemos de perto a extrema bondade de seu magnânimo coração, que tantas vezes admiramos a grandeza de sua alma e testemunhamos os extraordinários  benefícios de sua mão caridosa, sabemos avaliar com exatidão a extensão a perda irreparável que sofreu, há três anos, a cidade de Paracatu com a morte do Dr. Joaquim Pedro, o pai amoroso dos desvalidos.
Ilustre, respeitável e respeitado por mais de um título da mais alta e merecida distinção, o eminente médico que tanto soube honrar e estremecer sua terra natal distinguia-se, sobretudo por essa face luminosa que constitui o dote mais glorioso das almas privilegiadas: a santa virtude da caridade.
Tal auréola de respeito e confiança circundava a fronte daquele velho quando levava solícito ao seio das famílias aflitas o balsamo de suas doces e paternais consolações e as luzes de sua experiência e do seu saber, que os seus próprios adversários o estimavam deveras, a despeito das injustas rivalidades das lutas partidárias.
Sofreu muito, porque infelizmente esta é a sorte dos que se sacrificam por amor da humanidade, por um ideal de justiça e de bem; mas, em compensação, deixou de si uma memória inolvidável no lugar que o viu nascer, e de certo – porque deus é justo – conquistou na Eternidade o prêmio da luz que só é dado aos espíritos santificados pela prática do amor ao próximo.
Uma estátua foi erguida pelas lágrimas dos que ainda hoje choram sua falta, o abrigo de sua sombra protetora; ela atestará aos paracatuenses vindouros, que aqui, neste longínquo torrão mineiro, existiu um grande homem e grande médico em cujo coração havia um lugar de predileção para a viuvez e para a orfandade, um remédio moral para todas as aflições, um afeto para todos os desvalidos!
Porém outra estátua muito mais duradoura, porque vive além da morte, honra a memória do Dr. JOAQUIM PEDRO DE MELLO: a estátua de gratidão no coração do povo.
A “Gazeta de Paracatu” cobre-se hoje de luto em homenagem ao ilustre Morto, e interpretando o sentimento de todos os paracatuenses, desfolha sobre a sua campa uma coroa imurchecível de goivos e saudades.
Transcrito do jornal A “Gazeta de Paracatu”, de 25 de março de 1894, número 23.
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Breve nota biográfica : O Dr. Joaquim Pedro de Melo nasceu em Paracatu em 1 de janeiro de 1822, filho natural do Comendador Joaquim Pimentel Barbosa e mãe ignorada. Estudou medicina na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, aonde colou grau em 1848. Retornando a sua cidade natal, passou a praticar medicina de modo humanitário, voltada para os pobres e necessitados de sua terra. Transformou sua casa na Rua de Goiás, em um hospital sempre pronto para receber os enfermos; para moças desvalidas, abrigo acolhedor, onde se educavam. Ao mesmo tempo, ingressou na política, substituindo o pai como chefe dos Conservadores de Paracatu.
Foi deputado provincial em Minas Gerais entre 1850 - 1855 e deputado geral do Império entre 1869 - 1877; foi vereador municipal.
Casou com sua sobrinha Josefa Roquete Franco, não deixando descendência conhecida.
Faleceu em 25 de março de 1891.

José Aluísio Botelho. Abril de 2015.







                        

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Colaboração Mauro César da Silva Neiva


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