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CENTENÁRIO DE CRISTALINA - GOIÁS

Por José Aluísio Botelho

A cidade e município de Cristalina, estado de Goiás, situada na divisa deste estado com o de Minas Gerais, distando cerca de 100 km de Paracatu, última cidade do sertão do noroeste mineiro, antes de se ingressar em Goiás, jurídica e afetivamente comemorou seu centenário no dia 18 de julho de 1916, data da lei Estadual nº 533, criou o município de São Sebastião dos Cristais, desmembrado do de Luziânia.
No entanto, a instalação solene só seu deu em 15 de janeiro de 1917, o que na prática representa o início da emancipação política e econômica do município, e sua existência de fato. A lei Estadual de nº577 de 31 de maio de 1918, em substituição do nome de São Sebastião dos Cristais, o nome da sede municipal passa a denominar Cristalina, e que vigora até os dias atuais.
Fazendo um breve histórico da região, recorremos inicialmente ao padre Raimundo Des Genettes, que foi vigário colado de Santa Luzia (Luziânia), ao quem pertencia a Serra dos Cristais, nome primitivo do lugar. De Genettes, francês de nascimento, brasileiro por adoção e opção, conheceu em minúcias os territórios do sertão da farinha Podre, e Paracatu em Minas Gerais, assim como grande extensão do estado de Goiás: foi ele o primeiro explorador da Serra dos Pirineus, situada na região de Pirenópolis. Multifacetado, era médico, exercendo a clínica e a cirurgia, jornalista, historiador, geógrafo e também estudioso da geomorfologia dos terrenos por onde andava, a Serra dos Cristais inclusa. Aí defendeu, quando era deputado provincial goiano, lá pelos anos de 1882-83, arduamente os pequenos e míseros garimpeiros, extratores rudimentares do cristal-de-rocha para sua sobrevivência, contra os garimpeiros profissionais que queriam expulsá-los da região. Em janeiro de 1883, ele faz uma sucinta cronologia da prospecção e exploração do Cristal na serra: segundo ele, entre 1804 a 1816, havia alguma animação com garimpo; entre 1816 e 1824 a extração do mineral reacendeu, e milhares de quilos foram remetidos para os mercados da Alemanha e Inglaterra; entre 1824 e 1865 houve alternativas de baixa e recrudescência no valor do cristal e a extração se sustentou; de 1865 a 1870, quase abandonada; a partir de 1870 a exploração da pedra preciosa se recrudesceu. É nessa época que na Europa, os estudos geopolíticos do continente indicava a inevitabilidade de um grande conflito armado na região, que viria a culminar na Primeira Grande Guerra Mundial; nesse contexto, o cristal ganhava importância na indústria bélica, sendo essencial na fabricação de radares, sonares, armas etc. Não é por acaso, a presença de pesquisadores europeus na região dos cristais, principalmente alemães, como o sr. Sturzenecker, que lá estava na década de 1870, assim como na virada do século, com a chegada dos alemães Mohn, Edinger, Layser, e dos franceses Lepesqueur, Laboissére e Levy. O desenvolvimento da Serra dos cristais no último quartel do século dezenove era muito lento, havia poucas famílias de garimpeiros, e a presença de grandes proprietários de terras, impedia a expansão do garimpo. Já no alvorecer do século vinte, através da lei municipal nº15 de 12 de outubro de 1901, o lugar passa a se chamar São Sebastião dos Cristais, pertencente à comarca de Luziânia. Em 1904, a povoação tinha 30 casas cobertas de telhas e 70 ranchos cobertos de palha, com cerca de 500 habitantes; nesta época houve o primeiro movimento de emancipação, quando foi elaborado um abaixo-assinado pelos moradores, capitaneado pelo francês Emílio Levy, e entregue ao governo estadual, solicitando a demarcação do perímetro urbano da localidade; a tentativa foi mal sucedida diante da resistência dos grandes fazendeiros, cujas terras circundavam o arraial, que se diziam os legítimos proprietários das terras que circundavam o arraial. Por fim, o êxito só seria alcançado, como já referimos anteriormente, em 1916.
Publicamos abaixo a ata de instalação do Município de São Sebastião dos Cristais, na sede do mesmo nome, em 15/01/1917, com a assinatura dos membros da Intendência, autoridades e gente do lugar. Apoiaram o ato solene, muitos paracatuenses, dentre eles, o avô do autor destas notas, José Jacinto Botelho, proprietário da fazenda Arrojado, nas cercanias da Vila.

                             Extraído do Jornal de Cristalina 

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