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SÉRIE BIOGRAFIAS - PROFESSOR GRACIANO GOMES CALCADO

Por José Aluísio Botelho
Colaborou Eduardo Rocha


Nascido por volta de 1867 (tinha 32 anos no inventário do pai) em Paracatu, e falecido em Belo Horizonte em 1948, filho legítimo do ourives João Evangelista Gomes Calcado, falecido em 08/07/1889 em Paracatu, e de Maria Gonçalves Moreira. Normalista formado na turma de dezembro de 1892, pela Escola Normal de Paracatu, deixou a terra natal em busca de emprego e de novos horizontes; foi nomeado em 1894 como professor de instrução primária, para o povoado de Jesus Maria José da Boa Vista (hoje extinto, atual Aranha), na região de São José de Paraopeba; transferido para a cidade de Bonfim, foi lente do Instituto de Humanidades por largos anos, e onde surgiu a ideia da Nova Escola; ao longo de sua carreira no magistério mineiro, foi professor em Campo Belo e Bom Despacho, assim como exerceu o cargo de inspetor regional de ensino.
Inquieto e sonhador, foi um dos precursores do binômio escola/comunidade; escreveu dois livros voltados para tema: “A lavoura Econômica ou a Horta para a vitória” e “Universidade e Trabalho.” Elaborou uma revolucionária e curiosa proposta de ensino intitulada “Leitura Elementar para a Escola Moderna” através de um sistema racional de lições primárias, que consistia em ministrar à criança em doze diminutas (sic), a noção dos valores dos sons, de acordo com um plano engenhoso, que aproxima o som dado a objetos e símbolos, relacionados com as letras que se quer fazer compreender pelo aluno (in: Correio da Noite, Rio de Janeiro, edição 146, de 24/06/1914). Seu projeto de ensino foi rejeitado pelo então conservador Conselho Superior de Instrução de Minas Gerais em novembro de 1914.Sobre ele, escreveu o professor Antonio Lara Resende, seu antigo aluno em Bonfim, e que se tornou seu grande amigo, no seu livro “Memórias”, publicado no Blog do Jair, que transcrevemos com algumas adaptações: “O professor Graciano Gomes Calcado foi um dos homens mais singulares que conheci. Sonhador, seu maior desejo era construir uma universidade rural em Paracatu, isso lá pelos anos de 1921. Certa manhã de 1948, sabendo internado, foi visitá-lo, e propôs transferi-lo para um quarto particular, mas ele recusou a oferta. O professor Resende presenciou sua morte e assim descreveu o momento: No dia seguinte, já o encontrei em plena agonia. Entre lágrimas que lhe rolavam na fisionomia serena sem a mínima contração: Meu amigo, meu amigo! Você é muito bom! Reze…! E Morria numa enfermaria geral da Santa Casa de Misericórdia da capital mineira; desaparecendo como indigente mais um de tantos grandes homens de quem tantas lições colhemos até no momento da partida para a casa do pai.”
Também o historiador Oliveira Mello, seu conterrâneo, em seu mais recente livro de biografias “Vida e Vozes – No Caminho da História”, dedica um verbete ao ilustre paracatuense, homenageando-o com um texto de Tabajara Pedroso, extraído do jornal “O Diário” de Belo Horizonte, edição de 12/08/1964, do qual extraímos alguns trechos:
Ninguém é profeta na sua terra. Graciano Gomes Calcado a despeito de não ter sido compreendido pelos homens de seu tempo, merece o galardão de precursor do sistema socioeducativo que relaciona a escola com a comunidade, ora em trânsito pelo país.”
Mediante dissertação bem coordenada e esquemas elucidativos, o ilustre mestre mostrava como pretendia criar uma coletividade rural de finalidade econômico-social, constituída de escola, cooperativa agropecuária, posto de higiene, igreja ou capela. A escola, como centro vitalizador da comunidade, penetrando nos lares, estabelecendo os elos de preparação e ligação com as demais instituições. E assim se comporia um complexo harmônico visando à formação do homem dentro das vivências próprias ao meio ambienta, apegando-o â terra. À igreja caberia conter os excessos, reajustar os desajustados, enfim, seria o elemento moral da comunidade.”
O professor Graciano Gomes Calcado foi um homem a frente de seu tempo. Nunca casou, nem deixou descendentes conhecidos.

O professor Graciano está assinalado no círculo.





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