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MESTRE DE CAMPO MANUEL NUNES VIANA - CONTRIBUTO À GENEALOGIA DO SERTÃO DO RIO SÃO FRANCISCO

Por José Aluísio Botelho Manoel Nunes Viana foi um personagem lendário que viveu em Minas Gerais no período colonial, retratado em vasta literatura histórica, que estuda a trajetória deste português nos sertões mineiros, notadamente, no norte de Minas, às margens direita do Rio São Francisco em direção dos currais da Bahia e Pernambuco. Na Web, encontra-se uma profusão de narrativas a seu respeito e a seus feitos, sendo que algumas delas são eivadas de episódios épicos sem nenhuma comprovação documental, dando ao personagem epítetos mitológicos. Manoel Nunes Viana veio para o Brasil na última década do século dezessete, e parece ter inicialmente aportado em Salvador, de onde passou para os sertões mineiros, mais precisamente, para a freguesia de Barra do Rio das Velhas, termo de Serro do Frio, comarca de Sabará. Nesta região, amealhou bens de raiz, como por exemplo, a lendária fazenda Tábua ou Jequitaí, sempre em sociedade universal com seu parente Manoel Rodrigues Soares * , f...

PARACATUENSES COIMBRÃOS

Por José Aluísio Botelho Durante o período colonial, desde os descobertos de 1744 até 1822, quando da independência do Brasil, raros foram os filhos de Paracatu que estudaram na Universidade de Coimbra. Embora a historiografia oficial nos dá notícia da grande produção de ouro nas minas do Paracatu, parece que não se formaram famílias abastadas o suficiente para sustentar filhos estudando na Europa. No site da Universidade de Coimbra localizamos as matrículas de somente cinco estudantes paracatuenses, sendo três nascidos nos tempos de arraial, e dois nascidos na recém-criada vila de Paracatu do Príncipe. Acrescentamos à lista pela relevância, um filho de paracatuense, nascido em Paris, que se tornaria um dos grandes do segundo império, com o título de Visconde de Uruguai, bem como o Dr. José Gregório de Moraes Navarro, embora natural de Pitangui, teve papel crucial na instalação da Vila de Paracatu em 1799. Na maioria das matrículas, o nome dos pais não são referidos. Portanto, ao fi...

PRESCILIANA DE SIQUEIRA TORRES

POR JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO Presciliana (ou Perciliana) de Siqueira Torres ou Siqueira Cidrão (Sidrão) foi mãe solteira na segunda metade dos oitocentos. Carregava sobrenome de peso, originário no estado de Alagoas: lá, o sobrenome, tradicional, despontava na figura do poderoso político alagoano Joaquim Antônio de Siqueira Torres, o barão de Água Branca. Em Paracatu, no mesmo milésimo, viveu um irmão do Barão, o não menos poderoso chefe da igreja católica na região, cônego Miguel Arcanjo de Siqueira Torres. Na poeira do padre, veio seu irmão, igualmente padre, Alexandre Sidrão de Siqueira Torres, bem como alguns parentes que galgaram projeção social em Paracatu e alhures como os coronéis, Luiz Vieira de Siqueira Torres e Antônio de Siqueira Torres, sobrinhos do reverendo.   Presciliana nasceu em Paracatu, filha natural de Maria José da Silva e pai incógnito, provavelmente filha do padre Alexandre Sidrão, se atentarmos para o sobrenome dela na sua guia de sepultamento, que a iden...

A INQUISIÇÃO EM PARACATU - RELATO DE UM CASO

Por José Aluísio Botelho PADRE JOÃO DE SOUSA TAVARES Desde que foi criado o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição em fins do século quinze em Portugal, milhares de denúncias foram recebidas pela promotoria do Tribunal tanto de Portugal continental, como das colônias de além-mar, sendo que, a esmagadora maioria dos processos foram arquivados, porque não atendiam os requisitos para o prosseguimento das ações. Localizei na Torre do Tombo, no arquivo denominado Cadernos do Promotor, um desse processos, relativo ao arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu, datado de 1776, em que um padre foi acusado de possíveis crimes alcançáveis pelos braços da inquisição. O HOMEM Padre João de Sousa Tavares, era natural da cidade da Bahia (assim era a denominação, muitas vezes, dada à cidade de Salvador, na Bahia, então capital do Brasil colônia), bacharel em leis pela Universidade de Coimbra, aonde matriculou no curso de Leis em 01/10/1729, formando em 01/10/1734. O padre João de So...