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PRESCILIANA DE SIQUEIRA TORRES

POR JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO

Presciliana (ou Perciliana) de Siqueira Torres ou Siqueira Cidrão (Sidrão) foi mãe solteira na segunda metade dos oitocentos. Carregava sobrenome de peso, originário no estado de Alagoas: lá, o sobrenome, tradicional, despontava na figura do poderoso político alagoano Joaquim Antônio de Siqueira Torres, o barão de Água Branca. Em Paracatu, no mesmo milésimo, viveu um irmão do Barão, o não menos poderoso chefe da igreja católica na região, cônego Miguel Arcanjo de Siqueira Torres. Na poeira do padre, veio seu irmão, igualmente padre, Alexandre Sidrão de Siqueira Torres, bem como alguns parentes que galgaram projeção social em Paracatu e alhures como os coronéis, Luiz Vieira de Siqueira Torres e Antônio de Siqueira Torres, sobrinhos do reverendo.  Presciliana nasceu em Paracatu, filha natural de Maria José da Silva e pai incógnito, provavelmente filha do padre Alexandre Sidrão, se atentarmos para o sobrenome dela na sua guia de sepultamento, que a identificou como mulher branca; Presciliana foi uma, dentre tantas mulheres que viveram no século dezenove, vítima do domínio patriarcal e machista vigente à época, submissa e explorada sexualmente, num tempo em que não havia como evitar filhos; provavelmente analfabeta, viveu e morreu desconhecida, sem imaginar que filhos naturais de sua lavra se tornariam homens de relativa importância na sua área de atuação. Não importa, sua memória foi eternizada através dos filhos que concebeu. Faleceu aos 72 anos, sepultada em 17/03/1923.
Seus três filhos descobertos:
1 Major Jesuíno de Siqueira Torres, o único dos três em que o nome do pai é conhecido, filho natural que foi do abastado fazendeiro Teófilo Martins de Melo Franco, de família inconteste.
Ainda jovem, normalista, foi professor de primeiras letras nas cidades do Carmo de Paranaíba, Dores do Indaiá e Araguari entre 1892 e 1896. Rico comerciante, com estabelecimento situado na esquina da rua do Ávila com a atual Samuel Rocha, defronte da Casa da Cultura, lá pelos idos de 1900, bem como fazendeiro e pecuarista importante, que muito contribuiu para o progresso de Paracatu. Participou ativamente da política municipal como membro do Partido Republicano Popular, fundado em 1909; no judiciário, exerceu o cargo de juiz municipal interino.
Casou com dona Flora da Silva Neiva, deixando os filhos:
1.1 Floriano de Siqueira Neiva; engenheiro formado na escola de engenharia de Araraquara, SP; com especialização em engenharia mecânica e elétrica em Nova Iorque; foi prefeito de Montes Claros, MG;
1.2 Leontina de Siqueira  Neiva, casada com José Gonçalves de Ulhoa, com descendência nos Silva Neiva, neste 'blog';
1.3 Belísia de Siqueira Neiva. Foi casada com o Dr. Luís Pinto Pereira da Silva, natural do RS; foi Promotor e Juiz Municipal em Paracatu. 
2 Alarico Torres Verano. *Nascido em 1877, aproximadamente, filho de pai incógnito, casou no final do século dezenove com Carlota de Sousa Gonçalves, filha de Marcelino de Sousa Gonçalves e de Maria da Conceição Souto. *(Pesquisa de Eduardo Rocha)
Sobre Alarico:
Normalista pela antiga Escola Normal de Paracatu, diplomado em dezembro de 1894; nomeado professor primário na escola rural do Paiol em junho de 1895 e posteriormente na cidade de Paracatu, onde exerceu o magistério com afinco durante anos a fio; mudou-se com a família para o estado de Goiás, e em 1920, é nomeado diretor de um colégio de instrução primária e secundária em Luziânia. Dali, muda-se para Anápolis, onde se fixa definitivamente. Nesta cidade, o professor Alarico persistiu no magistério, exercendo as funções de mestre, bem assim de diretor do grupo escolar municipal. Ao longo da vida, adquiriu vasta cultura, tornando-se respeitado nos meios intelectuais de Goiás. Não descobrimos a data de sua morte. O professor Alarico Torres Verano foi eternizado ao ser homenageado pelo poder público de Anápolis, dando seu nome a uma rua da cidade.
O filho famoso:
2.1 Osvaldo Torres Verano, nascido em 1908 em Paracatu e falecido em 1986 em Anápolis, Goiás, onde viveu desde criança. Nada sabemos sobre sua vida pessoal, mas, pontificou-se nas artes plásticas na cidade de sua adoção.
“Foi o fundador da primeira escola de artes em Anápolis, para onde veio bastante jovem e formou vários dos artistas que hoje fazem parte do panorama cultural da cidade. É considerado o precursor das artes na cidade. Estudou pintura e desenho no Liceu de Artes e Ofício do Rio de Janeiro e frequentou a antiga Escola Nacional de Belas Artes, também no Rio. Obteve várias premiações e menções honrosas em salões cariocas.
Começou a pintar aos 12 anos e seu estilo era o acadêmico. Pintava a natureza, numa expressão de plena beleza e encanto. Morreu em 1986, aos 78 anos. Muito dos bons pintores anapolinos foram seus alunos na Academia Anapolina de Belas Artes.” (texto extraído do blog – Museu de Artes Plásticas Loures).                                 
Osvaldo Verano (Reprodução)
2.2 Cícero Tupy Torres Verano;
2.3 Hercília Torres Verano; foi casada em 1915 com Agenor Caldas;
2.4 Sílvia Torres Verano, casada com Gergino Martins Ferreira;
2.5 Brasília Torres Verano;
2.6 Izabel Torres Verano Ferreira;
2.7 América Torres Verano. 

4 Dr. Henrique Itiberê, nasceu em Paracatu em 1.º de maio de 1874, e aos 18 anos é diplomado normalista pela Escola Normal de Paracatu; estudou humanidades em Ouro Preto, Barbacena e São Paulo. Posteriormente ingressou na faculdade de direito do Largo de São Francisco, formando em 1902. Quando estudante foi jornalista, editor do jornal de “Itapira”, do “Minas Geraes”, e diretor do Correio Paulistano até 1902, quando deixa o cargo para exercer a advocacia, tanto na capital como no interior do estado de São Paulo; delegado de polícia em Botucatu, 1907; em 1915 retorna à sua cidade natal, onde exerce sua profissão com regularidade, torna-se colaborador da imprensa local, e ingressa na política. É eleito, em novembro daquele ano vereador, e, posteriormente, presidente da Câmara e agente executivo municipal. Sua plataforma de governo na ocasião: “animar a lavoura; criar estradas de automóveis ligando Paracatu à Pirapora e Catalão; estimular a indústria pastoril; cuidar com o mais acurado zelo da arrecadação das rendas municipais, estabelecendo novos moldes de equidade e justiça”. Era um período de extrema radicalização na cidade, e o Dr. Itiberê é deposto 'sic' em janeiro de 1921. Desgostoso com os acontecimentos políticos de que foi vítima, retorna a advocacia, e assim como seu irmão, passa com a família para o estado de Goiás. Neste estado foi juiz de direito da comarca de Santa Luzia (Luziânia) e Natividade: nesta cidade do extremo norte goiano, adquire notoriedade ao apaziguar a região, infestada de jagunços, prendendo e condenado com destemor. Como prêmio, foi nomeado em 1927, desembargador do Tribunal de Justiça de Goiás, cargo em que se aposentou do serviço público. Aposentado, portanto, retorna à advocacia, estabelecendo-se na cidade de Rio Verde, e lá atribuíram postumamente seu nome a uma rua da cidade. Foi a última notícia que tivemos do ilustre paracatuense. O Dr. Henrique Itiberê casou em São Paulo, em 1905, aproximadamente, com dona Julieta Campos Vilela, filha do industrial português Manoel da Silva Vilela e de Carolina Campos Vilela. Descobrimos dois filhos do casal:
3.1 Dr. Darcy Vilela Itiberê, nascido em 1/6/1906, morreu centenário; formado em medicina no Rio de Janeiro, especializado em Urologia, foi médico conceituado em São Paulo;
Nota: por ocasião de seu centenário, em entrevista à revista da APM (Associação Paulista de Medicina) de outubro de 2006, ele omite as origens paternas;
4.2 Alfredo Vilela Itiberê.
Fontes:
1 Arquivo do autor;
2 Hemeroteca da Biblioteca Nacional do Brasil – Jornais da época (diversos).
3 Inventário de Félix Pereira da Costa e sua mulher - Arquivo Público de Paracatu.

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