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GUARDA-MOR JOSÉ RODRIGUES FRÓES



Por José Aluísio Botelho                                    

                        
                          NOTA INTRODUTÓRIA

 Esse vulto que tamanho destaque merece na história de Paracatu e de Minas Gerais, ainda precisa ser mais bem estudado. O que se sabe é que habilitou de genere em 1747 (o processo de Aplicação Sacerdotal se encontra arquivado na Arquidiocese de São Paulo), quando ainda era morador nas Minas do Paracatu, e embora fosse comum aos padres de seu tempo, aprece que não deixou descendentes*. Que ele foi o descobridor das minas do córrego Rico e fundador do primitivo arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu, não resta nenhuma dúvida. De suas narrativas deduz-se também, que decepcionado com a produtividade das datas minerais que ele escolheu, por direito, para explorar, abandonou sua criatura e acompanhou os irmãos Caldeira Brandt, que tinham assumido através de arrematação o 3º contrato de diamantes, rumo ao distrito diamantino.



                            GENEALOGIA 


 Fróis/Fróes - o genealogista e descendente Luís Fróis descreveu a origem da família: "O apelido Fróis é, assim como muitos outros, de origem patronímica, deriva de Froilaz, que significa filho de Froila, pelo que não se pode falar numa única família Fróis, mas em inúmeras e diferentes famílias deste apelido que, provindo de um varão de nome Froila ou não, fizeram desse patronímico o seu apelido, com diversas origens geográficas, sociais e econômicas.
Assim, na região do oeste dos finais do século XVI a finais do século XVIII, num espaço compreendido entre Évora de Alcobaça e Aljubarrota, encontram-se com relativa frequência pessoas de apelido Fróis, muitas vezes antecedido do apelido Rodrigues. Parece tratar-se de uma única família, como é possível constatar pela homogeneidade dos estatutos sociais e profissionais dos seus membros, pela combinação de apelidos que apresentam (Rodrigues Fróis) e ainda pelo espaço claramente delimitados das suas origens (senhorio do Mosteiro de Alcobaça).
O primeiro caso documentado respeita ao padre Bento Rodrigues Fróis, nascido em cerca de 1581 em Santiago Maior de Évora de Alcobaça, e que em 1646 era vigário perpétuo na igreja paroquial desta vila. No entanto, não se tem certeza se pertencem ao mesmo tronco familiar ou se a diferentes linhagens deste nome.
A família Fróis, constituída por gente campesina de pequenos e médios recursos ao longo do século XVII, alcançou maior desafogo econômico no século XVIII. Nestes dois séculos deu várias gerações de padres em Aljubarrota, familiares do Santo Ofício e negociantes com interesses no Brasil", como o coronel: Pedro Rodrigues Fróes, filho de Francisco Granjeiro e de Maria Rodrigues Fróes, naturais da freguesia de Santiago da Vila de Évora Couto de Alcobaça, distrito Leiria, Portugal; familiar do Santo Ofício da Inquisição de Lisboa, transferiu-se para o Brasil, estabelecendo-se inicialmente em Mogi das Cruzes, São Paulo, onde ocupou cargos de vereança, e em 13 de agosto de 1728, recebeu carta-patente de coronel do Regimento de auxiliares da vila, cargo não remunerado, mas honorífico. Na década de 1730, passou a Minas Gerais, sendo que em 1737 já era morador no Caminho Novo de Goiás, com sesmaria as margens do Rio São Francisco, confrontando com Lourenço Coimbra da Costa. Em 1744, participou junto com o filho José Rodrigues Fróes da instalação do Arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu. Em 1746 figura como irmão da irmandade de Santana no dito Arraial. Em 1749, vende suas terras minerais, passando com os filhos para a região Diamantina, fixando-se Itacambira. Casou em cerca de 1700, com Izabel Barbosa de Moraes, natural de São Paulo, filha de João Martins Bonilha e de Maria Correia de Moraes. Dona Izabel faleceu em Mogi das Cruzes em 20 de abril de 1742. Filhos descobertos:

1 – Guarda Mor José Rodrigues Fróes, natural da vila de Mogi das Cruzes, onde foi batizado em 19 de dezembro de 1701.  Passou as Minas Gerais, em companhia do pai,  minerou no Serro do Frio (atual cidade do Serro) perambulou pelos sertões das gerais à cata de minas de ouro, e afortunadamente, em 1743, as encontrou nos sertões do Rio Paracatu; fundador do arraial primitivo que lá se iniciou, batizado por ele de arraial de São Luiz e Santana, mesmo nome dado ao córrego em que foram encontrados os veios de ouro de aluvião, e que posteriormente passou a ser chamado pelo povo de córrego Rico. Em 1749, ele deixa as Minas do Paracatu, juntamente com o pai e os irmãos Salvador e Bento, e se estabelece no distrito diamantino. Fomos encontra–los em Itacambira, onde Salvador Rodrigues Fróes batiza filhos lá nascidos, bem como em 1754, José Rodrigues Fróes aparece como padrinho de batismo. Foi a última notícia concreta que dele tivemos. 
Transcrição: Aos dezanove dias do mês de março de mil settecentos esincoenta equatro annos baptizei epus os santos óleos aAntonio filho legitimo de Vitorino Pereyra de Mello ePaula de Souza. Foy Padrinho oGoarda mor Jose Rodrigues Froes, de que fis esse assento. Vigario Jeronimo de Macedo Portugal. 

 *Nota: Em correspondência datada de 20 de junho de 1781, entre o Alferes João marinho de Castro, morador em Vila Rica, e Vicente Vieira da Mota, morador no Arraial do Tijuco (atual Diamantina), com uma ordem de crédito para o dito José Rodrigues Fróes, sugere ser ele já falecido naquela data, sem deixar descendentes.


2 – Antônio Rodrigues Fróes nascido em 1703 em Mogi das Cruzes. Casou em 1736 com Catarina Bueno da Luz com descendência; faleceu em Atibaia, São Paulo, aos 24 de outubro de 1756;

3 – Francisca Rodrigues Fróes, batizada em 08 de setembro de 1708 em Mogi das Cruzes, sem mais notícias;

4 – Miguel Rodrigues Fróes, batizado em 9 de março de 1715 em Mogi das Cruzes; casou em 1745 com sua parenta Francisca Pedrosa Leme, com descendência; em Paracatu, viveu um filho: 
4.1 - Ignácio Rodrigues Fróes, casado nas Minas do Paracatu com Tereza de Jesus Mendes, natural de Sabará; descobrimos a filha:

4.1.1 -Maria, batizada em 16/01/1772;

5 – Salvador Rodrigues Fróes, batizado em 1718, em Mogi das Cruzes; casou com Maria Pedrosa Leme, foi morador nas minas do Paracatu e parece ter sido o único da família Fróes a deixar descendência no lugar. Filhos:

5.1 – Maria Rodrigues Fróes, natural de Mogi das Cruzes. Casou em 1763 em Itacambira com Manoel Alves Pereira;

5.2 – Capitão Pedro Rodrigues Fróes, natural de Mogi das Cruzes; casado em Paracatu com Dona Maria da Silva Albuquerque, filha de Alexandre José de Castro e Agostinha da Silva Albuquerque; filhos:

5.2.1 - Joaquim Rodrigues Fróes, nascido em 26/07/1775 no Arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu;

Batismo Joaquim

5.2.2 -Agostinha, batizada em 10/07/1775 nas Minas do Paracatu;
5.2.3 - Capitão Salvador Francisco Rodrigues Fróes, nascido nas Minas; casou duas vezes: 1ª vez com sua prima Tereza Duarte Ferreira, nascida em 1791 e falecida em 1825; 2ª vez com outra sua prima Dona Antônia Feliciana da Gama.
Filhos do primeiro matrimônio, nascidos na Bahia, aonde o casal era morador:

5.2.3.1 - Mariana Rodrigues da Silva Fróes, casada com descendência;
5.2.3.2 - Maria Izabel Rodrigues da Silva Fróes, casada com descendência;
5.2.3.3 - Maria Agostinha Rodrigues da Silva Fróes, casada com descendência;
5.2.3.4 - Deolinda Rodrigues Fróes; 

Filhos do Segundo matrimônio, nascidos em Paracatu, para onde retornou o capitão ao enviuvar-se, estabelecendo com a segunda esposa no distrito de Santana dos Alegres, atual João Pinheiro. Proprietário abastado, dono das fazendas Jacaré e Banabuiú.

5.2.3.5 - Teresa Rodrigues Fróes, casada com o capitão Francisco Temístio de Assis, com pelo menos uma filha, que descobrimos:

5.2.3.5.1 - Zenóbia, casada com seu tio Cândido Fróes da Gama, item 5.2.3.8;

5.2.3.6 - Izabel Rodrigues Fróes, casada com o capitão Joaquim Antônio de Figueiredo Torres;

5.2.3.7 - Manoel Fróes da Gama, casado com Ana Carneiro de Mendonça;
 5.2.3.8 - Cândido Fróes da Gama;

5.3 – Jacinta Rodrigues Fróes, natural de Paracatu. Casou em Itacambira com Pedro Pereira de Lima;

5.4 – Helena Rodrigues Fróes, natural de Paracatu; ainda vivia em 1815, por ocasião do batismo da neta Luísa. Casou com o Guarda-mor Manuel José da Cunha, natural da freguesia de Santa Maria Maior da vila de Viana (Viana do Castelo) filho de José Teixeira da Cunha e de Apolônia Maria Josefa, nascido em 1731; o GM já era falecido em 1815.                      
Casamento dos pais

Batismo - Manoel José da Cunha

Pais de:
5.4.1 - Clemente José da Cunha, nascido em 07/06/1772 em Paracatu; imagem do assento de batismo:
Batismo Clemente

5.4.2 - José Caetano da Cunha, casado com Felizarda Norberto da Silveira: filha descoberta: Tomásia, batizada em 08/12/1814; 
5.4.3 – Maria José da Cunha Fróes, nascida em Paracatu em 1889, e falecida em Araxá, Minas Gerais em 1869. Casou com o capitão Floriano de Toledo Pisa, nascido em Pitangui em 1777, e falecido em Araxá a 25 de maio de 1855. Filhos, todos nascidos em Paracatu:

5.4.3.1 – Luísa Josefina de Toledo, nascida em 10/06/1815; foi casada com Luiz Pinto Brochado, nascido em 1809 em Paracatu. Filhos:
5.4.3.1.1 – Idalina Josefina Brochado;
5.4.3.1.2 – Adelaide Carolina Brochado;
5.4.3.1.3 – Alípia Cândida Brochado;
5.4.3.2 – Jacinta de Toledo casada que foi com Francisco Batista Roquete Franco. Filho:
5.4.3.2.1 – Horácio Augusto Roquete Franco que foi casado com Leocádia Tormin;
5.4.3.3 – Francisca Tertuliana de Toledo, nascida em Paracatu em 1825 e falecida em Carangola em 1892; casou duas vezes com descendência dos dois leitos;
5.4.3.4 – Pedro Afonso de Toledo, falecido em Araxá, onde deixou descendência;
5.4.3.5 – Ana Jacinta de Toledo;
5.4.3.6 – Antônio Augusto de Toledo, nascido em 1832 e falecido em 1880 em Araxá, onde casou com Tomásia Augusta de Toledo, natural de Itapecerica (Minas). Faleceu em 1891 em Araxá. Deixou os filhos, dentre outros:
5.4.3.6.1 – Lafaiete de Toledo Pisa, autor de uma genealogia sobre a origem dos Fróes, cujo original foi publicado na revista do Arquivo Público Mineiro, 1903;
5.4.3.6.2 - Otaviano de Toledo, nascido em 1864 e falecido em 23/09/1894 em Araxá;

5.4.4 - Francisco, nascido em 10/01/1776;

5.4.5 - João, nascido em 15/10/1777;

5.4.6 -Mariana da Cunha Fróes, casada com o capitão José Batista Roquete Franco, filho de outro e de Josefa Roquete;

5.4.7 - Ana Apolinária da Cunha, batizada em 04/10/1773; casada em 1792 com Domingos André Couto, natural de Pitangui, filho de outro Domingos André do Couto e de Catarina Paes da Silveira; Foram moradores na fazenda do Ribeirão do Rio da Prata, lugar denominado Catinga, termo de Santana dos Alegres.

5.4.8 - Manoel Antônio da Cunha;

5.5 – Manoel Rodrigues Fróes, natural de Itacambira, onde foi batizado a 22 de abril de 1755;

5.6 – Matias Rodrigues Fróes, batizado em Itacambira a 08 de setembro de 1759;

5.7 – Francisca de Sales Rodrigues Fróes, sem mais notícias;

6 – Maria Rodrigues Fróes, batizada em 23 de janeiro de 1713 em Mogi das Cruzes; aí casou em 26 de junho de 1742 com o capitão Marcelino Correia de Matos, com descendência;

7 – Bento Rodrigues Fróes. Em 1760 vivia em Itacambira;

8 – João Rodrigues Fróes ou João Martins Bonilha, casado com Quitéria de Sousa Leal, natural da Bahia; filho descoberto, que viveu nas Minas do Paracatu:

8.1 - Teodósio Rodrigues Fróes, casado com Helena Soares Paes, filha de Custódio Pinheiro da Costa, natural do Porto e de Teresa Soares Paes, natural de Goiás, filha de Antonio Soares Paes e de Ana Maria Leme, paulistas; 

Filhos descobertos:

8.1.1 - Ana, batizada em 19/03/1775; 

8.1.2 -João, nascido em 04/04/1777 nas Minas do Paracatu;
Batismo João
9 – Quitéria Rodrigues Fróes, batizada em 14 de junho de 1722 em Mogi das Cruzes; casou em 1744, com o português Manoel de Sousa Leal, morador no arraial da Cachoeira, distrito de Ouro Preto, após longo processo de dispensa matrimonial;

10 – Helena Rodrigues Fróes, batizada em 1724 em Mogi das Cruzes e falecida na vila de Santa Bárbara, Minas Gerais a 02 de novembro de 1794; está enterrada na Matriz de Santo Antonio.
 
Óbito de Dona Helena Fróes

 Testou em 30 de julho de 1794, onde declara o nome dos pais, local de nascimento, bem assim diz ser analfabeta e que todos os bens do casal estavam penhorados pelos credores, estando em estado de pobreza; casou em Paracatu em 1745, com o capitão mor Joaquim Caldeira Brandt. Sobre Joaquim Caldeira Brandt, em 9 de julho de 1744 era morador em Meia Ponte (atual Pirenópolis), Província de Goiás, onde trabalhava com mineiro perito, e nesta mesma data pede autorização para passar as minas do novo descoberto do Paracatu. Já morador no arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu, obtém patente de capitão mor de ordenanças do arraial a 4/11/1745.Tinha sociedade com os irmãos na mineração, tanto em Goiás como em Paracatu. Em 1749, por ocasião da arrematação do 3º contrato de diamantes pelo seu irmão Felisberto Caldeira Brandt, retorna a Goiás para administrar as minas de Rio Claro e Pilões. Em 1752, com a baixíssima produtividade dessas minas de diamantes, muda-se com a família para a vila do Tijuco (Diamantina). Posteriormente, fixa-se na Comarca de Sabará, e aí falece em 1761, como podemos depreender de dois documentos datados de 9 e 27 de julho de 1761, emitidos na Vila de Sabará, nos quais Dona Helena Rodrigues Fróes, solicita a confirmação do rei de Portugal, de sua condição de tutora de seus quatro filhos menores, por falecimento de seu marido Capitão Joaquim Caldeira Brandt. Filhos:

10.1 – Licenciado José Caldeira Brandt. Em 1794 era morador na vila de Santo Amaro do Brumado, freguesia de Santa Bárbara. Foi casado com Inês Perpétua de Jesus com descendência;

10.2 – Joaquim Caldeira Brandt. Em 1794, vivia no arraial de Paracatu no estado de solteiro;

10.3 – Maria Inácia do Nascimento. Casou duas vezes; 1ª vez com Manoel da Silva Araújo; 2ª vez com Francisco Coelho Linhares em 09 de janeiro de 1789; em 1794 vivia no Serro do Frio (atual Serro);

10.4 – Manoel Caldeira Brandt, sem mais notícias.
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Nota2: O historiador Olímpio Gonzaga relata em seu livro Memória Histórica de Paracatu, que Joaquim Caldeira Brandt e sua mulher Helena Rodrigues Fróes, retornaram a Paracatu, aonde ele veio a falecer, e que a viúva casou em segundas núpcias com o Português Manoel José da Cunha, e que deste consórcio não houve filhos. Nosso historiador equivocou-se como se pode ver no item 5.1: uma sua sobrinha homônima é que foi casada com um Manoel José da Cunha. Que o capitão Joaquim Caldeira Brandt não esteve em Paracatu em 1794 para receber uma herança, pois faleceu em 1761 na região de Sabará. Por fim, no seu testamento ela deixa bem claro que só foi casada uma única vez,e jamais retornou à Paracatu.

Fontes:
1– Piza, Lafaiete de Toledo – artigo: José Rodrigues Fróes, in Revista do Arquivo Público Mineiro, Vol.8 fascículos 3,4 – julho/dezembro de 1903;
2 – FamilySearch, livros paroquiais:
2.1 - Arquidiocese de São Paulo – dispensas matrimoniais;
2.2 - Mogi das Cruzes, SP;
2.3 - Santa Bárbara, Minas Gerais ;
2.4 - Itacambira, MG;                                    
3 – Testamento de Helena Rodrigues Fróes, disponível no Arquivo Público Mineiro;
4 – Arquivo Histórico Ultramarino – documentos relativos a Joaquim Caldeira Brandt. 5 - Livros paroquiais (fragmentos) da Matriz de Santo Antonio de Paracatu.
Março de 2014. Última Atualização em janeiro de 2017.

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