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O CAPITÃO MANOEL PINTO BROCHADO E SEUS DESCENDENTES




                                                                                       Para PAULO BROCHADO 
                                                                                               (in memoriam)

                                                                                          
POR JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO

PESQUISAS                                                                  
JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO

EDUARDO ROCHA
 
 



    O DISTRITO DE RIO PRETO

A povoação do Rio Preto era antiga. Denominada de Ribeira do Rio Preto, situada em torno da Capela do Boqueirão, aonde os padres vindos do arraial e depois vila de Paracatu em desobriga, realizavam os batismos e casamentos dos moradores da região. A concessão de sesmarias na região do Rio Preto iniciou-se certamente mais ao norte, na confluência do dito rio com seu caudatário, o Rio Paracatu e deste até a sua foz no Rio São Francisco, cujos sesmeiros oriundos do julgado de São Romão e da Bahia, lá se estabeleceram com a criação de gado de forma extensiva. Há notícias nos registros paroquiais de Paracatu, datados de 1765, de fazendas com denominações de Rio Preto: Santo Antonio do Rio Preto, Tapera do Rio Preto, Brejo do Rio Preto etc; há também referência a um sítio do Capim Branco, em um assento de batismo de escravo, datado de 1765, nascido no dito lugar, ribeira do Rio Preto. Exemplos de grandes fazendas já edificadas, focada na criação de gado, situada mais ao norte, como já foi dito acima, cita-se a fazenda “Gado Bravo” que em 1780 foi à praça pública, sendo arrematada com 1000 cabeças de gado e ficava situada na hoje região de Arinos. Além dela, encontramos nos registros paroquiais duas outras grandes sesmarias, a fazenda Tamboril e São Vicente do Urucuia.
Com a decadência da mineração no arraial do ouro, já na década de 1770, muitas famílias migraram para a lavoura de subsistência, ocupando terras devolutas disponíveis na região do entorno do Arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu, como as terras férteis do vale do Urucuia e do Rio Preto. Mas, só no final do século dezoito, que os grandes mineradores de Paracatu, voltaram seus interesses comerciais para aqueles vales. Adquirindo ou apossando de grandes extensões de terras de ótima qualidade, e propícias, tanto para a criação de gado, como para a agricultura convencional e para a lavoura de cana de açúcar e da mandioca, eles iniciaram o desenvolvimento efetivo da região, embora lento.
Dentre as famílias que se estabeleceram no distrito de Rio Preto, na virada do século dezoito para o dezenove, foram os Brochado, Lopes de Ulhoa, Alves Ribeiro, Alves de Sousa, Rodrigues Barbosa, Reis Calçado, Souto, Martins de Melo, para citar apenas algumas. O capitão Manoel Pinto Brochado, objeto deste estudo genealógico, e alguns outros potentados, como Sancho Lopes de Ulhoa, tronco da importante família Ulhoa, também lá estabelecido, além de desbravadores, foram inovadores e fomentadores do progresso do lugar.
No entanto, não conseguimos descobrir a data exata de quando foi criado o distrito de Rio Preto, mas é provável que se desse no início do século dezenove, quando já havia no local um destacamento militar. Um mapa estatístico da população do distrito, datado de 1808, sugere esta hipótese. Neste mapa, elaborado pelo comandante do destacamento militar da área, capitão Sancho Lopes de Ulhoa, por solicitação do governo da Capitania de Minas Gerais, mostra que a região ainda era pouco povoada, a despeito da dimensão do distrito, com predominância de negros (737), mulatos (608) e por último os brancos (259). Entre os brancos, havia 72 casados, 114 homens e 67 mulheres solteiros, e somente 7 mulheres viúvas em uma escala que variava de 0 a 80 anos.
 A região foi se desenvolvendo lentamente, até porque a maioria das terras estava em poder de grandes proprietários, preocupados somente com a manutenção do poder, enquanto latifundiários, bem como, pouco afeitos a repartição delas com os pequenos agricultores, a não ser para a agricultura de subsistência desses enquanto agregados. O distrito de Rio Preto percorreu toda a primeira metade do século dezenove, até a década de 1870, sem haver sede administrativa, nem sede eclesiástica; as eleições se realizavam na vila e posteriormente cidade de Paracatu, e os batizados e casamentos pelos padres da freguesia de santo Antonio da Manga de Paracatu.
Em 1873, Dom João, Bispo de Diamantina, em visita pastoral, instituiu a freguesia por ato de 11 de agosto do dito ano, com a invocação de Nossa Senhora da Conceição do Rio Preto, nomeando como seu primeiro vigário o padre Antonio de Araújo Pereira Botelho.
   Foi então que o fazendeiro Domingos Pinto Brochado, neto do capitão Manoel Pinto Brochado, em 1874, tomou a iniciativa de construir uma igreja, que foi edificada junto ao “Porto do Rio Preto”, em terras da família, ou seja, dentro da fazenda “Capim Branco”, que na época era propriedade de seu pai, Antonio Pinto Brochado. Além da igreja, ele construiu um prédio da escola. Em volta da igreja, surge o povoado de Capim Branco, que se desenvolve com certa rapidez com a instalação de casas de comércio, e várias famílias se estabelecem no lugar. Em 1878, é criada a primeira escola do sexo masculino do povoado, sob a regência do mestre Carlos José Gonzaga.
Em 1880, realizou-se a bênção da igreja do Capim Branco, acompanhada de grandiosa e imponente festividade, com a presença do cônego provisor Miguel Arcanjo Torres. Em 1893, instalou-se o primeiro Conselho Distrital, presidido por Domingos Pinto Brochado, que prestou relevantes serviços à comunidade, tais como a construção com recursos próprios, do cemitério. Capim Branco era o nome popular, mas prevaleceu o nome oficial, Rio Preto.
Domingos Pinto Brochado pode ser proclamado o fundador do povoado, que se transformou na atual cidade de Unaí, mas tudo se deve a sanha pioneira do seu avô o capitão Manoel Pinto Brochado.

 UM CERTO CAPITÃO MANOEL PINTO BROCHADO (OU DOIS)


Nos primórdios do arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu, lá estavam os irmãos Agostinho Pinto da Fonseca e Tomé Pinto do Rego, naturais do lugar de Lobão, freguesia de São Bartolomeu do Rego, Celorico de Basto, distrito de Braga. Na mineração, enriqueceram rapidamente, tanto é que em uma lista secreta dos homens mais ricos da capitania de Minas Gerais, datado de 1758, o Tenente Agostinho Pinto da Fonseca é listado como um dos homens mais abastados do Arraial. Pois bem, esse tenente Agostinho Pinto falece em 1773 no estado de solteiro e nomeia seu irmão Tomé Pinto do Rego como seu testamenteiro universal. O inventário transcorre normalmente, até que em 1781, chega ao arraial, proveniente de São Bartolomeu do Rego, certo capitão Manoel Pinto Brochado, irmão germano dos precedentes, filhos legítimos de Agostinho Pinto e de Ana Gonçalves, requerendo seus direitos de herdeiro do irmão morto, e solicitando sua habilitação como inventariante dos bens do falecido, o que logra êxito. O inventário torna-se litigioso, e em certo momento, o capitão Brochado refere ao irmão Tomé Pinto como mortal inimigo. O certo é que o processo se prolonga por longos anos invadindo o milésimo do século dezoito, quando finalmente é concluído. É importante salientar que o parentesco entre os três foram provados documentalmente no bojo do processo de inventário. Consultando os livros paroquiais de São Bartolomeu do Rego, encontramos os assentos de batismos dos três irmãos ora em questão. Também localizamos, outrossim, o assento de casamento do capitão Manoel Pinto Brochado aos 16 anos de idade, com Maria de Carvalho, ocorrido em 1736, no lugar de Caçarilhe, localidade vizinha à sua vila natal, indicando, portanto, que ao vir para o Brasil, ele já era sexagenário, pois nascido em 1719; não descobrimos se o capitão retornou a Portugal ou faleceu em Paracatu.
 O capitão Manoel Pinto Brochado, segundo do nome, natural da Vila de Freixieiro, Arcebispado de Braga, veio igualmente para o Brasil, e já se encontrava na Ribeira do Rio Preto no início da década de 1790. Até o momento presente, não se estabeleceu qualquer vínculo parental entre eles. Nota: em documento datado de 1803, que trata de uma devassa de um crime de injúria ocorrido no distrito de Rio Preto, ele comparece como testemunha e declara "ser branco, casado canonicamente, que vive de seu negócio, natural da vila de Freixieiro, arcebispado de Braga, com 40 anos pouco mais, pouco menos". Declaração que sugere seu nascimento por volta de 1760. Veja documento abaixo:

                                                        Fonte: Arquivo público Mineiro - verbete "Paracatu"
 
Com a decadência da mineração, a grande maioria dos mineiros que ficaram na região, migrou para a atividade agro-pastoril. O capitão Manoel Pinto Brochado foi um deles, adquirindo ou apossando de terras na região do Rio Preto (hoje Unaí), sendo a mais importante delas a fazenda “Capim Branco”, com terras magníficas tanto para a criação de gado, como para a agricultura de subsistência, bem assim para a lavoura de cana de açúcar. Analisando o inventário do dito capitão Brochado, encontramos referência a um importante e produtivo engenho para moagem de cana e produção do açúcar em grande escala, um sistema avançado na região pouca afeita a esse ramo de atividade produtiva, mais comumente encontrada no nordeste do Brasil colônia. Acoplado ao engenho, havia um alambique para o fabrico de aguardente com fins comerciais.
 A fazenda possuía outras fontes de renda além da produção de açúcar, tais como engenho para o fabrico da farinha de mandioca, bem como criação de gado vacum e cavalar, lavouras para o plantio, principalmente de arroz, milho e feijão, e de inúmeras outras, inerentes as atividades cotidianas de uma grande propriedade rural. Sobre a fazenda do Capim Branco, ela era antiga. Em documentos paroquiais de 1775, ela parece já ser uma propriedade solidificada. Não descobrimos seu primitivo dono, mas é certo que Manoel Pinto Brochado tornou-se seu proprietário por compra da propriedade.
A luz de dados colhidos do inventário do capitão, aliás, litigioso, iniciado em setembro de 1822 e finalizado em 1832, podemos afirmar que ele não foi homem de grande fortuna, a despeito de seu patrimônio, detalhado em terras. Só para se ter uma ideia, a fazenda Capim Branco foi avaliada por 255 mil réis, uma quantia relativamente baixa para os padrões da época. Não possuía grande escravatura, cerca de 20 escravos, avaliados em 120 mil réis, que é um dos parâmetros usados pelos pesquisadores, para medir a fortuna dos proprietários rurais daquele tempo, bem como, na ocasião de seu falecimento possuía cerca 280 cabeças de gado vacum, e poucos cavalares. Apesar de tudo, ele foi um homem a frente de seu tempo, e a fazenda foi o impulso para seus herdeiros consolidar e aumentar o patrimônio familiar nas décadas seguintes, tornando a família, dominante sob o ponto de vista econômico, social e político na região.

                                  SEUS CASAMENTOS

O capitão Manoel Pinto Brochado casou duas vezes na vila de Paracatu do Príncipe. A primeira vez, com Francisca Alves de Sousa, por volta de 1800. Parece ter casado em idade avançada, por dedução comparativa com a idade de sua segunda mulher abaixo nomeada. Com o falecimento da primeira esposa, casou segunda vez, em 16/06/1814, com Joaquina de Sousa Soares, viúva, cinquentenária, batizada em 20/08/1761, filha de José de Sousa Lisboa, natural da freguesia de Conceição Nova da cidade de Lisboa e de Maria Soares Paes, natural de Vila Boa, comarca de Goiás; o casamento se deu com intuito de cuidar dos serviços domésticos e dos filhos menores, como ela mesma relatou durante o processo do inventario, já na fase de litígio, quando foi alijada de qualquer bem do inventariado. Faleceu ela em 1832, com o inventário ainda em andamento.
Transcrição do casamento de Joaquina e Manoel Pinto Brochado:
“Aos doze de junho de mil oito sentos e quatorze nesta freguesia de Santo Antonio da Manga da Vila de Paracatu do Príncipe, Bispado de Pernambuco recebi em matrimonio por palavras de presente o Capitam Manoel Pinto Brochado viuvo que ficou nesta freguesia de Francisca Alvares de Sousa com Dona Joaquina de Sousa Soares também viuva que ficou de Ventura Pereira dos Santos ambos os contrahentes moradores nesta freguesia e não tiveram as Bençoens pela viuvez em tudo o mais se observou o Costume Cerimonias da Igreja e Ritual de Paulo Quinto sendo presentes o Reverendo Joam Gaspar Esteves Rodrigues eo Capitam Mor Domingos José Pimentel Barbosa de que para constar fiz este asento. Vigário Joaquim de Melo Franco". 
 
Manoel Pinto Brochado faleceu em 23/06/1822, aos 62 anos de idade.

                                   SEUS DESCENDENTES

 Com Francisca Alves de Sousa, filha de Luiz Alves de Sousa, natural de Sousa, bispado do Porto e de Margarida Ribeiro dos Santos, natural do arraial de São Luiz  e de Santana das Minas do Paracatu, inventariada em 1814, teve os filhos:

1 – Joaquim Pinto Brochado, com 21 a 22 anos em 1822; foi casado com Benedita Batista Franco; filho descoberto:
1.1 - Maria Pinto Brochado, nascida em 1828, casada com João Pinto Barbosa em 1851;
2 – Manoel Pinto Brochado, com 16 anos em 1822; casou duas vezes: 1ª vez com Maria Pinheiro da Costa; 2ª vez em 17/06/1838, no Engenho do Ambrósio, com Francisca da Costa Coimbra, filha legítima de Joaquim da Costa Coimbra e de Custódia Maria de Jesus; Já era falecido em 1846.
Filhos do primeiro casamento:
 2.1 – Camila Pinto Brochado, nascida em 1833; casada com Bernardo Rodrigues Barbosa, nascido em1826; com descendência;
2.2 -João Pinto Brochado;
 Paracatu, Matriz de Santo Antonio e capelas filiadas, batismos - Aos quinze dias do mês de dezembro de mil oitocentos e trinta e quatro anos batizei João, filho de Manoel Pinto Brochado e Maria Pinheiro da Costa.

2.2 – Melchior Pinto Brochado, nascido em 1835;
Filho do  segundo casamento (?):
2.3 – Manoel Pinto Brochado, sem mais notícias;

3 – Francisca Alves de Sousa, com 15 anos em 1822; na ocasião do inventário do pai, já estava casada com Severino Martins Ferreira, nascido em 1806, filho do capitão Joaquim Martins Ferreira e de Severina Francisca de Paiva. Filho descoberto:
3.1 - Juvêncio Martins Ferreira, com descendência;
3.2 - Joaquim Martins Ferreira, nascido em 1824, casado em 23/02/1846 com Manoela Alves de Sousa, filha do Alferes Luis Alves de Sousa e de Antonia Maria de Jesus;
3.3 - Carlota Martins Ferreira, nascida em 1827; casada com descendência;
3.4 - Augusto Martins Ferreira, casado com Cândida Alves Ribeiro;
 Paracatu, Matriz de Santo Antonio e capelas filiadas, casamentos – Aos trinta e um dias de julho de mil oitocentos e setenta e três anos, os nubentes Augusto Martins Ferreira, de 26 anos, e Cândida Alves Ribeiro de 16 anos, casaram de acordo com o Concílio Tridentino. Ele, filho do finado Severino Martins Ferreira e de Francisca Pinto Brochado, ela filha de João Alves Ribeiro e de Joana Rodrigues Barbosa.
3.5 - Manoel Martins Ferreira, nascido em 15/10/1850; 
3.6 - Eliza Martins Ferreira, casada com Elias Alves de Sousa; 
 Paracatu, Matriz de Santo Antonio e capelas filiadas, casamentos – Aos vinte e dois dias do mês de janeiro de mil oitocentos e setenta anos  casou-se Elias Alves de Sousa de 28 anos, com Eliza Martins Ferreira, ele filho de Luiz Alves d Sousa e de Antonia Alves de Sousa, ela, filha de Severino Martins Ferreira e de Francisca Alves de Sousa Ferreira.
4 – Luiz Pinto Brochado, nascido em 1809; casado em 12/07/1838 com Luísa Josefina de Toledo Piza, nascida em 10/06/1815 em Paracatu, e falecida antes de 1848; filha legítima de Floriano de Toledo Piza, nascido em 1777 em Pitangui e falecido em 25/05/1855 em Araxá, e de Maria José da Cunha Fróes, nascida em 1789 em Paracatu e falecida em 1869 em Araxá; filha legítima de Manoel José da Cunha e de Helena Rodrigues Fróes. Viúvo, Luiz Pinto Brochado casou segunda vez em 06/05/1848 com Pacífica da Costa Santos de 15 anos, natural do arraial de Traíras, Goiás, filha de Jacinto da Costa Santos e de Ana Batista Cordeiro; 
Filhos do primeiro casamento:
4.1 – Idalina Josefina Brochado;
4.2 – Adelaide Carolina Brochado;
4.3 – Alípia Cândida Brochado;
4.4 - Maria Brochado, nascida em 17/01/1847; 

Filha 2º casamento:

4.5 - Cecília, nascida em 07/04/1850;

5 – Ana, herdeira da terça da mãe em 1814, à época com 4 anos; já falecida em 1822;

6 – Antonio Pinto Brochado. Nasceu ele em 06/02/1813 e faleceu em 09/05/1881; casou com Justina Batista Pinheiro, filha de  Francisco Marcelino Pinheiro da Costa e de Florência Batista Franco; Florência Batista Franco foi filha de Francisco Batista Franco e de Joana Batista, e neta paterna de Manoel Batista Franco e de Maria da Conceição Nunes.

Filhos:

6.1 – Joaquim Pinto Brochado, adiante*;
6.2 – Domingos Pinto Brochado, o fundador do povoado do Capim Branco, nascido em 1842 e falecido em 06/03/1906; casado três vezes, sem descendência de nenhum dos leitos;
*6.1 – Joaquim Pinto Brochado, o segundo do nome, nascido em 1832 e falecido em 1884; casou duas vezes: 1ª vez com Maria Elisa Martins Ferreira; 2ª vez com Margarida de Moraes, filha legitima de Hermenegildo Francisco de Moraes, natural de São Vicente de Minas, falecido em 04/04/1860, e de Maria Francisca de Sousa, residentes na fazenda Bom Jardim, distrito de Rio Preto. Dona Margarida de Moraes Brochado, pelo seu pai, era neta de Manoel Francisco de Moraes e de Dona Vicência Maria Duarte, irmã do primeiro barão de Cajuru, João Gualberto de Carvalho Duarte, pertencentes à importante família Carvalho Duarte do sul de Minas Gerais.
Outros filhos de Hermenegildo Francisco de Moraes e Maria Francisca, com descendência em Unaí:
A – Carolina Francisca de Moraes, casada com Modesto Borges Pinheiro;
B – Ana Francisca de Moraes, casada com Guilherme Costa Vale;
C – Virgínia Francisca de Moraes, casada com Pedro Marcelino Ribeiro;
D – Firmino Francisco de Moraes;
E – Hermenegilda Francisca de Moraes;
F - Francisco, nascido em 23/02/1848, sem mais notícias;
Filhos de Joaquim Pinto Brochado e de Margarida Francisca de Moraes:
6.1.1 – Domingos Brochado Sobrinho, nascido em 1866 e falecido em 1911, no povoado de Capim Branco; foi casado com Eloá ou Eloina Durães; filhos:
6.1.1 – Gastão Durães Brochado;
6.1.2 – Florinda Durães Brochado casada com Otávio Loureiro Adjuto, com descendência;
6.1.3 – Zulmira Durães Brochado casada com José Luiz Adjuto, com descendência;
6.2 – Antonio Moraes Brochado, nascido em 1876 na fazenda Capim Branco e falecido em 04/01/1947 em Belo Horizonte; foi casado com Mariana Ulhoa Botelho, nascida em Paracatu em 06/05/1884 e falecida em Belo Horizonte em 03/08/1955; filhos:
6.2.1 – Maria de Lourdes Brochado, nascida em 1913 e falecida em 02/03/2005; foi casada com Joaquim de Moura Santiago, nascido em 1904 e falecido em 05/01/1946; filhos:
6.2.1.1 – Dr. Ulisses Brochado Santiago, médico radicado em São Paulo, já falecido;
6.2.1.2 – Urbano Brochado Santiago, já falecido;
6.2.1.3 – Ulpiano Brochado Santiago, engenheiro, falecido em Brasília;
6.2.1.4 - Uriel Brochado Santiago;
6.2.1.5 - Uiara Brochado Santiago;
6.2.1.6 - Último Brochado Santiago;
6.2.2 – Lígia Brochado, nascida em 1914 e falecida em 10/11/2004; foi casada com Alcir Victor Rodrigues, nascido em 1913 e falecido em 23/03/1974; com descendência;
6.2.3 - Dora Brochado, nascida em 30/01/1923 e falecida em 26/12/2012; casada que foi com Dr. José Eugênio Dutra Câmara, ex- prefeito de Barbacena, com descendência;
6.2.4 – Paulo Brochado, nascido em Paracatu em 10/09/1924 e falecido em Brasília em 15/04/2015; foi casado com Mariângela Lepesquer, com descendência. Vide biografia abaixo:
                                  
 Transcrito do
 Jornal Noroeste de Minas Edição 163
Com adaptações.        
Paulo Brochado é de família tradicional ligada à agropecuária e se destacou em Unaí, Paracatu e região.
Filho de Antônio Brochado e D. Mariana Ulhoa Botelho. Teve três irmãs, Lígia, Dora e Lurdes Brochado.
Nasceu em Paracatu no dia 10 de setembro de 1924, onde viveu sua infância até 18 anos. Quando seu pai morreu, interrompeu seus estudos em Belo Horizonte, em um dos Colégios Maristas, vindo para Unaí assumir os negócios da família que na época já possuía a fazenda Laguna, e que conservou até hoje mantendo o estilo e o clima de uma fazenda antiga. A casa com varanda ampla e arejada conserva a sua personalidade, o culto a uma boa cozinha e a boa bebida, possui uma bica ainda em funcionamento e que é a alegria de seus netos. A lagoa que emoldura a paisagem ao fundo da sede, ainda resiste bravamente, assim como parte de seu antigo pomar.
Apesar da distância e as dificuldades de uma viagem, as suas idas e vindas a Paracatu o levaram a conhecer Dona Maria Ângela Lepesquer, com quem depois de algum tempo se casou e teve os filhos Ângela, Paulo Henrique, Ângelo, Rômulo, Adriana, Andrea e Alessandra.
Homem culto, amigo, porém exigente com as pessoas, não deixando de ser justo e honesto. Um homem de visão, antenado com seu tempo, sempre disposto a estar a par do que acontecia à sua volta e no mundo e, sobretudo, inovador e empreendedor. Grande torcedor do Clube Atlético Mineiro e incentivador do esporte (ele foi o fundador do Santana Esporte Clube em Paracatu). Hoje existe em sua homenagem, no largo do Santana, o Estádio “Paulo Brochado.”
Pioneiro em vários empreendimentos agropecuários em Unaí. Paulo Brochado foi o primeiro fazendeiro a trazer gado holandês para Unaí, foi também quem construiu a primeira fabrica de farinha, um dos primeiros a criar búfalos, a plantar girassol em larga escala, primeiro a produzir sementes classificadas, “Sementes Rio”, na fazenda Palmeiras, e lavouras mecanizadas de feijão, no Capão do Arroz e Ribeirão do Brejo.
Foi o primeiro agricultor do município a plantar 1.000 hectares, pioneiro na plantação de “Andropogon”, feijão Carioca, primeiro na produção de milho híbrido, algodão (em parceria com José Adjuto), pioneiro na lavoura de cerrado, em parceria com ex-ministro Alisson Paulinelli e Bilac Pinto, na chapada (lavoura irrigada).
Em sua gestão no Sindicato Rural construiu o Parque de Exposições “Joaquim Brochado” gastando inclusive dinheiro do próprio bolso.
Paulo Brochado também foi um apaixonado por política, sendo um dos fundadores do PSD, do MDB e PMDB, sempre fiel a uma ideologia política, independente da dança das siglas partidárias.
Paulo Brochado foi sepultado em Brasília.


6.3 – Dr. Joaquim de Moraes Brochado, médico e chefe político em Paracatu; nasceu na fazenda Capim Branco em 09/02/1881 e faleceu em 19/06/1977 em Paracatu; foi casado com Maria Ulhoa Botelho, nascida em Paracatu em 04/02/1888 e falecida no mesmo lugar em 08/02/1953; filhos:
6.3.1 – Helena Botelho Brochado, falecida solteira;
6.3.2 – Marta Botelho Brochado, nascida em Paracatu em 19/07/1918; foi casada com o Dr. Alaor Porto Adjuto, chefe político e fazendeiro em Paracatu;
6.3.3 – Cláudio Botelho Brochado, nascido em 1920; foi casado com Maria José Macedo;
6.3.4 – Lúcia Botelho Brochado, falecida em 2008; casada Waldemar Adjuto Botelho, com descendência;
6.3.5 – Hugo Botelho Brochado, nascido em 08/01/1924 e falecido em 05/04/1980; casado que foi com Maria de Melo Franco Costa;
6.3.6 – Carmem Botelho Brochado foi casada com o professor Petrônio Costa;
6.4 – Arminda Brochado, casada com o professor Júlio Ulhoa Roquete Franco; filhos:
6.4.1 – Afonso Brochado Roquete;
6.4.2 – Renato Brochado Roquete;
6.4.3 – Justino Brochado Roquete;
6.5 – Olímpio de Moraes Brochado, casado primeira vez com Joviana da Silva Neiva, falecida em 16/06/1906; filha do casal:
6.5.1 – Maria Dolores Neiva Brochado casada como Dr. Carlos Álvares da Silva Campos;
2ª vez com (...);
6.6 – Hermenegildo Brochado, sem mais notícias;
6.7 – Arlindo de Moraes Brochado;
6.8 – Elisa de Moraes Brochado;
6.9 – Ursulino Brochado, casado com Josinda Martins Ferreira; foi padrasto de Juscelino Geraldo Martins Carneiro.
Transcrição dos bens de Antonio Pinto Brochado, de acordo com seu inventário:

 01 parte na fazenda do Capim Branco comprada a Luiz Pinto Brochado;
01 parte de terras na dita fazenda por herança;
02 partes de terras na fazenda Taquaril, por compra a Thereza Francisca de Souza;
01 parte de terras na fazenda do Capim Branco, por compra a Dª Carlota Martins Ferreira;
01 parte de terras na fazenda do Capim Branco, comprada a Severino Martins Ferreira;
01 parte de terras na fazenda Capão do Arroz, comprada a José Pedro da Rocha;
01 casa de morada coberta de telhas com 13 portas e 05 janelas na fazenda do Capim Branco;
01 parte de terras na fazenda Forquilha do Capim Branco, por herança;
01 parte de terras na fazenda Forquilha, comprada a Severino Martins Ferreira;
01 parte de terras na fazenda do Capim Branco, comprada a Virgílio Paulo Ribeiro;
01 parte de terras fazenda do Capim Branco, comprada a Joaquim Pinto Brochado;
01 parte de terras na fazenda Capão do Arroz, comprada a Theodoro Roiz Barbosa.
 Fontes:
1 – Inventários do Acervo do Arquivo Público Municipal de Paracatu:

- Agostinho Pinto da Fonseca, 1781, 1784 e 1791;
- Francisca Alves de Sousa, 1814;
- Capitão Manoel Pinto Brochado, 1822;
- Antonio Pinto Brochado, 1881.

2 – Arquivo pessoal;
3 - Jornais de época;
4 – Genealogias da Família Carvalho Duarte no Sul de Minas, disponível no site - projetocompartilhar.org;
5 – Dicionário Histórico-Geográfico de Minas gerais, de Waldemar de Almeida Barbosa, Editora Itatiaia, Belo Horizonte, 1995;
6 – Arquivos paróquias de São Bartolomeu do Rego e de Caçarilhe, Celorico de Basto, Braga, Portugal, disponíveis online em www.tombo.pt.
7 - Arquivo Público Mineiro, secretaria do governo da capitania, manuscrito - SG - Cx.57 - doc.70.










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Fato relevante: localizamos o testamento do capitão José Barbosa de Brito no Arquivo Municipal de Paracatu - ele testou aos 27 dias do mês (ilegível) de 1771. Na ocasião sua mulher já era falecida: "missa pela alma de minha mulher Agostinha da Costa Silva."Abaixo faremos algumas correções e acréscimos que achamos necessários à luz do novo documento.


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LENDAS DO BRASIL CENTRAL 1 - CRÔNICAS INÉDITAS DE OLYMPIO GONZAGA

Por José Aluísio Botelho



Resgatamos, após minuciosas pesquisas, alguns escritos de Olympio Gonzaga que se encontravam desaparecidos, dentre eles, crônicas que escreveu para seu livro não editado, Lendas do Brasil Central, transcritas na grafia original, tal como ele as concebeu, sem correções ortográficas e gramaticais, para que nossos leitores avaliem a qualidade dos textos e sua importância para a história de Paracatu.
Sobre o autor: Olympio Gonzaga foi um homem inquieto, preocupado em resgatar a história de Paracatu, através de texto históricos, crônicas, narrativas de acontecimentos verídicos (como o caso dos jagunços do vale do Urucuia em 1926), seja através de registros fotográficos. Autodidata no campo da história, com formação escolar deficiente, tinha enorme dificuldade na interpretação de textos, as vezes se confundindo com as informações obtidas, falta de didatização em seus textos, bem como apresentava dificuldades no manejo da língua portuguesa. Mas, isto não importa, até …

TEXTOS INÉDITOS DE OLYMPIO GONZAGA - PRIMEIRA PARTE

Por José Aluísio Botelho

Olympio Gonzaga e o Mimeógrafo (lembram-se dele?, ancestral das impressoras modernas)

Olympio Gonzaga foi professor primário por longos anos, coletor federal, jornalista, fotógrafo, escritor, e por último comerciante: foi proprietário de um Armazém de secos e molhados (como se dizia à época) em Paracatu: no seu estabelecimento comercial vendia-se de tudo, desde um simples urinol até, eventualmente, automóveis.
Lá instalou seu mimeógrafo, com o qual prestava serviços à comunidade a preços módicos, inclusive cópias de seus escritos.

Fonte: Afonso Arinos na intimidade, Biblioteca Nacional do Brasil, divisão de manuscritos.

A seguir, alguns destes textos:

1) Reclame.



2) Biografia do Dr. Afrânio de Melo Franco, seu protetor político, a quem professava profunda admiração. 

HISTÓRIA A CONTA-GOTAS - JOSEFA MARIA COURÁ

PELA TRANSCRIÇÃO JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO

DE ESCRAVAS À SINHÁS - JOSEFA MARIA E ROSA: NA ROTA DO DIVINO Texto de LUIZ MOTT, Antropólogo, professor da Universidade Federal da Bahia.
JOSEFA MARIA ficou na história através de um sumário de culpas que localizei na Torre do Tombo intitulado: “Para se proceder contra as feiticeiras”. Esta negra fora acusada de ser a líder e a proprietária de uma casa de cultos nas Minas de Paracatu (hoje a 200 quilômetros de Brasília), onde se realizava a Dança de Tunda, também chamada Acotundá, um ritual de louvor ao Deus da nação Courá. Segundo depoimento de algumas testemunhas que participaram de tais cerimônias, o ídolo venerado era representado “por um boneco de barro com cabeça e nariz à imitação do Diabo, espetado em uma ponta de ferro, com uma capa de pano branco, colocado no meio da casa em um tapete, com umas frigideiras em roda, e dentro delas, umas ervas cozidas e cruas, búzios, dinheiro da Costa, uma galinha morta, uma panela com feijão, moringas de á…

GENEALOGIA A CONTA-GOTAS - PIRES DE ALMEIDA LARA

Por Eduardo Rocha José Aluísio Botelho
Os Pires Almeida Lara do arraial das Minas do Paracatu tem origem em São Paulo, que de lá acorreram em busca do ouro. Os Pires e Almeidas vieram de Portugal, enquanto os Lara tem origem em Diogo de Lara, vindo de Zamora, reino de Castela no início do século dezessete. Em Paracatu encontramos um tronco desta família, porém não foi possível estabelecer, por falta de documentos, a vinculação parental, assim como se legítimos ou bastardos. Família miscigenada, esse ramo dos Pires de Almeida Lara começa com: 1- Apolinário Pires de Almeida Lara, falecido em 01-01-1851; casado com Ana Soares Rodrigues, falecida em 03-08-1862. Residentes na Rua do Calvário.
Inventário: 2ª Vara cx. 1862.

Filhos:

1-1 Félix Pires de Almeida Lara, falecido por volta de 1895; casado com Joana Cardoso do Rego, falecida por volta de 1895.

Inventário: 2ª Vara cx. 1919.

" Aos vinte e sete de dezembro de mil oito centos e trinta e seis, nesta frequesia de Santo Antonio da Manga …