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O INDITOSO IGNÁCIO GARCIA ADJUTO E SEUS DESCENDENTES

Por José Aluísio Botelho (com IA)

Ignácio Garcia Adjuto nasceu em 7 de setembro de 1830, na fazenda de seus pais — Dr. Francisco Garcia Adjuto e Dona Gertrudes de Oliveira Campos — no lugar denominado “Catinga”, distrito dos Alegres (atual João Pinheiro, MG). Sua morte ocorreu de forma trágica e precoce em setembro de 1859, quando foi assassinado pelos próprios sogros na região de Morrinhos (Arinos). O crime aconteceu enquanto Ignácio se dirigia à sua fazenda, a “Morro Velho”, situada no distrito de Buritis, a cerca de cinco léguas da propriedade de seu sogro, denominada “Conceição”.

Os acusados foram presos e encarcerados na Vila Risonha de São Romão. Como os documentos do processo criminal ainda não vieram à tona, a motivação exata do crime e o destino final dos réus permanecem incertos. Sabe-se, porém, que o Major Rafael Joaquim de Macedo — sogro e provável executor — residia no distrito de Papagaio, termo de Curvelo em 1876, onde figurou como inventariante de sua esposa, Dona Joaquina Pereira da Mota, falecida aos 10 de outubro daquele ano no distrito de Capão Redondo; possivelmente fora inocentado ou cumprira a pena.

Além da fazenda Morro Velho, Ignácio possuía a propriedade Gado Bravo, localizada no distrito de Rio Preto (Unaí). Seu inventário foi marcado por conflitos de jurisdição entre Paracatu e São Romão. Após idas e vindas judiciais e alegações de vícios de nulidade, a competência foi atribuída ao juízo de São Romão, anulando-se os atos realizados em Paracatu. Curiosamente, mesmo sob a acusação de assassinato, o Major Rafael persistiu como tutor das netas até que estas se emancipassem pelo casamento.

Ignácio casou-se na Matriz de São Romão em 1856 com Florinda Joaquina de Macedo (que também assinou como Florinda Adjuto Macedo), filha de Rafael Joaquim de Macedo e Joaquina Pereira da Motta. Florinda nasceu em 1833 em São Romão e faleceu prematuramente em 1858, provavelmente por complicações de parto, deixando duas filhas órfãs. As meninas foram tuteladas em Paracatu pelo seu tio-avô, Coronel Antônio Carneiro de Abreu até a morte deste, em 04/04/1870. São elas:

  • Hipólita Garcia Adjuto: que passou a assinar Idalina Joaquina Garcia Adjuto (provavelmente após a emancipação civil)).

  • Ambrozilina Garcia Adjuto: que alterou seu nome para Gertrudes Joaquina Garcia Adjuto, (idem, na emancipação civil).

Por volta de 1870, ambas residiam na região de Curvelo e Pedra dos Angicos (São Francisco), onde se casaram precocemente: Idalina aos 15 anos e Gertrudes aos 13.

Casamentos e Descendência

A descendência de Ignácio Garcia Adjuto consolidou-se através de suas duas filhas, que formaram importantes troncos familiares na região central e norte de Minas Gerais.

1. Idalina Joaquina Garcia Adjuto (1857–?)

Nascida em 21 de março de 1857, casou-se em primeiras núpcias, a 30 de maio de 1871, com Mathias de Matos Pinho (1843–1907). Mathias era comerciante, fazendeiro e senhor da fazenda Cachoeira, distrito de Papagaio, termo de Curvelo. Era filho do coronel Manoel de Matos Pinho (1817 -1886) e de Feliciana Prima Pereira de Carvalho (1813-1854), proeminentes na região, senhores da fazenda "Buenos Aires". O casal teve os seguintes filhos:

  • 1.1 Altino de Matos Pinho: Ex-prefeito de Corinto; casado com Rosa Amélia Silveira. Pais de: Laerte, Geraldo, Altino Filho, Regina, Lídia, Deusinha, Antônio, José, Fábio e Júlio.

  • 1.2 Manoel Inácio de Matos Pinho: Faleceu solteiro.

  • 1.3 José de Matos Pinho: Casado com Cecília de Almeida. Pais de: José de Matos Filho, Emília, Enéas, Cecílio, Matias e Adélio.

  • 1.4 Maria José de Matos Pinho: Casada com Sebastião Lopes. Pais de: José, Alda, Arlindo, Geraldo, Domitila, Raimundo, Valdomiro, Sebastião Lopes Filho e Esmeralda.

Após a viuvez, Idalina casou-se em segunda núpcias com seu cunhado, José de Matos Pinho, com quem teve:

  • 1.5 Gentil de Matos Pinho: Casado com Filomena de Matos Pinho. Dentre seus filhos, destaca-se Gastão de Matos (falecido em 1988), próspero pecuarista e criador de cavalos Árabes e Mangalarga em Curvelo.


2. Gertrudes Joaquina Garcia Adjuto (1858–?)

Casou-se pela primeira vez em 2 de dezembro de 1871 com João Farago Italiano (sobrenome de origem magiar: Faragó), filho de Severo Faragó e de Maria Rosa Floricena. O casal estabeleceu-se em Capão Redondo (atual Santa Fé de Minas), onde criaram os filhos:

  • 2.1 Capitão José Farago Garcia Adjuto: Casado com Predilina Gonçalves de Abreu. Pais de: Maria, Valdemiro e Antônia Garcia.

  • 2.2 Orestina Farago Garcia Adjuto: Casada com Osório Gonçalves de Abreu. Pais de: Afrânio, Carmen, Libania e João Garcia de Abreu.

  • 2.3 Claudomiro Farago Garcia: Casado 1.ª vez com Norbeta Ribeiro da Silva e 2.ª vez com Adelaide Alves de Abreu.

    • Do primeiro casamento: Laurindo Farago Garcia (pai de Dalva, José, Geraldo, Antônio, Maria Aparecida e Zilá) e Florinda Farago da Silva.

    • Do segundo casamento: Laura, Luiz, Hilda, Lázaro e Elvina Farago Garcia (casada com Artur Pereira Guedes, figuras de relevo em São Romão).

  • 2.4 João Farago Garcia: Casado com Dalila de Campos Valadares.

  • 2.5 Idalina Farago Garcia: Casada com o parente Jonas Carneiro de Abreu. Pais de: Júlia, Ismar, Luzia, Dalva, Geraldo, Francisco e Lourdes Carneiro de Abreu.

Gertrudes casou-se pela segunda vez com Felicíssimo Durães Coutinho, com quem teve os filhos:

  • 2.6 Lindolfo; 2.7 Georgina; 2.8 Antenor e 2.9 Oscar.


Resumo da Linhagem Garcia Adjuto

Tronco Principal: Ignácio Garcia Adjuto (†1859) + Florinda Joaquina de Macedo (†1858) │ ├── Ramo 1: Idalina Garcia Adjuto │ (Casou-se com os irmãos Pinho) │ └── Principais linhagens: Matos Pinho (Curvelo e Corinto) │ └── Ramo 2: Gertrudes Garcia Adjuto (Casou-se com João Farago e Felicíssimo Durães Coutinho) └── Principais linhagens: Farago Garcia e Carneiro de Abreu (Norte de Minas)


Conclusão

O Legado entre a Tragédia e a História

A trajetória de Ignácio Garcia Adjuto, embora interrompida de forma brutal e precoce, não se encerrou naquele fatídico setembro de 1859. Se por um lado a justiça dos homens da época deixou lacunas sobre a motivação de seu assassinato e o destino de seus algozes, a história se encarregou de dar continuidade ao seu nome através de uma descendência vasta e influente.

De seus bens disputados em longos processos judiciais e fazendas que cruzavam as fronteiras de Paracatu e São Romão, restou algo muito mais sólido: a presença de seus netos e bisnetos na formação de cidades como Curvelo, Corinto e Santa Fé de Minas. A história de Ignácio é um retrato fiel de um Brasil de fronteiras, onde a lei e o parentesco muitas vezes colidiam, mas onde a força da família acabava por prevalecer.

Hoje, resgatar essa genealogia é mais do que listar nomes; é honrar a memória de quem, mesmo sendo "inditoso" em sua morte, foi a semente de gerações que ajudaram a construir o sertão mineiro.

Fontes Consultadas

  1. CAMPOS, Deusdedit P. Ribeiro de. Dona Joaquina de Pompéu: Sua História, Sua Gente.

  2. TJMG (Coarpe): Documentos Judiciais das comarcas de Curvelo e São Francisco, MG.( Inventários)

  3. FamilySearch.org: Inventário de Inácio Garcia Adjuto (28/11/1860), Arquivo Público de Paracatu.

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