Por José Aluísio Botelho c/ Gemini Ai
A Linhagem Pimentel Barbosa: Entre Coromandel e Abadia dos Dourados
Em seus registros sobre a ascendência materna, Gastão Salazar assinala que o Capitão-mor Domingos José Pimentel Barbosa permaneceu celibatário, embora tenha gerado prole natural. Segundo o cronista, o patriarca perfilhou apenas parte de seus descendentes mediante instrumentos judiciais. Salazar omite, contudo, a identidade das progenitoras, com exceção de Mariana de Almeida Barbosa — de linhagem reconhecida —, mãe de Joaquim Pimentel Barbosa. Essa lacuna documental, aliada à seletividade nos registros, suscita hipóteses sobre a diversidade da maternidade entre os demais filhos.
A descendência reconhecida do referido oficial abrange:
Joaquim Pimentel Barbosa.
Maria Pimentel Barbosa (ausente na narrativa de Salazar).
Ana Pimentel Barbosa.
Margarida Pimentel Barbosa (ausente na narrativa de Salazar).
Pe. Domingos José Pimentel Barbosa Júnior.
Os quatro primeiros indivíduos listados constituíram os troncos genealógicos de famílias influentes na região de Paracatu. Investigações complementares revelaram um herdeiro natural adicional: Francisco Dias Pimentel Barbosa (1799–ca. 1850), filho de Senhorinha Dias de Carvalho. Registros forenses indicam que Francisco atuou no Fórum de Paracatu como escrivão de órfãos e partidor de bens, servindo como auxiliar de seu pai ou de seu meio-irmão, Joaquim. Consta que Francisco contraiu matrimônio, falecendo, entretanto, sem deixar sucessão.
O Vicariato e a Atuação Política do Padre Domingos José
Ordenado em 25 de maio de 1847 na extinta Diocese de Santana de Goiás, o Padre Domingos José Pimentel Barbosa é figura central neste estudo. Nascido em Paracatu (1818), era filho de Thereza Soares Rodrigues. No recenseamento de 1839 do arraial de Santana do Pouso Alegre do Coromandel, ambos figuram no "fogo 2" do primeiro quarteirão: Thereza, de 37 anos, é qualificada como solteira e analfabeta, ao passo que Domingos, aos 20 anos, consta como estudante alfabetizado. É importante salientar que sua mãe, igualmente, era natural de Paracatu, onde nasceu por volta de 1800, pertencente aos Soares Rodrigues portugueses que lá se estabeleceram em 1744.
É digno de nota que, em seu testamento (1880), o clérigo omita a filiação paterna, declarando-se exclusivamente filho de Thereza Soares Rodrigues. A inexistência de patrimônio relevante e a ausência de convívio social com o clã de Paracatu reforçam a tese de que o Padre Domingos não tenha usufruído de herança ou reconhecimento fático pela linhagem Pimentel Barbosa.
Exerceu o vicariato em Coromandel até seu falecimento, em 19 de setembro de 1880. No campo político, atuou como vereador, representando sua freguesia na Câmara de Patrocínio. Em suas disposições de última vontade, instituiu como herdeiro universal o menor Irineu, filho de Rosalina Soares Rodrigues. Embora o documento não explicite a paternidade, a natureza do legado e a doação de imóveis contíguos à residência do clérigo em favor de Rosalina sugerem uma provável filiação sacrílega.
Continuidade e Influência Regional: Irineu Rufino Pimentel Barbosa
Irineu Rufino Pimentel Barbosa consolidou-se como figura de proeminência no distrito de Abadia dos Dourados. Capitão da Guarda Nacional e vereador, Irineu manteve participação ativa nos embates políticos da época, exercendo simultaneamente o ofício de boticário e dedicando-se à música. Possuía extensões de terras em Coromandel, notadamente no latifúndio da Boa Vista.
Após seu assassinato, em 3 de fevereiro de 1915, o processo de inventário listou cinco filhos menores (Ibrantina, Isaltina, Izauro, Ibrahim e Itiberê), frutos de seu matrimônio com Jacinta Maria da Silva. Ao atingirem a maturidade, esses descendentes foram os responsáveis pela dispersão e manutenção do sobrenome Pimentel Barbosa naquela região mineira.
Fontes e Referências Bibliográficas
Documentos de Arquivo (Primários)
BRASIL. Inventário de Irineu Rufino Pimentel Barbosa. Patrocínio, MG: Fórum de Patrocínio, 03 fev. 1915.
BRASIL. Testamento do Padre Domingos José Pimentel Barbosa. Patrocínio, MG: Fórum de Patrocínio, 30 set. 1880.
SALAZAR, Gastão. Folhas Antigas. [S. l.: s. n.], [ca. ----]. Manuscrito original.
Periódicos (Imprensa)
BIBLIOTECA NACIONAL (Brasil). Hemeroteca Digital Brasileira. Rio de Janeiro. Disponível em: http://memoria.bn.br. Acesso em: 2 jan. 2026.
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