Pular para o conteúdo principal

VELHOS TRONCOS PARACATUENSES: CARNEIRO LEÃO

POR JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO


Família de origem portuguesa, da região do Porto, estabeleceu-se no Brasil na metade do século dezoito, principalmente em Pernambuco, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Para Minas veio Antônio Netto Carneiro Leão, que adquiriu datas de terras minerais no então Arraial de São Luiz e Santana de Paracatu, para exploração de ouro e onde amealhou considerável fortuna. Pelos seus descendentes, doou seu sangue à nobiliarquia brasileira, com marques e marquesa, viscondes e viscondessas, barões e baronesas, listados abaixo. Alguns deles exerceram importantes papéis na política brasileira durante o Império, com destaque para o Marquês de Paraná*. Transcrevemos a seguir a descendência desse sobrenome em Minas Gerais:
Francisco Carneiro Leão, casado com Maria Netto (conforme o assento de batismo de João Carneiro Leme), naturais de São Tiago de Carvalhosa, bispado do Porto, pais de, dentre outros:

1 - Antônio Netto Carneiro Leão, nascido cerca de 1721 (em um documento de ordenação sacerdotal de 1805, ao testemunhar, declara ter 84 anos, pouco mais, pouco menos - vide imagem abaixo), capitão de milícias, natural da freguesia de São Tiago de Carvalhosa, termo do Porto, estabeleceu-se em Paracatu, onde falece. Lá casou com Ana Maria Leme, natural de Vila Boa dos Goiás, hoje cidade de Goiás, filha de Antonio Soares Paes, natural de Itu, São Paulo, e de Ana Maria Leme, natural de Vila Boa de Goiás.
                                     Imagem - Antonio Netto Carneiro


  Filhos:

 F1 - Francisco Netto Carneiro Leão, sem mais notícias;

 F2 - Angélica Netto Carneiro Leão (ou Angélica Netto da Silva), casada em 1781 (de acordo com provisão de casamento emitida pelo cartório eclesiástico da matriz de Santo Antonio da Manga de Paracatu em 07/01/1781) com o Dr. José da Silva Canedo, português da Vila da Feira, região do Porto, advogado nos auditórios eclesiásticos do arraial das Minas de Paracatu, já falecido em 1800; em 1792 exercia o cargo de escrivão Público Judicial; filhos descobertos:
N1 - José Antonio da Silva Canedo, falecido em 01/09/1842 em Paracatu; foi casado com Rosa Rodrigues de Oliveira; filhos:
Bn1 - José da Silva Canedo;
Bn2 - João da Silva Canedo, nascido em 1812;
Bn 3- Honório da Silva Canedo, falecido antes do pai; 
N2 - Manoel José da Silva Canedo (vide N4);
N3 - Margarida da Silva Canedo, casada com Francisco Fernandes Lopes, moradores em Santo Antonio do Monte; 
N4 - Angélica da Silva Canedo, casada com Pedro do Couto Pereira, moradores em Bom Despacho;
 
F3 - Pedro Netto Carneiro Leão, batizado aos 07/02/1765, sem mais notícias; imagem ilustrativa de seu batismo:
   Matriz de Santo Antonio da Manga das Minas do Paracatu
                                                       

F4 - Coronel Antônio Netto Carneiro Leão*, natural de Paracatu, nascido em 1769, e falecido em Barbacena em 02/08/1846; casou em Vila Rica, duas vezes:
C1- 1ª vez em 1798 na matriz do Pilar de Vila Rica com Joana Severina Augusta, falecida em 10/02/1806; C2 - 2ª vez com Rita de Cássia Soares do Couto, nascida em 1792, casados na Matriz de Antonio Dias em Ouro Preto em 11/01/1807, e que ainda vivia em 1846;
*O coronel Antonio Netto Carneiro Leão comparece ao censo de 1838 em Vila Rica, onde era morador no Quarteirão 9 - Fogo 235, aonde declara ter 69 anos, ser branco, casado; sua mulher Rita de Cássia declara ter 45 anos; e o filho Nicolau com 11 anos; escravatura: 5 escravos cativos.

Filhos do C1:

N5 – Honório Hermeto Carneiro Leão, Marquês do Paraná, nascido em Jacuí - MG, em 11/01/1801, e falecido em 03/09/1857.
Nota: os antigos e românticos genealogistas escreveram que o casal de passagem para o Rio de Janeiro, estando a esposa com a gravidez a termo, entrou em trabalho de parto no arraial de Jacuí, e portanto, ali nascera o menino que seria um dos grandes do império. Porém, contradizendo esses relatos, ele não nasceu no referido arraial por acaso. Conforme demonstra documentos existentes no Arquivo Público Mineiro (APM), na verdade, Antonio Netto Carneiro Leão, militar de linha do exército colonial, à época, no ano de1801, era morador e cabo comandante do Quartel do Registro de Jacuí, posto que ocupou por alguns anos. 
De seu casamento com Maria Henriqueta, teve:
Bn4 – Honório Hermeto C. Leão;
Bn5 – Maria Henriqueta C. Leão, Viscondessa do Cruzeiro;
Bn6 – Dr. Henrique Hermeto C. Leão, Barão do Paraná;
Bn7 – Maria Emília C. Leão c.c. Constantino Pereira de Barros, Barão de São João do Icaraí;
N6 – Balbina Honorina Severina Augusta, nascida em 1799 e falecida em 18/06/1874 em Barbacena; casou com seu primo *Manoel José da Silva Canedo, nascido em 1786, e falecido em 08/08/1846 em Barbacena, filho do português capitão José da Silva Canedo e de Angélica Netto da Silva. 
*Nota: O casal comparece ao censo de 1831 da vila de Barbacena, onde era moradores no Quarteirão 13, Fogo 1: onde ele declara ter 46 anos, casado, negociante; e ela ter 32 anos, do lar; e os filhos Fernando Augusto da Silva com 14 anos e Antonio com 3 anos de idade.
Filhos:
Bn8 – Guilhermina Teodolina Augusta da Silva Canedo, batizada em 17/08/1814(?), casou com o Comendador João Fernandes de Oliveira Pena. Deste casal nasceram, dentre outros:
Tn1 - Belisário de Oliveira Pena, Visconde de Carandaí;
Tn2 – Maria Guilhermina de Oliveira c. c Afonso Augusto M. Pena, que foi presidente do Brasil;
Bn9 - Fernando Augusto da Silva Canedo, nascido em 14/12/1817 em Santo Antonio do Monte;
Batismo de Fernando
 Bn10 - Antonio Augusto da Silva Canedo, nascido em 1828;

Filhos de C2: 

N7 – Henriqueta de Cássia Netto C. Leão;
N8 – Gabriela Cândida Soares C. Leão;
N9 – Faustina Augusta Netto C. Leão;
N10 – Maria Augusta C. Leão;
N911– Nicolau Netto C. Leão, nascido em 1827, Barão de Santa Maria;
N12 – Tomásia Augusta C. Leão;
O coronel Antonio Netto Carneiro Leão, teve ainda em Paracatu, uma filha natural, Thomázia Netto Carneiro, que deixou enorme descendência em Catalão, estado de Goiás.

Para saber mais: veja e leia:
THOMÁZIA NETO CARNEIRO _ MATIRARCA

F5 - Ambrósio Netto Carneiro Leão, batizado em 12/04/1772, sem mais notícias;


 F6 – João Netto Carneiro Leme, natural de Paracatu, nascido em 1775, batizado em 23/05 do dito ano, e falecido em 06/11/1842 em Barbacena; casou em Paracatu com Maria da Fonseca Pires, já falecida em 1831 (censo de 1831em Barbacena, onde ele declara ser viúvo, de 52 (sic) anos, negociante, com 33 escravos); 
*Assento de batismo: "Aos 28 de Maio de mil settecentos e settenta e cinco nesta Matriz de Santo Antonio da Manga, Bispado de Pernambuco baptizei e pus os santos oleos aJoão nascido a 16 do dito mes eano, filho legitimo de Antonio Netto Carneiro e de Ana Maria Lemes neto pela parte paterna de Francisco Carneiro Leam, ede sua mulher Maria Netta, e pela materna do cap. Antonio Soares Paes e de sua mulher Ana Maria Lemes. Forão P.P Manoel Roiz de Aguiar e Ana Maria Lemes, e para constar mandei fazer este asento que pela verdade asignei. Padre Francisco José Pereira."
Batismo - João Carneiro Leme

Filhos:

N13 -Maria Henriqueta C. Leão Leme, Marquesa do Paraná, nascida em 1809 em Paracatu, e falecida em 1887, na Fazenda Lordelo, Porto Novo da Cunha – Mg e sepultada no RJ. Casou em 1826 com seu primo Honório Hermeto C. Leão, Marquês de Paraná;
N14 - Maria Neto C. Leão c.c. Jerônimo José Ferreira Teixeira, natural da Vila da Feira, termo do Porto;
 Filho:
Bn11 - Jerônimo José Ferreira Teixeira Júnior, visconde do Cruzeiro, c.c. Maria Henriqueta C. Leão, filha de F2, Viscondessa do Cruzeiro pelo casamento;

F7 - Mariana Netto Carneiro Leão, casada com Manoel Gonçalves dos Santos, sem descendência;

F8 - José Netto Carneiro Leão, sem mais notícias;

F9 - Maria Luíza Netto Carneiro Leão, sem mais notícias;

F10 - Izabel Netto Carneiro Leão, casada com Francisco de Almeida Lara; ela ainda vivia em Paracatu em 1856; filhos descobertos:

N14 - Antonio Netto Carneiro Leão casado com Maria do Nascimento Pereira de Castro, herdeiros do Sargento-Mor Alexandre José Pereira de Castro; filhos:
Bn12 - Maria Cassiana Neto Carneiro Leão;

Bn13 - Manoela Netto Carneiro Leão, casada com Manoel Pereira Dutra; com descendência;

Bn14 - Francisca Basília Netto Carneiro Leão;

BN15 - Guilhermina Neto Carneiro Leão;

N15 - Major João Netto Carneiro Leão, nascido em 24/06/1814.

Nota: Antonio Netto Carneiro Leão teve uma filha descoberta, Maria Netto Carneiro, havida de Leonor Soares Pereira, crioula, que foi tronco de numerosa família em Paracatu e João Pinheiro. Ver Aqui.


-------------------------------------------------------------------------------

*MARQUÊS DE PARANÁ – Nascido em Jacuí, Minas Gerais, aonde seu pai exercia o cargo de comandante do destacamento de milícias local. Dotado de rara inteligência, formou em direito em 1825 na Universidade de Coimbra, Portugal. No Império, exerceu cargos relevantes na administração pública executiva e no legislativo. Foi Presidente das Províncias do Rio de Janeiro e Pernambuco, deputado e senador vitalício e ministro de várias pastas. Agraciado com o título de Marquês por Dom Pedro II, em 1856, com honras de grandeza.



"ESTA É UMA OBRA DE GENEALOGIA, ESTANDO, PORTANTO, SUJEITA A CORREÇÕES E ACRÉSCIMOS".

Fontes primárias: 
1 - Livros de batismos da matriz de Santo Antonio da Manga, Paracatu, 1758 - 1805; 1770-1777;
2 - Tribunal Eclesiástico, acervo do Arquivo Público de Paracatu.
3 - Arquidiocese de São Paulo - Habilitações sacerdotais, parte B - disponível no site FamilySearch on line;
Fontes secundárias:
1 - Velhos Troncos Ouropretanos, de Raimundo Trindade, Revista dos Tribunais, 1951.
Escrito em janeiro 2008.
Atualizado em outubro de 2016.

Postagens mais visitadas

OS SANTANA DE PARACATU - MG

Texto José Aluísio Botelho
Pesquisas Eduardo Rocha 
Colaboração Mauro César da Silva Neiva


Família iniciada em Paracatu com o casamento do tenente Joaquim José de Santana e Dona Maria Peixoto. Não descobrimos a data em que se deu o enlace, bem como não sabemos a naturalidade e ascendência do casal. Filho descoberto:
1 – Capitão João José de Santana, nascido por volta de 1814, pouco mais ou menos, criado e educado com esmero pela tia paterna Dona Florência Maria de Santana, tornou-se um rico capitalista, comerciante na Rua do Calvário e fazendeiro; foi vereador do município; falecido em abril de 1895. Esparramado genearca, casou três vezes, deixando 14 filhos dos três leitos.
Com Luiza de Jesus de Afonseca Costa, nascida em 21/06/1816, filha de Antonio Joaquim da Costa, falecido em Araxá aos 31/12/1839, e de Caetana de Afonseca e Silva, 

  teve os filhos:

1.1 - Maria Luisa de Santana, falecida em 16/06/1920. Foi casada com Antonio Eugênio de Araújo, nascido em 01/10/1830 e falecido em 24/04/…

CONEXÃO PARACATU/ARAXÁ: ENTRELAÇAMENTO DAS FAMÍLIAS BOTELHO – JOSÉ DA SILVA – AFONSO DE ALMEIDA - MACHADO DE MORAES E CASTRO - PACHECO DE CARVALHO

Por José Aluísio Botelho A LONGA JORNADA O Tenente Gregório José da Silva e Dona Tereza Tomásia de Jesus Botelho, se encontraram em 1768 na região denominada Campo das Vertentes, MG, ele nascido na região, ela vinda de muito longe em uma longa jornada, desde a ilha Graciosa no Arquipélago dos Açores, concessão portuguesa no oceano Atlântico, passando pelo Rio Grande do Sul, e que se prolongaria até Araxá, no sertão da Farinha Podre. Depois de casados, o casal se fixou primeiramente em São José Del-Rei, aonde nasceram os dois primeiros filhos, de um total de doze. Militar de carreira, recebeu a patente de tenente em 1775, e foi caminhando com família em direção ao oeste promissor, a medida que o ciclo do ouro no Campo das Vertentes ia se esgotando. De São José, estabeleceu na chamada picada de Nossa Senhora de Oliveira, com fazenda de criar gado vacum, e na medida do avançar dos anos, iam nascendo os filhos. Pois bem, todos criados e já na idade adulta, o mais velho ordenado padre, os d…

DONA BEJA E O TESTAMENTO DO PADRE

O vigário Francisco José da Silva foi um padre típico do sertão mineiro: fazendeiro abastado, político influente, e mulherengo, como quase todos os padres de seu tempo. Teve participação decisiva na evolução político-administrativo e social da Araxá na época em que lá viveu, entre 1815 e 1845, ano de seu falecimento. Participou, mesmo que discretamente, da Revolução Liberal em Araxá, apoiando seus sobrinhos liberais, liderados pelo coronel Fortunato José da Silva Botelho, no embate político que se travava em Minas nos anos de 1842. Legitimou em cartório em 1831, três filhos, a saber: Pedro Amado de São Paulo, Placidina Maria de Jesus, e Teresa Thomásia de Jesus. Antes, em Dezembro de 1826, ele dita seu testamento escrito pelo advogado paracatuense João de Pina e Vasconcelos, onde declara não ter herdeiros descendentes (sic) e/ou ascendentes por serem falecidos seus pais, e que nomeava como seus herdeiros Antonio Machado de Morais, Pedro Amado de São Paulo, e Teresa Thomásia de Jesus, …

GUARDA-MOR JOSÉ RODRIGUES FRÓES

OS MELLO FRANCO

Família de origem portuguesa, cujo fundador no Brasil, João de Melo Franco, se fixou em Paracatu por volta de 1755. Era natural da freguesia de Nossa Senhora da Purificação, lugar de Bucelas, patriarcado de Lisboa, filho legítimo de José da Costa Franco e de sua mulher Paula Maria de Oliveira. Nasceu a 7 de outubro de 1721, e faleceu em Paracatu em 1796. Casou aí, com sua parenta Ana de Oliveira Caldeira, natural de Cotia, São Paulo, onde nasceu a 5 de abril de 1739, filha legítima de Antonio de Oliveira Caldeira, nascido a 24 de setembro de 1708 em Santos e de Josefa Nunes da Costa, nascida a 26 de fevereiro de 1722 em Cotia.Tiveram os seguintes filhos:

1 – Francisco de Melo Franco, nascido a 17 de Setembro de 1757 em Paracatu, Minas Gerais. Formou em medicina na Universidade de Coimbra em 1786 e tornou-se um dos mais importantes médicos na corte portuguesa em sua época: o Alvará de 09 de junho de 1793, de D. Maria I, nomeou-o médico honorário da Real Câmara e o Alvará de 03 de agosto…

ARRAIAL DE SÃO LUIZ E SANTANA DAS MINAS DO PARACATU - SÉRIE TRONCOS PIONEIROS 14