Pular para o conteúdo principal

A ESCOLA NORMAL DE PARACATU E SEUS VELHOS MESTRES

 Por José Aluísio Botelho
Em 1910, Olímpio Gonzaga escrevia: rara é a pessoa em Paracatu que não sabe assinar o nome.
O gosto do paracatuense pela educação decorre talvez, da tradição criada em Paracatu desde os tempos de Arraial lá pelo século XVIII, de ter boas escolas, amparadas pelos padres latinistas que lá viveram.
Em 1º de junho de 1880, foi criada a Escola Normal de Paracatu, bem como o Externato em anexo, que ensinava Agrimensura. Esse educandário, que funcionou no casarão que fora residência do benemérito paracatuense Dr. Joaquim Pedro de Melo, na tradicional Rua de Goiás, teve duração efêmera, em se tratando de escola pública, pois foi abolido em 1906, tendo o Governo Mineiro da época alegado falta de recursos (sic), argumento sempre usado pelos nossos governantes quando se trata de educação. Mas, nem por isso deixou de apresentar mestres profícuos e de notório saber, que listamos abaixo. Desses mestres seguramente muito de seus descendentes, também contribuíram e contribuem em diversas áreas do saber tanto em Paracatu, ou pelo Brasil afora.
Ei-los, em ordem alfabética:
1 - Antônio Loureiro Gomes Júnior – aritmético e álgebra;
(filho de Antônio Loureiro Gomes e de Zenóbia Pimentel Barbosa)
2 - Augusta Pimentel de Ulhoa – aula prática do sexo feminino;
(filha de Augusto Pimentel Barbosa e de Alzira Roquete Franco)
3 – Clarindo de Melo franco – história geral e do Brasil, e economia política;
(filho de Bernardo de Melo Franco e de Maria Cândida Mundim)
4 – Eduardo Pimentel Barbosa – português e literatura brasileira;
(filho de Augusto Pimentel Barbosa e Alzira Roquete Franco)
5 – Franklin José da Silva Botelho – desenho e agrimensura;
(filho de José Jacinto da Silva Botelho e de Áurea Cândida de Castro)
6 – João Moreira Gonçalves Longuinho – música e canto;
7– Padre José Vieira da Silva – ginástica e evolução militar;
8 – Júlia Elisa de Sousa Camargo – inspetora das alunas, e trabalhos de agulha;
( filha de José Alves de Souza Camargo e de Regina de Paula Sousa)
9 – Júlio César de Melo Franco – francês;
(filho de Bernardo de Melo Franco e de Maria Cândida Mundim)
10 – Júlio Roquette Franco – geografia geral e cosmografia;
(filho de Justino Batista Roquete Franco e de Mariana Pimentel de Ulhôa)
11 – Padre Manuel d’Assunção Ribeiro – pedagogia e instrução moral e cívica;
12 – Dr. Pedro Salazar Moscoso da Veiga Pessoa – geometria e trigonometria;
(filho de José Maria Moscoso da Veiga Pessoa e de Ana Luísa Pessoa de Melo)
13 – Renèe Lepesqueur – aula prática do sexo masculino;
(filho de Etienne Lepesqueur e de Carolina Álvares da Silva Campos)
14 – Dr. Sérgio Gonçalves Ulhoa – física, química e história natural;
(filho de Romualdo Gonçalves de Andrade e de Francelina Pimentel de Ulhoa)
15 – Vítor José de Paula– desenho e cartografia.
Em 1895, houve a troca de cadeiras entre os professores Dr. Pedro Salazar e o Padre Manuel da Assunção Ribeiro, ou seja, o Dr. Pedro passou da escola de Agrimensura para a Escola Normal e vice-versa.
Fonte: Memória Histórica de Paracatu, Olímpio Gonzaga, 1910;
Folhas Antigas, Manuscrito, de Gastão Salazar, 1972.

Comentários

Postagens mais visitadas

HISTÓRIA A CONTA-GOTAS - JOSEFA MARIA COURÁ

PELA TRANSCRIÇÃO JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO DE ESCRAVAS À SINHÁS - JOSEFA MARIA E ROSA: NA ROTA DO DIVINO Texto de LUIZ MOTT, Antropólogo, professor da Universidade Federal da Bahia. JOSEFA MARIA ficou na história através de um sumário de culpas que localizei na Torre do Tombo intitulado: “Para se proceder contra as feiticeiras”. Esta negra fora acusada de ser a líder e a proprietária de uma casa de cultos nas Minas de Paracatu (hoje a 200 quilômetros de Brasília), onde se realizava a Dança de Tunda, também chamada Acotundá, um ritual de louvor ao Deus da nação Courá. Segundo depoimento de algumas testemunhas que participaram de tais cerimônias, o ídolo venerado era representado “por um boneco de barro com cabeça e nariz à imitação do Diabo, espetado em uma ponta de ferro, com uma capa de pano branco, colocado no meio da casa em um tapete, com umas frigideiras em roda, e dentro delas, umas ervas cozidas e cruas, búzios, dinheiro da Costa, uma galinha morta, uma panela com f...

NETOS DE DONA BEJA - BATISMOS

Por José Aluísio Botelho Disponibilizamos as imagens de assentos de batismos de três netos de Dona Beja, acrescidos dos outros netos, bem como parte da descendência, de acordo com os documentos localizados, filhos de Joana de Deus de São José e do coronel Clementino Martins Borges. Nota: nada se sabe acerca da ascendência de Clementino Martins Borges, embora seu sobrenome é largamente difundido na região do triangulo mineiro e alto paranaíba. Sabe-se que ele faleceu em Estrela do Sul em novembro de 1910 em avançada idade. Alguém tem alguma pista? Batismo de Joana de Deus: "Aos 14 dias domes de Julho de 1838 o Rdo. Pe. José Ferreira Estrella Baptizou solenemente aingnocente Joanna, fa. natural de Anna Jacinta de Sam Jose forão P.P. o coronel João Jose Carneiro de Mendonça e o Alferes Joaquim Ribeiro da Silva epara constar mandei fazer este acento eque assigno. Araxa era supra".  Fonte: Revista O Trem da História, edição 49. Nota: os outros netos de Beja, filhos de Tereza T...

DONA BEJA E AS DUAS MORTES DE MANOEL FERNANDES DE SAMPAIO

Por José Aluísio Botelho A história que contaremos é baseada em fatos, extraídos de um documento oficial relativo a um processo criminal que trata de um assassinato ocorrido na vila de Araxá em 1836. O crime repercutiu no parlamento do império no Rio de Janeiro, provocando debates acalorados entre os opositores do deputado e ex-ministro da justiça, cunhado do acusado, como se verá adiante. Muitos podem perguntar porque um blog especializado em genealogia paracatuense, está a publicar uma crônica fora do contexto? A publicação deste texto no blog se dá por dois motivos relevantes: primeiro, pela importância do documento, ora localizado, para a história de Araxá como contraponto a uma colossal obra de ficção sobre a personagem e o mito Dona Beja, que ultrapassou suas fronteiras se tornando de conhecimento nacional. Em segundo lugar, porque um dos protagonistas de toda a trama na vida real era natural de Paracatu, e, portanto, de interesse para a genealogia paracatuense, membr...

DONA BEJA E O TESTAMENTO DO PADRE

Por José Aluísio Botelho O vigário Francisco José da Silva foi um padre típico do sertão mineiro: fazendeiro abastado, político influente, e mulherengo, como quase todos os padres de seu tempo. Teve participação decisiva na evolução político-administrativo e social da Araxá na época em que lá viveu, entre 1815 e 1845, ano de seu falecimento. Participou, mesmo que discretamente, da Revolução Liberal em Araxá, apoiando seus sobrinhos liberais, liderados pelo coronel Fortunato José da Silva Botelho, no embate político que se travava em Minas nos anos de 1842.  Para saber mais: clique na imagem abaixo para adquirir o livro na Amazon.com Clique aqui para visualizar uma prévia do livro.

FILHA DE DONA BEJA - EDITAL DE PROCLAMAS

NOTÍCIA DE JORNAL PUBLICADO PELO JORNAL ASTRO DE MINAS, EDITADO EM SÃO JOÃO DEL REI -  24 de janeiro 1832, nº650 NOTAS EXPLICATIVAS: 1 - JOSÉ DA SILVA BOTELHO ERA IRMÃO DO VIGÁRIO FRANCISCO JOSÉ DA SILVA. PORTANTO, OS NOIVOS ERAM PRIMOS; 2 - A MÃE DA NOIVA, ANA JACINTA DE SÃO JOSÉ, ERA A LENDÁRIA DONA BEJA DE ARAXÁ; 3 -  JOSÉ DA SILVA BOTELHO FOI O AVÔ AVOENGO DOS BOTELHOS DE PARACATU; 4 - O COMENTÁRIO ABAIXO REFLETIA A OPINIÃO DO EDITOR DO JORNAL; FONTE: EXTRAÍDO DE IMAGEM DIGITALIZADA DO JORNAL DE PROPRIEDADE DA HEMEROTECA DIGITAL DA BIBLIOTECA NACIONAL DO BRASIL.

FRAGMENTOS DE GENEALOGIAS

Por José Aluísio Botelho Diante da falta quase completa de documentos primários, reunimos indivíduos que viveram nos tempos do arraial e da vila, e que carregavam os sobrenomes transmitidos a descendência, abaixo assinalados: OS LOPES DE OLIVEIRA Nos tempos de arraial Inicia-se a família Lopes de Oliveira, com a presença de Manoel Lopes de Oliveira, já miscigenad a, com a união de Manoel Lopes de Oliveira com Catarina, negra mina; o casal teve um filho nascido nas Minas do Paracatu, que descobrimos: Antônio Lopes de Oliveira, que com Marcelina Ribeira, filha de Francisco Vaz Salgado, natural do Porto, Portugal e de Maria Ribeira, negra mina, continuaram o processo de caldeamento da família com o nascimento de seus filhos; Descobrimos dois filhos nos assentos de batismos do arraial: 1 Tereza, nascida em 18/6/1774 e batizada aos 26 do dito mês e ano; Tereza Lopes de Oliveira, casada ca. 1787 com Custódio Pinto Brandão, com registro de provisão de casamento no Ca...