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ANA DE OLIVEIRA CALDEIRA – GENEARCA DOS MELO FRANCO

Por José Aluísio Botelho

Ana de Oliveira Caldeira foi mulher do português João de Melo Franco, casal tronco de ilustre família brasileira iniciada em Paracatu, Minas Gerais, em meados do século XVIII. Ainda hoje persistem as dúvidas e controvérsias sobre sua origem familiar. Neste artigo vamos tentar elucidar sua genealogia de maneira sucinta, deixando para os interessados o aprofundamento das pesquisas acerca do assunto. Com o surgimento de novos documentos, as principais controvérsias na genealogia de Ana de Oliveira Caldeira foram dirimidas; no entanto, surgem informações que levam a uma possível origem indiana e miscigenada do avô paterno Manoel da Cruz Caldeira.


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O Dr. Afonso Arinos de Melo Franco, descendente ilustre da matriarca, em sua obra “UM ESTADISTA NA REPÚBLICA”, no capítulo concernente ao estudo da origem da família, relata ser ela sobrinha de Felisberto Caldeira Brandt, baseado no biógrafo do Dr. Francisco de Melo Franco, o escritor Pereira da Silva, que diz também ser ela filha de um dos principais do lugar. Ele foi prudente em não ratificar tal informação, porque se tratava de meras conjecturas, sem fontes documentais precisas. Certamente ele se equivocaria ao fazer tal assertiva, pois, de fato, Dona Ana de Oliveira Caldeira, tinha relações de parentesco com os Caldeira Brandt, mas não tão próximo como referia o aludido biógrafo em questão.
Hoje, sabe-se que as famílias Oliveira Caldeira, Melo Franco e Caldeira Brandt, essa pelo lado materno, são originárias de uma mesma região de Portugal – Vila de Bucelas, do conselho de Loures, distrito de Lisboa. E sendo notórios os laços de parentesco entre famílias pioneiras, temos por certo ser João de Melo Franco, ali nascido, ser parente de sua mulher Ana de Oliveira Caldeira, paulista de Cotia, e ambos de Felisberto Caldeira Brandt, nascido em São Paulo e criado em Minas, cuja história e genealogia já é bastante conhecida. A inserção de João de Melo Franco na cadeia de parentesco se baseia, além do fato de ser do mesmo lugar, ser ele filho de José da Costa Franco, sendo COSTA o apelido do ramo materno de Dona Ana.
Através de fontes primárias, colhidas em arquivos eclesiásticos da cúria metropolitana de São Paulo foi possível destrinchar a origem de nossa personagem. Ana de Oliveira Caldeira era paulista da paragem denominada “ACUTIA”, hoje Cotia, onde nasceu em 1739, conforme Assento de batismo que transcrevemos abaixo;
“Anna, filha legítima de Antônio de Oliveira Caldeira e de Josefa Nunes da Costa. Nasceu aos cinco de Abril de mil setecentos e trinta e nove. Foi batizada aos treze do mesmo mês, e por mim Salvador Garcia Pontes, vigário desta freguesia. Foram padrinhos o capitão Felix Machado e Izabel da Costa, cazados e fregueses desta freguesia. E logo se poz os Santos Óleos. Do que para constar fiz este termo.
Dia e era ut supra. Salvador Garcia pontes. ”(Livro de Batizados nº 1 – 1723-1749, da freguesia de N. S. de Montserrat de Acutia).
Seu pai Antônio de Oliveira Caldeira nasceu em Santos, onde foi batizado a 24 de Setembro de 1708, filho legítimo de Manoel da Cruz Caldeira, natural e batizado na freguesia e paróquia de Santos o Velho, Patriarcado de Lisboa e de Ana de Oliveira, natural e batizada na Vila de Santos. Sua mãe Dona Josefa Nunes da Costa, nasceu em Cotia a 26 de Fevereiro de 1722, filha de Izabel da Costa e de Salvador Nunes de Azevedo, sendo que Dona Izabel da Costa, avó de Dona Ana Caldeira, era filha de Manuel Pacheco Gatto, homem abastado, e de Dona Francisca da Costa. Transcrevo a seguir o assento de casamento dos pais de Ana Caldeira:
“Aos quatorze de Outubro de mil setecentos e trinta e sete, feitas as denunciações nesta igreja da Senhora do Montserrat de Cotia, termo de São Paulo, se recebeu em minha presença Josefa Nunes da Costa, filha legítima de Salvador Nunes de Azevedo e Izabel da Costa, com Antônio de Oliveira Caldeira, filho legítimo de Manoel da Cruz Caldeira e de sua mulher Ana de Oliveira, moradores e fregueses, naturais da Vila de Santos, de que foram testemunhas, Escolástica da Silva, Felipa de Santiago Denis, e Pedro Freitas Rocha, todos moradores e fregueses desta freguesia. E logo lhes dei as bênçãos. De que para constar fiz este termo. Dia e era ut supra. Salvador Garcia Fontes.” (Livro de casamento de Cotia nº1 – 1728-1749).
Sabe-se através de fontes documentais e outras descrições genealógicas, que Félix Machado de Oliveira, tio e padrinho de batismo de Ana Caldeira, bem como sua avó, Ana de Oliveira eram naturais de Bucelas, o que reforçaria o parentesco entre ela e os Costa Franco, porém há controvérsias. Nota: ambos são citados nos assentos acima transcritos.
Outro dado relevante relacionada à genealogia de Dona Ana de Oliveira Caldeira, é o fato de ser ela bisneta do abastado fazendeiro e sertanista Manuel Pacheco Gato e de sua mulher Izabel da Costa, sendo, portanto, parenta próxima do Bandeirante Manuel de Borba Gato, fundamental na descoberta, conquista e povoamento das Minas Gerais.
Outro ponto controverso é onde e quando se deu o casamento entre João de Melo Franco e Dona Ana de Oliveira Caldeira. Tanto o primeiro Afonso Arinos de Melo Franco, em “Lendas e Tradições Brasileiras”, como Gastão Salazar, afirmaram ter o casal se casado em Cotia (SP), e em lombo de burro, o veículo do tempo, aportaram no Arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu," fundado pelos seus parentes os irmãos Caldeira Brant"(sic). Contudo, nenhum dos autores citados, encontrou qualquer documento referente ao casamento deles em São Paulo. Ora, o casal Antonio de Oliveira Caldeira e Josefa Nunes da Costa migraram para as Minas do Paracatu, já nos primórdios do arraial, atraídos pelo anunciado oficial dos descobertos do ouro na região, e as principais provas da presença da família no lugar por nós coletadas são: o batismo do filho Manoel em 15/12/1764 na matriz de Santo Antonio da Manga de Paracatu e o testamento de Antônio de Oliveira Caldeira, datado de 1784, existente no Arquivo Público Municipal Olímpio Michael Gonzaga, de Paracatu, infelizmente ilegível (IN: Inventário Analítico do Fundo do Tribunal Eclesiástico). Veja imagens (não muito nítidas) ilustrativas do assento de batismo de Manoel:



Portanto, quando o português de Bucelas, João de Melo Franco chegou ao arraial de Paracatu, Dona Ana de Oliveira Caldeira já vivia no lugar e o casamento deve ter ocorrido entre 1755 e 1756, datas próximas do nascimento do primeiro filho, o Dr. Francisco de Melo Franco.
Nota relevante: encontramos o processo de habilitação para familiar do Santo Ofício de João de Melo franco, em que se comprova que o casamento dele e de Ana de Oliveira Caldeira se deu em meados de 1756, na matriz de Santo Antônio da Manga do arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu, objeto de estudo em outro texto  publicado neste blog.
Outros filhos do casal Antonio de Oliveira Caldeira e de dona Josefa Nunes da Costa, localizados no arraial de Paracatu:
1 - Josefa de Oliveira Caldeira;
2 - Maria de Oliveira Caldeira, falecida em 1774, natural do arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu; foi casada com Albano da Costa Pinheiro, natural da Bahia; filhos:
2 - 1 Maria, batizada em 30/08/1772;
2 - 2 José, nascida em 27/03/1774;
3 - Manoel da Cruz Caldeira, batizado em 1765 na matriz de Santo Antonio da Manga de Paracatu - imagem acima; foi casado com Ana Rosa da Fonseca; filha descoberta:
3 - 1 Maria José da Cruz Caldeira, casada em 1818 com seu primo Francisco de Oliveira Caldeira, filho natural de Josefa de Oliveira Caldeira (1).



Ascendências de Ana de Oliveira Caldeira (atualização em 15/02/2018)





Pais:

Antônio de Oliveira Caldeira, natural da vila de Santos, nascido em 24/09/1708; casado em Cotia/Cutia em 1737 com:
Josefa Nunes da Costa, natural de Cotia, nascida em 20/02/1722.

Ascendência paterna

Avós

Manoel da Cruz Caldeira, natural de Santos-O-Velho, Lisboa, Portugal, batizado aos 11 de maio de 1680; casado na vila de Santos em 06/11/1707 com:
Ana de Oliveira, natural da vila de Santos, batizada em 17 de janeiro 1672.
Nota: em o processo de habilitação para familiar do Santo Oficio, testemunha disse ser Manoel da Cruz Caldeira, mulato de cabelos crespos.
Batismo Manoel Caldeira
Bisavós Paternos


Antônio Caldeira, natural da Índia (?);
Sabina Alvares, natural da Índia(?);
Nota: este casal foi trazido da índia para Lisboa por um certo Luís De Mendonça. Não eram casados.


Antônio de Oliveira;
Beatriz Correia.

Ascendência materna

Avós

Salvador Nunes de Azevedo, natural da ilha de São Sebastião, Capitania de São Vicente, nascido por volta de 1680;
Izabel da Costa, natural da freguesia de Nossa Senhora de Montserrat, Cotia, São Paulo.

Bisavós

Pais de Salvador Nunes de Azevedo - sem notícias;

Pais de Izabel da Costa:

Manoel Pacheco Gato, falecido em 12/07/1715. Foi morador em Cotia, casado em 1680 com
Francisca da Costa.

Trisavós

Outro Manoel Pacheco Gato, nascido em 1622 e falecido em 16/08/1692 em Santo Amaro, SP; casado com:
Ana Veiga Paes;
Domingos Gonçalves da Cruz, casado com:
Izabel da Costa; (Segue na Genealogia Paulistana, de Silva Leme, VIIIº, Página 214).



Tataravós

Manoel Pacheco, natural dos Açores;
Beatriz Borba Gato, natural da Ilha Terceira;

Capitão João Paes e
 Suzana Rodrigues.

Fontes:

1 Livros Paroquiais da matriz de Santo Antônio da Manga de Paracatu;
2 Livros Paroquiais de Cotia São Paulo - familySearch;
3 Projeto Compartilhar;
4 Habilitação de João de Melo Franco - Torre do Tombo.

















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2 - FAZENDA DO FUNDÃO - Sesmaria adquirida por João de Melo Franco em 1762, distante cerca de dez léguas de Paracatu, na chapada do São Marcos. Em 1819, segundo Pohl, se encontrava em ruínas. Passou à descendência;

3 - FAZENDA CÓRREGO RICO - Foi seu primitivo dono Joaquim de Melo Albuquerque( Seu Melo), falecido em 1880. Era filho do pernambucano Joaquim de Albuquerque e de Ana de Melo Franco;

4 - FAZENDA CAETANO - Pertenceu ao casal Manoel Caetano de Moraes e Joana Maria de Moura e anos mais tarde ao Dr. Sérgio Ulhôa;

5 - FAZENDA MOURA - Foi seu primitivo dono Romão de Moura, que se mudou para o Vão do Paranã, em Goiás, onde deixou numerosa descendência. Posteriormente, passou a ser propriedade do Coronel Fortunato Jacinto da Silva Botelho e seus descendentes;

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