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FAMÍLIA CASADO DE LIMA




Por José Aluísio Botelho

APORTES AO LIVRO “DESBRAVADORES DA CAPITANIA DE PERNAMBUCO, SEUS DESCENDENTES, SUAS SESMARIAS”, DE ZILDA FONSECA, CAPÍTULO IX – FRANCISCO CASADO DA FONSECA
A pesquisadora Zilda Fonseca, em seu livro acima nomeado, faz um profundo estudo de tradicionais famílias pernambucanas, a partir de sua ascendência paterna e materna, desde o início do povoamento da capitania de Pernambuco, e retrocedendo aos seus ancestrais portugueses.
Nosso estudo está baseado em algumas lacunas e dúvidas deixadas por ela em trabalho de mais de 50 anos de pesquisas, sobre o parentesco de pessoas relacionadas direta e indiretamente na cadeia genealógica de descendentes. O que vem demonstrar as enormes dificuldades dos pesquisadores em história e genealogia, principalmente no tocante as fontes primárias, seja pelo sumiço de documentos, sejam pelo mal estado de conservação dos mesmos, notadamente dos livros paroquiais. Este artigo pretende contribuir com algumas descobertas feitas pelo autor desse artigo, no subtítulo Limas, de que é descendente, assim como é a autora do livro em questão.
Com a velocidade vertiginosa em que caminha a internet, propiciando o surgimento de sites oficiais ou não, disponibilizando online documentos manuscritos de cunho histórico e/ou genealógicos, nos permite fuxicar e garimpar achados preciosos para a confecção de genealogias até então de difícil elaboração. Dentre esses sites, vale citar o projeto resgate, patrocinado pelo MEC, bem como o fabuloso site da igreja lds (Mórmons), de importância crucial para o estudo das famílias, e que está sempre em constante evolução, com disponibilização de assentos de casamentos, batismos e óbitos de vários estados e cidades brasileiras, para não dizer do mundo todo.
O projeto resgate, que recuperou documentos relativos ao Brasil colônia, existentes no Arquivo Histórico Ultramarino nos remeteu ao Projeto Ultramar, específico para os estados de Pernambuco, Alagoas, Ceará, Sergipe, e Rio grande do Norte, com acesso livre para qualquer pessoa interessada, nos deu pistas e achados que permitiram a elucidação de algumas lacunas e dúvidas levantadas por Zilda Fonseca.
A primeira dúvida por ela levantada: o português capitão Francisco Casado de Lima, senhor de engenho nas vilas de Sirinhaém e de Alagoas, e também um próspero comerciante no Recife seria irmão do também português Damião Casado de Lima? E interroga: seria a mesma pessoa o senhor de engenho e o comerciante do Recife?
Pois bem, em requerimento existente no Projeto Ultramar, que tem por objeto uma reclamação de herança, nos permitiu elucidar essa questão da irmandade entre os personagens acima suscitada, bem como levou a descoberta de um filho de Francisco Casado de Lima, e de outros filhos de Damião Casado de Lima, que Zilda admitiu terem existido, mas não foram localizados por ela em suas pesquisas. Reproduzimos trecho do documento, datado de 27/02/1806, que achamos elucidativo: “Dizem João Casado de Lima, Martinho Teixeira Lima, Dona Rosa de Lima, Dona Luiza de Lima, moradores uns na vila de Alagoas outros na de Sirinhaém da capitania de Pernambuco, que eles são primos legítimos por linha direta de Mateus Casado de Lima, por ser este filho de Francisco Casado de Lima, IRMÃO (grifo nosso) de Damião Casado de Lima, pai dos suplicantes (...)”. Nesse trecho do documento, se prova os dois serem irmãos, e nomeia quatro filhos de Damião Casado de Lima, bem como um filho do capitão.
Outros documentos comprovam ser a mesma pessoa, o senhor de engenho e o comerciante. Em requerimento datado de 1727, Francisco Casado de Lima, solicita licença para demarcar terras pertencentes ao seu engenho na vila de Sirinhaém, denominadas de Carrapato, e reitera o pedido em documento de 1750. Em 1749, a herdeira de Garcia da Ponte Coelho, sócio de Francisco Casado de Lima, requer a cobrança, através de penhora de bens do suposto devedor, da vultosa quantia de 21 Contos de Réis devida por ele a seu pai, relativo a um contrato do Açúcar e Miúnças na mesma capitania de Pernambuco, de 1732. Essa cobrança judicial seria contestada pelos dois filhos e herdeiros de Francisco Casado de Lima, em documento datado de 1750: “Dizem Domingos de Araújo Lima e seu irmão Mateus Casado de Lima, da vila de Sirinhaém e de Alagoas, da capitania de Pernambuco, filhos e herdeiros do capitão Francisco Casado de Lima (...)”. Por ocasião desse documento, ele é citado como bastante idoso, e em outro de 1755, é referido como falecido. Como podemos perceber o capitão Francisco Casado de Lima, teve dois filhos legítimos, que aparecem como herdeiros do engenho em Sirinhaém, bem como nos documentos de contestação judicial relativos à penhora dos bens no Recife, o que reforça a ideia de serem eles a mesma pessoa. A mulher também é a mesma: em assento de batismo transcrito no livro, de um sobrinho do capitão, foi madrinha do batizando, Mariana de Araújo, sua mulher, portanto, mãe dos seus filhos acima listados.
 Os filhos: 
1 -  O sargento mor Domingos de Araújo Lima, em documento de 1776, aparece como senhor do engenho Trapiche – “Diz o Sargento-Mor Domingos de Araújo Lima, senhor do engenho Trapiche com invocação de Santo Antonio, o qual obteve o suplicante por herança de seu pai (...), onde é morador há mais de 50 anos (...)”. Em 1778, ele já era falecido, conforme diz sua viúva em outro documento manuscrito: “Diz D. Joana Luisa de Barros do Rego Barreto, por seu procurador Manoel Rodrigues Sette, que ela queixando-se à Sua Majestade da inaudita (sic) que a suplicante foi expulsa incivilmente das terras de que por falecimento de seu primeiro marido Domingos de Araújo Lima, em poder de Mateus Casado de Lima, seu cunhado (...)”. Não há referências a filhos no documento.
2 - Mateus Casado de Lima, em 1750 já era coronel do Regimento de Cavalaria da vila de Alagoas, então capitania de Pernambuco. Parece ter sido um homem rico, poderoso e arbitrário, como se pode constatar por ocasião da usurpação das terras da própria cunhada. Em 1792 solicita ao rei de Portugal o perfilhamento de cinco filhos naturais com mulheres diferentes para efeito de herança de seus bens: “Diz Mateus Casado de Lima, coronel do Regimento de Cavalaria da vila de Alagoas, natural da capitania de Pernambuco e morador no lugar da Boa Vista, freguesia da Sé da cidade de Olinda, que ele no estado de solteiro que ainda se encontra, houve cinco filhos chamados: Plácido Pereira do Rego, da amizade ilícita que teve com uma Antonia de Tal; uma filha chamada Antonia, de semelhante amizade que teve com uma mulher chamada Leonor; e outra filha chamada Mariana que houve com Ana de Tal;  Ana e Tereza, esta já falecida, de outra mulher chamada Francisca”. O rei legitimou a todos. Nota: em uma genealogia, há referência à Antonia Casada de Lima, filha do coronel Mateus como genearca de um ramo da família Acioli Vasconcelos, de Alagoas. Pois bem, à luz de documentos históricos, podemos modificar e/ou acrescer nomes de pessoas antes desconhecidas, a árvores genealógicas. No caso específico, descobrimos outros filhos de Damião Casado de Lima que não foram listados no livro, a saber:
1 – João Casado de Lima, morador na vila de Alagoas;
2 – Martinho Teixeira Lima, morador em Alagoas;
3 – Rosa de Lima, moradora em Sirinhaém;
4 – Luiza de Lima, moradora em Sirinhaém.
Outrossim, forma-se a descendência do Capitão Francisco Casado de Lima, e de sua mulher Mariana de Araújo de Lima, filha do Capitão João de Araújo Lima, com os filhos legítimos:
1 – Domingos de Araújo Lima, casado que foi com Joana Luísa de Barros do Rego Barreto;
2 – Coronel Mateus Casado de Lima faleceu solteiro, com cinco filhos naturais legitimados, acima nomeados.
Quanto à descendência do coronel Francisco Casado de Lima Júnior, o terceiro do nome, a autora não conseguiu referências a duas filhas, e também não conseguiu elucidar a filiação do neto ilustre do dito coronel, o Barão de Santa Cândida.
Pois bem, através de minuciosa pesquisa nos assentos de casamentos, batismos, e de óbitos da igreja do Santíssimo Sacramento do Recife, logramos algum êxito em relação às lacunas deixadas por Zilda em seu livro. Quanto à primeira filha sem referências, Maria Jarcelina de Lima, não encontramos sua certidão de batismo e/ou casamento, e sim os assentos de batismos de três de seus filhos, Félix (1822), José (1823), e Francisco (1828), o que nos permitiu descobrir o nome de seu marido, José Ferreira Domingues, natural da freguesia de Fradelos, cidade do Porto. A segunda, Clara Isabel Casado de Lima, também não encontramos sua certidão de casamento, que parece ter sido antes de 1819, quando nasce o filho Antonio de Sousa Cirne Lima, que em 1840 era estudante do primeiro ano de direito da Universidade de Coimbra. No entanto, encontramos seu assento de óbito, ocorrido em 18 de abril de 1826, onde se declara ter sido ela casada com Antonio de Sousa Cirne, e que falecera com 31 anos de idade, tendo nascido, portanto, em 1795. Hoje se sabe que esse casal foi os pais do Barão de Santa Cândida, Francisco de Sousa Cirne Lima, fato desconhecido pela autora à época da elaboração de seu trabalho. Encontramos seu assento de batismo (SS, 1822-1826): nasceu em 09/09/1824, sendo batizado em 05/03/1825, filho do Alferes Antonio de Sousa Cirne e Clara Isabel de Lima.
Juiz de direito em várias cidades nas províncias de Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, e por último no Pará, aonde chegou à vice-presidente da Província. Faleceu no Rio de janeiro. Deixou descendência no RS.
Concluindo, o preenchimento de lacunas e o esclarecimento de dúvidas deixadas em trabalhos de cunho genealógico, através da análise de documentos históricos, reforçam a ideia que historia e genealogia se complementam, na montagem de árvores genealógicas, bem como na elucidação de fatos históricos de uma determinada região ou país. Reforça também a importância fundamental da igreja católica, a partir do Concilio de Trento, quando se determinou a obrigatoriedade dos registros paroquiais no tocante a nascimentos, casamentos, óbitos, etc., mesmo a despeito das dificuldades nas pesquisas, devido à precariedade na conservação desses livros em grande número de nossas igrejas.
Fontes:
Projeto Ultramar – www.liber.ufpe.br/ultramar - busca avançada - verbete ‘Casado de Lima’;
Familysearch – www.familysearch.org – Pernambuco – Recife – Igreja Santíssimo Sacramento (SS).
Brasília, setembro de 2011.

Comentários

  1. Anônimo10:04 AM

    Parda? Porque Clara Isabel era Cavalcante? Uma discreta contribuição ameríndia? Ou ela seria mulata? Esse Cirne vem mesmo de onde? Um tal de Anderson Lyra, metido a genealogista, afirma com, dados, que vcs descendem de um paraibano fixado em Bagé. Eu sou trineto de um legítimo Araújo Lima que fora senhor de engenho. Anderson e vc buscaram documentos no cesto

    sanitário e os publicaram.

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