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SUBSÍDIOS PARA A HISTÓRIA DE PARACATU - O COMEÇO DE UMA BELA HISTÓRIA

Por José Aluísio Botelho

      

                 
                       OS DESCOBERTOS DAS MINAS DE PARACATU                  

“FOI DEUS SERVIDO MOSTRAR – ME AS GRANDES RIQUEZAS DE UM COPIOSO CÓRREGO, A QUE PÔS O NOME DE SÃO LUÍS, E SANT’ANA AO QUAL DEPOIS O POVO POR ANTONOMÁSIA CHAMOU CORGO RICO.” PALAVRAS DO DESCOBRIDOR.

É OBJETO DE CONTROVÉRSIAS ENTRE NOSSOS DOUTOS HISTORIADORES COMO SE DEU A DESCOBERTA DAS MINAS DE OURO NA REGIÃO DE PARACATU, OU SEJA, QUEM DESCOBRIU, QUANDO FOI,E QUAL A LOCALIZAÇÃO DAS PRIMEIRAS JAZIDAS DESCOBERTAS.
QUEM DESCOBRIU OURO EM PARACATU A PARTIR DO CÓRREGO RICO?
JOSÉ RODRIGUES FRÓES OU FELISBERTO CALDEIRA BRANT?
TAL PROEZA FOI OBJETO DE DUAS GRANDES BANDEIRAS OU DE UM HOMEM SÓ?
MUITO SE ESCREVEU SOBRE O TEMA, NOTADAMENTE OS HISTORIADORES ANTIGOS. NÃO ENCONTRAMOS NA HISTORIOGRAFIA MAIS RECENTE NENHUMA NOVIDADE QUE PUDESSE MODIFICAR AS HIPÓTESES LEVANTADAS ANTERIORMENTE. OLÍMPIO GONZAGA EM SEU LIVRO “MEMÓRIA HISTÓRICA DE PARACATU” DISCORREU SOBRE O TEMA, ONDE AFIRMA A PRESENÇA DE DUAS BANDEIRAS, UMA VINDA DE GOIÁS CAPITANEADA PELOS IRMÃOS CALDEIRA BRANT, E OUTRA ORIUNDA DA BAHIA CHEFIADA PELO BANDEIRANTE JOSÉ RODRIGUES FRÓES, E DE MANEIRA ROMANCEADA AFIRMA TER SIDO A CONDUZIDA POR FELISBERTO CALDEIRA BRANT SER A PRIMEIRA A CHEGAR AS MARGENS DO CÓRREGO RICO COM TODOS OS LOUROS DA DESCOBERTA DE OURO NAQUELE SÍTIO, BEM ASSIM CREDITA A FRÓES AS DESCOBERTAS NO CÓRREGO DE SÃO DOMINGOS, MAIS AO NORTE. OUTROS HISTORIADORES CREDITAM A DESCOBERTA A JOSÉ RODRIGUES FRÓES, EMBORA A FALTA DE DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS IMPEDISSE UMA AFIRMAÇÃO DEFINITIVA DA TESE LEVANTADA. EM NENHUM MOMENTO O DESCOBRIDOR CITA EM SEU TEXTO AS PALAVRAS BANDEIRA, BANDEIRANTE. ELE SE DEFINE COMO UM MINERADOR ANTIGO E SERTANISTA.
QUANDO SE DEU ESSAS DESCOBERTAS?
 CONFLITANTE TAMBÉM É A DATA CORRETA EM QUE SE DEU ESSA DESCOBERTA: O PROFESSOR E HISTORIADOR PARACATUENSE OLIVEIRA MELLO, ACREDITA QUE JÁ EXISTIA O ARRAIAL A PARTIR DO FINAL DO SÉCULO XVII E INÍCIO DO XVIII; JÁ AFONSO ARINOS DE MELO FRANCO PRESUMIA QUE OS IRMÃOS CALDEIRAS TENHAM CHEGADO EM 1744, PORÉM, DEPOIS DE FRÓES; JÁ GASTÃO SALAZAR DIZ QUE A CHEGADA DE FELISBERTO CALDEIRA BRANT SE DEU NO FINAL DOS ANOS DE 1730; A CONTROVÉRSIA SOBRE O ANO DE 1744 COMO A DATA VERDADEIRA DO DESCOBRIMENTO DAS MINAS DO PARACATU, ERA MUITO ACENTUADA E PROFUNDA. OS DOCUMENTOS QUE IREMOS APRESENTAR PODERÃO APROXIMAR A DATA DO DESCOBERTO DO ANO DE 1744.
POIS BEM, COM ABERTURA CADA VEZ CRESCENTE DOS ARQUIVOS BRASILEIROS E PORTUGUESES, AJUDADOS PELA MEMORÁVEL FERRAMENTA WEB, MUITOS DOCUMENTOS MANUSCRITOS ESTÃO VINDOS À TONA, PROPICIANDO PROFUNDAS REVISÕES DO QUE SE ESCREVEU NO PASSADO. A ESCASSEZ DE DOCUMENTOS RELATIVOS A PARACATU, PRINCIPALMENTE SOBRE O TEMA EM QUESTÃO, EVIDENTEMENTE DIFICULTOU A ELABORAÇÃO DE TEXTOS CONSISTENTES BASEADO EM FATOS REAIS, PROPICIANDO O SURGIMENTO DE TESES MIRABOLANTES, ROMANCEADAS, EM QUE SE MISTURA O REAL COM O IMAGINÁRIO, TORNANDO TUDO MUITO OBSCURO. DENTRE TODOS OS QUE ESCREVERAM SOBRE O ASSUNTO, SOMENTE UM VIAJANTE ESTRANGEIRO, O NATURALISTA FRANCÊS SAINT-HILARE APROXIMOU DO ACREDITAMOS SER A VERDADE HISTÓRICA, QUANDO DESCREVEU,SEM CITAR FONTES, EM SEU LIVRO “VIAGENS AS NASCENTES DO RIO SÃO FRANCISCO”, EDIÇÃO 1975, PÁGINA 147, O QUE SE SEGUE: “ELE PARTE SÓ COM DOIS ESCRAVOS, ATRAVESSA REGIÕES AINDA DESABITADAS, E, EM 1744, CHEGA ENFIM AO LUGAR QUE PROCURAVA COM TANTA CORAGEM E ARDOR”. PARECE QUE O NATURALISTA TEVE ACESSO AOS DOCUMENTOS QUE ABAIXO IREMOS TRANSCREVER OU OBTEVE UMA INFORMAÇÃO FIDEDIGNA DOS MESMOS. OUTRAS DUAS INTERROGAÇÕES IMPORTANTES TAMBÉM SERÃO RESPONDIDAS: DE ONDE VEIO O NOME PRIMITIVO DO ARRAIAL? QUEM BATIZOU O CÓRREGO RICO?
PARAFRASEANDO O DESCOBRIDOR, DEUS FOI SERVIDO DE NOS MOSTRAR A LOCALIZAÇÃO DE ALGUNS DOCUMENTOS DOURADOS QUE DORMITAVA EM ARQUIVO PORTUGUÊS, QUE PODEM E DEVEM FORNECER SUBSÍDIOS DE FUNDAMENTAL IMPORTÂNCIA PARA SE ESTABELECER A VERDADE HISTÓRICA QUANTO AO SURGIMENTO DAS POVOAÇÕES NO ENTORNO DA ATUAL CIDADE DE PARACATU. ESSES DOCUMENTOS SÃO PETIÇÕES DO NOSSO DESCOBRIDOR PARA O REI DOM JOSÉ I DE PORTUGAL, SOLICITANDO CARGOS E MERCÊ TAIS COMO O DE TABELIÃO, ESCRIVÃO, E O HÁBITO DE CRISTO, COMO PRÊMIO PELAS SUAS DESCOBERTAS. NO BOJO DESSES TEXTOS ESTÃO AS JUSTIFICAÇÕES PARA TAIS PEDIDOS, QUE SÃO UM VERDADEIRO TESOURO, ONDE O AUTOR ESCREVE DO PRÓPRIO PUNHO (ELE NÃO ERA ANALFABETO) OU DITA PARA UM PREPOSTO MAIS LETRADO, TODA A SAGA DE SEU DESCOBRIMENTO, DE ONDE VEIO, POR ONDE ANDOU E O TEMPO GASTO NA EMPREITADA, AS DIFICULDADES DE LOCOMOÇÃO, O PERIGO DE VIDA DIANTE DE UMA REGIÃO AINDA INÓSPITA INFESTADAS DE ÍNDIOS HOSTIS QUE HABITAVAM ENTRE OS RIOS PARACATU E PRETO, A FALTA DE ESCRAVOS, ONDE ACHOU AS PRIMEIRAS JAZIDAS ETC. TUDO ISSO PODE SER RESPONDIDO NOS TEXTOS ABAIXO: O PRIMEIRO TRAZ A NARRATIVA DA SAGA DO DESCOBRIMENTO DAS MINAS, SUBDIVIDIDO EM DEZENOVE ITENS, DE MANEIRA DIDÁTICA PARA UMA ÉPOCA EM QUE OS DOCUMENTOS MANUSCRITOS ERAM REBUSCADOS, COM A GRAFIA  DIFICULTANDO A LEITURA  E A INTERPRETAÇÃO DOS MESMOS; O SEGUNDO É UMA CORRESPONDÊNCIA DO GOVERNADOR GOMES FREIRE DE ANDRADE AO DESCOBRIDOR ONDE SE PODE DEDUZIR QUANDO SE DEU O DESCOBERTO, E RATIFICANDO DE MANEIRA INCONTESTÁVEL, A CONDIÇÃO DE LEGÍTIMO DESCOBRIDOR DAS MINAS DE SÃO LUIZ E SANT'ANA AO NOSSO PERSONAGEM EM QUESTÃO. FAREMOS UMA TRANSCRIÇÃO LIVRE PARA O PORTUGUÊS ATUAL COM ALGUMAS LACUNAS DEVIDO A DIFICULDADE DE IDENTIFICAR ALGUMAS PALAVRAS, E EM CADA ITEM FAREMOS COMENTÁRIOS QUE JULGARMOS NECESSÁRIOS PARA MELHOR COMPREENSÃO DAQUELES QUE NÃO ESTÃO FAMILIARIZADOS COM O ASSUNTO, ALGUMAS VEZES EMITINDO NOSSA OPINIÃO, ENRIQUECIDA COM A TRANSCRIÇÃO DE TRECHOS DE OUTROS DOCUMENTOS QUE JULGAMOS IMPORTANTES PARA REFORÇAR A NARRATIVA DO DESCOBRIDOR. DEVEMOS SALIENTAR QUE OS DOCUMENTOS ESTÃO CATALOGADOS NA DATABASE DO ANO DE 1748, MAS, O MAIS IMPORTANTE DELES PARECE SER DE 1745.
COM A PALAVRA O DESCOBRIDOR DAS MINAS DO PARACATU:
“DIZ O GUARDA MOR JOSÉ RODRIGUES FRÓES QUE PARA O BEM DE SUA JUSTIÇA, E REQUERIMENTOS QUE TEM PERANTE SUA MAJESTADE QUE DEUS O GUARDE E É NECESSÁRIO JUSTIFICAR OS ITENS SEGUINTES:
1 – QUE O SUPLICANTE É O PRÓPRIO DE QUE TRATA ESTA JUSTIFICAÇÃO, QUE EXISTE E MORA NESTE ARRAIAL DAS MINAS DO PARACATU; É O PRÓPRIO QUE FEZ ESTA DESCOBERTA COMO NESTAS JUSTIFICAÇÕES SE EXPÕEM.
2 – QUE O JUSTIFICANTE SE ACHAVA EM COMPANHIA DE SEU PAI CORONEL PEDRO RODRIGUES FRÓES MORANDO NAS VIZINHANÇAS DESTE SERTÃO DO PARACATU, E COMO TIVESSE BASTANTE NOTÍCIA DESTE DITO SERTÃO, DESEJOSO DE FAZER ALGUM DESCOBRIMENTO DE OURO, ÚTIL AOS POVOS, A DE SERVIÇO A S. MAJESTADE SE ACHAVA CONTUDO PARA ISSO IMPOSSIBILITADO POR FALTA DE MEIOS COM TAL POBREZA, QUE NEM UM ESCRAVO SEU PRÓPRIO TINHA.
Comentário: provavelmente ele sabia de longa data da possibilidade de haver ouro na região. Porém, não cita um suposto roteiro escrito por um padre e encontrado em um mosteiro na Bahia, que assinalava o local exato das jazidas auríferas. Confirma, igualmente, que ele já vivia no sertão do Paracatu há alguns anos. Vale salientar que o pai dele obteve sesmaria no Caminho Novo de Goiás em 1737 ou pouco menos. Esse sítio ficava localizado às margens do rio São Francisco em confluência com um ribeirão denominado Jacaré. Não conseguimos estabelecer se ele era ficava do lado direito ou esquerdo do grande rio. Portanto a história de que ele chefiou uma bandeira vinda da Bahia aportando às margens do córrego de São Domingos parece estar afastada, e deve ser reconhecida como uma narrativa lendária, não baseada em fatos reais. Em outro documento ele reforça essa tese: “que se achando no sertão entre as Minas Gerais e Goiás, tem bastante experiência e conhecimento dele pelo trabalho de andar alguns anos em companhia de seu pai examinando-lhes as minas e riqueza que podiam ter.”
3 – QUE CONTUDO, ROMPENDO COM MUITAS DIFICULDADES, PEDIU O JUSTIFICANTE A SEU PAI TRÊS ESCRAVOS ÚNICOS QUE TINHA, E COM ELES SAIU O JUSTIFICANTE A EXAMINAR A CAMPANHA COM BASTANTE PERIGO DE VIDA POR SEREM AS VIZINHANÇAS ENTRE O PARACATU E O RIO PRETO INFESTADOS DE GENTIO INIMIGO.
Comentário: CAMPANHA – palavra usada no sentido de campo extenso, planície. Neste trecho ele faz referências à presença de índios bravios na região entre o Paracatu e Rio Preto.
4 – QUE COM NÃO MENOS TRABALHO E MISÉRIA DE EXPOR O JUSTIFICANTE ESTA DILIGÊNCIA POR FALTA DE ESCRAVOS NECESSÁRIOS, PORQUE OS TRÊS DE SEU PAI EM QUE SAIU, NEM DOBRADOS QUE FOSSEM NÃO BASTAVA PARA ELAS; E ALÉM DISSO, SEM FERRAMENTAS, MANTIMENTOS, E VESTUÁRIOS PRECISOS (APROPRIADO – GRIFO NOSSO) POR FALTAR AO JUSTIFICANTE OS MEIOS PARA ESCAVAR, POR SER MUITA A SUA POBREZA.
5 – QUE COM TODOS ESTES TRABALHOS ANDOU O JUSTIFICANTE TRÊS MESES, CORRENDO PRADOS, MONTANHAS E CAMPOS, E SEM CAMINHOS NEM PICADAS, PORQUE NO LUGAR ONDE HOJE É O DITO DESCOBERTO, E BASTANTES LÉGUAS FORA DELE, NENHUMA ESTRADA HAVIA DE PASSAGEIROS, NEM HABITAÇÃO DE MORADOR ALGUM DESTE SERTÃO.
Comentário: essa afirmativa é interessante, porque nos escritos oficiais há referência a uma picada para Goiás que passava ao largo do córrego Rico.
6 – QUE ULTIMAMENTE AO CABO DOS DITOS TRÊS MESES DESCOBRIU O JUSTIFICANTE O RIBEIRÃO QUE DENOMINOU DE SÃO LUIS E SANT’ANA E QUE AINDA ASSIM SE CHAMA HOJE (1748), OU POR OUTRO NOME O CORGO RICO; E QUE DEU LOGO NOTÍCIAS AO EXMO. GOVERNADOR CAPITÃO GENERAL DAS MINAS GERAIS, PARA LHE CONCEDER TEMPO DE SULCAVAR EM FORMA, QUE COM EFEITO, LHE CONCEDEU POR PORTARIA.
Comentários: esse item é de fundamental importância, porque responde a algumas dúvidas e indagações:
A – Revela o nome primitivo do atual Córrego Rico, nome dado pelo povo mineiro que para lá se dirigiu (item abaixo); esclarece o nome primitivo do Arraial, derivado do nome oficial do córrego descoberto;
B – Para reforçar essa tese, em outro documento ele discorre sobre o descoberto usando termos diferentes, quando ele refere ter se deparado com um copioso córrego, que deu o nome de São Luis e Sant’Ana, e que o POVO por antonomásia chamou de CORGO RICO (grifos nosso);
  C – Pode-se deduzir deste relato, que antes do Manifesto Legal (24 de junho de 1744), ele tinha comunicado ao governador Gomes Freire de Andrade sua descoberta, pedindo tempo para se certificar da extensão das jazidas e a riqueza delas, o que será confirmado no próximo item; (2º doc.)
D – Outra ilação que se pode deduzir é que o período compreendido entre o descoberto do ouro e o manifesto legal é relativamente curto, levando em consideração o tempo gasto para as correspondências entre ele e o Governador, devido à distância até a sede da Província; é importante salientar que a provisão do governador Gomes Freire de Andrade, emitida em Sabará, é datada de 9 de maio de 1744, ou seja, antes do manifesto legal, o que comprova que ela já tinha conhecimento do descoberto com muita antecedência (2º doc.); a data do manifesto legal é 24 de junho de 1744;
E – No período colonial notadamente, era comum que ao se descobrir um sítio mineral, fundar uma povoação etc. esses locais serem batizados com o nome do santo de devoção do descobridor/fundador. É provável que José Rodrigues Fróes ao nomear o córrego descoberto com os nomes de dois santos da igreja católica, nos leva a crer ter sido ele devoto dos ditos santos, cuja data comemorativa se dá respectivamente em 26 de agosto e 26 de julho, época de estiagem na região, o que possibilitava a exploração minuciosa da mesma. É plausível conjecturar ter ele chegado ao local no período de seca, como veremos no 2º documento;
7 – QUE ULTIMAMENTE FEITO PELO JUSTIFICANTE ENTRADA NA CAMPANHA, E FAZENDO SULCAVAÇÃO NA FORMA DAS ORDENS, SE VEIO NO CONHECIMENTO DE MUITA RIQUEZA QUE O CORGO DESCOBERTO TINHA E MANDOU O GENERAL A REPARTI-LO, CONCORRENDO LOGO INFINITO POVO DE TODAS AS OUTRAS MINAS A POVOAR ESTE DESCOBERTO.
Comentário: após a comprovação da viabilidade das jazidas, fez-se o Manifesto Legal; comprovação no 2º documento;
8 – QUE FOI TANTA A RIQUEZA DESTE DESCOBERTO QUE GERALMENTE SE DIZ POR HOMENS MINEIROS ANTIGOS, QUE NUNCA SE DESCOBRIU LUGAR ALGUM TORRÃO DE TERRA MAIS RICO DO QUE ESTE, E POR ANTONOMÁSIA SE CHAMA HOJE CORGO RICO.
Comentário: Novamente ele atribui o nome de “corgo rico” por antonomásia, e desfaz a autoria do nome creditada ao Capitão Felisberto Caldeira Brant.
9 – QUE TANTA FOI SUA RIQUEZA QUE SERVIU DE RECUPERAÇÃO A MUITOS MINEIROS QUE SE ACHAVAM TOTALMENTE PERDIDOS E REFUNDIDOS COM CAMPANHAS, ASSIM DOS DAS GERAIS COMO DAS DO GOIÁS; CONCORRENDO COM TAL NUMERO DE GENTE DE TODA A PARTE COM A SUA FAMA, QUE EM TRÊS MESES SE FEZ UM ARRAIAL DE MIL FOGOS, QUE AINDA HOJE EXISTEM MELHORAMENTOS DE CASAS QUE SE VÃO SE EDIFICANDO.
10 – QUE DA MESMA SORTE FOI ESTE DESCOBERTO UMA GRANDE REDENÇÃO PARA OS MORADORES DO RIO SÃO FRANCISCO QUE SE ACHAVAM NA ULTIMA DECADÊNCIA, SEM TER DE QUE FAZER UM VINTÉM PARA PAGAR OS QUINTOS A SUA MAJESTADE POR NÃO TEREM SAÍDA OS SEUS PRODUTOS NAS OUTRAS MINAS, E PARA ESTE DESCOBERTO CONCORREU COM ELES GENTE VINDO DE TODA A PARTE E A MAIS DE 400 LÉGUAS RIO ABAIXO; E VENDENDO-OS FOI MUITA GENTE REMEDIADA.
11 – QUE AINDA HOJE ACABADA (SIC) DA SUA RIQUEZA, E HÁ NESTE DESCOBERTO AS MELHORES, MINAS NA CONVENIÊNCIA DOS JORNAIS; E TEM ABUNDÂNCIA DE TERRAS MINERAIS PARA MUITOS ANOS; E DE SORTE QUE SE ACHÃO JÁ NELE ESTABELECIDAS MUITOS E GRANDIOSOS SERVIÇOS DE LAVRAS COM ÁGUA.
Comentário: Jornais – trabalhos diários nas minas.
12 – QUE ALÉM DAS REFERIDAS CONVENIÊNCIAS TEM MUITAS OUTRAS UTILIDADES ESTE DESCOBERTO AO SERVIÇO DEL REI, E A BENEFÍCIO DO POVO, PELO SÍTIO EM QUE SE ACHA, ABRAÇANDO AAS DUAS MINAS, AS GERAIS E DE GOIAZES, ENTRE ELES OS HABITANTES DO SERTÃO DO SÃO FRANCISCO PELO QUAL E PELO PARACATU SE FAZ NAVEGAÇÃO PARA ESTE DESCOBERTO QUE FICA DISTANDO DE SEU PORTO DOZE LÉGUAS; NAVEGANDO-SE IGUALMENTE PARA ELE PELO RIO YRYCUIA (URUCUIA) QUE FAZ BARRA NO DE S. FRANCISCO ABAIXO DO PARACATU E PELO RIO DAS VELHAS QUE FAZ BARRA ACIMA DA DO PARACATU.
Comentário: Como pode se depreender da narrativa, José Rodrigues Fróes conhecia muito bem a região, descrevendo a hidrografia sertaneja;
13 – QUE TEM ESTE DESCOBERTO A UTILIDADE DE ESTAR EM UMA CAMPANHA NUNCA ANTES EXPLORADA PARA OS HAVERES DE MINA, E QUE COM EFEITO, PROMETE MAIS DESCOBRIMENTOS E QUE A ESSE FIM TEM O JUSTIFICANTE DISPOSTO A SAIR COM BREVIDADE A INVESTIGÁ-LA.
Comentário: aqui se vê a inquietação do garimpeiro, sempre ávido para encontrar novas jazidas;
14 – QUE ALÉM DO REFERIDO TEM A UTILIDADE DE SE PODER POR AQUI DOMAR O GENTIO DE ENTRE O PARACATU E RIO PRETO, CONTINUANDO-SE A POVOAR ESTA CAMPANHA COM ESTABELECIMENTO DE SÍTIOS, FAZENDAS E DESCOBERTOS NOVOS.
Comentário: mais uma vez faz referência à presença de índios na região;
15 – QUE TENDO SIDO GERALMENTE BOM PARA TODOS ESTE DESCOBERTO, SÓ PARA O JUSTIFICANTE O NÃO FOI, POR MOTIVOS PARTICULARES, QUE NÃO CABE NESTA JUSTIFICAÇÃO, E A DESPEITO DA CONVENIÊNCIA E RIQUEZA QUE PODERIA TIRAR, NENHUMA TEM E POUCO MELHORADO ESTÁ, E TEM MENOS HOJE DO QUE ANTES DE O FAZER TINHA.
Comentário: Este item, embora mal redigido dificultando a compreensão, pode ser interpretado como uma lamentação do nosso descobridor, tendo entrado pobre na empreitada e saído mais pobre ainda;
fac-símile doc1
16 – QUE CONCORREU POR ISSO TAMBÉM A POUCA AMBIÇÃO, EMBORA TIVESSE A LEALDADE, A FACILIDADE E GÊNIO DO JUSTIFICANTE, POIS NÃO SÓ NA ESCOLHA DAS DATAS DE PREFERÊNCIA, NÃO ESCOLHEU AS MAIS RICAS QUE PODIA ESCOLHER, E LHE ERAM PERMITIDAS; ANTES FEZ QUE SE RETIRASSE A DE SUA MAJESTADE COM MELHOR SÍTIO, MAS QUE DAS QUE TEM O JUSTIFICANTE TEM REPARTIDO COM OUTROS E ATUALMENTE ESTÁ ADMITINDO NELAS A QUALQUER QUE SE ACHA SEM TERRAS PARA MINERAÇÃO.
17 – QUE O JUSTIFICANTE É DE NOBRE NASCIMENTO, NATURAL DE SÃO PAULO, FILHO DE PAIS NOBRES E HONRADOS, E TEM MUITAS OBRIGAÇÕES DE IRMÃOS E IRMÃS MENORES A SEU CARGO; É CAPAZ DE QUALQUER (SIC) QUE SUA MAJESTADE SEJA SERVIDO (SIC) POR ESTE SERVIÇO.
18 – QUE O JUSTIFICANTE É MINEIRO ANTIGO E SEMPRE FOI NO SERRO DO FRIO (ATUAL CIDADE DO SERRO), MINAS GERAIS, TEVE BASTANTES BENS, E ESCRAVATURA, QUE POR CONTRATEMPOS PERDEU E SE REDUZIU A GRANDE POBREZA, E TODA A SUA FAMÍLIA PADECE POR ESSE RESPEITO.
19 – QUE O JUSTIFICANTE É GRANDE SERTANISTA, E TAMBÉM TEM CONHECIMENTOS DOS SERTÕES, E CAPAZ DE FAZER MUITOS OUTROS E SEMELHANTES SERVIÇOS A SUA MAJESTADE.
Comentário: Nestes dois últimos itens, ele se define como um mineiro experiente, um sertanista, não fazendo qualquer referência ao bandeirismo paulista.
TRANSCRIÇÃO DO SEGUNDO DOCUMENTO – CARTA - COM A PALAVRA O GOVERNADOR E CAPITÃO GENERAL GOMES FREIRE DE ANDRADE:
“POR DOIS ESCRAVOS QUE FICARÃO NAS MINAS GERAIS ESPERANDO A MINHA RESPOSTA CHEGUE A MÃO DO SECRETÁRIO DAQUELE GOV (sic) A CARTA DE VOSSA MERCÊ QUE LOGO ME REMETEU, COM DATA DE 12 DE DEZEMBRO**, ACOMPANHADA DA DE SEU PAI COM A MESMA DATA. É GRANDE A SATISFAÇÃO E CONTENTAMENTO COM QUE A REVELAÇÃO VOSSA MERCÊ ME FAZ DOS SEUS PROGRESSOS, É SEM DÚVIDA, QUE PERMITINDO A BONDADE DIVINA NÃO NOS CASTIGUE, TEREMOS PELO TRABALHO DE VOSSA MERCÊ, UM NOVO DESCOBERTO ÚTIL AO NOVO REI, E A SEUS VASSALOS, E MAIS QUE TODOS, A VOSSA MERCÊ A QUEM EU PROTESTO QUE CONTINUANDO COM O MESMO ZELO, E FIDELIDADE AOS INTERESSES DE SUA MAJESTADE, ACHARÁ EM MIM SEMPRE UM DESINTERESSADO PROTETOR.
*12 de dezembro do ano anterior (1743);
PELA PORTARIA JUNTA VERÁ VOSSA MERCÊ A CONFIANÇA QUE EU TENHO NA SUA PESSOA; VOSSA MERCÊ FAÇA LOGO SUA ENTRADA, ESTABELEÇA O SÍTIO QUE MELHOR LHE APROUVER, E FINADAS AS ÁGUAS** (GRIFO NOSSO) EXPLORE MUITO BEM TUDO O QUE ME REFERE FAZENDO-ME UMA RELAÇÃO MUITO INDIVIDUAL, PARA LHE REMETER AS ORDENS NECESSÁRIAS COM AS QUAIS DEPOIS NA SECA VINDOURA FARÁ VOSSA MERCÊ A REPARTIÇÃO DE DATAS; PARA O QUE ENTÃO IRÁ A VOSSA MERCÊ CARTA DE GUARDA MOR***, ESTANDO CERTO HÁ DE TIRAR PARA O SEU ESTABELECIMENTO, DOBRADAS DATAS UNIDAS COM QUE ASSEGURE FORTUNA PARA SÍ, E SEUS SUCESSORES.
**Como o ouro descoberto era de aluvião, era praticamente impossível explorá-lo durante o período chuvoso;
***Expedida em nove de maio de 1744; prestou juramento e tomou posse no cargo em 26 de julho de 1744;
O PAI DE VOSSA MERCÊ ME REMETEU A LIVRA DE OURO DE QUE VOSSA MERCÊ FAZ MEMÓRIA, MAS COMO PELAS ORDENS DE SUA MAJESTADE ME É PROIBIDA A ACEITAÇÃO DE QUALQUER OFERTA; ESTIMO NESTA OCASIÃO PODER EMPREGAR TÃO BEM A LIVRA DE OURO, COMO FAÇO, MANDANDO A ENTREGAR NA INTENDÊNCIA DESTA COMARCA PARA PAGAMENTO DA CAPITAÇÃO DOS ESCRAVOS QUE SEU PAI DE VOSSA MERCÊ OBRIGADO DA NECESSIDADE DEIXAVA DE PAGAR HAVIA TANTOS ANOS.
fac-símile doc2
AO INTENDENTE ORDENO MANDE FAZER ESTA CONTA SEM ACRÉSCIMO DE MULTA; E ESTA ATENÇÃO QUE COM VOSSAS MERCÊS TENHO É CREDORA DA INTEIRA FIDELIDADE COM QUE ESPERO SIRVAM SEMPRE A SUA MAJESTADE EM TÃO IMPORTANTES DEPENDÊNCIAS COMO HÃO DE RESULTAR DE TAL DESCOBERTO. VOSSA MERCÊ NÃO POUPE TODAS AS OCASIÕES QUE TIVER DE ME DAR CONTA DE TUDO O QUE FOR DESCOBRINDO.
OS NEGROS VÃO PELA VILA DE SABARÁ, PARA COM SEGURANÇA SE PODEREM RECOLHER COM BILHETES DA CAPITAÇÃO; ESTIMAREI QUE REGRESSEM COM BREVIDADE A CASA DE VOSSA MERCÊ A QUEM ME DESPEÇO.
Comentário – Recolher com bilhetes de Capitação: viajar com salvo conduto, como emissários;
DEUS O GUARDE, RIO DE JANEIRO 1º DE FEVEREIRO DE 1744
GOMES FREIRE DE ANDRADE (assinatura legível)

CONCLUSÃO: NO BOJO DESSES DOCUMENTOS EXISTEM PROVAS ESCLARECEDORAS E IRREFUTÁVEIS QUE CREDITA A JOSÉ RODRIGUES FRÓES O DESCOBRIMENTO DAS MINAS DO PARACATU A PARTIR DO CÓRREGO RICO, PELO MENOS ATÉ QUE APAREÇAM OUTROS DOCUMENTOS QUE CONTRADITEM ESSA AUTORIA. A NOVIDADE É A PARTICIPAÇÃO DE SEU PAI, O CORONEL PEDRO RODRIGUES FRÓES, QUE FOI O EMISSÁRIO DA CARTA AO GOVERNADOR, LHE DANDO CIÊNCIA DA EXISTÊNCIA DE OURO NA REGIÃO DO PARACATU. SINALIZA TAMBÉM, PARA O NOSSO ENTENDIMENTO, QUE AS DATAS DO DESCOBERTO E DO MANIFESTO LEGAL FORAM PRÓXIMAS. A CARTA COMUNICANDO A BOA NOVA ENDEREÇADA AO GOVERNADOR É DATADA DE 12 DE DEZEMBRO DE 1743, O QUE SUGERE O DESCOBRIMENTO TER OCORRIDO ANTES, REFORÇANDO NOSSA TESE DO MESMO TER SE DADO NO PERÍODO DE ESTIAGEM, ENTRE JULHO E AGOSTO DE 1743, OU POUCO ADIANTE. REFORÇA MAIS AINDA ESTA TESE A DATA DA RESPOSTA DE GOMES FREIRE DE ANDRADE – 1º DE FEVEREIRO DE 1744.
NO PERÍODO COMPREENDIDO ENTRE O COMUNICADO DA DESCOBERTA E O MANIFESTO LEGAL, TRATOU O GOVERNADOR DE MONTAR A ESTRUTURA ADMINISTRATIVA DAS NOVAS MINAS, OFICIALIZANDO O NOME DO FUTURO ARRAIAL, A CRIAÇÃO DOS CARGOS MAIS IMPORTANTES PARA QUE SE PUDESSEM GARANTIR OS INTERESSES DO GOVERNO PORTUGUÊS, BEM COMO A BOA ADMINISTRAÇÃO DA JUSTIÇA; NESSE ÍNTERIM, ENVIOU VELHOS BUROCRATAS E COLABORADORES DO SEU GOVERNO, TAIS COMO RAFAEL DA SILVA E SOUZA (INTENDENTE), E OS CAPITÃES MORES JOÃO JORGE RANGEL E JOSÉ FERREIRA BRAZÃO, ESTES COM O FIM DE CONTER O POVO NA CORRIDA DO OURO. ALIÁS, FOI ESSE JOSÉ FERREIRA BRAZÃO QUE DEU POSSE A JOSÉ RODRIGUES FRÓES NA GUARDAMORIA;
ESCLARECE OS NOMES PRIMITIVOS DO CÓRREGO DESCOBERTO, BEM COMO DO ARRAIAL QUE SE DESENVOLVEU AS SUAS MARGENS.
INFORMA A EXISTÊNCIA DE ÍNDIOS BRAVIOS E HOSTIS NAQUELE MILÉSIMO, ENTRE O PARACATU E RIO PRETO.
POR FIM, DESFAZ EM DEFINITIVO

, EM NOSSA OPINIÃO A LENDA DAS BANDEIRAS, E A EXISTÊNCIA DE ESTRADAS E/OU PICADAS AO LARGO DO CÓRREGO RICO.
A HISTÓRIA DE PARACATU A LUZ DESTES DOCUMENTOS PRECISA SER REVISITADA PELOS NOSSOS DOUTOS HISTORIADORES, E CERTAMENTE, ASSIM ACREDITAMOS, SERÁ REESCRITA.


ADENDO:

 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O GUARDA MOR JOSÉ RODRIGUES FRÓES

Na época do descoberto, José Rodrigues Fróes era um homem de meia idade, com 42 anos de idade. Declara ele no documento acima, ser natural de São Paulo e confirma ser filho do coronel Pedro Rodrigues Fróes. Informa também cuidar de irmãos e irmãs menores (sic). Não declina seu estado civil. Numa genealogia da família escrita por Lafaiete de Toledo Pisa, descendente de Pedro Rodrigues Fróes, só há referência de ele ter se habilitado De Genere, porém, nunca foi descoberto algum descendente dele. Por algum motivo, em 1749, ele e seu pai vendem suas datas minerais a Antonio Ferreira de Noronha e desapareceu.Foi tragado pelo sertão das Gerais? não, ele e sua família acompanharam os irmãos Caldeira Brant rumo ao distrito diamantino, onde se estabeleceram.

Nota: não sou historiador, e sim um diletante apreciador da história de minha terra.

Fonte:

1 – Documentos manuscritos do Arquivo Histórico Ultramarino;
Fontes de apoio:
1 – Mello, Oliveira – Paracatu Perante a História, 1964;
2 – Mello, Oliveira – As Minas Reveladas, Paracatu no tempo, 1994;
3 – Saint – Hilare, Auguste – Viagem às Nascentes do Rio São Francisco, 1975, editora Itatiaia;
4 – Salazar, Gastão – manuscritos, s/d;
5 – Franco, Afonso Arinos de Melo – Um Estadista na República, vol. 1, 1955, editora José Olympio;
6 – Pisa, Lafaiete de Toledo – José Rodrigues Fróes, in Revista do Arquivo Público Mineiro, 1903.
Pesquisa com transcrições de manuscritos:
  José Aluísio Botelho.
Citar autoria intelectual.

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EDUARDO ROCHA


Fato relevante: localizamos o testamento do capitão José Barbosa de Brito no Arquivo Municipal de Paracatu - ele testou aos 27 dias do mês (ilegível) de 1771. Na ocasião sua mulher já era falecida: "missa pela alma de minha mulher Agostinha da Costa Silva."Abaixo faremos algumas correções e acréscimos que achamos necessários à luz do novo documento.


José Barbosa de Brito. Em um documento datado de 1763, por nós compulsado, em que ele aparece como testemunha, está descrito: “José Barbosa de Brito, homem branco, casado, morador neste arraial de Paracatu, que vive de suas minas, natural da cidade de Braga, com idade de 60 anos, pouco mais, pouco menos.” Portanto, nascido por volta de 1703, em Braga, norte de Portugal. No seu testamento, ele declara ser natural da freguesia de São Vítor, Campo de Santana, cidade de Braga, filho legítimo de Manoel Barbosa e de Jerônima de Brito. Localizamos seu assento de batismo realizado aos 07/10/1703, vide …

HISTÓRIA A CONTA-GOTAS - JOSEFA MARIA COURÁ

PELA TRANSCRIÇÃO JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO

DE ESCRAVAS À SINHÁS - JOSEFA MARIA E ROSA: NA ROTA DO DIVINO Texto de LUIZ MOTT, Antropólogo, professor da Universidade Federal da Bahia.
JOSEFA MARIA ficou na história através de um sumário de culpas que localizei na Torre do Tombo intitulado: “Para se proceder contra as feiticeiras”. Esta negra fora acusada de ser a líder e a proprietária de uma casa de cultos nas Minas de Paracatu (hoje a 200 quilômetros de Brasília), onde se realizava a Dança de Tunda, também chamada Acotundá, um ritual de louvor ao Deus da nação Courá. Segundo depoimento de algumas testemunhas que participaram de tais cerimônias, o ídolo venerado era representado “por um boneco de barro com cabeça e nariz à imitação do Diabo, espetado em uma ponta de ferro, com uma capa de pano branco, colocado no meio da casa em um tapete, com umas frigideiras em roda, e dentro delas, umas ervas cozidas e cruas, búzios, dinheiro da Costa, uma galinha morta, uma panela com feijão, moringas de á…

GENEALOGIA A CONTA-GOTAS - PIRES DE ALMEIDA LARA

Por Eduardo Rocha José Aluísio Botelho
Os Pires Almeida Lara do arraial das Minas do Paracatu tem origem em São Paulo, que de lá acorreram em busca do ouro. Os Pires e Almeidas vieram de Portugal, enquanto os Lara tem origem em Diogo de Lara, vindo de Zamora, reino de Castela no início do século dezessete. Em Paracatu encontramos um tronco desta família, porém não foi possível estabelecer, por falta de documentos, a vinculação parental, assim como se legítimos ou bastardos. Família miscigenada, esse ramo dos Pires de Almeida Lara começa com: 1- Apolinário Pires de Almeida Lara, falecido em 01-01-1851; casado com Ana Soares Rodrigues, falecida em 03-08-1862. Residentes na Rua do Calvário.
Inventário: 2ª Vara cx. 1862.

Filhos:

1-1 Félix Pires de Almeida Lara, falecido por volta de 1895; casado com Joana Cardoso do Rego, falecida por volta de 1895.

Inventário: 2ª Vara cx. 1919.

" Aos vinte e sete de dezembro de mil oito centos e trinta e seis, nesta frequesia de Santo Antonio da Manga …

TEXTOS INÉDITOS DE OLYMPIO GONZAGA - PRIMEIRA PARTE

Por José Aluísio Botelho

Olympio Gonzaga e o Mimeógrafo (lembram-se dele?, ancestral das impressoras modernas)

Olympio Gonzaga foi professor primário por longos anos, coletor federal, jornalista, fotógrafo, escritor, e por último comerciante: foi proprietário de um Armazém de secos e molhados (como se dizia à época) em Paracatu: no seu estabelecimento comercial vendia-se de tudo, desde um simples urinol até, eventualmente, automóveis.
Lá instalou seu mimeógrafo, com o qual prestava serviços à comunidade a preços módicos, inclusive cópias de seus escritos.

Fonte: Afonso Arinos na intimidade, Biblioteca Nacional do Brasil, divisão de manuscritos.

A seguir, alguns destes textos:

1) Reclame.



2) Biografia do Dr. Afrânio de Melo Franco, seu protetor político, a quem professava profunda admiração.