Pular para o conteúdo principal

ARRAIAL DE SÃO LUIZ E SANTANA DAS MINAS DO PARACATU - SÉRIE TRONCOS PIONEIROS 6 - CORREIA BARBOSA/MOREIRA DE GODOI


 Por José Aluísio Botelho

**CORREIA BARBOSA - MOREIRA DE GODÓI
Esta família está intimamente ligada por laços de parentesco com o descobridor das Minas do Paracatu, o Guarda-mor José Rodrigues Fróes, já que Dona Branca das Neves era irmã germana de Izabel Barbosa de Moraes, mãe do descobridor Fróes. Aliás, outros sobrenomes que aparecem nesta genealogia, interligados por parentesco e por casamento com a família Fróes e, por conseguinte com a família Martins Bonilha, berço materno de José Rodrigues Fróes, foram identificados nos livros paroquiais da matriz da Manga das Minas do Paracatu. Mostramos abaixo a ascendência de Lourenço Correia Barbosa, para ilustrar nossa tese.
Portanto, o paulistano Lourenço Correia Barbosa, primo de Fróes, natural da freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Vila de São Paulo, passou as Minas do Paracatu, logo após os descobertos. Lá, casou com Mariana Jorge de Menezes, natural e batizada no caminho de São Paulo para Goiás, freguesia de Meia Ponte, bispado do Rio de Janeiro; Ele, filho legítimo de Thomé Moreira de Godói, dos Godói quatrocentões, e de Branca das Neves, naturais da vila de Mogi das Cruzes, SP; ela, filha legítima de Domingos Pires de Oliveira, natural da vila de Jundiaí, SP, e de Helena Rodrigues Velha, natural da freguesia da Piedade, SP, que também acorrerem para os novos descobertos; descobrimos, dentre outros, os filhos:
1 – Thomé Moreira de Godói, nascido em 1756 e falecido em 1824; casado com Micaela Maria de Moura, filha legítima do Sargento-mor João Jorge Portela e de Josefa Bárbara de Moura Almeida; filhos descobertos:
1.1 – João, nascido em 26/05/1777 e falecido em 02/0471806; João Moreira de Godói, casado com Maria Vieira da Mota, falecida em 18/04 do mesmo ano; filhos:
1.1.1 Joaquina Moreira de Godói, nascida em 1802;
1.1.2 - Ana, nascida em 08/05/1805;
1.2 - Felisberta Maria de Moura, batizada em 11/1786; foi casada, moradora em São Bento do Tamanduá;
1.3 - Jerônimo Moreira de Godói;
1.4 Eufrásio Moreira de Godói, casado com Ana Francisca de Menezes;
1.5 Maria Teresa de Godói, casada com Tomás Francisco, moradores na vila de São Bento do Tamanduá;
1.6 Tomé Moreira de Godói Júnior, casado com Maria Januária; filhos:
1.6.1 Joana;
1.6.2 Maria;
1.6.3 Francisca;
1.7 José Moreira de Godói, casado com Maria Joaquina de Avelar.
2 – Branca Dias das Neves, casada com José Caetano de Moura, filho legítimo do Sargento-mor, João Jorge Portela e de Josefa Bárbara de Almeida; filhos descobertos:
2.1 – Luís, batizado em 13/12/1775;
2.2 – Rufina, batizada em 20/05/1777;
2.3 – José Caetano, nascido em 1786;
3 – Florência Moreira de Godói;
4 – Rufina Moreira de Godói;
Com Luzia de Campos Tourinho, natural de Guaratinguetá, SP, teve o filho:
5 – Miguel Correia Barbosa, natural de Meia Ponte, casado com Ana Ferreira do Amaral, natural do arraial de São Luiz e Santana; filho descoberto:
5.1 – Lourenço, batizado em 12/05/1774;
6 – Capitão Anastácio Correia Barbosa, nascido em 11/06/1765; casado com Ana Gonçalves de Moura Brochado, filha de Manoel de Moura Brochado e de Ana Gonçalves de Moura. 
Ver: Pioneiros do Ouro 1 – Moura Brochado.
*Ascendência de Lourenço Correia Barbosa - Godoy
Teve começo esta família em Balthazar de Godoy, nobre castelhano, que veio a S. Paulo na segunda parte do século XVI em tempo do domínio de Castela no Brasil. Aqui casou com Paula Moreira f.ª do capitão-mor governador Jorge Moreira, natural do Rio Tinto, Porto, e de Izabel Velho. Teve:
1.º Belchior de Godoy
 2.º Balthazar de Godoy, que segue;
 3.º Gaspar de Godoy Moreira
 4.º João de Godoy Moreira
 5.º Maria de Godoy
 6.º Sebastião Gil de Godoy  
2.º Balthazar de Godoy casou 1.º em 1630 com Antonia Preto f.ª do capitão Manoel Preto e de Águeda Rodrigues. Faleceu Antonia Preto em 1632 e Balthazar de Godoy passou a 2.ªs núpcias com Maria Jorge f.ª de Francisco Jorge, natural de Portugal, e de Izabel Rodrigues, família Martins Bonilha.  Foi Balthazar de Godoy inventariado em 1679 em Mogi das Cruzes, e teve:
Da 1.ª mulher, a f.ª única:
1-1 Antonia Preto;
Da 2.ª mulher, 12 f.ºs:
1-2 Balthazar de Godoy;
1-3 Padre Jorge Moreira;
1-4 Francisco Jorge de Godoy;
1-5 Manoel Velho;
1-6 Thomé Moreira Velho, que segue;
1-7 Frei Fernando;
1-8 João de Godoy Moreira;
1-9 Frei Plácido;
1-10 Leonor Jorge;
1-11 Maria Jorge;
1-12 Paula Moreira;
1-13 Izabel Rodrigues;
1-6 Thomé Moreira Velho foi cidadão rodeado de veneração e respeito em Mogi das Cruzes, onde ocupou os honrosos cargos do governo da terra; foi sargento-mor do terço dos auxiliares do mestre de campo Domingos da Silva Bueno, e nesse posto marchou em 1711 para a vila de Santos a defendê-la contra as ameaças dos franceses, sendo aí governador Manoel Gomes Barbosa. Faleceu em Mogi em 1728 no estado de viúvo de Nataria Gomes, † na mesma vila em 1724, f.ª de João Gomes Villas Boas, natural de Portugal, e de Maria Jacome, natural de Santos. Teve os 10 f.ºs:
2-1 Capitão-mor João de Godoy Villas Boas que casou em 1695 em S. Paulo com Urbana Pereira f.ª de Francisco Pereira de Faro e de Anna Maria de Oliveira. Teve q. d.:
3-1 Francisco Pereira de Faro casado em 1729 em Itu, com Joanna de Almeida f.ª do capitão Jordão Homem Albernaz e de Joanna de Almeida.  
3-2 Miguel de Godoy Moreira casado em 1729 com Maria Leite de Mendonça f.ª de Mathias de Mendonça e de Luzia Leme.
2-2 Thomé Moreira Velho foi sargento-mor e casou com Maria Gomes. Teve q. d.:
3-1 Thomé Moreira.
3-1 Thomé Moreira, † em 1731, foi casado com Branca das Neves f.ª de João Martins Bonilha e de Maria Correa de Moraes, e teve:
4-1 Izabel Barbosa casou com Estanislau de Toledo Piza.
4-2 Miguel de Godoy Moreira que casou em 1737 em Mogi das Cruzes com Victoria Correa de Alvarenga f.ª de Domingos de Almeida Ramos e de Barbara Correa de Alvarenga. Faleceu em 1799 nessa vila e teve 2 f.ºs:
5-1 Joaquim de Godoy Ramos, † solteiro em 1811, e deixou f.ºs naturais reconhecidos.
5-2 Dina Francisca de Godoy casada em 1763 em Mogi das Cruzes com Marçal Ferreira dos Santos f.º de Pedro Fernandes dos Santos e de Maria Suzana, naturais de Portugal.
**4-3 Lourenço Correia Barbosa, objeto do título desse estudo, acima;
4-4 Francisco de Godoy.
4-5 João de Godoy casou em 1745 em Mogi das Cruzes com Izabel Pinto f.ª do capitão Luiz de Candia de Abreu e de Margarida Vaz Pinto. Teve:
5-1 Maria Pinto de Godoy casada em 1771 na vila supra com José Rodrigues do Prado f.º de Miguel Correa Machado e de Anna Leme do Prado.
4-6 Thomé Moreira casou em 1743 na vila supra com Anna Fernandes de Siqueira f.ª de Sebastião Fernandes de Mendonça e de Maria Soares de Siqueira.  
4-7 Maria Pinto casou em 1739 na mesma vila com Ângelo Vaz Pinto, f.º do capitão Luiz de Candia e de Abreu do n.º 4-5 supra. Com geração.
4-8 Rosa Moreira casou em 1741, nessa vila, com Antonio da Costa Lima f.º de Manoel da Costa Lima e de Francisca de Jesus Carassa.
4-9 Branca das Neves, † em 1767 em Mogi das Cruzes, casou nessa vila em 1743 com Marcellino Nunes de Siqueira f.º de Domingos Nunes Paes e de Luiza de Siqueira Sobrinha. Com geração.
4-10 Ângela Gomes de Moraes casada em 1741 na mesma vila com Antonio de Faria Moreira, † em 1784, f.º de João Pedroso Moreira e de Izabel Pimenta de Abreu. Teve os 9 f.ºs:
5-1 Anna Maria casada com Domingos Martins da Guerra f.º de outro de igual nome e de Thereza de Moraes. Teve q. d.:
6-1 Anna Victoria casada em 1788 em Mogi das Cruzes com José Pinto de Moraes f.º de Francisco Pinto do Rego e de Anna Pires de Moraes.
6-2 Domingos de Mattos casado em 1797 na mesma vila com Joanna Baptista f.ª de Ângelo de Mattos e de Maria de Jesus.
5-2 Maria Pimenta, solteira com 37 anos em 1784.
5-3 Joaquim Pedroso Moreira casou em 1774 na mesma vila, com Catharina de Macedo f.ª de Estevão da Costa de Macedo e de Izabel da Costa Barbosa, por esta neta de Bruno Dias Delgado e de Maria Salvadora de Jesus.
5-4 Antonio José de Faria casou em 1775 na mesma vila com Lucrecia Maria f.ª de Bento Rodrigues de Aguiar e de Catharina Machado.
5-5 Rosa Maria casada em 1775 na mesma vila com Francisco Pinto de Moraes f.º de Francisco Pinto do Rego. Com geração.
5-6 José de Faria Moreira Casou em 1784 na mesma vila com Maria Salvadora f.ª de Estevão da Costa de Macedo do n.º 5-3 supra.
5-7 Izabel Maria casou em 1786 na mesma vila com Ângelo Nunes de Siqueira f.º de Francisco Nunes de Siqueira e de Anna de Moraes.
5-8 Ângela Pimenta casou em 1791, na mesma vila, com Antonio Rodrigues de Oliveira, viúvo de Clara Maria.
5-9 João Pedroso Moreira, último f.º de 4-10, tinha 18 anos em 1784.
*Transcrito da Genealogia Paulistana, de Silva Leme, volume VI, capítulo Godoys, com adaptações. 
Outra fonte - Livros paroquiais da matriz de Santo Antônio da Manga de Paracatu (1757-1777).


Comentários

Postagens mais visitadas

GUARDA-MOR JOSÉ RODRIGUES FRÓES

Por José Aluísio Botelho             INTRODUÇÃO  Esse vulto que tamanho destaque merece na história de Paracatu e de  Minas Gerais , ainda precisa ser mais bem estudado. O que se sabe é que habilitou de genere em 1747 (o processo de Aplicação Sacerdotal se encontra arquivado na Arquidiocese de São Paulo ), quando ainda era morador nas Minas do Paracatu, e embora fosse comum aos padres de seu tempo, aprece que não deixou descendentes*. Que ele foi o descobridor das minas do córrego Rico e fundador do primitivo arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu , não resta nenhuma dúvida. De suas narrativas deduz-se também, que decepcionado com a produtividade das datas minerais que ele escolheu, por direito, para explorar, abandonou sua criatura e acompanhou os irmãos Caldeira Brandt , que tinham assumido através de arrematação o 3º contrato de diamantes, rumo ao distrito diamantino . Documento de prova GENEALOGIA  Fróis/F...

REIS CALÇADO - UMA FAMÍLIA JUDIA NA PARACATU DO SÉCULO XVIII

Por José Aluísio Botelho  Eduardo Rocha Mauro Cézar da Silv a Neiva   Família miscigenada, de origem cristã nova pela linha agnata originária do Ceará . Pois  bem, para o arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu provieram  os irmãos Alexandre José dos Reis Calçado e Antônio Rodrigues dos Reis Calçado, naturais da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Acaracu (atual Acaraú), termo de Aracati, Ceará, filhos naturais do capitão Gaspar Rodrigues dos Reis Calçado, natural do Recife, capitania de Pernambuco, e de Luzia Maria da Rocha, mulher solteira, escrava que foi do mesmo capitão Gaspar dos Reis Calçado , natural da freguesia de Acaracu (Acaraú); Alexandre José, objeto de nosso estudo, nascido em 1764, casou por volta de 178 5 , com Luzia Rodrigues de Oliveira, natural do arraial de Paracatu, falecida em 04/07/1837, filha de Antônio Rodrigues de Oliveira e de Ana Rodrigues de Araújo. Viveu do lucro de suas fazendas, notadamente da loca...

NETOS DE DONA BEJA - BATISMOS

Por José Aluísio Botelho Disponibilizamos as imagens de assentos de batismos de três netos de Dona Beja, acrescidos dos outros netos, bem como parte da descendência, de acordo com os documentos localizados, filhos de Joana de Deus de São José e do coronel Clementino Martins Borges. Nota: nada se sabe acerca da ascendência de Clementino Martins Borges, embora seu sobrenome é largamente difundido na região do triangulo mineiro e alto paranaíba. Sabe-se que ele faleceu em Estrela do Sul em novembro de 1910 em avançada idade. Alguém tem alguma pista? Batismo de Joana de Deus: "Aos 14 dias domes de Julho de 1838 o Rdo. Pe. José Ferreira Estrella Baptizou solenemente aingnocente Joanna, fa. natural de Anna Jacinta de Sam Jose forão P.P. o coronel João Jose Carneiro de Mendonça e o Alferes Joaquim Ribeiro da Silva epara constar mandei fazer este acento eque assigno. Araxa era supra".  Fonte: Revista O Trem da História, edição 49. Nota: os outros netos de Beja, filhos de Tereza T...

DONA BEJA E AS DUAS MORTES DE MANOEL FERNANDES DE SAMPAIO

Por José Aluísio Botelho A história que contaremos é baseada em fatos, extraídos de um documento oficial relativo a um processo criminal que trata de um assassinato ocorrido na vila de Araxá em 1836. O crime repercutiu no parlamento do império no Rio de Janeiro, provocando debates acalorados entre os opositores do deputado e ex-ministro da justiça, cunhado do acusado, como se verá adiante. Muitos podem perguntar porque um blog especializado em genealogia paracatuense, está a publicar uma crônica fora do contexto? A publicação deste texto no blog se dá por dois motivos relevantes: primeiro, pela importância do documento, ora localizado, para a história de Araxá como contraponto a uma colossal obra de ficção sobre a personagem e o mito Dona Beja, que ultrapassou suas fronteiras se tornando de conhecimento nacional. Em segundo lugar, porque um dos protagonistas de toda a trama na vida real era natural de Paracatu, e, portanto, de interesse para a genealogia paracatuense, membr...

ÍNDICE DA SÉRIE 1811 - VILA DE PARACATU DO PRÍNCIPE

Por José Aluísio Botelho Índice da Série: Os Antigos Moradores de Paracatu – Arruamento Completo de 1811 Bem-vindo(a) à série completa do Arruamento da Vila de Paracatu do Príncipe , transcrito diretamente do documento original de 1º de abril de 1811 , preservado no Arquivo Público Municipal de Paracatu. Aqui você encontra todas as ruas, largos, becos, travessas, chácaras e arraiais da vila com os nomes dos moradores, proprietários e valores dos imóveis da época. São mais de 400 registros que ajudam a reconstruir a Paracatu colonial. Você, caro leitor, certamente irá encontrar seus antepassados que lá viveram há duzentos anos. Clique nos títulos abaixo para acessar cada página: Post 1 -  Os Antigos Moradores de Paracatu: Arruamento Completo das Ruas em 1811: RUA DIREITA (Série - Post 1) A rua principal da vila colonial e sua lista completa de moradores. Post 2 –  Os Antigos Moradores de Paracatu: Arruamento Completo das Ruas em 1811: RUA DAS FLORES (Série – Post 2) Origem do ...

DONA BEJA E OS BOTELHOS DE PARACATU

 POR JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO Dona Beja e os Botelhos de Paracatu Muito se tem falado, no âmbito familiar e fora dele, acerca do possível parentesco consanguíneo ou por afinidade entre Dona Beja e a família Botelho de Paracatu, ao longo de décadas. Essa dúvida, real ou propositalmente trazida pelos mais velhos — receosos da veracidade do parentesco com a mitológica personagem da história de Araxá, e que levou um dos nossos velhos tios, já falecido, a dizer peremptoriamente certa vez: “Eu não sou parente de uma cortesã” —, persiste até os dias atuais. Ana Jacinta de São José, a mitológica Dona Beja, nasceu em Formiga, Minas Gerais, por volta de 1800, filha natural de Maria Bernarda dos Santos e de pai ignorado. Chegou ao então florescente julgado de São Domingos do Araxá ainda menina, acompanhando a mãe e o irmão Francisco Antônio Rodrigues, talvez à procura de melhores condições de vida, já em princípios do século XIX. Segundo alguns historiadores, ela tornou-se uma mulher bonita, de ...