Pular para o conteúdo principal

TRONCOS PIONEIROS: LEITE DE FARIA


Por José Aluísio Botelho
 Eduardo Rocha

O sobrenome composto Leite de Faria, as vezes Faria Leite, nos parece ter origem em Minas Gerais na região de Pitangui, nos albores do século dezoito com a chegada do casal de pioneiros paulistas Miguel de Faria Sodré e de sua mulher Verônica Dias Leite Ferraz. Já na década de 1780 detectamos o sobrenome no arraial de Paracatu.
MIGUEL LEITE DE FARIA
Acreditamos que desse casal acima mencionado, descende Miguel Leite de Faria cujo vínculo parental não foi possível de estabelecer por falta de documentos de fonte primária. Não descobrimos a data exata que Miguel Leite de Faria veio para a região de Paracatu, seguramente no último quartel do século dezoito.
Por ocasião da instalação da vila em 1799 e no decorrer do ano de 1800, sua assinatura aparece em diversos documentos relativos aos atos administrativos realizados pelo Juiz de Fora Moraes Navarro. Em 1802 assume o cargo de escrivão de órfãos da vila, por ele arrematado e de duração trienal; foi escrivão da câmara de vereadores. Senhor e possuidor da fazenda das Vazantes. Seus descendentes se espalharam por todo o Alto Paranaíba e alhures.
Nota: A imensa fazenda das Vazantes deu origem a atual cidade de Vazante, em Minas Gerais, microrregião de Paracatu.
Miguel Leite de Faria, faleceu em 10/8/1820.
(Inventário: 2.ª Vara cx.1819/1820).
Foi casado duas vezes: primeira vez com Maria Jacinta Perpétua de Sousa, falecida em Paracatu, provavelmente devido as complicações do parto, em 1809, pouco mais, ano em que nasce seu filho caçula Rafael.
(Inventário: 2.ª Vara cx.1809/1810).
Segunda vez com Luísa Teixeira Alves, natural da vila de São José, viúva do tenente Antônio Machado Rodrigues, na fazenda Vera Cruz do Japão, termo da mesma vila de São José (atual Tiradentes), comarca do Rio das Mortes. Deste casamento não houve descendência. Em 1820 era moradora no Passatempo.
Filhos do primeiro leito (idades dos filhos colhidas no inventário do pai):
1 Perpétua Jacinta de Sousa, 25 anos; foi a segunda esposa de Silvestre José Veloso, natural da vila de São José (Tiradentes), onde foi batizado em 15/1/1778, filho legítimo de Manoel José Veloso e de Maria Belas do Amaral; neto paterno de Antônio Francisco de Senra, natural de São Romão de Milhazes, concelho de Barcelos, distrito de Braga, e de Maria Gomes, natural de Santo André de Barcelinhos, do mesmo concelho de Barcelos. Em março de 1832, o casal comparece ao censo do arraial de Nossa Senhora do Patrocínio, e declaram:
Ele, homem branco, 59 anos (54 anos, conforme seu batismo), lavrador; ela, branca, de 36 anos, fiandeira; bem como os filhos do casal:
1.1 Manoel Leite de Faria ou Faria Veloso, 20 anos;
1.2 Francisco Leite de Faria ou Faria Veloso, 19 anos;
1.3 João Leite de Faria ou Faria Veloso, 18 anos;
1.4 Miguel Leite de Faria ou Faria Veloso, 10 anos;
1.5 Silvestre, 8 anos; Silvestre de Faria Veloso. Era morador na vila da Bagagem em 1855;
1.6 Francisco, 7 anos; Francisco das Chagas Veloso, casado com Placidina de Resende, moradores na Bagagem em 1856;
1.7 Perpétua, 6 anos; Perpétua Amélia de Faria Leite, 35 anos; casada com Manoel Machado de Freitas, residente na vila dos Couros (atual Formosa, Goiás);
1.8 Jacinto, 5 anos; Jacinto Leite de Faria, 28 anos; casado com Rita de Faria, moradores na vila do Patrocínio;
1.9 Cândida, 4 anos; Cândida Augusta de Faria, nascida em 1829; casou em Patrocínio em 12/11/1851 com Luiz Antônio Guimarães Guaritá, natural de Pitangui, filho de José Antônio Gonçalves Guimarães e de Eufrásia Maria de Jesus. Era irmão do padre Francisco Guaritá Pitangui (1814 – 1883), vigário de Divinópolis durante 40 anos, deputado provincial e geral. Foi professor de primeiras letras em Patrocínio, Bagagem e Uberaba, onde radicou definitivamente por volta de 1865. Em Uberaba fundou o colégio Guaritá. Foi membro da loja maçônica Grande Oriente do Brasil.
Seus filhos se tornaram membros de escol da sociedade uberabense; os filhos homens, a maioria dedicados ao comércio em geral, destacando-se os coronéis Getúlio e Ataliba Guaritá.
Filhos descobertos:
1.9.1 Heitor Guaritá, nascido na vila da Bagagem;
1.9.2 Ilídio Salatiel Guaritá, nascido na vila da Bagagem; médico formado no Rio de Janeiro em 1881; exerceu a profissão em Uberaba;
1.9.3 coronel Ataliba Guaritá, falecido em 1932; comerciante abastado em Uberaba. Foi casado com Francisca Cândida Guaritá, falecida em 1940, com descendência;
1.9.4 Coronel Getúlio Godofredo Guaritá, nascido em 23/6/1858 na vila da Bagagem e falecido em Uberaba em 25/2/1925; fazendeiro e industrial em Uberaba; casado em Uberaba em 23/2/1884 com Áurea Carolina de Castro, nascida em Oliveira, MG, filha do capitão Eduardo José Bernardes e de Maria Constança de Castro.
Filhos descobertos:
1.9.4.1 Alice Castro Guaritá, casada, moradora no Rio de Janeiro;
1.9.4.2 Adelaide Castro Guaritá, casada com Antônio Fonseca
1.9.4.3 Adelina Castro Guaritá, casada com o médico Domingos Anísio Paraíso, filho de Francisco Cavalcanti de Albuquerque Paraíso, da Bahia e de Ana Pimentel de Ulhoa, de Paracatu;
1.9.4.4 Almerinda Castro Guaritá
1.9.5 Alfredo Elmano Guaritá; comerciante
1.9.6 Luíza Guaritá, casada com o coronel Olímpio de Oliveira e Silva;
1.9.7 Adelaide Guaritá, casada com José Joaquim da Silva Prata;
1.9.8 Izoleta Santos Guaritá; foi casada com seu primo, professor Ilídio dos Santos, natural de Divinópolis, filho de Cherubino José dos Santos e de Cândida Antônia Guimarães;
1.10 Maria, 3 anos; Maria Izabel de Faria Leite ou Faria Veloso, casada com o Dr. Joaquim Caetano da Silva Guimarães, residentes na vila de Formiga em 1859. Dona Maria Izabel faleceu em Ouro Preto aos 9/11/1896.
                                                             Dr. Joaquim (domínio público)
Sobre o Dr. Joaquim Caetano da Silva Guimarães:
“Irmão do festejado romancista Bernardo Guimarães, autor de Escrava Isaura, o Dr. Joaquim foi um dos mais importantes magistrados brasileiros na segunda metade do império. Filho mais velho de João Joaquim da Silva Guimarães, nascido em Sabará em 1777 e falecido em 1858 em Ouro Preto, e de Constança Beatriz de Oliveira, nasceu ele em Ouro Preto aos 6/5/1813 e faleceu na mesma cidade em 20/8/1896.
Trajetória: fez os estudos secundários no colégio do Caraça, para em seguida bacharelar-se na Academia de Ciências Jurídicas e Sociais da faculdade do largo do São francisco de São Paulo em 20/3/1841; -Juiz Municipal e de Órfãos de Uberaba em 1843, Paracatu em 1849/50 e de São Romão (1847/48);-Juiz de Direito da comarca do Paraná (1851/53) em Minas Gerais (Alto Paranaíba), Itapicuru Mirim, MA (1863/4); foi ainda juiz de direito da comarca de Rio Grande (1853): Formiga, Caldas e Campanha; -Chefe de polícia da província de Minas Gerais; desembargador da Relação de Minas em 1874, e, por fim, nomeado ministro do STJ do Império em 1887, aposentando um ano depois em 19/9/1888; condecorado com as insígnias da Ordem de Cristo (1850) e da Rosa (1888), e titulado como Conselheiro do Império (1888)”.
Provavelmente casou em Patrocínio, onde a noiva e seus pais eram moradores.
Nota: esta família era dotada de notável verve literária, transmitida aos descendentes, e ao mesmo tempo aliou-se por casamentos com grandes nomes da ciência, radicados em Minas Gerais, genros ilustres, alguns nomeados adiante.
Com Maria Izabel Leite de Faria Veloso (cas. Silva Guimarães), teve os filhos (listados sem ordem cronológica de nascimento):
1.10.1 Dr. Luiz Caetano da Silva Guimarães, nascido aos 19/8/1856 e batizado aos 11/10/1856 na capela de São Vicente Ferrer de Formiga, MG, sendo padre batizante seu tio Manoel Joaquim da Silva Guimarães; Luiz Caetano Silva Guimarães, bacharel em 1888, foi juiz na comarca de Abaeté, e faleceu já aposentado; foi casado com Evangelina Teixeira da Costa Guimarães, filha do senador Manoel Teixeira da Costa, de Santa Luzia, MG; o casal teve dois filhos conhecidos nas suas respectivas áreas de formação:
1.10.1.1 Dr. Djalma Guimarães (1894-1973), engenheiro civil e mineralogista, e um dos mais importantes engenheiro e geocientista brasileiro;
1.10.1.2 Dr. Caio Pandiá Guimarães, que foi um químico de renome em seu tempo, especialista em geoanálise;
1.10.2 Francisca da Silva Guimarães, nascida em Formiga, MG aos 4/11/1857 e batizada na capela de São Vicente Ferrer aos 10/1/1858; sem mais notícias;
1.10.3 Constança Beatriz da Silva Guimarães, nascida em 1860 (?); casada em 27/6/1884 com Claude-Henri Gorceix, mineralogista francês (1842-1918), nascido na cidade de Limoges; o Dr. Gorceix foi fundador da escola de Minas de Ouro Preto e seu diretor por alguns anos.
Sobre O Dr. Gorceix: Claude-Henri Gorceix nasceu em 1842, na pequena vila francesa Saint-Denis-des-Murs, junto à Limoges. Filho de pequenos proprietários rurais, estudou no Liceu de Limoges com o auxílio de uma bolsa do governo. Começou a frequentar a Escola Normal Superior de Paris em 1863 por meio de outra bolsa de estudo. E após passar com êxito nas provas de Matemática e Física, tornou-se assistente de Ciências Físicas e Naturais. Foi quando se apaixonou pela Geologia e pela Mineralogia. Professor de física no Liceu de Angoulême, e pouco tempo depois tornou-se preparador de mineralogia, geologia e botânica na Escola Normal Superior de Paris. Em 1869, foi para a Grécia como professor do curso de Ciências da famosa Escola Francesa de Atenas. E mais tarde, reassumiu seu cargo de assistente de geologia na Escola Normal Superior na França.
Em 1874, por indicação de Auguste Daubrée e a convite de D. Pedro II, Gorceix vem ao Brasil fundar uma escola de minas. A ideia inicial era que a escola não só formasse engenheiros, mas também estudiosos dedicados ao desenvolvimento das ciências físicas e matemáticas.
Logo após sua chegada ao Brasil, quando pôde constatar o baixo nível dos estudos científicos superiores no país, Gorceix decidiu pelo projeto de uma escola mais técnica, uma “Escola de Mineiros”, que fosse capaz de formar em pouco tempo engenheiros que pudessem impulsionar a indústria mineira e metalúrgica do Brasil.
O próximo passo de Gorceix era escolher o local adequado para a Escola de Minas. Ele decidiu fundar a escola em Minas Gerais, na cidade de Ouro Preto. A Escola de Minas foi inaugurada solenemente no dia 12 de outubro de 1876.
(Trecho biográfico transcrito do site da Fundação Gorceix);
1.10.4 Eleonor(a) Augusta da Silva Guimarães, nascida em 11/12/1861 e batizada em 15/1/1862 na capela de São Vicente Ferrer de Formiga, MG; falecida solteira;
1.10.5 Fanny da Silva Guimarães; casada com Alcides Catão da Rocha Medrado, professor do Liceu Mineiro e secretário da Escola de Minas de Ouro Preto;
1.10.6 Maria Canuta da Silva Guimarães, casada em 21/6/1884 com Paul Ferrand, mineralogista francês e professor da escola de Minas de Ouro Preto, falecido em 1895;
1.10.7 Elisa da Silva Guimarães, nascida em 1870; casou em 1891 com João Pandiá Calógeras (1870 -1934), engenheiro de minas, formado em Ouro Preto; de origem familiar grega e de ascendência francesa, Pandiá Calógeras se distinguiu tanto na sua área de formão técnica, como na política – membro do Partido Republicano Mineiro, foi deputado federal e ministro da guerra no governo de Epitácio Pessoa;
1.10.8 Júlia Augusta da Silva Guimarães, casada com seu primo Afonso da Silva Guimarães, filho do escritor Bernardo Guimarães e de Teresa Maria Gomes de Lima Guimarães; sem descendência;
1.10.9 Ana da Silva Guimarães, falecida solteira;
1.11 Fernando de Faria Leite ou Faria Veloso;
2 José Antônio de Souza ou José Antônio Leite, 24 anos; casado com Tereza Maria de tal; exercia o ofício de Ourives em Patrocínio. Já era falecido por ocasião do inventário do irmão Rafael; filhos, relacionados no inventário da 2.ª Vara 1859-A.
2.1 Perpétua de Faria Leite, nascida em 1830 em Patrocínio; casada com Florentino Teles; residentes na vila da Bagagem (Estrela do Sul);
2.2 Maria de Faria Leite, 14 anos; moradora na vila da Bagagem (Estrela do Sul);
2.3 Jerônimo Leite de Faria, 13 anos; residente na vila da Bagagem (Estrela do Sul);
2.4 José Antônio Leite de Faria, 12 anos; residente na vila de Bagagem (Estrela do Sul);
2.5 Francisco de Faria Leite, 25 anos; casado e residente na vila da Bagagem (Estrela do Sul, MG);
3 Miguel Leite de Faria Júnior, 23 anos; já era falecido em 1837; foi casado com Rita Emília Lopes de Oliveira.
Filha descoberta:
3.1 Maria Jacinta de Faria Leite, com 30 anos em 1859; moradora na Bagagem (atual Estrela do Sul);
4 Jacinto Leite de Faria Ou Jacinto de Faria Leite, 22 anos, negociante; casado com Maria Perpétua de tal; residentes na vila de Patrocínio em 1832.
Filhos: (informações colhidas no mesmo inventário da 2.ª Vara cx.1859-A)
4.1 Francisco de Faria Leite, 35 anos, solteiro, residente no Serro;
4.2 João Faria Leite, 30 anos, solteiro, residente no Serro;
4.3 Jacinto de Faria Leite, 28 anos, residente no Serro;
4.4 Cândida de Faria Leite, 25 anos, casada, residente no Serro;
4.5 Antônia de Faria Leite, 20 anos; casada e residente no Serro em 1859;
5 Maria Jacinta Perpétua ou Maria Jacinta de Faria Leite, 20 anos, viúva; foi casada com seu parente Felisberto Batista Leite, natural de Pitangui, filho do capitão João Batista Leite e de Maria Joaquina Monteiro; residente na vila da Bagagem em 1859. (inventário: 2.ª Vara cx.1859-A).
Filhos:
5.1 Maria Jacinta Leite, 30 anos; sem mais notícias;
5.2 Antônia de Faria Leite, 25 anos; foi casada e residente na vila de Patrocínio;
5.3 Francisco de Faria Leite, 24 anos, solteiro, residente no Pouso Alegre do Mandú (Pouso Alegre, MG);
5.4 Rita de Faria Leite, 20 anos; casada com João Gonçalves de Araújo; residentes na vila de Patrocínio;
6 Antônio Carlos de Faria, 17 anos; foi casado com Joana Ferreira de Almeida, falecida em 13/11/1834. Nota: o testamento de Antônio foi aberto aos 17/4/1841, o que sugere ter ele falecido naquele ano.
(Inventários: 2.ª Vara – cx.1843; 2.ª Vara – cx. 1835/1836).
Filho:
6.1 Capitão Jerônimo de Faria Leite, 11 anos (idade no inventário do pai); vereador em Paracatu desde 1880 a 1889; fazendeiro no distrito de Rio Preto (Unaí); casado com Júlia Carneiro de Mendonça, filha do abastado coronel Francisco de Paula Carneiro de Mendonça Franco e de Maria Carolina Carneiro de Mendonça; Júlia faleceu em São Paulo capital em 26/12/1917 aos 73 anos.
Filhos:
6.1.1 Dr. Antenor de Faria Leite, nascido em Paracatu em 1869 e falecido em São Paulo capital aos 11/5/1916 aos 47 anos de idade; foi casado com Paulina Schreiber; funcionário da Sorocabana railway;
6.1.2 Dr. Oscar de Faria Leite, nascido em 1881 e falecido em 4/7/1904 em São Paulo capital; engenheiro;
6.1.3 Hércules de Faria Leite, falecido em 1919 aos 34 anos em São Paulo capital;
6.1.4 Antero, falecido em 16/4/1879 aos 10 anos;
6.1.5 Maria, falecida em 23/2/1879 com 10 dias de nascida;
Filha natural havida com Ana Felizarda da Costa, reconhecida em testamento::
6.2 Caetana da Fonseca e Silva ou Caetana de Faria Leite, 5 anos; moradora em Paracatu, foi casada com Moisés Martins Ferreira, falecido em 14/9/1850, filho de Joaquim Martins Ferreira e de Josefa Pinheiro da Costa. Nota: Ana felizarda da costa era filha de Antônio Joaquim da Costa e de Caetana da Fonseca e Silva. (Inventário: 2ª Vara 1851).
Filho:
6.2.1 Joaquim Martins Ferreira, recém-nascido;
7 João Batista Leite, 16 anos, sem mais notícias;
8 Ana Izabel de Faria, 14 anos; foi a primeira esposa de Felisberto* Batista Leite, seu primo, casados em 13/8/1824.
Filho descoberto:
8.1 Felisberto Batista Leite Júnior, falecido em 26/7/1875 em Catalão, onde era tabelião; foi casado com Angélica Gonçalves dos Santos, falecida em 1881, com descendência nos Gonçalves dos Santos. *Felisberto Batista Leite, viúvo de Ana Izabel, casa segunda vez com Rita Emília Lopes de Oliveira, viúva de seu cunhado Miguel de Faria Leite Júnior; Felisberto faleceu em 29/6/1864 aos 63 anos em Estrela do Sul, onde o casal eram moradores.
Casamento 1 (grafia original):
“Aos treze de agosto de mil oitocentos e vinte e quatro, na fazenda dasVazantes, desta freguesia de Santo Antônioda Manga de Paracatu, andando em desobriga de licença parochial, o Reverendo Jose Leonardo de Sousa, corridos os banhos e sem impedimento, recebeo em matrimonio por palavras de presente a Felisberto Baptista Leite, filho legitimo do capitão João Baptista Leite, e de dona Maria Joaquina Monteiro, com dona Ana Izabel de Faria, filha legitima de Miguel Leite de Faria, e de dona Maria Jacintha Perpétua, ja falecidos, aquele natural e baptizado na freguesia de Pitangui, bispado de Mariana, esta, nascida e baptizada nesta freguesia de Paracatu, bispado de Pernambuco, dispensados os nubentes no terceiro grao de consanguinidades, e lhes deo as bençãos nupciais, na forma do rito de palo quinto, observando o que determina o sagrado concilio tridentino, e constituição deste bispado, e forão testemunhas presenciais, Miguel Leite de Faria e Francisco Baptista Leite. E para constar faço este assento que assigno. Joaquimde Melo Franco”.
Casamento 2 (grafia original):
“Aos cinco de fevereiro mil oito centos e trinta e sete, nesta freguesia de Santo Antônio da manga de Paracatu, recebi em matrimônio por palavras de presente a, Felisberto Baptista Leite, viúvo que ficou nesta freguesia de dona Anna Izabel de Faria, com dona Rita Emília Lopes, viúva de Miguel Leite de Faria, o nubente filho legítimo de João Baptista Leite, e Maria Joaquina Monteiro, ja falecidos, e a nubente filha legítima do Capitão Antônio Lopes de Oliveira, e sua mulher dona Felicitas Gurgel, dispensados do terceiro grao de afinidade lícita, e sem bênçãos pela viuvez, e forao testemunhas Francisco Antonio de Assis e Antônio Leite de Faria solteiros, e residentes nesta villa, De que para constar mandei transcrever o presente assento que assinei. Joaquim de Mello Franco”.
Sobre os Batistas Leite: aparentados dos Leite de Faria por consanguinidade de segundo e terceiro grau, por serem descendentes de Miguel de Faria Sodré e de verônica Dias Leite Ferraz; originários da capela de Santana de São João Acima, termo de Pitangui, atual Itaúna, Minas Gerais. Felisberto Batista Leite e seu irmão Francisco Batista Leite (item 5, acima), naturais dali, filhos do capitão João Batista Leite e de Maria Joaquina Monteiro, vieram para a vila de Paracatu do Príncipe nas primeiras décadas do século dezenove, e de seus casamentos deixaram descendência na região noroeste e alto Paranaíba.
9 Gabriel Leite de Faria, 14 anos; sem mais notícias;
10 Jacinta Cândida de Faria Leite, 12 anos; foi casada com Emiliano Francisco de Moura, cujo matrimônio foi realizado na fazenda das Vazantes; Jacinta já era falecida em 1859; filhos relacionados no inventário do irmão Rafael, adiante.
Casamento:
“Aos treze de agosto de mil oito centos é vinte e quatro, na fazenda das vazantes desta freguesia de Santo Antônio da manga de Paracatu, andando em desobriga de licença parochial o reverendo José Leonardo de Sousa, corridos os banhos, e sem impedimento, recebeo em matrimônio por palavras de presente a Emiliano Francisco de Moura, filho legítimo de Antonio de Medeiros Roza e de dona Brígida Cândida de Oliveira, com dona Jacintha Candida de Faria, filha legítima de Miguel Leite de Faria é dona Maria Jacintha Perpetua de Souza, já falecidos, aquele natural e baptizado na freguesia de Congonhas, Bispado de Mariana, e está natural, e baptizada nesta freguesia; dispensados no terceiro grao de consanguinidade, e lhes deo as bênçãos nupciais na forma do ritual romano, observando o que dispoen o sagrado Concílio Tridentino, e forao testemunhas Miguel Leite de Faria, e Antônio Carlos de Faria, e outros, do que para constar mandei fazer este assento que asignei. Joaquim de Mello Franco”
10.1 Rita de Faria Leite, casada com seu parente Jacinto de Faria Leite de Faria, moradores na vila de Patrocínio em 1859;
10.2 Ermelinda de Faria Leite; casada e residente na vila da Bagagem (Estrela do Sul);
11 Rafael Leite de Faria, 11 anos no inventário do pai; foi casado com Maria Madalena de Almeida, filha legítima do capitão Jerônimo Ferreira de Almeida e de Maria Geraldina da Silva; sem descendência. Rafael faleceu em 11/6/1852 e foi inventariado em 1859, deixando legados para os parentes colaterais relacionados ao longo do texto.
(Inventário: 2ª Vara 1859-A).
Casamento:
"Aos vinte cinco de setembro de mil oito centos e trinta e seis, nesta freguesia de Santo Antônio da manga de Paracatu, proclamados os banhos, e não constando de impedimento algum canônico, precedendo os sacramentos da penitência, e eucharistia; em minha presença se receberão em matrimônio por palavras de presente, Rafael Leite de Faria com dona Maria Magdalena de Almeida, aquele filho legítimo de Miguel Leite de Faria, e sua mulher dona Maria Jacintha Perpetua de Souza, e esta, filha legítima do capitão Jerônimo Ferreira de Almeida, e de sua mulher dona Maria Geraldina da Silva, ambos naturais desta freguesia, e lhes deo as bênçãos nupciais, sendo presentes o Capitão Mor Domingos José Pimentel Barbosa, e Francisco Manoel Soares de Souza, e para constar mandei fazer este asento que asignei. Joaquim de Mello Franco”.
Fontes:
1 Inventários citados no texto, sob a guarda do Arquivo Municipal de Paracatu:
2 livros paroquiais de matriz de Santo Antônio da Manga de Paracatu;
3 Livros paroquiais de Formiga – www.familysearch.org;
4 Censos de São João Acima, 1831 e de Patrocínio, 1832 – Site: Cedeplar/Poplin Minas 1830;
4 Biografia d Bernardo Guimarães (1825-1884) – Obra e Vida/Dr. Joaquim Caetano da Silva Guimarães – internet.
5 Projeto compartilhar – família José Vieira Machado;



























Comentários

  1. Anônimo11:14 PM

    Olá! Teria informações da esposa do João Leite de Faria?

    ResponderExcluir
  2. Anônimo11:14 PM

    Olá! Teria informações do João Leite de Faria?

    ResponderExcluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas

NOTAS GENEALÓGICAS - FAMÍLIAS PIONEIRAS

Por José Aluísio Botelho FURTADO DE MENDONÇA (ILHA DO FAIAL, AÇORES) 1 Antônio Furtado de Mendonça, natural da ilha do Faial, Açores, filho de Francisco Furtado de Mendonça e de Francisca da Luz, casou nas Minas do Paracatu com Teresa Maria do Carmo, filha de José Gonçalves Chaves e de Maria Gonçalves; pais de: 1.1 Rosa, batizada em 02/06/1774; vide imagem: Foi casada em 1791 com Miguel Pereira Furtado, pais de: 1.1.1 Manoel, batizado em15/05/1815 e nascido em 15/08/1814; 1.2 Suzana ou Cesarina Furtado de Mendonça, casada com Antônio de Sousa Oliveira, pais de: 1.2.1 Antônia, nascida em 09/01/1814 e batizada aos 03/02 do dito ano; 1.2.2 Júlio, nascido em 19/12/1815 e batizado em 01/07/1816. OUTROS SEM VÍNCULOS A Manoel Furtado de Mendonça casado com Clara de Oliveira Braga, pais de: A1 Rosa, nascida em 01/07/1816 e batizada em 27/12/1816; A2 José, nascido em 07/12/1814 e batizado em 15/05/1815; A3 Antônio, batizado em 22/09/1817; Fazenda Saco d...

A INQUISIÇÃO EM PARACATU - RELATO DE UM CASO

Por José Aluísio Botelho PADRE JOÃO DE SOUSA TAVARES Desde que foi criado o Tribunal do Santo Ofício da Inquisição em fins do século quinze em Portugal, milhares de denúncias foram recebidas pela promotoria do Tribunal tanto de Portugal continental, como das colônias de além-mar, sendo que, a esmagadora maioria dos processos foram arquivados, porque não atendiam os requisitos para o prosseguimento das ações. Localizei na Torre do Tombo, no arquivo denominado Cadernos do Promotor, um desse processos, relativo ao arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu, datado de 1776, em que um padre foi acusado de possíveis crimes alcançáveis pelos braços da inquisição. O HOMEM Padre João de Sousa Tavares, era natural da cidade da Bahia (assim era a denominação, muitas vezes, dada à cidade de Salvador, na Bahia, então capital do Brasil colônia), bacharel em leis pela Universidade de Coimbra, aonde matriculou no curso de Leis em 01/10/1729, formando em 01/10/1734. O padre João de So...

NOTAS GENEALÓGICAS - FAMÍLIA LABOISSIÈRE (LA BOISSIÈRE)

Por Eduardo Rocha e Mauro César Neiva 1- Leon Laboissière , natural de Blois , cidade e capital do  departamento central de Loir-Et-Cer, França; emigrou na metade do  século dezenove para Paracatu , aonde constituiu família e faleceu  aos 10/11/1928, nonagenário; casado com Rita de Moura Barbosa (nome de solteira) ou  Rita  de Moura Laboissière (nome de casada), falecida em 16/05/1895. Inventários: 1.ª Vara I-90; 1.ª Vara I-15. Filhos: 1-1 Gustavo Laboissière, nascido em 1869 e falecido em  27/08/1944;   foi casado com Julieta Roriz Meireles , com  descendência na página dos Paula Sousa , queira ver;  1-2 Tenente Júlio Laboissière , falecido em 27/08/1944; casado com  Ermelinda Rabelo de Sousa , falecida em 18/11/1920; fazendas Santa  Rosa, Ambrósio, Boa Esperança, Cabo, Bom Sucesso, Buriti,  Piripiri. Inventário: 2.ª Vara 1945;  Inventário: 2.ª Vara 1923; Filhos:  (Obs.: idades fornecidas n...

OS SANTANA DE RIO NOVO E BARBACENA

 Por José Aluísio Botelho "Esta é obra de genealogia, sujeita a correções e acréscimos". “ Os Santana de Rio Novo, termo de Barbacena, Tenente Joaquim José de Santana e sua mulher Maria Emerenciana de Jesus, casados em 1799”. Casamentos em Barbacena – Capela do Curral, aos 13/08/1799 casaram Joaquim José de S. Anna exposto em casa de Izidora Maria de Menezes, n/b na freguesia de S. João Del-Rei; = Maria Emerenciana de Jesus, f.l. de Francisco Ribeiro Nunes e Joana Maria da Conceição, n/b nesta. (original) Sobre o Tenente Joaquim José de Santana: natural do arraial de Bom Sucesso atrás da Serra do Ibituruna, onde foi batizado em 01/04/1781, filho de pais incógnitos, exposto em casa da viúva Izidora Maria de Menezes, moradora no mesmo arraial de Bom Sucesso, então termo de São João Del-Rei, província eclesiástica de Barbacena. No seu testamento ele não faz referência aos pais biológicos. Veja imagem abaixo: Batismo de Joaquim Ibituruna, a primeira povoação de Minas Gerais, con...

FAMÍLIA GONZAGA

Por José Aluísio Botelho FAMÍLIA GONZAGA – TRONCO DE PARACATU Essa família iniciou-se em 1790, pelo casamento do Capitão Luiz José Gonzaga de Azevedo Portugal e Castro, fiscal da fundição do ouro em Sabará – MG, em 1798, no Rio de Janeiro, com Anna Joaquina Rodrigues da Silva, natural do mesmo Rio de Janeiro, e tiveram oito filhos, listados abaixo: F1 – Euzébio de Azevedo Gonzaga de Portugal e Castro; F2 – Platão de Azevedo Gonzaga de P. e Castro; F3 – Virgínia Gonzaga; F4 – Florêncio José Gonzaga; F5 – VALERIANO JOSÉ GONZAGA; F6 – Luiz Cândido Gonzaga; F7 – José Caetano Gonzaga; F8 – Rita Augusta Gonzaga. F5 - Valeriano José Gonzaga, natural de Curvelo,Mg, nascido em 21.07.1816 e falecido em 1868 em Paracatu, casou em 21.07.1836, com Felisberta da Cunha Dias, nascida em 15.08.1821 e falecida em 10.08.1910, natural de Curvelo; foi nomeado Tabelião de Paracatu, tendo mudado para o lugar em 1845, aonde tiveram os filhos: N1 - Eusébio Michael Gonzaga, natural de ...

SÉRIE BIOGRAFIAS: PADRE ZEFERINO BATISTA DO CARMO

21 de julho de 2015/em ESPAÇO MEMÓRIA / Homem culto e precursor da dramaturgia em Uberaba, Padre Zeferino Batista do Carmo, o Padre Zeferino, tem pouca coisa registrada de quando esteve no município. Porém, realizou ações importantes. Nascido em Paracatu, em 1791, Padre Zeferino foi ordenado sacerdote, e foi para o Desemboque em 1818, como escrivão interino do Juízo Eclesiástico da mesma comarca. Transferiu-se para Uberaba, como coadjutor do Vigário Antônio José da Silva, o Vigário Carlos, e estabeleceu-se na “Chácara do Comércio”, local onde esteve a Velha Estação da Companhia Mogiana. Historiadores registraram que, em 1827, padre Zeferino morava na praça da Matriz, em uma casa localizada na esquina da praça Rui Barbosa com a rua Artur Machado, do lado esquerdo de quem desce a rua Artur Machado. Padre Zeferino era um apaixonado horticultor e sua chácara era riquíssima em plantações das mais finas. Plantou a primeira vinha de Uberaba e foi o primeiro a fabricar vinho no município....