Pular para o conteúdo principal

TRONCOS DE JOÃO PINHEIRO: FERNANDES DE AZEVEDO

 Por José Aluísio Botelho

Eduardo Rocha

Família originada em Santana dos Alegres pelo português José Fernandes de
Azevedo, que lá deve ter chegado no último quartel do século dezoito, atraído pelo garimpo de diamantes, pedra preciosa largamente encontrada nos rios Abaeté e do Sono, e em ribeirões menores, tais como ribeirão dos Caldeiras, Canabrava e córrego
Melancial. Homem sem escrúpulos, se tornou grande proprietário de terras na região, enriquecendo com o contrabando de diamantes. Com a patente de Capitão de Ordenanças, passou a exercer o mando político no distrito de maneira quase absoluta. Não foi atoa que foi objeto de uma devassa em 1818, para apurar suas responsabilidades no extravio contínuo da cobiçada pedra preciosa. Veja alguns trechos da devassa: “Diz Manoel da Costa Ferreira, morador no distrito de Santana dos Alegres, vizinhanças do rio Abaeté desta comarca, representa a Vossa senhoria, que ali, descaradamente se está trabalhando na extração de diamantes em favor e proteção de ambos os comandantes tanto de ordenança que é o capitão José Fernandes de Azevedo como do destacamento pago de que é Cabo Antônio Martins Pinto genro do dito …” “Que é useiro e vezeiro de negociar diamantes, suborno de soldados, e que foi preso com diamantes na barra do rio das Velhas.” “Em 1816 foi denunciado por molestar moças donzelas e cobiçar mulher casada”.

1 Capitão José Fernandes de Azevedo, falecido em 1833, pouco menos, casado com Florência Florinda Pacheco de Sousa, falecida em 13/11/1858, filha legítima de Raimundo de Sousa Porto e de Maria Pacheco. Fazendas São Bartolomeu, Palmeiras e Mandacaru.

(Inventário: 2.ª Vara – CX.1833)

(Inventário: 2.ª Vara – CX. 1860-A)

Filhos:

1.1 Antônia Fernandes de Azevedo, falecida em 13/7/1854; casada com Antônio Joaquim Souto. Fazendas São Francisco e Canabrava, distrito de Santana dos Alegres. (Inventário: 2.ª Vara – CX. 1856)

Filhos
(idades dos filhos fornecidas no inventário da mãe):

1.1.1 Maria da Abadia Cardoso, 39 anos; casada com Antônio Juvenato Cardoso;

1.1.2 Eleutéria José Souto, 35 anos; casada com Cassimiro Francisco Machado;

1.1.3 Marciana José Souto, 32 anos; casada com Prudêncio da Costa Ferreira;

1.1.4 José Luiz Souto, 30 anos, solteiro residente na fazenda Mandacaru e proprietário na fazenda Buritis. (Inventário: 1ª Vara – CX. I-17)

Com N, teve o filho:

1.1.4.1 Cristino José Souto;

1.1.5 Carlota José Souto, casada com Calixto Nepomuceno;

1.1.6 Florência José Souto, com 22 anos; residente na fazenda São Francisco;

1.1.7 Silvéria José Souto, 20 anos; residente na fazenda São Francisco;

1.1.8 Cassiana José Souto, 18 anos; residente na fazenda São Francisco;

1.1.9 João da Mata Souto, 15 anos;

1.1.10 Lina José Souto, já falecida no inventário da avó; casada com Venceslau da Costa Ferreira.

Filho:

1.1.10.1 José, falecido;

1.1.11 Domingos José Souto, falecido; filha com N:

1.1.11.1 Vicência, 10 anos; com 18 anos no inventário da bisavó e residente na fazenda Palmeiras, casada com Manoel Thomaz Teodoro;

1.2 Anastácia Fernandes de Azevedo, falecida; foi moradora no arraial de Santana dos Alegres; proprietária com o marido de partes das fazendas São Francisco e Canabrava, no mesmo distrito. (Inventário:
2.ª Vara – CX. 1834).

Casada com Antônio Martins Pinto, português, natural de Penafiel, Bispado do Porto, filho legítimo de Francisco Martins Pinto e de Leocádia Maria Pinto de Sousa. (Inventário: 2.ª Vara – CX. 1834)

Filhos
(idades colhidas no inventário do pai):

1.2.1 Cândida, 14 anos; Cândida Fernandes Pinto ou Cândida Martins Fernandes; casou-se com Manoel da Silveira.

Filho:

1.2.1.1 Higino Martins Pinto, 20 anos, casado;

1.2.2 Constantino Fernandes Pinto ou Fernandes de Azevedo, 12 anos; falecido em 27/12/1849; casado com Helena de Azevedo Nunes*. Moradores na fazenda Mandacaru. (Inventário: 2.ª Vara – CX. 1856)
*Helena de Azevedo Nunes casou-se uma segunda vez com Eduardo José
Coimbra, sem descendência declarada.

Filhos do primeiro leito:

1.1.2.2.1 Geralda Martins Pinto, 17 anos no inventário da bisavó;

1.2.2.2 Teodoro Martins Pinto, 10 anos no inventário da bisavó; falecido em 7/1893; casado com Tertuliana Espiridião da Cunha; fazenda São Bartolomeu.

(Inventário: 2.ª Vara – CX. 1894)

Filhos:

1.2.2.2.1 Regozina Fernandes de Azevedo, 22 anos;

1.2.2.2.2 Amélia Fernandes de Azevedo, 21 anos;

1.2.2.2.3 Maria Fernandes de Azevedo, 19 anos;

1.2.2.2.4 Carolina Fernandes de Azevedo, 18 anos;

1.2.2.2.5 Clementina Fernandes de Azevedo, 8 anos;

1.2.3 Maria José Pinto ou Martins Fernandes, 9 anos; casada com João Rodrigues.

Filho:

1.2.2.3.1 Hipólito Martins Pinto, 12 anos; falecido em 27/1/1902; casado com Maria da Cruz Nogueira; residentes no sítio do Diamante, distrito dos Alegres. (Inventário: 1.ª Vara – CX. I-17)

Filhos:

1.2.3.1.1 Franklina Martins Pinto, 25 anos;

1.2.3.1.2 João Martins Pinto, 22 anos;

1.2.4 Inês Fernandes Pinto ou Fernandes de Azevedo, 6 anos; falecida em 2/12/1887; moradora na fazenda Mandacaru.

Casou duas vezes:

Primeira vez com Júlio José Souto, falecido em 1850, pouco mais, pouco menos.

Segunda vez com João Anastácio Souto.

(Inventário: 2.ª Vara – CX. 1856)

(Inventário: 2.ª Vara – CX. 1889)

Filhos do primeiro leito (idades em 1856):

1.2.4.1 Maria da Fonseca Souto, casada com Domingos Caldeira Lopes;

1.2.4.2 Rita da Fonseca Souto, casada com Augusto José Souto, falecido.

Filhos:

1.2.4.2.1 Antônia, 18 anos;

1.2.4.2.2 Salvina, 15 anos; casada com Joaquim Gomes Cruz;

1.2.4.2.3 Ana, 14 anos;

1.2.4.2.4 Júlio, 12 anos;

1.2.4.2.5 Rita, 10 anos;

1.2.4.2.6 Cipriano, 8 anos;

1.2.4.2.7 José, 6 anos;

1.2.4.3 Belmira da Fonseca Souto;

1.2.4.4 José da Fonseca Souto, 39 anos, idiotia;

Filhos do segundo leito (idades em 1889)

1.2.4.5 Torquato José Souto, 35 anos;

1.2.4.6 Henrique José Souto, 32 anos;

1.2.4.7 Vicente José Souto, 30 anos;

1.2.4.8 Josefa José Souto, 28 anos;

1.2.4.9 Tertuliana José Souto, 26 anos;

1.2.4.10 Joana José Souto, casada com João César Souto;

1.2.4.11 Zenóbia José Souto, casada com Américo de tal.

Filhos:

1.2.4.11.1 Américo;

1.2.4.11.2 João;

1.2.4.11.3 Altina;

1.2.4.11.4 Oltives;

1.2.5 Maria Madalena Martins Pinto, 7 anos; casou duas vezes:

Primeira vez com Manoel Ferreira de Almeida, falecido em 1863, pouco mais, pouco menos, filho de Ana Maria da Rocha, moradora em Sabará; fazendas Mandacaru e São Bartolomeu. Sem descendentes deste casamento. (Inventário: 2.ª Vara – CX. 1864-A).

Segunda vez com Honório Benício da Silva.

Antônio Martins Pinto teve, com Maria de Pina e Vasconcelos, mulher solteira,
o filho:

1 José de Pina e Vasconcelos, 14 anos; morador na fazenda Riacho do
Cavalo, distrito do Rio Preto em 1878. Filho descoberto:

1.1 Francisco de Pina e Vasconcelos, nascido em 1852.

Antônio Martins Pinto casou pela segunda vez com Francisca da Silva Mascarenhas, sem filhos.

Antônio Martins Pinto faleceu em 24/1/1844.

(Inventário: 2.ª Vara – CX.1844)

1.3 João Fernandes de Azevedo, nascido em 1797, pouco mais, pouco menos, e falecido em 1860 na fazenda Boa Esperança. Senhor das fazendas São Jerônimo, São Bartolomeu; possuidor de partes de terras nas sesmarias da Trindade, Santo, Capão e Alegre.

Casou duas vezes:

Primeira vez com Ana Benícia da Silva.

Segunda vez com Silvéria Maria de Jesus, falecida em 1/11/1854.

(Inventário: 2.ª Vara – CX. 1856)

Filho do primeiro leito:

1.3.1 Cícero Fernandes de Aguiar, casado com Elisa Pinto de Freitas.

Filha:

1.3.1.1 Senhorinha Pinto Fernandes, casada com João Papa Vaz.

Filho do segundo leito:

1.3.2 Antônio Cesário de Azevedo, 10 anos.

Nota: informações prestadas pelo Coronel Hermógenes da Silveira, colhidas no inventário: 2.ª Vara – CX. 1925.

1.4 Claudiana Fernandes de Azevedo, casada com José de Sousa Nunes, já falecido em 1856. Fazendas Palmeiras e Brejo.

Fontes:

1 Inventários referidos no texto, sob a guarda do Arquivo Público de Paracatu;

2 Arquivo Público Mineiro: “Livro Completo de Auto de Devassa de Diamantes – Fundo: Secretaria de Governo da Capitania (Seção Colonial): Notação: SG-CX.108- Doc.64, ano 1818;

3 Arquivo Público Mineiro: “Requerimento para providências/Roubo de gado/Cobiça de mulher alheia e outros crimes. Notação: SG-CX.97-Doc.23, ano 1816”.






Comentários

Postagens mais visitadas

GUARDA-MOR JOSÉ RODRIGUES FRÓES

Por José Aluísio Botelho             INTRODUÇÃO  Esse vulto que tamanho destaque merece na história de Paracatu e de  Minas Gerais , ainda precisa ser mais bem estudado. O que se sabe é que habilitou de genere em 1747 (o processo de Aplicação Sacerdotal se encontra arquivado na Arquidiocese de São Paulo ), quando ainda era morador nas Minas do Paracatu, e embora fosse comum aos padres de seu tempo, aprece que não deixou descendentes*. Que ele foi o descobridor das minas do córrego Rico e fundador do primitivo arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu , não resta nenhuma dúvida. De suas narrativas deduz-se também, que decepcionado com a produtividade das datas minerais que ele escolheu, por direito, para explorar, abandonou sua criatura e acompanhou os irmãos Caldeira Brandt , que tinham assumido através de arrematação o 3º contrato de diamantes, rumo ao distrito diamantino . Documento de prova GENEALOGIA  Fróis/F...

OS SANTANA DE RIO NOVO E BARBACENA

 Por José Aluísio Botelho "Esta é obra de genealogia, sujeita a correções e acréscimos". “ Os Santana de Rio Novo, termo de Barbacena, Tenente Joaquim José de Santana e sua mulher Maria Emerenciana de Jesus, casados em 1799”. Casamentos em Barbacena – Capela do Curral, aos 13/08/1799 casaram Joaquim José de S. Anna exposto em casa de Izidora Maria de Menezes, n/b na freguesia de S. João Del-Rei; = Maria Emerenciana de Jesus, f.l. de Francisco Ribeiro Nunes e Joana Maria da Conceição, n/b nesta. (original) Sobre o Tenente Joaquim José de Santana: natural do arraial de Bom Sucesso atrás da Serra do Ibituruna, onde foi batizado em 01/04/1781, filho de pais incógnitos, exposto em casa da viúva Izidora Maria de Menezes, moradora no mesmo arraial de Bom Sucesso, então termo de São João Del-Rei, província eclesiástica de Barbacena. No seu testamento ele não faz referência aos pais biológicos. Veja imagem abaixo: Batismo de Joaquim Ibituruna, a primeira povoação de Minas Gerais, con...

ÍNDICE DA SÉRIE 1811 - VILA DE PARACATU DO PRÍNCIPE

Por José Aluísio Botelho Índice da Série: Os Antigos Moradores de Paracatu – Arruamento Completo de 1811 Bem-vindo(a) à série completa do Arruamento da Vila de Paracatu do Príncipe , transcrito diretamente do documento original de 1º de abril de 1811 , preservado no Arquivo Público Municipal de Paracatu. Aqui você encontra todas as ruas, largos, becos, travessas, chácaras e arraiais da vila com os nomes dos moradores, proprietários e valores dos imóveis da época. São mais de 400 registros que ajudam a reconstruir a Paracatu colonial. Você, caro leitor, certamente irá encontrar seus antepassados que lá viveram há duzentos anos. Clique nos títulos abaixo para acessar cada página: Post 1 -  Os Antigos Moradores de Paracatu: Arruamento Completo das Ruas em 1811: RUA DIREITA (Série - Post 1) A rua principal da vila colonial e sua lista completa de moradores. Post 2 –  Os Antigos Moradores de Paracatu: Arruamento Completo das Ruas em 1811: RUA DAS FLORES (Série – Post 2) Origem do ...

NETOS DE DONA BEJA - BATISMOS

Por José Aluísio Botelho Disponibilizamos as imagens de assentos de batismos de três netos de Dona Beja, acrescidos dos outros netos, bem como parte da descendência, de acordo com os documentos localizados, filhos de Joana de Deus de São José e do coronel Clementino Martins Borges. Nota: nada se sabe acerca da ascendência de Clementino Martins Borges, embora seu sobrenome é largamente difundido na região do triangulo mineiro e alto paranaíba. Sabe-se que ele faleceu em Estrela do Sul em novembro de 1910 em avançada idade. Alguém tem alguma pista? Batismo de Joana de Deus: "Aos 14 dias domes de Julho de 1838 o Rdo. Pe. José Ferreira Estrella Baptizou solenemente aingnocente Joanna, fa. natural de Anna Jacinta de Sam Jose forão P.P. o coronel João Jose Carneiro de Mendonça e o Alferes Joaquim Ribeiro da Silva epara constar mandei fazer este acento eque assigno. Araxa era supra".  Fonte: Revista O Trem da História, edição 49. Nota: os outros netos de Beja, filhos de Tereza T...

DONA BEJA E OS BOTELHOS DE PARACATU

 POR JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO Dona Beja e os Botelhos de Paracatu Muito se tem falado, no âmbito familiar e fora dele, acerca do possível parentesco consanguíneo ou por afinidade entre Dona Beja e a família Botelho de Paracatu, ao longo de décadas. Essa dúvida, real ou propositalmente trazida pelos mais velhos — receosos da veracidade do parentesco com a mitológica personagem da história de Araxá, e que levou um dos nossos velhos tios, já falecido, a dizer peremptoriamente certa vez: “Eu não sou parente de uma cortesã” —, persiste até os dias atuais. Ana Jacinta de São José, a mitológica Dona Beja, nasceu em Formiga, Minas Gerais, por volta de 1800, filha natural de Maria Bernarda dos Santos e de pai ignorado. Chegou ao então florescente julgado de São Domingos do Araxá ainda menina, acompanhando a mãe e o irmão Francisco Antônio Rodrigues, talvez à procura de melhores condições de vida, já em princípios do século XIX. Segundo alguns historiadores, ela tornou-se uma mulher bonita, de ...

DONA BEJA E AS DUAS MORTES DE MANOEL FERNANDES DE SAMPAIO

Por José Aluísio Botelho A história que contaremos é baseada em fatos, extraídos de um documento oficial relativo a um processo criminal que trata de um assassinato ocorrido na vila de Araxá em 1836. O crime repercutiu no parlamento do império no Rio de Janeiro, provocando debates acalorados entre os opositores do deputado e ex-ministro da justiça, cunhado do acusado, como se verá adiante. Muitos podem perguntar porque um blog especializado em genealogia paracatuense, está a publicar uma crônica fora do contexto? A publicação deste texto no blog se dá por dois motivos relevantes: primeiro, pela importância do documento, ora localizado, para a história de Araxá como contraponto a uma colossal obra de ficção sobre a personagem e o mito Dona Beja, que ultrapassou suas fronteiras se tornando de conhecimento nacional. Em segundo lugar, porque um dos protagonistas de toda a trama na vida real era natural de Paracatu, e, portanto, de interesse para a genealogia paracatuense, membr...