Pular para o conteúdo principal

TRONCOS PINHEIRENSES: TAVARES DE MIRANDA

Por José Aluísio Botelho

Eduardo Rocha

Tavares de Miranda – um tronco no noroeste de Minas Gerais

Parece ser consenso entre os genealogistas, que o sobrenome composto, Tavares de Miranda, foi iniciado no Brasil com a chegado do português Francisco de Miranda Tavares, natural de Beja nas primeiras décadas do século dezesseis. Em 1630 já estava casado com Izabel de Brito Cerqueira. Sua descendência parece ter se solidificado no Paraná e Santa Catarina, o que sugere ser pouco provável ter havido uma rota migratória para o sertão de Minas. Também em Pernambuco vicejou o sobrenome Tavares de Miranda e seu expoente máximo no século vinte foi José Tavares de Miranda, nascido em Vitória de Santo Antão, que se destacou como colunista social no jornal Folha de São Paulo, com um caráter renovador. Pela disposição geográfica, é muito provável que os Tavares de Miranda de João Pinheiro tenham vindo de Pernambuco, subindo o rio São Francisco em busca de riqueza nos garimpos de diamantes. Outrossim, não descartamos que a origem do apelido familiar seja uma composição de sobrenomes. Oxalá apareçam documentos esclarecedores da origem dessa família pioneira. Os Tavares de Miranda se estabeleceram na região de Santana dos Alegres, atual João Pinheiro, noroeste de Minas Gerais, no último quartel do século dezoito, provavelmente atraídos pela fartura de diamantes existentes nos rios e córregos da região. Descobrimos pelo menos quatro membros da família que lá viveu e que deixaram numerosa descendência em todo o noroeste de Minas:

Valério Tavares de Miranda, que segue;

Vicente Tavares de Miranda, a desenvolver;

Manoel Tavares de Miranda, a desenvolver;

Sabino Tavares de Miranda, a desenvolver.

Valério Tavares de Miranda, casado com Francisca Soares da Cunha.

Filhos:

1 Euzébia Tavares de Miranda, casada com Cipriano da Costa Madureira. Filhos descobertos:

1.1 Eduardo Tavares de Miranda Madureira;

1.2 Pedro Tavares de Miranda Madureira;

1.3 Manoel Tavares de Miranda Madureira;

1.4 Félix Tavares de Miranda Madureira;

1.5 Francisca Tavares de Miranda Madureira;

1.6 Leocádia Tavares de Miranda Madureira;

1.7 Maria Tavares de Miranda Madureira;
2 Joaquim Tavares de Miranda, falecido em 01/09/1873 na fazenda do Capão, distrito da Catinga; casado com Francisca Tavares de Miranda, falecida em 04/1869.

(Inventário: 2.ª Vara – CX. 1875)
(Inventário: 2.ª vara – CX. 1870)
Filhos:
2.1 Luzia, 13 anos; Luzia Tavares de Miranda, casou-se com Silvério Ferreira da Silva;
2.2 Francisco Tavares de Miranda, 8 anos;
2.3 Aniceto Tavares de Miranda, 6 anos;
2.4 Atanásio Tavares de Miranda, 4 anos;
2.5 Estevão Tavares de Miranda, 2 anos;
2.6 Tibúrcio Tavares de Miranda, 1 ano;
3 José Florêncio Tavares de Miranda, falecido em 1/1883; casado com Maria Nunes de Oliveira. Fazenda do Buriti.
(Inventário: 2.ª Vara – CX. 1886)
Filhos:
3.1 Ana Tavares de Miranda, 30 anos;
3.2 Maximiana Tavares de Miranda, casada com Antônio Bispo Gonçalves; residentes na fazenda do Piripiri;
3.3 Félix Tavares de Miranda, 27 anos, residente na fazenda Buriti na margem do rio Paracatu. Falecido em 22/8/1919. Foi casado com Cassiana da Silva de Jesus.
(Inventário: 2.ª Vara – CX. 58-B)
Filhos:
3.3.1 Erotildes Tavares de Miranda, falecido em 16/12/1924; casado com Corina Neto Siqueira. Fazenda Buriti.
(Inventário: 2.ª Vara – CX.1924)
Filhos:
3.3.1.1 Emília Tavares de Miranda, casada com Geraldo Rodrigues de Oliveira; residentes em Uberlândia, MG;
3.3.1.2 Zenaide Tavares de Miranda, casada com Demétrio Moura Brochado;
3.3.2 Olímpio Tavares de Miranda, casado em 30/7/1911 com Laura Vicentina Fabião, filha de Miguel Fabião e de Roberta Vicentina, ele com 26 anos, ela com 17 anos;
3.3.3 Cassimiro Tavares de Miranda, falecido em 23/8/1927; casou-se em 21/4/1917 com Júlia da Abadia Ribeiro, viúva de Severino da Costa Coimbra, filha de Manoel da Abadia Ribeiro e de Custódia da Costa Coimbra; morador na fazenda Buriti. sem descendentes deste casamento. Júlia Abadia Ribeiro, falecida em 2/1/1919, deixou o filho José, de 7 anos, do primeiro casamento.
(Inventário: 1.ª Vara – CX. I-39)

(Inventário: 2.ª Vara – CX. 1920)

Joaquim Tavares de Miranda, com Domingas Francisco Pires, teve os filhos naturais:
3.3.3.1 Marinho Tavares de Miranda;
3.3.3.2 Maria, falecida em 1908;
3.4 Manoel Tavares de Miranda, falecido; filho:
3.4.1 Potenciano Tavares de Miranda, vive em companhia de seu tio Joaquim Tavares de Miranda na fazenda Bocaina;
4 Vitória Tavares de Miranda, casada com Joaquim Fernandes do Nascimento; filho descoberto:

4.1 Pedro Fernandes do Nascimento;
5 Potenciano Tavares de Miranda, falecido em 10/06/1871; casado com Francisca Maria da Cunha, sem descendentes. Fazenda do Saco Grande, distrito da Catinga, João Pinheiro-MG.
(Inventário: 1.ª Vara – CX. I-06).

6 Valério Tavares de Miranda Júnior;

7 Quintiliano Tavares de Miranda. Filho: Porfírio.

Outros

Tavares de Sousa

Joaquim Tavares de Miranda, casado com Euzébia Pereira de Sousa. Filhos descobertos:

1 Escolástica Tavares de Sousa, filha de Joaquim Tavares de Miranda e de Euzébia de Sousa; casada com Francisco das Chagas Tinoco.

Filhos:

4.1 Gertrudes;

4.2 Inocêncio;

4.3 Ignácio;

4.4 Raimunda;

2 Manoel Tavares de Sousa;

3 João de Sousa Tavares;

4 Joaquim Tavares de Sousa (dúvida).

Tavares de Miranda/Lemos do Prado

1 Joana Tavares de Miranda, casada com Manoel Mendes ou Lemos do Prado, falecido em 8/9/1867; fazenda Marinheiro, distrito da Catinga, Alegres.
(Inventário: 2.ª Vara – cx1871/Volume 18, 15/09/1870).

Filhos:
1.1 Maria Lemos do Prado, casada com Eustáquio Martins de Azevedo;
1.2 Joaquim Lemos do Prado;
1.3 Pedro Lemos do Prado;
1.4 Casimira Lemos do Prado;
1.5 Francisca Lemos do Prado;
1.6 Cipriano Lemos do Prado, falecido em 19/12/1923 aos 65 anos; casado com Andressa Tavares de Miranda, falecida em 21/1/1930. Fazenda Macaúbas, distrito de Unaí, MG.
(Inventário: 1.ª Vara – CX. I-33)
Inventário: 1.ª Vara – CX. I-40)
Filhos:
1.6.1 Maria Lemos do Prado, falecida; foi casada com José Antônio dos Reis.
Filhos ( Idades no inventário do pai):
1.6.1.1 Joana Antunes dos Reis, casada com José Soares Pereira;
1.6.1.2 Justina Antunes dos Reis, 15 anos;
1.6.1.3 Anísia Antunes dos Reis, 13 anos;
1.6.1.4 Mario Antunes dos Reis, 8 anos;
Todos residentes na fazenda São Pio.
1.6.2 Félix Lemos do Prado, casado residente na fazenda Água Doce.
1.6.3 Romualdo Lemos do Prado, 40 anos, solteiro; residente na fazenda Retiro do Boqueirão;
1.6.4 Matilde Lemos do Prado, falecida; casada que foi com Joaquim Alves de Avelar, falecido em 13/8/1913.
Filhos ( idades no inventário do avô):
1.6.4.1 Roberta Alves Avelar, 16 anos;
1.6.4.2 Benedita Alves Avelar, 15 anos;
Residentes na fazenda Macaúbas;
1.6.5 Leonilda Lemos do Prado, casada com Manoel Antunes dos Reis;
residentes na fazenda Macaúbas;
1.6.6 Bonifácio Lemos do Prado, casado residente na fazenda Macaúbas;
1.6.7 Gregório Lemos do Prado, casado residente na fazenda Macaúbas;
1.6.8 Vilaça Lemos do Prado, casada com Paulo Alves de Avelar; residentes no retiro do Boqueirão;
1.6.9 Tertuliana Lemos do Prado, casada com Joaquim Mendes Reneiros;
residente na fazenda Macaúbas;
1.6.10 João Lemos do Prado, maior, residente na fazenda Macaúbas;
1.6.11 Benedita Lemos do Prado, casada com Justino Pinto Brandão residente na fazenda Macaúbas;
1.7 Geminiana Lemos do Prado;
1.8 José Lemos do Prado.

Tavares de Miranda/Vaz da Costa

1 Juliana Tavares de Miranda, falecida em 12/06/1918; casada com Roberto Vaz da Costa, falecido em 23/06/1907; fazenda Bocaina, distrito da Catinga.
(Inventário: 1.ª Vara – CX. I-31)
Filhos:
1.1 Georgina Vaz da Costa, casada com Avelino Ferreira do Prado. Filha:
1.1.1 Josefa, 13 anos;
1.2 Lúcia Vaz da Costa, 50 anos;
1.3 Joana Vaz da Costa, 48 anos;
1.4 Estevão Vaz da Costa, casado com Adelina da Silva Barbosa, falecido; filhos:
1.4.1 Cipriano com 14 anos;
1.4.2 Júlio, 11 anos;
1.4.3 Maria, 5 anos;
1.5 João Vaz da Costa, 42 anos;
1.6 Isidora Vaz da Costa, 39 anos;
1.7 Ana Vaz da Costa, casada com Rufino Martins de Azevedo;
1.8 Joaquim Vaz da Costa, 35 anos;
1.9 Emídio Vaz da Costa, 33 anos;
1.10 Valério Vaz da Costa, 34 anos;
1.11 Maria Vaz da Costa, falecida, representada por seus filhos:
1.11-1 Eponina Gonçalves de Macedo, casada com Augusto José dos Santos;
1.11.2 Ignácio Gonçalves de Macedo, 23 anos.

Tavares de Miranda/Madureira

1 Francisca Tavares de Miranda, falecida em 21/7/1877; casada com Félix da Costa Madureira. Fazenda do Suco, distrito da Catinga.
(Inventário 2.ª Vara – CX. 1878)
Filho:
1.1 Luiz, 7 anos.

Fontes:

1 Inventários referidos no texto, sob a guarda do Arquivo Público Municipal de Paracatu;

2 Arquivo Público Mineiro: Repartição de Terras Públicas;

3 Genealogia Paulistana, de Luiz Gonzaga da Silva Leme.



Comentários

Postagens mais visitadas

DONA BEJA E AS DUAS MORTES DE MANOEL FERNANDES DE SAMPAIO

Por José Aluísio Botelho A história que contaremos é baseada em fatos, extraídos de um documento oficial relativo a um processo criminal que trata de um assassinato ocorrido na vila de Araxá em 1836. O crime repercutiu no parlamento do império no Rio de Janeiro, provocando debates acalorados entre os opositores do deputado e ex-ministro da justiça, cunhado do acusado, como se verá adiante. Muitos podem perguntar porque um blog especializado em genealogia paracatuense, está a publicar uma crônica fora do contexto? A publicação deste texto no blog se dá por dois motivos relevantes: primeiro, pela importância do documento, ora localizado, para a história de Araxá como contraponto a uma colossal obra de ficção sobre a personagem e o mito Dona Beja, que ultrapassou suas fronteiras se tornando de conhecimento nacional. Em segundo lugar, porque um dos protagonistas de toda a trama na vida real era natural de Paracatu, e, portanto, de interesse para a genealogia paracatuense, membr...

NETOS DE DONA BEJA - BATISMOS

Por José Aluísio Botelho Disponibilizamos as imagens de assentos de batismos de três netos de Dona Beja, acrescidos dos outros netos, bem como parte da descendência, de acordo com os documentos localizados, filhos de Joana de Deus de São José e do coronel Clementino Martins Borges. Nota: nada se sabe acerca da ascendência de Clementino Martins Borges, embora seu sobrenome é largamente difundido na região do triangulo mineiro e alto paranaíba. Sabe-se que ele faleceu em Estrela do Sul em novembro de 1910 em avançada idade. Alguém tem alguma pista? Batismo de Joana de Deus: "Aos 14 dias domes de Julho de 1838 o Rdo. Pe. José Ferreira Estrella Baptizou solenemente aingnocente Joanna, fa. natural de Anna Jacinta de Sam Jose forão P.P. o coronel João Jose Carneiro de Mendonça e o Alferes Joaquim Ribeiro da Silva epara constar mandei fazer este acento eque assigno. Araxa era supra".  Fonte: Revista O Trem da História, edição 49. Nota: os outros netos de Beja, filhos de Tereza T...

DONA BEJA E O TESTAMENTO DO PADRE

Por José Aluísio Botelho O vigário Francisco José da Silva foi um padre típico do sertão mineiro: fazendeiro abastado, político influente, e mulherengo, como quase todos os padres de seu tempo. Teve participação decisiva na evolução político-administrativo e social da Araxá na época em que lá viveu, entre 1815 e 1845, ano de seu falecimento. Participou, mesmo que discretamente, da Revolução Liberal em Araxá, apoiando seus sobrinhos liberais, liderados pelo coronel Fortunato José da Silva Botelho, no embate político que se travava em Minas nos anos de 1842.  Para saber mais: clique na imagem abaixo para adquirir o livro na Amazon.com Clique aqui para visualizar uma prévia do livro.

FILHA DE DONA BEJA - EDITAL DE PROCLAMAS

NOTÍCIA DE JORNAL PUBLICADO PELO JORNAL ASTRO DE MINAS, EDITADO EM SÃO JOÃO DEL REI -  24 de janeiro 1832, nº650 NOTAS EXPLICATIVAS: 1 - JOSÉ DA SILVA BOTELHO ERA IRMÃO DO VIGÁRIO FRANCISCO JOSÉ DA SILVA. PORTANTO, OS NOIVOS ERAM PRIMOS; 2 - A MÃE DA NOIVA, ANA JACINTA DE SÃO JOSÉ, ERA A LENDÁRIA DONA BEJA DE ARAXÁ; 3 -  JOSÉ DA SILVA BOTELHO FOI O AVÔ AVOENGO DOS BOTELHOS DE PARACATU; 4 - O COMENTÁRIO ABAIXO REFLETIA A OPINIÃO DO EDITOR DO JORNAL; FONTE: EXTRAÍDO DE IMAGEM DIGITALIZADA DO JORNAL DE PROPRIEDADE DA HEMEROTECA DIGITAL DA BIBLIOTECA NACIONAL DO BRASIL.

SUBSÍDIOS GENEALÓGICOS: OS COSTA PINTO - UM TRONCO

Por José Aluísio Botelho Colaborou Eduardo Rocha Família pioneira no arraial do ouro, formadora da elite local e que floresceu durante o decorrer do século XIX. Iniciou-se com as uniões de João da Costa Pinto e D ona Domingas Rodrigues da Conceição, e do coronel Antônio José Pereira* e dona Maria Tereza de Castro Guimarães. Desses casais, nasceram dentre outros, Antônio da Costa Pinto e dona Francisca Maria Pereira de Castro, que se casaram no milésimo do século XVIII. *Nota: o coronel Antônio José Pereira, era natural da freguesia de Nossa Senhora da Vitória da cidade do Porto, Portugal, filho legítimo de João Francisco Pereira e de Quitéria Francisca; teve, antes de casado, com Josefa Rodrigues da Silva, uma filha de nome Mariana, que instituiu junto com sua filha legítima suas herdeiras universais; foi administrador dos Dízimos entre 1789 e 1807; faleceu em 1812. O coronel Antônio da Costa Pinto nasceu em Paracatu por volta de 1775 e aí faleceu a 06 de agosto de 1827. Na po...

FRAGMENTOS DE GENEALOGIAS

Por José Aluísio Botelho Diante da falta quase completa de documentos primários, reunimos indivíduos que viveram nos tempos do arraial e da vila, e que carregavam os sobrenomes transmitidos a descendência, abaixo assinalados: OS LOPES DE OLIVEIRA Nos tempos de arraial Inicia-se a família Lopes de Oliveira, com a presença de Manoel Lopes de Oliveira, já miscigenad a, com a união de Manoel Lopes de Oliveira com Catarina, negra mina; o casal teve um filho nascido nas Minas do Paracatu, que descobrimos: Antônio Lopes de Oliveira, que com Marcelina Ribeira, filha de Francisco Vaz Salgado, natural do Porto, Portugal e de Maria Ribeira, negra mina, continuaram o processo de caldeamento da família com o nascimento de seus filhos; Descobrimos dois filhos nos assentos de batismos do arraial: 1 Tereza, nascida em 18/6/1774 e batizada aos 26 do dito mês e ano; Tereza Lopes de Oliveira, casada ca. 1787 com Custódio Pinto Brandão, com registro de provisão de casamento no Ca...