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COLETÂNEA OLÍMPIO MICHAEL GONZAGA (ATUALIZAÇÕES)

POR JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO

(Extraído do manuscrito ‘Lendas do Brasil Central)

Introdução Editorial

Os textos que o leitor tem agora em mãos representam mais que simples registros de histórias: são fragmentos da memória cultural do Brasil Central. Com estes textos, resgatamos uma parte significativa da produção literária de Olímpio Gonzaga, autor paracatuense cuja voz, por vezes esquecida, ecoa com vigor nas linhas que compôs em seu manuscrito inédito Lendas do Brasil Central.

Essas crônicas, apresentadas aqui tal como foram redigidas — preservando sua grafia original e livre de revisões ortográficas e gramaticais — revelam um autor intuitivo, movido pela oralidade popular, pela imaginação e por uma visão muito própria da história regional. Em sua escrita, Gonzaga mistura realidade e ficção, personagens verídicos e imaginários, criando um mosaico narrativo marcado tanto por encantamento quanto por lapsos históricos e estilísticos.

Nosso papel, ao trazer esses textos ao público contemporâneo, é o de mediador e guardião: optamos por não interferir no estilo nem na forma, respeitando o espírito original da obra. Cabe ao leitor mergulhar nessas páginas com olhar crítico e sensível, percebendo o valor literário, histórico e simbólico que elas carregam para a cidade de Paracatu e para o imaginário do cerrado brasileiro.

Sobre Olímpio Gonzaga: foi um homem inquieto, preocupado em resgatar a história de Paracatu, através de texto históricos, crônicas, narrativas de acontecimentos verídicos (como o caso dos jagunços do vale do Urucuia em 1926), seja através de registros fotográficos. Autodidata no campo da história, com formação escolar deficiente, tinha enorme dificuldade na interpretação de textos, as vezes se confundindo com as informações obtidas, falta de didatização em seus textos, bem como apresentava dificuldades no manejo da língua portuguesa. Mas, isto não importa, até porque, em uma cidade que foi chamada de a “Atenas Mineira”(em alusão ao alto nível intelectual de inúmeros paracatuenses daquele tempo), desde os descobertos de 1744 até meados do século vinte, ninguém se atreveu a registrar a história de Paracatu para a posteridade, e ele o fez com abnegação e pertinácia. Hoje, ao estudar sua obra principal, Memória Histórica de Paracatu, mesmo a despeito dos erros e equívocos históricos e biográficos (ao se referir a personagens centrais de seu livro), a falta de discernimento entre o fato histórico e a ficção, e o uso da lenda, cremos que ela constitui um roteiro fundamental para que os jovens historiadores reescrevam a história da cidade, a luz de novos documentos que vão surgido diuturnamente.

Sem embargo, mesmo com a qualidade inferior de seus textos, Olímpio Gonzaga foi um homem notável no seu campo de atuação, e seguramente faz parte da galeria de paracatuenses ilustres.

CRÔNICAS (transcrições na grafia original)

1 NAVEGAÇÃO AÉREA

Para a Biblioteca Nacional, Rio de Janeiro

Paracatu, 21 de outubro de 1947 – Do amigo Olympio Gonzaga

Navegação aérea de Paracatu pela Aerovia Minas Geraes s/a; e 6 (seis) aviões pertencente aos pilotos do Aereo Club Paracatuense. Está resolvido o maior problema de transportes.

Todos os paracatuenses deveriam fazer a propaganda dos aviões e das viagens aereas que economisam tempo e dinheiro.

Eu viajei no possante avião de aluminio, para 15 passageiros, da AEROVIA MINAS GERAES no dia 8 de Outubro de 1947 e voltei no dia 20, 15 dias de belissima viagem aerea, ida e volta, por mil e quinhentos cruzeiros, apenas, o que seria o dobro si fosse por outro meio de transporte. Estive um dia em Belo Horisonte em casa de minha irmã Leonina e Mariasinha; viajei na Aerovia Brasil para o Rio de Janeiro, tendo apreciado do alto o belissimo panorama da Bahia de Guanabara, com seus recortes, suas ilhas, vapores ancorados, outros navegando, as Barcas da Cantareira e da Carioca fasendo a navegação do Rio de Janeiro à cidade de Niteroi, os apitos das embarcações, as alvas gaivotas voando, pegando peixes na Bahia.

Hospedei-me na casa de minha prima Elvira Gonzaga Campos, na Tijuca, rua Uruguai *§. Estive na Biblioteca nacional, Jardim Botanico, assisti aos funeraes de Dona Santinha, esposa do Exmo. Presidente da Republica General Dutra, 12 caminhões de coroas, centenas de automoveis, milhares de pessoas a pé, etc., etc. Percorri as avenidas Atlanticas, Leme, Copacabana, Lagoa Rodrigo de Freitas, Getulio Vargas, romaria de N. Sra. da Penha que adimirei muitos milagres esculpidos no ouro.

Estive nas casas de varios amigos, do Ministro Dr. Bernardino José de Sousa, das primas Dona Silvia Torres Verano, Dona America Torres Cruz e família, esposa do Dr. Manoel da Cruz da COMISSÃO DE ESTUDOS DA NOVA CAPITAL DA REPUBLICA, na casa de dona Paulina Loureiro Salazar com filhos doutores, à rua Itaipu &%, Ap.#$, Laranjeiras.

Estive oito dias passeiando no Rio de Janeiro nos pontos principaes, pois já fui no Rio 10 vezes, e fui operado da bexiga em 1940 no hospital Graffee Guinle.

Na minha volta passei em Belo Horisonte, as cidades de Montes Claros, Januaria e Pirapora, aonde fui recebido de carro do meu sobrinho Arnaldo Gonzaga, em cuja casa estive 5 dias, visitando os parentes, amigos, as casas comerciaes, FABRICA DE TESSIDOS DOS SRS JOÃO VARGAS, com 66 teares trabalhando, a FABRICA DE BEBIDAS DE OSVALDO GOTLIB, o Estabelecimento comercial de Arnaldo Gonzaga, Casa Boaventura Leite, etc. Dei um lindo voo no ceu de Pirapora no avião do Aereo Clube de Pirapora, tendo apreciado do alto o seu lindo panorama da ponte metalica, 6 grandes vapores ancorados no porto, uma companhia com escafandro mineirando diamantes no leito do Rio São Francisco, que deve ter muito ouro escorrido de Paracatu e outros logares. Em quinze dias gozei mais de cinco anos de minha vida em Paracatu. Tudo isto por efeito da rapidez das lindas viagens na Aerovia Minas Geraes e Aerovia Brasil. Paracatu, 21 de outubro de 1947. Do correspondente. Segue assinatura. Olympio Gonzaga, coletor federal aposentado (datilografado).

Com esta crônica, finalizamos as transcrições das Lendas do Brasil Central.

2 AS LAVOURAS DE MESSIAS DOS REIS CALÇADO, NA SERRA DO TOMBADOR, EM PARACATU, MINAS GERAES

O comercio de Paracatu com a Corte do Rio de Janeiro com as tropas de mulas e carros de bois, conduzindo a escrava Teresa Mina, com 14 anos, dentro de uma panela de alambique, no anos de 1820.

CHRONICA para o livro-- “LENDAS DO BRASIL CENTRAL” por OLYMPIO GONZAGA, autor de varias obras que fizeram o ingresso do autor na ASSOCIAÇÃO DE IMPRENSA, dos INSTITUTOS HISTORICOS NACIONAL, DE MINAS GERAES, GENEALOGICO BRASILEIRO, etc., tendo recebido valiosos brindes do Instituto Historico e Geografico do Rio de Janeiro.

O sol, o astro rei, que de muito longe, domina a terra com seu esplendor de luz, nos dá o exemplo de uma vida curta, efemera, no espaço de um dia – o Sol nasce, o Sol morre, desaparece.

Assim é a vida do homem na terra, cada um deles vem ao mundo e representa seu papel, bom ou mau e desaparece para sempre, para nunca mais voltar.

No correr de uma eternidade, um seculo parece um dia. Uma existencia é um momento fugaz, uma pequena parcela dos anos que correm para a insondavel eternidade. Quanta gente boa, de realce na sociedade, até doutores de nomeada, depois de morto seu nome cahe no esquecimento, até se extinguir e desaparecer completamente, no correr dos anos.

Somente a historia tem o poder extrahordinario de gravar, de reviver o passado, qual escafandro que desceu ao fundo dos mares para trazer as perolas valiosas.

A lendaria cidade de Paracatu, em Minas Geraes, é o rincão que viu passar uma legião de homens notaveis, quaes meteoros que deixaram um rastro de luz na historia ... Assim foi o agricultor MESSIAS DOS REIS CALÇADO o famoso fasendeiro da SERRA DO TOMBADOR, com tresentos escravos(sic), dez engenhos, sendo alguns movidos por agua, legoas de lavouras a perder de vista. Messias dos Reis Calçado é filho de Alexandre dos Reis Calçado( Alexandre dos reis Calçado faleceu em 1816 – grifo nosso), capitalista, fasendeiro abastado, que comprou por 225 oitavas de ouro treis grandes fasendas da Serra, Santo Aurelio e Boa Sorte que foram do famoso negociante do largo do SANTANA Antonio de Oliveira Braga, de quem foi testamenteiro e herdeiro em 29 de setembro de 1795, deste homem solteiro, seu parente (sic) e amigo, legando numerosos escravos, minas de ouro e bens.

O espaçoso sobrado da SERRA DO TOMBADOR era a morada predileta de Alexandre e Messias, tendo um sino na janela do sobrado, para chamar os escravos ao trabalho. Era uma fasenda de grande movimento, com grandes sensalas, cercade de muros altos, dilatados pomares com sasonados frutos de todas as qualidades, grandes lavouras de cana de açúcar, roças de milho e vários cereaes, regradas com agua abundante, havendo verduras o anos todo.

Haviam tambem engenho de cana movido por agua, roda de agua de socar, moinho, monjolo, varandas de engenhos, 10 engenhos, 12 carros de bois, numerosas rodas de fiar lindos tessidos de lã, para serem vendidos na Corte do Rio de Janeiro, etc., etc.

O fasendeiro Messias dos Reis Calçado cazou-se com dona Tereza Pereira do Lago, e quando faleceu aos 96 anos de idade, em 26 de janeiro de 1862, sem testamento, deixou a viuva com duas filhas menores – Quirina e Maria, de 14 e 13 anos de edade, e outros filhos legitimados, bem com José dos Reis Calçado, que se casou com Josefina Dantas Barbosa, que era filha do cel. José Antonio Dantas Barbosa e Da. Gertrudes Silveira (Ferreira, grifo nosso) Braga.

Nota relevante do transcritor: alertamos o leitor que existiram dois Messias dos Reis Calçado: o pai e o filho. O autor comete um equívoco genealógico, ao não discernir os personagens e suas histórias de vida.

Para situar o leitor, o pai, coronel Messias dos Reis Calçado, filho de Alexandre José dos Reis Calçado, nascido por volta de 1785, e já falecido em 1851(portanto, não viveu 96 anos); e o filho Messias Júnior, falecido em 1862, casado com Teresa Pereira do Lago. Parece-nos que a narrativa do autor era relativa as vivências do filho, e não do pai, como deixa transparecer o texto.

Pelas 5 horas da manhã o sino do sobrado tocava a despertar os escravos, que se atiravam nos tanques de banho, como cardumes de peixes, e vinham todos tomar café com farofa de carne.

As 6 horas o sino dava o sinal de partida para o trabalho. Da janela do sobrado se avistava aquele imenso tapete verde das lavouras a perder de vista, presenciando aquela fila interminavel de escravos com ferramentas ao ombro, marchando para o trabalho, batendo as alpercatas: LEPO - TELEPO, LEPO – TELEPO.

Ao meio dia, seguiam para as lavouras, diverças carroças com as refeiçoes dos escravos, cujo cheiro de bons petiscos anunciava ao longe. Havia tambem abundante merenda de varias frutas e doces secos. COM AQUELE TRATAMENTO os escravos trabalhavam com gosto, alegres, cantando em patuás de língua africana, misturada com língua portuguesa.

Quando todas as maquinas da lavoura estavam em movimento: o engenho d'água, roda de socar, moinhos, monjolos, rodas de fiar, etc., - era um quadro animador, uma belesa os hinos cantados no trabalho por aquelas gentes simples, mostrando todos satisfeitos.

Ao cahir da tarde, hora das Matinas e recolhimento, o sino da janela do sobrado tocava a recolher, tocava as Ave Maria … era a hora do jantar na fasenda da Serra do Tombador.

QUEM CHEGAVA À JANELA DO SOBRADO DA FRENTE VIRIA UMA FILA INTERMINAVEL DE ESCRAVOS VINDOS PARA A FASENDA TODOS DE CABEÇA BAIXA CHAPEUS NAS MAOS RESANDO PELA ESTRADA PENSANDO EM DEUS e na seia do jantar, batendo as alpercatas nas estradas … lepo - ti lepo, lepo - ti lepo…

O jantar dos escravos estava convidando o apetite pelo cheiro dos suculentos dos pratos de feijão com trupico de focinho de porco, carne cheia de hervas, aboboras, mandiocas, bolinhos de cará com ovos, molho de pimenta com tomate e sebola, etc. As mezas da quele varandão das sensalas eram iluminados por candieiros de cobre de treis bicos, com luz de azeite, que estavam dependurados no teto.

Quando o sinhô Messias e dona Tersa do Lago APARECE COM AS ESCRAVAS TRASENDO GARRAFÕES DE AGUARDENTE PARA SEREM DISTRIBUIDOS O PRECIOSO LIQUIDO FORAM RECEBIDOS COM UMA SALVA DE PALMAS E VIVAS? PONDO-SE TODOS DE PE; De entre os escravos la se achavam: Pedro barqueiro (famoso nas obras de Afonso Arinos, o escritor patricio), Joaquim Nagou (feiticeiro famoso), Joaquim Mironga, Remigio, o feitor Nicolau Angola, um cabra alto, espigado, como um vara pau, olhos grandes, mal encarado que apresentou ao sinhô Messias dois escravos amarrados, de castigo, e deviam passar a noite sem jantar, naquele estado amarrados.

Estes dois malandros, Remigio e Martinho estão de castigo, porque procederam mal no eito, com brigas e rusgas. Nem as pancadas doiam tanto nos escravos como passar a noite amarrados, com a barriga roncando de fome, lembrando aquela seia cheirosa.

Assim o Messias se aproximou do grupo rebelde, estes se puseram de joelhos, pedindo clemencia, e misericordia, pedindo mil desculpas e prometendo nunca mais brigarem no eito da capina das roças e disseram a um só tempo:- VOSAMICE NOS PERDOA; -Disse o Messias:- estão perdoados, mas não caiam em outra asneira.

O Pedro Barqueiro e outros escravos vieram chegando com seus cuités solicitando mais pinga –isso é bom esquenta ca dentro e faz dormir sossegado.

A escrava Teresa entregou mais um garrafão de aguardente para ser distribuido com os reclamantes.

*Eu conheci a velha Teresa em casa do professor Julio de Melo e de João Macedo. A qual me contou que veio da Corte do Rio de Janeiro no ano da INDEPENDENCIA DO BRASIL em 1822, com 14 anos, em carro de bois de sinho Messias, dentro de uma panela de alambique, oito carros, quatro meses de viagem. O sinho Messias, seu pai Alexandre(sic), O Ouvidor Dr. Antonio Paulino Limpo de Abreu, o Vigario Melo Franco alcançaram os carros pertinho da vila de PARACATU. Chegamos todos nas Vesperas de Natal de Nosso Sinhô. Ih, sinhosinho foi um festão, uma alegria doida do povo, dos mineiros, dos escravos, das guardas IMPERIAIS. Houve muito vinho, aguardente, dancas de salão, catiras, batuques nos terreiros, durante treis dias e treis noites.

No fim de cada mez, o sinho Messias dava duas rezes e treis dias para seus escravos sambarem, divertirem.

*Nota: o trecho acima sugere vivências do Messias pai.

Na Entrada de Ano Bom de 1823 foi um festão na fasenda da SERRA DO TOMBADOR. Os escravos sahiram para os terreiros das sensalas com seus apetrexos de danças: cerca de cinquenta escravas e tresentos escravos (sic); Pedro Barqueiro, Joaquim Nagou, Remigio e Pai José entraram na roda dos velhos, tocando canzambe, guitarra, viola e sanfona, desferindo esta canção das prinsesa que se perdeu com um escravo:

Pera seis horas quando Vera a mucamba, (BIS)

Café xincurate me trouxe na cama (BIS)

Eu baxa a cabeça eu rogo rotudo (BIS)

Lenço, dim babado, coxao dan verudo (BIS)

Era bem cedo, quando ela me disse: (BIS)

Sahisse devagar, que ninguém peresentisse (BIS)

Os sambas dos escravos correram animados com palmas cadenciadas, sapateados, tregetos, graçolas; As umbigadas nas crioulas e mulatas estalavam—FUAPO, FUAPO, até o clarear do dia do ANO BOM, dia de alegria, dia de resas.

O sino dos sobrado repicou as 6 horas, convidando o povo para resar a ladainha dos SANTOS.

As danças seçaram e todos se ajoelharam no terreiro e se puseram a resar.

O sol apareceu no horisonte iluminando ao longe uma grande comitiva de gentes do Salgado e das Pedras dos Angicos (JANUARIA E SAO FRANCISCO), que vinham trasendo mercadorias do Porto de Sussuapara, no rio Paracatu, para trocarem por odres de aguardente e outros artigos da fasenda do Messias, que havia chegado a pouco da Corte do Rio de Janeiro trasendo fasendas, ferragens e muitas novidades, para trocar.

O VICIO DO JOGO E DO ALCOOL

No ultimo quartel da vida do notavel agricultor Messias dos Reis Calçado, o famoso homem destes sertoes, perdeu seu pae, a estrela guia tutelar de seus passos; TENDO FALSOS AMIGOS O ARRASTADO PARA O VICIO DO JOGO E DO ALCOOL; sua mulher, toda carinhosa, tao solicita e cuidadosa com seu esposo MESSIAS, não conseguiu chamal-o ao bom caminho, afastal-os falsos amigos e da perdição.

Tudo em vão, tudo perdido, passando a ser maltratada até com pancadas, retirando-se para a casa de seus parentes em SANT'ANNA DOS ALEGRES, com suas duas filhas. Dona Theresa Pereira do Lago chorou muito, curtiu noites bem amargas com a separação de seu esposo, completamente transformado, arruinado, pondo tudo fora, arrastado por falsos amigos, que roubavam seus valores nas bancas de jogo – 300 reses e 20 escravos, hoje mais duzentas cabeças de porco, mais dois carros de bois com suas boiadas; e assim o poderoso MESSIAS foi sendo reduzido à miseria…..

Varias grandes fortunas em Paracatu foram tambem dissipadas nas bancas de jogo de LASQUINET, PACAU, roleta, etc.

Os aspectos da vida de MESSIAS DOS REIS CALÇADO: o seu esplendor na primeira fase da vida e sua ruina no fim da vida pelo vicio do jogo e do alcool é um exemplo para todos, um espelho para se fugir dos falsos amigos que nos arrastam para a perdição, à pobresa, à ruina do corpo e da alma, mudando o genio da pessoa, um louco, que dispresa a sua propria famila, maltratando-a, tornando-se um ente nogento e dispresado de todos na sociedade.

Esta cronica foi escrita deante de valiosos documentos dos velhos arquivos e do inventario do próprio Messias dos Reis Calçado, que faleceu em sua fasenda da Serra do Tombador, sendo seu corpo conduzido a sua casa à rua Goiaz, sendo sepultado na Egreja do Rosario, aos 29 de Setembro de, digo, aos 26 de Janeiro de 1862, com 96 (sic) de edade.

Nota: este trecho claramente é parte da vida do filho, que faleceu na data acima.

3 A ruina completa do milionario Felisberto Caldeira Brant, o descobridor de Paracatu (sic – grifo nosso); duelo, prisao sequestro de seus bens, riquissimas baixelas de ouro, diamantes, etc. Todos os membros da família CALDEIRA BRANT FOI EXPOLIADA DE SEUS BENS E REDUSIDA À MISÉRIA.

Nesta imagem capturada de um documento datado de 1746, em que Felisberto Caldeira Brandt aparece como testemunha, ele defere sua idade – diz ter trinta e seis anos. Nasceu ele portanto por volta de 1710.

Tenho presente velhissimos documentos dos arquivos desta lendaria cidade, sequestro dos bens do descobridor de Paracatu (sic), Felisberto Caldeira Brant, tendo estudado varias obras que lhe fasem referencias: De Afonso Arinos, Feu de Carvalho, Rodrigo Octavio, Diogo de Vasconcelos, Felicio dos Santos, Milliet de Saint Adolfe, Xavier da Veiga e outros autores. Todos eles fasem notaveis referencias das riquesas nababescas deste bandeirante milionario Felisberto Caldeira Brant, que levou de PARACATU duzentas arrobas de ouro, no ano de 1744.

Entretanto encontrei valiosos documentos da descoberta de PARACATU no ano de 1730 por Lourenço Castanho, que deixou aqui um nucleo de povoadores. Descobri tambem nos arquivos o sequestro dos bens de Felisberto, o grande martir, vitima da invenja de suas imenças riquezas, deste bandeirante que nasceu em São João Del Rei, tendo o sequestro se estendido aos bens de todos os parentes de Felisberto.

Nos sertoes de PARACATU a naturesa ainda sorria virgem e havia ouro em abundancia por toda a parte, espalhadas pelo chão folhetos; pepitas de ouro, que eram catadas em profusão nos leitos dos corregos: Sao Domingos, Corrego Rico, Bandeirinha, Sao Pedro, etc.

Xavier da Veiga nas Efemerides Mineiras nos conta que os capatases de Felisberto Caldeira Brant fasiam diarias de desessete oitavas de ouro.

No ano de 1758 tambem foram sequestradas pelo SANTO OFICIO, por ordem do governo, a fasenda do Espirito Santo, 18 escravos, 100 reses de criar, lavras de ouro no Morro da Cruz das Almas e São Pedro, etc. em Paracatu.

Felisberto Caldeira Brant foi no Tijuco (Diamantina) o celebre CONTRATADOR DE DIAMANTES, tornando-se o homem mais rico de Minas Geraes.

Foi esta grande riquesa que atrahiu a inveja, a cobiça do ouvidor do GOVERNADOR de Minas Geraes.

O BOTÃO DA ROSA

A multidao de povo se achava na capela do Tijuco assistindo a missa domingueira, bem como as pessoas distintas do logar.

A bela Cotinha, sobrinha de Felisberto Caldeira Brant, estava ajoelhada, resando, talvez pensando em seu noivo, um bacharel fidalgo portuguez, foi quando o Ouvidor do Tijuco Dr. José de Moraes Bacelar veio se ajoelhar junto dela, lançando olhares ardentes e cubiças; como a moça Cotinha não lhe correspondesse os seus afetos de amor, o Ouvidor Bacelar atirou um botão de rosa no seio de Cotinha, que se enrubesceu, levantou-se e foi levar a flor a seu pai adotivo de criaçao, Felisberto Caldeira Brant, que tirou a espada da bainha e foi convidar o atrevido o Ouvidor dr. José de Moraes Bacelar para um duelo à porta do templo. Grande alvoroço na egreja entre o povo e as biatas de caponas, (Nos conta com muita graça Afonso Arinos em seu livro O CONTRATADOR DE DIAMANTES)… aqui há um trecho ilegível.

O padre sahiu do altar com a imagem de JESUS CHRISTO E separou os dois contentores, que foram levados para suas casas. Desde este dia que o Ouvidor Bacelar escreveu ao Governador de Minas Geraes o Conde de Bobadela Gomes Freire de Andrade, urdindo tremendas intrigas contra Felisberto, convidando-o para avançarem no gordo sequestro dos bens do Contratador dos Diamantes, (com?) a ajuda do SANTO OFICIO.

Naqueles tempos de horrores, de falta de garantias individuaes, durante o regimem Colonial, era a cousa mais natural deste mundo o sequestro, a prisao, as torturas das pessoas ricas por qualquer rabo de palha, inventado, urdido propositalmente. Foi assim que os magnatas se enriqueceram, e puderam remeter mais de cinco mil crusados do Brasil para Portugal, o senhorio que não tinha dó nem piedade de nos, para se enriquecer à nossa custa.

A PRISÃO, O SEQUESTRO, A RUINA DE FELISBERTO CALDEIRA BRANT

Dias depois do acontecido na capela do Tijuco, foi anunciada com trombeta e caixa a visita do GOVERNADOR DE MINAS GERAES, cuja sede era em VILA RICA.

O perverso Ouvidor Dr. José de Moraes Bacelar, sahiu dois dias antes e foi se encontrar com o GOVERNADOR, os quais urdiram os planos de assalto à fortuna de Felisberto, o CONTRATADOR DE DIAMANTES DO TIJUCO; que no dia aprasado seguiu com sua gente numerosa em bonitos corceís lindamente ajaesados, sendo a de Felisberto em ouro e prata. Depois das saudaçoes das Boas Vindas, Felisberto emparelhou seu cavalo de sua montaria com as montarias do Governador e do Ouvidor Bacelar, que franziu os sobrolhos com odio e disse: PASSE PARA TRAZ, aqui não é seu logar.

O milionario Felisberto Caldeira Brant, que estava acostumado ocupar sempre o primeiro logar nas cerimonias, --Replicou: batendo no peito, eu sou descendente dos Ordonheses de Zamora, de Familia Real e Vosse que é um simples plebeu, que passe.

O GOVERNADOR replicou dizendo: PRENDA ESTE INSOLENTE.

Felisberto foi preso, algeimado e levado para Vila Rica. O pagem de Felisberto jogou seu cavalo por fora correndo e foi contar a esposa de Felisberto dona Branca de Almeida Lara o acontecido.

No mesmo dia a casa de Felisberto foi cercada, dona Branca enxotada de seu riquissimo lar, foi expoliada de seus bens, baixelas de ouro para jantar, para café, mobiliario riquissimo, arcas cheias de ouro, de diamantes, uma riquesa fabulosa, extraordinaria; o perverso Ouvidor Bacelar esfregava as mãos de contente.

A casa estava cercada, garantida, os Meirinhos arrolavam tudo, sem deixar nada. Todos os irmaos e parentes da Familia Caldeira Brant sofreram o terrivel sequestro de seus bens, por ordem do Governador Conde de Bobadela. Um ano depois foi o sequestro já descrito em Paracatu.

Quem melhor discreve esta sena barbara é o escritor patricio Afonso Arinos no seu belo livro: “O CONTRATADOR DE DIAMANTES”, que foi convertido em drama, que foi levado à sena com grandes aplausos, bem como a sena em que Dona Branca atira ao GOVERNADOR suas joias, dizendo: TOME TOME vosses querem é roubar.

4 EXALTAÇÃO POLÍTICA EM PARACATU NO ANO DE 1864

(O Samba bate-moleque em casa do Major Pina)

Nota: à época em deu-se o evento, o samba não existia enquanto gênero musical, e sim ritmos musicais, que iriam no alvorecer do século vinte, propiciar o surgimento do mesmo. Como o texto foi escrito na década de 1940, tempo em o que o samba já era unanimidade nacional, o autor optou por usar o termo. Acreditamos que o gênero musical utilizado na festa foi o Batuque. (O autor).

Durante a monarquia brasileira havia dois partidos políticos: O LIBERAL E O CONSERVADOR. O primeiro era chefiado pelo Dr. Bernardo de Melo Franco, de cor morena, apelidado de Rapadura. O Juiz de Paz Padre José de Moura, conego de gola vermelha, era apelidado de Guaxo, um professor publico primario mau, perverso com as crianças de sua escola.

O chefe do Partido Conservador era o Major João de Pina Vasconcelos, de um metro e noventa de altura, moreno, cheio de corpo. Pesando duzentos e dez kilos, notavel advogado, estimado de todos, Presidente da Camara Municipal, que ficou satisfeitissimo ter ganho as eleições municipaes, sendo eleito novamente seu Presidente, bem como seus companheiros vereadores: o coronel Francisco de Paula Carneiro, o tenente coronel Pedro Antonio Roquete Franco, o tenente coronel Domingos Pimentel de Ulhoa, Caetano Rodrigues Horta, João José de Santana e outros: Memoria Historica de Paracatu. O mandato durou quatro anos.

A derrota do partido Liberal, chefiado pelo Dr. Bernardo, residente à rua de Goiaz, de vista da casa do seu adiversario Major Pina, foi completa, esmagadora nas eleições. As seis casas pertencentes ao (ilegível) Major Pina estavam literalmente cheias de eleitores deste poderoso chefe politico.

O povo desta cidade se ajuntou em casa do Major João de Pina Vasconcelos o chefe querido de todos pelo seu trato lhano e afavel. Em sua porta da casa de morada à rua dos Peres, apareceu numeroso grupo de manifestantes: vivas e mais vivas, foguetes e (ilegível), estridentes acordes de musicas (…..).

O major Pina mandou preparar lauta ceia, doces, massas, café com fartura; para servir ao povo em geral: leitão assado, perus, patos, frango, (…), linguiças, paneloes (ilegível) de arroz, feijão à tutu, baldes cheios de doce de varias qualidades, para servir a mais de quatrocentas pessoas, durou vários dias da pomposa festa (…), em regosijo de (trecho ilegível), suas casas cheias de eleitores e gente, comendo, bebendo, dançando noite e dia (trecho ilegível) eleiçoes de 21 Março de 1864.

Também (trecho ilegível), bem como: Aurélio Avelino Pereira de Castro, Carlos Avelino, Luiz de Sousa Machado, Miguel de Sousa Machado, Joaquim Pimentel Barbosa, Manoel Pacheco de Carvalho, Augusto Pimentel Barbosa, José Thomaz P. Barbosa, Antonio Roquete Franco, Luiz de França Pinheiro, Jeronimo de Faria Leite, seu genro Pedro da Serra, casado de novo com Dona Isabelinha, que foi uma das Rainhas desta festa notavel, como eximia em qualquer dança de salão ou de terreiro. Varias Barracas foram armadas nos terreiros das casas da rua dos Peres.

O sol ia se escondendo no horisonte da tarde de 21 de março.

O povo desta (…), apaixonado pelos sambas e danças, trouxe Dona Isabelinha e seu esposo para abrir as danças de terreiro dentro de uma grande roda de pessoas tocando vários instrumentos e caxambús, batendo palmas, castanholas.

O jovem par foi para o centro da roda com ovações e vivas.

Sapatearam com garbo e graça, tendo o Pedro da Serra erguido nos braços sua bela esposa. Com passos cadensiados ao som da musica dos pandeiros, cuicas, caxambús, pousando-a em terra e dando umbigadas do estilo, assim, querida pomba, toma lá que eu me vou.

Com as honras do estilo, estavam inauguradas as danças do terreiro, retirando-se o jovem par, sendo dona Isabelinha ser coroada de ouro em pó. Apareceu a dona da festa a dona Eleutera, amasia do major João de Pina Vasconcelos, uma rapariga bonita, cheia de corpo, camisa de rendas, deixando transparecer os formosos seios, sapateando com graça e elegancia, sendo acolhida com vivas, sendo fartamente coroada de ouro por vários parceiros, que não se fartavam de dar macias umbigadas segurando as cadeiras fartas, sedutoras desta Rainha.

O povo estava alegre e satisfeito, batendo palmas, entusiasmado com os JAVIU (sic) jocosos de dona Euloteria de Matos.

Foi quando entrou na roda o dono da festa major Pina com dois pajens trasendo garrafois de vinho e bandeija de calices para servir os dançantes.

Lá no salão estava dona Isabelinha inaugurando as danças de salão com o 

MINUETO E LANÇEIROS.

Tanto as danças de salão com os sambas dos terreiros ocorreram com grande animação. Duas grandes rodas de batuques estavam repletas de mulatas e rapazes, dançando e cantando alegres. As mulatas sapateavam com garbo, sacudindo os cordões de ouro, as meias luas das orelhas, mexendo com as cadeiras, fasendo JAVIOS, dando umbigadas nos parceiros, que as coroavam de ouro em pó: Amor é fogo no ar, eu nele quero queimar; Amor é fogo eu sou lenha, ponha a lenha no fogo la se venha.

Aquele velhinho rico, joão Alves dos Reis, tambem cahiu no samba de animado batuque, gastou cerca de uma garrafa de ouro, coroando as mulatas dengosas. O Joaquim escravo do padre Moura, saltou o muro e foi tocar caxambú na festa do Pina, bebendo vinho, comendo leitão assado, passando bem.

O major Pina com aquela fala gutural dizia: OH JOAQUIM, O GUAXO VIROU SARACURA? O MELADO VIROU RAPADURA? E o Joaquim respondia: VIROU SINHOSINHO; BATE MOLEQUE. Durante tres dias e tres noites era o que retumbava em toda a cidade de Paracatu, o troar de caxambú, e bater de palmas: O guaxo virou saracura, o melado virou rapadura. Joaquim? Virou sinhosinho. O Dr. Bernardo de Melo Franco, chefe do partido contrario, que perdeu as eleições, morava ali perto, de vista, à rua Goiaz, e ficou furioso, posesso de raiva, com aqueles insultos dia e noite sem parar.

Mandou chamar o delegado de Policia com 8 soldados para dar termo, parar aquele batuque infernal com insultos à sua pessoa e ao Conego Padre Moura.

A senhora do delegado não deixou ele ir em diligência arriscada. Foi chamado o Dr. Juiz de Direito da Comarca Dr. Claudio Jeronimo estocler (Stockler) de Lima para ir à casa do major Pina acabar com aqueles insultos.

As cinco horas da tarde do dia 27 de Março de 1864 o Dr. Estokler de Lima bateu na porta, chamando o major Pina, tendo previamente escondido os soltados no outão (sic) da casa de esquina, à rua do Peres: Faça o favor, Major João de Pina? Oh, o Dr. por aqui? Entra, entra, não faça cerimonia…. Venha servir de um pires de doce, um calice de vinho, e de uma perna de leitão assado….--- Eu vim aqui…. Espere, coma o doce primeiro, prove deste vinho, experimente este leitão assado….e o major Pina não dava tempo da autoridade falar, disfasendo-se em gentilezas, em agrados o major Pina, em seu casarão com mais de trezentas pessoas na pomposa festa de SAMBA BATE MOLEQUE, que ficou famoso nos anaes da historia.

Já então, seu afilhado Bartholino de Pina e dona Euloteria de Matos haviam postos dentro de casa 8 soldados, que tinham um soldo mesquinho, que mal chegavam para algumas necessidades. Uma lauta ceia, doces saborosos, bebidas diversas foram servidas aos soldados, que comeram e beberam a fartar….e foram dançar no terreiro, sambar a vontade, dando umbigadas nas mulatas e criolas até o clarear do dia seguinte, sem briga, todos satisfeitos.

O Dr. Estokler de Lima não arranjou nada neste dia e nem o caixambú deixou de bater o samba BATE MOLEQUE --- O GUAXO VIROU SARACURA, O MELADO VIROU RAPADURA, BATE MOLEQUE; como há de ser? Os soldados sumiram……terão ido embora? ----É provavel….É provavel….Disse o Major João de Pina. As 9 horas da noite, depois de passar bem com os melhores petiscos, doces, e bebidas.

Oh, Bartholino, traga dois rapazes armados e vão levar o Dr. Juiz de Direito em sua casa, de o braço a ele, e conduza-o com todo cuidado, pois a noite esta escura e pode aparecer algum vulto malfasejo.

A Cadeia Velha tocava nove horas, a recolher, cadeia que foi queimada (de pau a pique) para o Nelço (Nelson) Pimentel Barbosa arrematar outra cadeia.

Em ultimo recurso, o Dr. Bernardo de Melo Franco apelou para o bom vigario Miguel Arcanjo Torres, para ir acabar com os insultos daquele batuque infernal, havia quatro dias e quatro noites sem parar um momento, siquer.

O sino da Capela da Matriz repicou, convocando o povo para levar o SANTISSIMO SACRAMENTO NA RESIDENCIA DO MAJOR JOÃO DE PINA VASCONCELOS. Todas as janelas se enfeitaram de vistosas colchas de sedas e jarras de flores. Irmandade do SANTISSIMO, com toxeiras de prata, o Vigario debaixo da Umbela, vários padres sacudindo campainhas no prestito, quando o prestito chegou ao seu destino em casa do major Pina, o caxambú parou de tocar e todo o povo foi prostrar-se de joelhos, silenciosos, constritos.

Foi assim que finalisou o samba BATE MOLEQUE em casa do major João de Pina Vasconcelos.

5 OS CANGACEIROS CELEBRES DOS SERTÕES DO URUCUIA

Considerações de Olímpio Gonzaga sobre ele mesmo

Para as Lendas do Brasil Central, pelo historiador Olympio Gonzaga, membro da associação de Imprensa, dos Institutos Historicos e Geograficos Nacional, de Minas Geraes, Genealogico de São Paulo, etc. Cidade de Paracatu em Minas Geraes. Exposto à venda com o autor.

Na luta pela vida, de posse de meu titulo de Normalista pela Escola Normal de Paracatu, Em 1º de Junho de 1898, na casa que hoje me pertence, junto com meu amigo e colega Manoel da Silva Neiva Neneco, fui nomeado professor publico primario da cadeira do sexo masculino no distrito de Rio Preto em Capim Branco (Unahi), tendo entrado em exercicio no dia 1º de Maio de 1900 até 1912, na edade de 23 anos. Em 6 de Março de 1902 casei-me com Laura Vieira Gonzaga, filha do fasendeiro Manoel Vieira Diniz e Da. Regina de Sá Guimarães.

Foi ahi que publiquei meu primeiro livro MEMORIA HISTORICA DE PARACATU, que serviu de grande propaganda, levando o nome de Paracatu e de seus filhos ilustres a todos os recantos do Brasil. Foi o maior feito de puro patriotismo de minha parte, tendo recebito honrosissima carta do Dr. Ramyz Galvão, Presidente do Instituto Histórico Nacional, acompanhado de valiosos brindes 14 volumes literarios.”

Os Cangaceiros celebres do vale do rio Urucuia

Durante minha estadia em Capim Branco, Unahi (1900 a 1912), fiquei conhecendo pessoalmente quasi todos os cangaceiros celebres do Urucuia: Americo de Queiroz, Ermelindo, João Pirahi, Demetrio Ribeiro(que foram jagunços de Santos Roquete), Firminão, Faustino Preto, Salé, Sacerdote, José Vaqueiro, Vicente Vaqueiro(assassinos do fasendeiro e farmaceutico Nestor de Palma para roubar a casa) e muitos outros facinoras celebres, os quaes deram que fazer a policia mineira em varias emboscadas nos anos de 1912 a 1922.

Americo de Queiroz residiu em Capim Branco em 1908 com sua família, idade de 23 anos, bom ferreiro, trovador ao violao, com seu primo ajudante de oficio Deusdedit Africo da Silva, tambem bom cantor de modinhas. A esposa de Americo Dona Palmira era uma senhora clara, fransina, de cabelos pretos de um metro de comprimento, dois filhos travessos Getulio e Deodato de 4 e 6 anos de edade.

Muitas vezes o Americo de Queiroz foi meu companheiro de caçadas e pescarias nas muitas matas, cachoeiras e tinguijadas de lagoas.Esta família teve um fim tragico nestes sertões selvagens, assassinados, inclusive dona Palmira, que abortou ao ser sangrada como um porco e foi tirada a piruca de sua cabeça com longos cabelos pelo malvado Ermelindo.

Higino da Rocha foi homem de fortuna abastada, fasendeiro com cerca de duas mil cabeças, negociante no arraial de Burity à margem esquerda do rio Urucuia.

Foi este homem arbitrario, velhaco, provocador de questões, quem seduziu e poz Americo no mau caminho, tendo levado Americo e sua família e Deusdedit para o arraial de Burity, como jagunços, vencendo ordenado de Cr$300,00 por mez cada um deles.

O arraial de Burity já teve nome, já teve fama em 1820, possuindo uma população de duas mil pessoas, 580 casas, quando dominava o chefe politico mandão do Urucuia Cel. Pedro Cordeiro Valadares, que se casou com sua neta Maria à viva força.

No ano de 1895 o coronel Candido José Lopes professor publico do logar, casado com a abastada fasendeira Maria Bita, foi as instancias pastoris de Uberaba e trouxe de lá uma leva de reprodutores indianos, sendo a primeira que entrou nestes sertões, para a sua fasenda Pernambuco e poucos anos depois vendeu para o Sr. Pedro Brochado 1500 bois mestiços, sendo adimirados. Foi um negocio da China, vendendo reprodutores para seu primeiro sogro residente na fasenda da Serra sr. Marcolino de Queiroz, Higino Antonio da Rocha, Enéas Alves de Sousa, Joaquim Rodrigues da Rocha (agente do correio e escrivão de Paz), Raimundo Prado, Marcos da Rocha, capm. Heliodoro Teixeira, capm. Claro Pereira da Silva, Sabino Rodrigues, José Joaquim Ramos (José Rico) etc.

Por questões de gado, Higino da Rocha conseguiu as prisões de seus primos José de Queiroz e Vitalino de Queiroz, tornando-se inimigo de seu tio Marcolino de Queiroz.

Em assertos de contas Higino da Rocha logrou Americo de Queiroz e Deusdedit, tendo ficado inimigo do primeiro, tendo colocado Deusdedit como jagunço, para de violão ao peito cantar e divertir a freguesia, com a carabina ali perto. Américo morava em frente ao grande comércio de Higino e fez certeira pontaria em Deusdedit, prostrando-o morto e fugiu para a cidade de Formosa e foi reunir jagunços.

Na cidade de Formosa que fica a 120 Kilômetros de distância, Americo de Queiroz reuniu vários celerados, facinoras da peor espécie: Sacerdote, com cara de bobo, de uma sagacidade espantosa, facinora perigoso; Faustino Preto, um cara mal encarado que tinha no lombo 18 mortes; Salé, cujo nome era Clemente da Silva, com várias mortes; Hermilão ou João da Silva; Joaquim, cujo nome é Martinho; Cirilo de Barros e outros cangaceiros perigosos, todos eles são naturaes da povoação da Serra das Araras, nas fronteiras dos Estados de Minas e Bahia, a terra do famoso Antonio Dó, cujas façanhas ficaram celebres nas cidades de São Francisco e Januaria.

O Higino da Rocha estava em sobre saltos, recioso de um ataque de surpresa do Americo, devido as más notícias que corriam, tendo posto seu jagunço Hermelindo vigiando a estrada de Formosa, era um facinora que tinha no lombo 3 mortes. No dia 10 de Março de 1911, numa risonha manhã, cheia de luz, Hermelindo divisou ao longe dessendo a serra nove cavaleiros com armas alumiando ao sol e foi correndo em sua montaria avisar os fasendeiros Higino da Rocha e o coronel Cândido José Lopes.

Era a quadrilha comandada por Americo de Queiroz, que foi chegando e fasendo fogo na casa de Higino, que respondeu ao tiroteio com nutrido fogo entrinxeirado em todos os angulos da casa. Foi um espectaculo horrível de fazer pavor. O povo do arraial de Burity fugiu para os matos, dona Amalia, professora pública, trancou-se na escola com cerca de 40 alunos de ambos os sexos, em crise nervosa, gritando por Nossa Senhora; o coronel Candido Lopes atravessou o rio Urucuia para o outro lado com sua familia e valores, tendo o cuidado de esconder as canoas do outro lado.

Americo em desespero de causa pretendeu derribar a porta, mas foi impedido pelos seus companheiros; 12 carabinas novas, Winchester eram supridas de balas pela dona Maria, mulher do Higino e seis pessoas respondiam ao fogo.

Acabada a munição de Americo, não pode atacar a casa de Candido Lopes e nem atravessar o rio Urucuia, indo todos eles roubar todas as casas e animais cavalares nos pastos, cerca de 50 cavalos e burros, voltando para Formosa.

A quadrilha de salteadores praticou uma limpa geral em todas as casas do arraial de Buriti, até a santa Nossa Senhora da Penha foi roubada de sua coroa e calice de ouro etc.

Milagrosamente os dois fasendeiros referidos salvaram a vida.

São assim as vinditas dos sertões selvagens e ninguem tem garantias, nem mesmo as pessoas ricas; o seu ouro disperta a cubiça dos ladrões salteadores de estrada.

Ficar de braços cruzados deante de um perigo destes não pode ser. É preciso reagir; é preciso vingar as afrontas sofridas, para não repeti o assalto, o perigo de vida.

A PERSEGUIÇÃO A AMERICO DE QUEIROZ E O MASSACRE DE SUA ESPOSA DONA PALMIRA NAS PROXIMIDADES DO RIACHO-FUNDO

Os lampeões assassinos polulam por estes sertões selvagens. Com os meus escritos documentados para as LENDAS DO BRASIL CENTRAL, estou fornecendo fontes preciosas para os escritores futuros tesserem belos romances. Eu não inventei a presente narrativa das cenas barbaras destes sertões; apenas coligi os factos narrados por testemunhas.

Passado o estupor, o medo, o horror do tiroteio, da quadrilha de Americo de Queiroz, os dois fasendeiros ultrajados combinaram a vingança, reuniram jagunços e mandaram matar Americo de Queiroz, fosse ele no inferno.

Dona Maria Bito, filha de Antonio Bito, esposa de Candido Lopes, sapateou de raiva, foi criada na Serra das Araras, aonde não se aguenta disaforo; mandou buscar o pai, irmãos e jagunços na Serra das Araras preparou matula de carne seca suficiente, poz cinco contos de reis, ou cinco mil cruzeiros nas mãos de seu pai e despachou seis homens, bem armados no encalço de Americo, que já tinha fugido na direção de São José de Tocantins, com sua mulher, dois filhos, 4 camaradas e oito cargueiros, animaes à deixtra (?), etc.

As onças estavam sedentas de sangue no rastro do viado, viajando dia e noite, aproveitando o luar. A comitiva do Americo passou aqui, pousou ali. Alta noite viram as barracas de Americo, cerca de dois kilometros distante da ponte do Riacho Fundo, logar este que serviu de trincheira, para uma emboscada em Americo. As 8 horas do dia 30 de Março de 1911 Americo com sua gente seguiu viagem, tendo antes dona Palmira lhe contado que havia sonhado que tinha sido assassinada com seu marido, salvando-se seus filhos e camaradas.

Americo viajava na frente da comitiva, dona Palmira vinha cerca de 50 metros de distancia, seus filhos Getulio, Deodato e quatro camaradas vinham mais atraz, tangendo os animais da comitiva. Foi quando Americo ao atravessar a ponte do Riacho Fundo recebeu uma discarga de carabina, saltou no rio, mergulhou com a carabina na mão, sahiu e embrenhou-se no matagal, falecendo. Todos correram para traz sumiram no cerrado, porem dona Palmira foi alcançada pelos jagunços e sangrada como se faz a um porco por Ermelindo, abortando ao morrer.

Esta fera humana tirou a piruca da cabeça de dona Palmira com tranças de um metro, salgou-a e foi levar este trofeu macabro à Higino da Rocha, que recuou horrorisado dizendo: Isto em casa faz azar eu queria era a orelha de Americo. Higino da Rocha cortou volta e não pagou os dois contos de reis a Ermelindo, que foi à Formosa ajuntar jagunços para se vingar de Higino da Rocha. Desde este dia que Higino da Rocha não teve mais tranquilidade, nem paz de espirito.

Os fasendeiros de S. José do Tocantins, no Estado de Goiaz, coronel João Taveira, Luiz Taveira, o filho José Taveira e mais pessoas, que encontraram os cadaveres de dona Palmira e de Americo, devorados pelos urubus e deram sepultura aos mesmos estragados pelos urubus, tendo ficado assombrado durante dias e noites o José Taveira. Quem passa para a romaria do Muquém se descobre em frente a cruz de dona Palmira e recorda as cenas barbaras ali praticadas em 30 de Março de 1911, tendo Ermelindo levado a piruca da cabeça de dona Palmira.

O rio Riacho Fundo fica 50 legoas de distancia da cidade de Formosa, na encrusilhada das estradas para a romaria do Muquém e para a cidade de S. José do Tocantins.

Si Americo ia fugindo para muito longe, para que esta perseguição atroz e o massacre de sua família?

Os filhos de Americo que tinha 8 anos o Getulio, 10 anos o Deodato estão vivos e residem nos sertões de Goiaz.

Ermelindo a fera humana contou que dona Palmira foi morta por ele a coices de carabina sangrada e pisada no ventre, tendo abortado uma criança do sexo masculino viva, que foi abandonada com o cadaver de sua mai, que fez caretas ao ser tirada a piruca de sua cabeça.

O fasendeiro Higino da Rocha perseguido pela quadrilha de Ermelindo de Sousa fugiu de casa vestido de mulher, de barbas raspadas, embuçado de chales, com a carabina escondida debaixo da saia, gripado, sofrendo de diarreia.

A Historia dos cangaceiros celebres do Urucuia, tem episodios engraçados, jocosos, de fazer rir, dignos de nota.

Diz um rifão (sic): “Si o velhaco soubesse o quanto perde em ser velhaco, seria homem de bem mesmo por velhacaria”. Pretendente ser muito esperto e ladino em lograr os outros, Higino da Rocha teve que fechar o negocio, e se viu só, isolado de todos, na hora amarga e dificil das perseguições de Ermenlindo de Sousa, com seu bando de salteadores: Faustino Preto, hermilão, Salé, Sacerdote, Cirilo de Barros, Joaquim Sangrador, sedentos para tirarem uma desforra no Higino da Rocha, o tratante velhaco.

Muito perseguido, correndo perigo de vida, Higino da Rocha não sabia mais aonde se esconder de Ermelindo, achando-se enfermo, gripado, diarreia fetida, entestino infexionado, vestido de saias, barbas raspadas, embuçado num chales, com o corpo doendo, moido de dores. Foi se esconder de Ermelindo e sua quadrilha ora na casa de um parente, ora de outro, ou de um conhecido, fugindo para outra fasenda, quando desconfiava ser descoberto.

Higino da Rocha, que faleceu na fasenda da Serra e foi sepultado em Paracatu, repentinamente, quando estava ajuntando jagunços para matar o fasendeiro visinho Francisco dos Reis Calçado, era de cor morena, dentes limados, como piranha, de barbas pretas, alto, magro, quasi preto – era uma figura exotica, engraçada, parecendo Judas em Sabado de Aleluia, vestido de mulher, sem seios, sem cadeiras e a sua carabina escondida debaixo da saia, completava a figura exotica deste medroso.

Os sequases de Ermelindo estavam sequiosos para deitar as mãos e sangrar Higino da Rocha, apoderando-se do bolo de notas que ele trasia sempre no bolso. Era mais que justo o receio, o medo deste patife.

A vida é amavel; quantas pessoas no mundo salvaram a vida com uma saia de mulher? Foi assim que o Higino da Rocha resolveu caminhar cinco legoas a pé, disfarçado em mulher, doente, até alcançar a fasenda do Pé da Serra de seu tio Marcolino de Queiroz, seu maior inimigo, desde que levou presos à Paracatu, seus primos José e Vitalino de Queiroz, como ladroes de gado, quando as reses morreram de herva venenosa e de cobra, sendo postos em liberdade, mediante uma petição de HABEAS-CORPUS.

Eram onze horas da noite, quando Higino foi se prostar de joelho aos pes de seu tio Marcolino, abastado fasendeiro, pedindo perdão, pedindo misericordia, com os sequases de Ermelindo no seu piso, no seu encalço para sangral-o, para linchal-o, para roubar o dinheiro que trasia com sigo.

Durante o espaço de tres dias e tres noites Higino respirou sossegado na casa do seu tio Marcolino de Queiroz, tomando alguns chás beneficos ao mal que estava sofrendo; mas aquela diarreia podre ninguém podia suportal-a. O enfermo, na escuridão da noite, com o luar embaçado pelas nuvens, foi no terreiro, junto a uma moita de algodoeiros, fazer dejeções.

Ermelindo tinha apanhado a batida da caça e queria arrancar-lhe a cabeça com seu facão afiado e uma bala.

Higino sem saber procurou os algodoeiros, foi quando ouviu a voz imperiosa de Ermelindo: Oh velha do diabo vai procurar outro lugar, sinão eu lhe amaço com meu facão.

Higino, vestido de mulher, ajuntou a saia e correu para dentro da casa, caladinho, poz uma panela à cabeça, armou a carabina debaixo da saia, seguiu para o corrego, tendo ouvido novamente a voz de Ermelindo: a velha parece lobishomem, vir buscar agua estas horas da noite e gargalhadas dos jagunços. Higino, tremendo de medo, tomou uma trilha beirando corrego abaixo, caminhou treis legoas e foi sahir na casa do fasendeiro Martinho dos Santos, a quem lhe entregou duzentos mil reis para emprestar-lhe roupas de homem e condusil-o à casa do professor Olympio Gonzaga em Capim-Branco, a quem contou todos os factos acontecidos e narrados nesta cronica.

Higino da Rocha, chegando em Paracatu, comprou a casa do sr. Manoel Borges, no Largo da Abadia, para colocar a família e negocio vindo do arraial de Burity.

Higino da Rocha procurou o Delegado Especial Capitão Afonso Elias Praes (seria Paes?), deu-lhe avultada quantia para exterminar, liquidar Ermelindo com seus cangaceiros, que estavam matando seu gado de criar para vender a carne, no arraial de São João do Pinduca e Formosa.

O capm. Afonso Elias Praes, em sua viagem ao distrito do Rio-Preto, passou em casa de alta personagem politica, recebeu boa gorgetagem, prendeu e fusilou os fasendeiros Adelmar Farago, Aliryo Farago, no largo da fasenda, aos gritos e choros da extremosa mãi, cujo crime foi fazer concorrencia na compra de novilhos e bizerros. O poderoso fasendeiro não queria concurrentes em suas compras de seus empregados.

O fasendeiro da Agua Doce Sr. Cipriano Lemos de Prado tambem estava na pauta para morrer, outro comprador de gado. E assim é que os mandões destes sertoes praticaram crimes hediondos, que ficaram impunes, de parceria com a propria policia.

Era Sabado de aleluia de 1911, no arraial de São João da Pinduca, Ermelindo com seus jagunços estavam em libaçoes de alcool, dançando e cantando, comendo churrasco de carne assada, gado do Higino da Rocha, com os bolços cheios de dinheiro de rezes vendidas do Higino. No meio dos dançantes, da folia, estavam vários fasendeiros -: Natanael Lobo, filho do coronel Herculano Lobo, João Apolonio, Possidonio Guaraty e outros.

A fogueira crepitava no terreiro, com espetos de carne, o churrasco predileto; salva de tiros de carabina para o ar; o caixambú trova; palmas cadenciadas; cantorias, sapateados de danças de sala, cateretês, ditos chistosos, gargalhadas. Regulava meia noite quando Joaquim Soldado, guia secreto do capm. Praes, ganhando um conto de reis, chegou no arraial de São João do Pinduca e pediu pousada, sendo interpelado por Ermelindo, tendo respondido que estava contratando novilhos para seu patrão, que ficou em Capim Branco. Alguns sequases mais desconfiados combinaram secretamente a fuga: Salé, Faustino Preto, Fausto de tal, Sacerdote e outros escapuliram, sem os outros saberem.

Ermelindo aos 18 anos, ja contava 18 mortes, Joaquim Mironga tinha 8 assassinios; Cirilo de Barros era autor de duas mortes, Clemente da Silva era cumplese em 20 mortes; Faustino Preto era autor de 18 mortes; Sacerdote tinha no lombo 16 mortes e era o mais sagaz e astucioso de todos com aquela cara de bobo; Hermilão com 2 mortes, Salé ou Custodio da Silva era cumplise em 20 mortes; Fausto Preto era um preto mal encarado, terrivel, contando 28 mortes e foi quem matou o negociante fasendeiro Elias Turco, no curral desleitando uma vaca, e matou uma velha para roubar-lhe os brincos, cordoes de ouro do pescoço e 10$500 em dinheiro.

Ao clarear do dia, Domingo da Ressurreição do ano de 1911, a casa de festa foi cercada por 8 soldados do Delegado, capm. Afonso Elias Praes, fechou-se o tempo, houve vários tiros, ficando ferido na perna o valente Delegado Praes.

Quatro fasendeiros, que foram na onda com o jagunços, para salvar a vida tiveram de pagar dois contos de reis cada um atraz referidos e quatro jagunços foram passados pelas armas e jogados em um valo para morrer; entretanto Ermelindo tinha no dedo um anel misterioso de rabo de Tiú, um cinco salomao, que o impediu de morrer, enquanto não foi retirado.

Na volta do capm. Praes, passou em Capim Branco, jantou na nossa casa, contou todos os factos acontecidos, o massacre de Ermelindo e sua quadrilha. Disse mais que iria matar Cipriano Lemos do Prado ao clarear do dia seguinte.

Furtivamente eu Olympio Gonzaga, mandei Juvencio Peixoto levar um bilhete e salvei sua vida, tendo Cipriano Lemos do Prado, fasendeiro na Agua Doce fugido na mesma noite para a chapada do Catingueiro.

Os cangaceiros que fugiram do cerco do capm. Afonso Praes foram praticar outros crimes, outras tropelias, matar o fasendeiro Nestor da Palma para roubar.

6 A CHÁCARA DO VIGÁRIO TORRES EM 1885

Reminiscencias dos tempos de criança.

Eu vi a grande roda de socar ouro trabalhando; eu vi a forma de fundição do grande sino da Igreja do Rosario, que pesa mais de quarenta arrobas e de outros sinos, quando eu tinha oito anos de edade. Eu vi a grande prosperidade de culturas das lavouras e pomares da Chacara do Vigario, com aquele rego de agua, parecendo um ribeirão, vindo do Espalha.

Cronica escrita por Olympio Gonzaga.

Paracatu, 21 de Setembro de 1947.

Quanto é belo, agradavel e sedutor, as recordações, as saudades dos tempos da infancia.

Aquela quadra risonha, alegre, dos folguedos, das correrias pelos prados atraz das borboletas azues, ficaram gravadas na memoria para sempre.

Os banhos, os brinquedos nas aguas transparentes do Corrego Rico com garotos travessos, alegres, não se esquece nunca.

Foi ali, neste ambiente jocundo, de satisfação, que os meninos desta cidade aprenderam a nadar no Corrego Rico.

As espaçosas e lindas prais do Corrego Rico são admiradas por todos os visitantes, com aquele quadro maravilhoso, das inumeras lavadeiras de roupa a se perder de vista. E aquela fila imença de mineiros tirando ouro com bateias, caixotes e bicas, é outro quadro encantador, maravilhoso.

Imperava em Paracatu de outrora a prosperidade, a riquesa do esforço próprio de numerosas lavouras nas chacaras e fasendas, para exportar tessidos, ouro, arreios, aguardente em odre de 25 garrafas por 2$000, toucinho a 4$000 o alqueire, 12 queijos grandes de kilo por 5$000, etc, etc.

Eu ouvi dizer que o Padre Luiz Chimango misturou ouro nos pilões de socar ouro e logrou assim o Vigario Torres, quando comprou a Chacara do Vigario em 1885. (sic)

OS PIC-NICS E SEIAS FOLGUEDOS DEBAIXO DAS ARVORES DO CORREGO RICO – DIAS DE ALEGRIAS DAS FAMILIAS PARACATUENSES

Que alegria louca, que praser das famílias desta cidade passando o dia de domingo ou feriado nas praias do Corrego Rico. É um costume, hábito de varias famílias irem passar um dia alegre, de praser no Corrego Rico, esquecendo as contrariedades, as agruras da vida e doenças.

Padre Manoel de Assunção Ribeiro foi quem mais apreciou as diversões, os banquetes debaixo das arvores do Matinho do Corrego Rico, levando os companheiros de musica da Corporação Fraternidade, o João de Moraes, Prisco Silveira, Matias Mundim, Juca de Paquinha, etc, etc. Para um banquete com leitão assado, bom vinho e pinga. Os seus banquetes deixaram saudades, até a sua morte no ano de 1917.

O BANQUETE DE 21 DE ABRIL DE 1885 NA PRAIA DO VIGARIO

Realisou-se no dia 21 de Abril de 1885 um banquete por meu Pai o Tabelião Euzebio Michael Gonzaga, minha Mai, Joana Lopes Gonzaga, os quaes arrajaram os sócios com suas famílias: Herculano de Afonseca Silva, Joãozinho de Afonseca Silva, Augusto de Afonseca Silva, cerca de sessenta pessoas, inclusive os meninos, banquete que se realisou debaixo dos arvoredos da Praia do Vigario Torres.

No banquete havia fartura de tudo: impadas, leitão assado, lombos cheios, frangos, patos, pirus, feijoadas, arroz, linguiças, hervas, doces, vinho Geropiga a dez tostões a garrafa e aguardente da boa a oitenta reis.

Desde o romper da aurora que a carroça estava transportando os artigos e generos para o banquete na Praia do Vigario e quatro cosinheiras, inclusive a Maria Pantomina, o Joaquim Theobaldo, Bartholino de Pina, João Moraes, Marcos Evangelista, Chico Alves e outros compareceram com excelente orquestra.

Desde cedo que os meninos e meninas, em turmas separadas, todos nus, com vigias, foram tomar banho e brincarem nas limpidas aguas do Corrego Rico, mostrando os corpinhos esculturaes, uns morenos outros alvos como a neve, engraçadinhos, sorridentes, fasendo graça, mostrando suas habilidades nos saltos. As meninas esculturaes, bonitinhas, pareciam um grupo de Fadas, fasendo rodas e cantando, jogando agua nas outras. Foi o dia mais feliz da minha vida em que eu brinquei a valer, tão inosente, tão despreocupado. Nunca mais eu vi uma reunião de tanta gente, tão alegre, com tão boa ordem.

O meu tio Antonio Lopes apareceu trasendo o professor Antonio Caldeira Brant, Zeco Cará, Libanio dos Monjolos e José da Silva, os maiores Patusqueiros, jocosos, os quais foram logo fasendo graças, dançando Maxixe – cantando AMOR É FOGO DO AR? EU NELE QUERO QUEIMAR; AMOR É FOGO EU SOU A LENHA POI A LENHA NO FOGO LAZA VENHA (sic);

E as gargalhadas dos presentes estrugiram como bombas numa alegria louca.

Meninos e meninas, esquecendo que estavam nús, vieram todos correndo, presenciarem as graças e trejeitos dos dançadores. O almoço as 11 horas correu com grande animação e cantorias apropriadas. O Caldeira suspendeu uma perna do leitão assado, dizendo: vai para minha barriga, a tua morte foi um beneficio para estes gastronomos saciarem a fome de treis dias. O Hermnegildo de Assenção foi chegando e o Zeco Cará disse – Ele tem o faro fino, de longe sentiu o cheiro das iguarias e do molho.

Foi assim, com brincadeiras, na maior cordialidade, que foi servido o lauto almoço. Meu pai chamou a Maria Pantomina dizendo: tome la esta garrafa de vinho para vosse beber com as outras cosinheiras.

Tempos bons foram aqueles da minha infancia, que não voltam mais, que deixaram saudades dos meus oito anos.

Hoje já completei setenta anos de idade e olho para o passado longinquo.

O Vigario Padre Miguel Archanjo Torres foi lembrado com uma bandeja do almoço com leitão assado, impada, etc.

A VISITA AO VIGARIO TORRES EM SEU MIRANTE OU TORRE NO VARANDÃO DA RODA DE SOCAR OURO

A roda de socar pedras e cascalhos para tirar ouro, foi admirada pela sua grande altura, chapeada de ferro, de grande potencia ou força, com quatro braços poderosos, que suspendiam quatro mãos de pilão pesadas, calçadas de ferro, que chiam sobre pilões de ferro, cheios de pedras e cascalhos grossos, para serem reduzidos a pó, contendo apresiavel quantidade de ouro. A roda era movida por muita água vinda do Espalha, e que servia também, quando preciso, para irrigação das lavouras.

Quatro escravos estavam ali atentos no seu serviço, que era fiscalisado pelo Vigario Torres de lá de cima do mirante ou torre.

O bom Vigario Torres recebeu-nos com afabilidade, tendo lançado sua benção sobre todas as pessoas presentes. Os meninos e meninas pulavam de contentes vendo aquele maquinismo de socar ouro. Aquela grande roda, aquele barulho grande das mãos de pilão socando pedras.

Uma menina curiosa perguntou-me Si eu comia daquela cangica? Cruz, credo, eu respondi; mamai matou galinha eu vi pedrinhas na moela. Eu não sou galinha.

Oh, Valerio va buscar beijus com doce para estes meninos e trga tambem limas e laranjas celetas para estas senhoras. Algum tempo depois, o escravo Valerio voltou com a menina Camila e duas escravas trasendo só artigos solicitados. Depois, o bom Vigario Torres nos levou até a varanda do engenho que estava moendo cana; de um lado estavam duas senhoras apurando garapa ao fogo; do outro lado estavam duas escravas torrando farinha as meninas chegaram perto e disseram: beijus gostosos e atiraram beijos nas escravas; os meninos bateram palmas, e imitaram o gesto, atirando beijos.

O José da Silva, que era espirituoso, mostrou as crianças atirando beijos nas torradeiras de farinha; o Moraes disse: dos beijus fizeram beijos na esperança de ganharem mais beijus, mas ficaram logrados.

O Vigario Torres abriu uma porta no fundo da varanda do engenho e nos mostrou as formas do grande sino do Rosario, que pesa mais quarenta arrobas, do sino menor, o de Santo Antonio, etc, tudo bem conservados, apesar dos anos, fundição que foi feita por uma Companhia de Portuguezes.

Foi uma admiração de todas as pessoas presentes, bem como do grande pomar com arvores frutiferas plantadas em linha, de todas as qualidades, os estenços mandiocaes, canaviaes, etc. Que chacara de grande valor, bem cuidada.

Hoje o que resta de toda aquela grandesa, daquela fartura? PASTO? CAPIM? MENTALIDADE RASTEIRA? ATRASADA, tendo desaparecido todas as propriedades, todas as lavouras, o rego de agua, varanda, mirante e roda de socar ouro.

SANTO DEUS AONDE IREMOS PARAR COM ESTE DESPRESO DAS LAVOURAS?

A Chacara do Vigario é o logar mais apropriado para a edificação de uma escola agricola, ou no Zé Pinto.

O corrego do Espalha pode abastecer a cidade de Paracatu de agua potavel excelente. O corrego do espalha tem possibilidades para mover grandes maquinismos, como já o fez com a roda de socar ouro.

Tempos ditosos foram aqueles de meus oito anos em 1885; eu recordo com saudades de meus paes e de todos aqueles do dia festivo, que já se foram, orando por todos eles, atirando flores e saudades.

Paracatu, 21 de setembro de 1947.

Olympio Gonzaga aos 70 de edade.

7 Registros dos principaes factos políticos ocorridos na cidade de Paracatu, entre o ano de 1919 até 1947 sob a direção dos chefes políticos Dr. Sérgio Gonçalves de Ulhoa e Dr. Joaquim Brochado como responsãveis pelos crimes praticados.

Para as Lendas do Brasil Central, por Olympio Gonzaga.

Em 28 de outubro de 1919 agressão e ferimentos a bala no Promotor Público Dr. Eurico Guterres, por Waldomiro Pinheiro e jagunços.

Em 2 de Novembro de 1919 agressão e empastelamento da Folha do Povo que era redigida pelo Coletor Federal Capm. Alyrio Carneiro, sendo autores: Santos Roquette, Romero Lepesqueur Zico, Carlos Tunes, Waldomiro e Delduque Pinheiro etc.

A 4 de Dezembro agressão ao capm. Alyrio Carneiro, que foi atacado pelo grupo referido acima;

Em 5 de Dezembro de 1919 o mesmo grupo de rapazes queimou a EMPRESA FUNERÁRIA DE PARACATU pertencente a Ananias de Mello Franco e a João Gonzaga, causando-lhes um prejuiso de sessenta mil cruzeiros, crime em pleno dia, que ficou impune.

Em 20 de dezembro de 1919 numeroso grupo do Partido Popular foi empastelar a tipografia da A VOZ DO SERTÃO, pertencente a Carlos Tunes e ao vigário José Videira, que arrancou o queixo do soldado com um tiro de Mauser, vigiando a porta. Depois o Vigário ficou louco e retirou-se em camisa de força;

Em 12 de Dezembro de 1919 o referido grupo de desordeiros, fasendo quartel na capela do Rosário com os jagunços dos Pinheiros, puseram a cidade de Paracatu em polvorosa, com tiroteios pelas ruas, à porta do Dr. Luiz Pinto, Juiz Municipal, que foi desposto, retirando-se para a cidade de Araxá.

Não satisfeitos com os atos arbitrários, em 16 de janeiro de 1921, foi a deposição do Prefeito Municipal, as 12 horas do dia, Dr. Henrique Itiberê para assaltarem o poder. Fizeram parte: os Pinheiros, Tonico Porto, dr. Cândido Ulhoa, Zico Lepesqueur, Carlos Tunes, Caetano Neiva, Pedro Manduca, Francisco Carneiro e outros Jogadores armados e acompanhados de jagunços, sem motivo algum.

Em 5 de Novembro de 1922 foi o assassinato do professor Henrique Fritz Husemann à Rua Goiaz, jogando bilhar com Osório Botelho por Nacó e outros jagunços de Santos Roquete e Carlos Tunes, deixando viúva e filhos.

Aquele grupo que depoz o Prefeito, mais o Zeca Hormidas, na noite de 19 de Maio de 1925 quebraram 96 lâmpadas da iluminação pública, reclamação ao delegado Olympio Gonzaga pelo Prefeito Pedro Santana tendo ficado os nomes dos desordeiros na Delegacia.

A 8 de Agosto de 1926, celebrando a missa de domingo, o Vigário Pe. Antonio Pereira Dias foi alvejado no altar por Romero Lepesqueur Zico, que errou o alvo, causando grande indignação do povo.

No dia seguinte, 9 de Agosto de 1926, o Tonico Porto, de arma em punho, à frente daquele numeroso grupo já referido, as 12 horas do dia, com jagunços armados, depuseram o vigário padre Antonio Pereira Dias, sob ameaça de Antonio de Sousa Porto.

Dom João Pimenta, Bispo de Montes Claros, ficou indignado, interditou as egrejas de Paracatu 1926,1927,1928, lançou a excomunhão em Zico Lepesqueur, levou as lamentáveis ocorrências em Paracatu ao conhecimento do Presidente de Minas Geraes Dr. Raul Soares, que, em sinal de protesto, retirou todas as autoridades de Paracatu, por 3 anos.

Dona Joana Lopes Gonzaga, da irmandade da Maria, ajoelhou-se aos pés de seu filho Olympio Gonzaga, solicitando um vigário para esta cidade, o qual, refletindo, viu que Paracatu devia ser emancipado de Montes Claros, creando-se um Bispado aqui. Escreveu um artigo neste sentido, trabalhou com denodo, perante todas as autoridades religiosas, e, com o apoio do Ministro Dr. Afrânio de Mello Franco, seu patrício, foi creada a PRELAZIA DE PARACATU, cuja instalação foi a 4 de Agosto de 1928, tendo gasto cerca de tres mil cruzeiros de seu bolço; sofreu criticas acerbas: mascarados nas ruas vestidos de Padre, tendo escrito nas costas PRELAZIA DE OLYMPIO GONZAGA; um cavalo russo no prado com a palavra PRELAZIA escrita na trazeira. Mas no dia da posse de Dão Eliseu Van Veijer (sic) o frei Fiusa leu a BULA PAPAL DA CREAÇÃO DA PRELAZIA DE PARACATU E TESSEU GRANDES ELOGIOS A OLYMPIO GONZAGA, o pioneiro da magestosa ideia.

4 de outubro de 1930 o coronel Quintino Vargas organisou em Paracatu o BATALHÃO ARTHUR BERNARDES COM 700 HOMENS invadiu e tomou Goiaz, colocando na capital o Dr. Pinheiro Chagas. Foi nomeado prefeito de Paracatu, em cuja administração apareceram notáveis melhoramentos – navegação a vapor do rio Paracatu, luz e força, cadeia nova, avenidas, chafarizes, arborisação, açude, jardim, coreto, estradas de rodagens etc, etc. Entretanto, os seus inimigos políticos moveram-lhe tremenda guerra à surdina, com sede ao pote até alcançarem o poder, tendo o Governador Benedito Valadares praticado esta grande injustiça, esquecendo todos os notáveis feitos desse homem de valor – Quintino Vargas, que se retirou para a cidade de Pirapora, onde organizou uma importante ??? de Navegação do Rio São Francisco, várias indústrias e Fábrica de Tessidos, ficando milionário, e foi eleito deputado estadoal, recentemente.

O partido político chefiado pelo Dr. Joaquim Brochado moveu tremenda perseguição a todos os membros do partido do coronel Quintino Vargas, com o auxílio e apoio do Delegado Especial (mercenário) tenente João Wenceslau de Sousa e seu filho arbitrário, violento Sebastião de Sousa, os quaes praticaram nesta cidade as maiores arbitrariedades.

Na noite de natal, distante de Paracatu duas legoas, na Fazenda da Contagem, reuniu-se 19 pessoas homens e mulheres para resar o terço; o delegado foi lá com a polícia, levou todos para a cadeia, meteu o chicote em todos, obrigando-os, ainda, a beber urina com fumo e salamargo, tendo este fato causado horror e indignação geral, tendo o Dr. Julião Amaral impretado uma ordem de habeas corpus. 25 de Dezembro de 1935.

No tribunal do Juri em 12 de Desembro de 1936 o advogado relatou o caso das prisões da noite de natal e outros fatos e crimes da polícia, sendo agredido e espancado barbaramente o Dr. Julião Amaral, em frente ao fórum, no Beco do Chafariz, por Vasco Botelho, Diogo Botelho, Silvio Botelho e Gerardo Botelho, os quaes não atenderam ….Dr. Juiz de Direito, do Coletor e do pessoal do Forum pois contavam com o apoio do Delegado Tte. João Wenceslau de Sousa e da polícia mercenária, comprada.

No dia 28 de Junho de 1936, a título de vitória eleitoral, Adriles Ulhoa Chefiando numeroso grupo de companheiros, percorreu as ruas desta infeliz cidade jogando dinamite em todas as casas dos correligionários do coronel Quintino Vargas, tendo causado grandes estragos: Olympio Gonzaga, Christovan Gonzaga, Gentil Gonzaga, João Macedo. Emigdio Freire, Ananias de Mello Franco, Temístocles Rocha, Alexandre Fernandes, Antíssimo Lisboa, Jorge Batista, Leopoldo Faria, Frederico Tormin, Alício Lisboa e mais de cincoenta casas. Este crime ficou impune como todos os outros.

Em 22 de Janeiro de 1937, em visita a sua mãe enferma, aportou a esta cidade o radio-telegrafista do couraçado Minas Geraes Sr. Luiz dos Santos Faria, o qual viajou até o Porto Burity no mesmo vapor com o coronel Quintino Vargas, sendo tomado pelo chefe como jagunço de Quintino, e, por este motivo foi barbaramente assassinado pela polícia: Sebastião de Sousa, filho do Delegado Wenceslau, João Ferreira, o cabo José Pedro, à rua dos Peres, as (?) horas da noite de luar. Este crime, que devia ficar impune foi noticiado nos jornais por Olympio Gonzaga e o Dr. Carlos Filho, que se retirou para Goiaz, e Olympio Gonzaga pagou o pato.

Olympio Gonzaga foi barbaramente espancado na tarde de 27 de Fevereiro de 1938 no Largo da Jaqueira, a mandado do Dr. Joaquim Brochado, pelos seus filhos Domingos Brochado e Cláudio Brochado, tendo causado grande indignação na imprensa do Triângulo, Rio e São Paulo. Domingos respondeu Jure e Cláudio nada sofreu com 17 anos, precisando de chupeta.

O meu eminente patrício Embaixador e Ministro Dr. Afrânio de Mello Franco sofreu tremenda guerra politica dos referidos politicos, negando-lhe o voto. Uma vez eu ouvi de um chefe este abisurdo: ainda hei de ver seu amigo Mello Franco cahir do poleiro como mamão maduro (sic), de fato ele cahiu para as nuvens com seus feitos gloriosos e reputação mundial, tendo sido agraciado com as mais elevadas comendas de varias nações, como embaixador, que dirimiu o caso da Letícia, sendo-lhe prestadas grandes homenagens no congresso de Buenos Aires.

8 AFONSO ARINOS NA INTIMIDADE

Uma entrevista de Olympio M. Gonzaga com o doutor Afonso Arinos de Melo Franco, em 16 de Desembro de 1913, na cidade de Paracatu, Estado de Minas Geraes.

Crônica para as Lendas do Brasil Central, escrita por Olympio Gonzaga, Historiador, Coletor Federal Aposentado.

Ninguém amou tanto sua terra natal, como o Dr. Afonso Arinos de Melo Franco, expoente máximo da geração extinta foi ele. Era um homem forte, vigoroso, com estatura acima da vulgar, de inteligência robusta, invulgar.

O seu sorriso era franco, alegre, expressivo, quando o vi satisfeito assistindo uma dansa de sala, com sapateados acompanhados de palmas, violas e caixas, por caboclos escolhidos, bons dançadores, na varanda da casa do meu compadre Jesuíno de Siqueira Torres Zuzú, seu primo.

O notável escritor, ficou de cócoras, agaixado, de lápis em punho, tomando notas dos dançadores em seus recortados e catiras, sapateados, trocando os pés, cantando e dançando – “A dona Josefina pinta o sete no tundá, quando ela sahiu em terra fez o povo adimirá, fez o povo adimirá, também fez o sol pará, foi a dona Josefina que sahiu pra paseá. Sahiu pra paseá toda a terra se tremeu, estas cinco légoas em roda todos os sinos se bateu. Este entusiasmo dela não foi feito prela só, si de saia ela é bonita, muito mais de paletó etc.”

Foi no dia 16 de Desembro de 1913, à noite da dita festa, que foi improvisada para divertir o notável escritor patrício.

Estava ali presente um paracatuense genuíno, alegre, satisfeito, espancivo, no seu elemento de apreciador dos costumes sertanejos, antigos, de seu tempo de criança.

Afonso Arinos distribuiu sédulas de cincoenta mil réis para Martiniano Alves e seus sete companheiros. Depois, o Dr. Afonso Arinos, dirigindo-se a mim, assim falou – Olympio, quantas saudades eu senti e curti até rever a minha terra.

Eu te agradeço de coração por teres enfeitado as ruas com arcos de flores na minha chegada aqui no dia 13, como seu eu fosse um Bispo ou Ouvidor. Então, Dona Eleotéria, Pascoal, Felipinho, Chico Veludo e outros já faleceram? Que pena. Foram eles os tipos escolhidos para minhas obras. Ainda existem algumas beatas de caponas, da Irmandade de São Francisco? O Albano? O Bernardo Soares? O Chico Doido? O Bigi? O Sancho arremedando tocar sinos pelas ruas? Eu trouxe alguns fardos de fazendas para distribuir com os pobres. Senti a morte do Caldeira Brant, que foi meu professor primário.

A leitura de seu livro Memória Histórica de Paracatu causou-me me excelente impressão, reconhecendo ali sua competência. É um trabalho de valor. Havemos de fazer outra edição com meu concurso. Trarei dos Archivos de São Paulo e de Belo Horizonte muitas notas interessantes para este fim.

O Dr. Afonso Arinos hospedou-se no sobrado do Tabelião Antonino de Sousa Gonçalves, casado com dona Isolina, filha de seu tio Teófilo Martins Ferreira à rua de Goiaz na cidade de Paracatu. Foi ahi que tomei relações de intimidade e amizade com meu ilustre patrício, que era desprovido de vaidades, um tratamento jovial para todos; que o procurei para uma entrevista sobre sua pessoa, tendo o Dr. Afonso Arinos, satisfeito plenamente, todas as minhas perguntas desta importante entrevista, que segue:

1ª pergunta: é verdade que Vossa Exa. nasceu, à rua da Praça (hoje Ministro Melo Franco) na casa de seus avós maternos Cel. João Chrisóstomo Pinto da Fonseca e D. Franklina Laura Pimentel Barbosa? Sim. Em 1º de maio de 1867, sendo meus pais o Dr. Virgílio Martins Ferreira e D. Leopoldina, digo, Ana Leopoldina.

- Quaes foram os professores de V. Exa.? Nesta cidade foram Manoel Caldeira Brant, José Rodrigues Barbosa, Eduardo Pimentel Barbosa e no colégio do Pe. Dr. Desgenetes e Joaquim Floriano (funcionou nos anos de 1877 a 1880);

- Em que ano partiu de Paracatu para estudar fora? Em 1880;

- Quaes os estabelecimentos de ensino cursados por Vossa Exa. e em que ano se formou? Colégio da Conceição, dirigido pelo Conego José da Costa Machado, em São João Del-Rei, colégio Reis, no Rio Comprido e na faculdade de Direito de São Paulo, onde me formei em 31 de Outubro de 1889, aos 21 anos de idade, tendo sido matriculado no ano de 1885;

- Pode citar os nomes de colegas que alcançaram carreira distinta?

Carlos Peixoto, João Luiz Alves, Dr. Wenceslau Braz, \Delfim Moreira, Mendes Pimentel (colega de ano), Edmundo Lins, Edmundo Veiga, secretário do Supremo Tribunal Federal;

- Em que jornais e revistas tem colaborado? Jornal do Comercio de São Paulo (como diretor), Kosmos, Comercio do Rio e muitos outros;

- Quaes são seus livros e as datas de publicação?

Em 1896 publiquei Pelo Sertão com o título de Sertão, na casa Laemert – Rio; Notas do Dia, em São Paulo; Jagunços, O Contratador de Diamantes, terminado em 1904; O mestre de Campo (romance mineiro sobre o século 18); O ouro, romance; muitos contos; O Tropeiro;

- Quando entrou para a Academia de Letras? Em setembro de 1901, tendo o Dr. Olavo Bilac feito o discurso de recepção, para eu ocupar a cadeira de Eduardo Prado;

- Quaes são as sociedades literárias de que faz parte? Instituto Histórico de São Paulo, do Rio de Janeiro e de Minas;

- Aonde reside? Atualmente em Paris, 99 rua de Petit champensen, meu escritório;

- Exerce algum emprego remunerado atualmente? Nenhum;

- Quando se casou? Casei-me em 22 de Outubro de 1889 com Dona Antonieta da Silva Prado, filha do Concelheiro Antonio Prado e de D. Maria Catarina da Costa Pinto, esta filha do Concelheiro Antonio da Costa Pinto e Silva, Ministro do Império;

- Em que paizes tem viajado? Quase toda a Europa, tendo visitado as ruínas de Pompeia, de Roma e outros logares célebres;

- Quaes as línguas que lhe são familiares? A portugueza, ingleza, hespanhola, italiana, francês, alemã, o latim, dialecto indígena e outras;

- Qual é a sua impressão ao visitar sua terra natal? Tenho a impressão de tristezas, faltando aqui administradores competentes e patriotas, para melhorar as condições ceculares desta cidade.

O Dr. Afonso Arinos, meu eminente patrício, tornou-se meu amigo intimo, trocando comigo opiniões, discutindo pontos de historia, impressões de viagens, obras literárias, costumes sertanejos, a fasenda de seu tio Juca Martins Ferreira, aonde foi abraçá-lo. No ano de 1915 Afonso Arinos voltou à Paracatu pela ultima vez.

O FALECIMENTO DE AFONSO ARINOS EM BARCELONA HESPANHA EM 19 de fevereiro de 1916

Foi para mim uma surpresa, quando li nos jornais a morte de Afonso Arinos, tendo eu recebido diretamente de Barcelona na Hespanha, uma certidão de óbito, enviada pelo irmão do morto, Dr. Armínio de Mello Franco, meu amigo pessoal cuja certidão segue do theor seguinte:

Copia – Aos vinte dias do mez de fevereiro do ano de mil novecentos e dezesseis, neste consulado geral dos Estados Unidos do Brasil em Barcelona, compareceu o Dr. Armínio de Melo Franco, Primeiro Secretario da Legação do Brasil na Holanda, e exibindo atestado do Doutor Salvador Cardenal declarou: que hontem desenove deste mez, as oito horas da manhã nesta cidade à “Pasaje Mercader” numero treze, faleceu seu irmão o Doutor Afonso Arinos de Melo Franco, de quarenta e seis anos de edade, advogado, filho legítimo do Doutor Virgílio Martins de Melo Franco, advogado e de Dona Ana Leopoldina de Melo Franco, sem profissão, também natural de Paracatu e residentes em Belo Horizonte estado de Minas Geraes; que faleceu sem testamento e não deixou filhos, qua a causa da morte foi cholecystite perfurante com cholangite. Declarou ainda que o cadaver foi embalsamado e se acha depositado no cemitério do sudoeste para ser conduzido à capital do Estado de São Paulo, onde será sepultado. E para constar fiz lavrar este termo, que assino com o declarante e Selo das Armas deste Consulado Geral dos Estados Unidos do Brasil em Barcelona. Em tempo, ressalva as emendas, que dizem Dona Ana – Perfurante- com. Era ut supra. L. Borges da Fonseca, Cônsul geral - Armínio de Melo Franco - Selo das Armas deste consulado geral. Está conforme o original. Consulado Geral do Brasil em Barcelona, 20 de fevereiro de 1916. L. Borges da Fonseca, Cônsul Geral.

REPERCUSSÃO DA MORTE DE AFONSO ARINOS EM PARACATU

A notícia da morte do eminente patrício repercutiu dolorosamente em Paracatu, aonde o povo poz luto fechado por treis dias. O Presidente da Câmara Municipal sr. Samuel Rocha mandou construir riquíssima Eça por conta da Câmara para ser armada na Matriz para a missa do dia 19 de Março de 1916, nas exequias, que foram celebradas pelo ilustre vigário Pe. João Marques de Oliveira Joca, que fez o povo chorar com sua belíssima oração, ao toque de finados de todos os sinos da cidade. Estavam presentes as duas corporações musicaes, todos os elementos oficiaes, trajados de preto, Grupo Escolar, escolas Particulares e grande massa de povo.

À noite teve logar a Sessão Cívica no Grupo Escolar, tendo eu me associado aos numerosos oradores, terminando a minha oração com a leitura da biografia do Dr. Afonso Arinos na MEMÓRIA HISTÓRICA DE PARACATU: - Perdemos umas das maiores mentalidades que tem dado Paracatu. A minha débil pena de cronista sente-se fraca e tenho certa emoção inexplicável ao registrar aqui o nome do erudito escritor, de estilo empolgante e athraente, que goza de merecida fama nas letras pátrias, pelos importantes trabalhos que tem produzido.

Afonso Arinos nasceu em Paracatu, em primeiro de Maio de 1868, tendo por paes o Dr. Virgilio Martins de Melo Franco e Dona Ana Leopoldina. Deu começo aos estudos na sua terra com o professor Manoel Caldeira Brant, indo depois cursar vários colégios e a Academia de Direito de São Paulo, onde se diplomou em 31 de Outubro de 1889 com 21 anos, apoz um brilhante curso, em que obteve as melhores notas, respeitado e querido dos seus colegas e professores.

Regressando a Minas, iniciou a vida como advogado, sendo pouco depois, nomeado por concurso, lente de Historia do Liceu e Externato do Gynasio Mineiro; lente catedrático de Direito Penal da Faculdade de Direito de Minas. No Estado de São Paulo foi redator-chefe do “Comercio de São Paulo”, produzindo belos artigos muito apreciados. Cazou-se com Dona Antonieta da Silva Prado, em 22 de Outubro de 1889. É autor de livros trabalhos literários, bem como: - Pelo Sertão, em que se destaca O Burity Perdido, que os paracatuenses sabem de cor; Notas do Dia, Rei Jagunço, O Contratador de Diamantes (que foi convertido em drama para ser levado a sem em São Paulo), Mestre de Campos, Ouro, O tropeiro, etc. Etc. Viajou na Itália, escreveu apreciados artigos sobre as ruínas de Pompeia, de Roma etc.

Foi ocupar a cadeira de Antonio Prado na Academia de Letras em Setembro de 1901, sendo orador o Dr. Olavo Bilac. Sua Exa. É sócio dos Institutos Histórico e Geográfico de São Paulo, Rio e Minas. É versado em várias línguas europeias e no dialecto indígena.

Paracatu, 15 de Novembro de 1947.


Fonte: Gonzaga, Olympio. Afonso Arinos na Intimidade/Lendas do Brasil Central. Biblioteca Nacional do Brasil, divisão de manuscritos, 1947.


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