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CRÔNICAS E FATOS HISTÓRICOS DE PARACATU: UMA RETROSPECTIVA PELA IMPRENSA (1900 - 1920

 POR JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO

Compilação de fontes primárias, inventários e registros da imprensa local

“A VELHA JAQUEIRA”

Bernardo Caparucho de Melo Franco, o velho, escreveu uma crônica em 1906, publicada no jornal ‘Folha do Povo’ em 1910, em que relata suas reminiscências de infância relativas à “Velha Jaqueira”, palco de suas brincadeiras de criança.

Nesta crônica nos foi possível desvendar a origem do nome do lendário Largo da Jaqueira: em fins do século dezoito e durante as três primeiras décadas do século dezenove, lá residiu o grande latinista, responsável pelo ensino da língua latina aos jovens estudantes da cidade da época, padre João Gaspar Esteves Rodrigues, que, segundo Caparucho, certo tempo, plantou uma muda da referida árvore que lá se desenvolveu, tornando-se frondosa, propiciando agradável sombra e frutos aos moradores do lugar, dando o nome ao logradouro público.

É importante salientar que o primitivo nome do largo era em referência a um facultativo (médico) que lá residiu, cujo nome se ignora:

“uma morada de casas, em que mora o inventariante nesta vila no Largo do Doutor, que partem de um lado com as casas do Padre Mestre João Gaspar Esteves Rodrigues e de outro com a rua São Domingos.” (extraído de inventário de 1825)

CULTURA E ENTRETENIMENTO

Cinematógrafo / Cinema Oriente


Por volta de 1910, um pouco antes, o empresário Augusto Costa Porto aportou em Paracatu com um Cinematógrafo, embrião do cinema moderno, vindo do Rio de Janeiro, proporcionando ao povo da cidade mais uma diversão, com a exibição de vários filmes de pequena duração e sobre diversos temas, que ocorriam aos domingos no Teatro Filodramático. Posteriormente, já em 1915, Augusto da Costa Porto se associou ao empresário Lauro Guimarães e outros, e criaram o Cinema Oriente, com modernização do maquinário cinematográfico e exibição de filmes mais bem elaborados.

Derby Club Paracatuense


No primeiro semestre de 1915, surgiu o Derby Club Paracatuense, embrião do Jóquei Clube de Paracatu, por iniciativa de alguns fazendeiros encabeçados por Amador Carneiro de Abreu. O hipódromo ou prado funcionava sempre aos domingos no alto da Boa Vista, também chamado de ‘alto das cavalhadas’.

Foot-Ball


Em 1915, foi organizado um clube esportivo para introduzir o jogo de futebol na cidade. João da Costa, Joaquim Carijó, Eugênio Wachsmuth e outros fundaram o Club Rio Branco. O primeiro jogo aconteceu no dia 27/06/1915, entre o Club Rio Branco e o Paracatuense, com empate de 0x0. Em 1916 o esporte tomou impulso após a fundação do Colégio Ateneu Paracatuense, surgindo a rivalidade entre o Atheneu Paracatuense Foot-Ball Club e o Afonso Arinos Foot-Ball Club.

Casa de Ópera e Teatro


Desde os tempos de arraial houve em Paracatu o gosto pela música operística. No século dezoito, havia a predominância de obras sacras. Na primeira metade do século dezenove, os concertos eram oferecidos na Rua do Ávila:

“Hum casco de casas de sobrado, sem repartimento algum, que serve de Casa de Ópera, sitas na rua do Ávila, confrontando da parte do nascente com casas de Maria Francisca Borges Tavares...” (1830)

No final do século dezenove, Antônio Machado de Freitas construiu o Teatro Filodramático. Em 1908, foi instalado o Grêmio Dramático Pedro Salazar em homenagem ao Dr. Pedro Salazar Moscoso da Veiga Pessoa.

SOCIEDADE E INFRAESTRUTURA

  • Família Adjuto: Em 1912, o coronel Rodolfo Garcia Adjuto e familiares venderam para a Brazil Land Company uma enorme extensão de terras e gado pelo total de 690 contos de réis.

  • Luz Elétrica: Em 1918, na administração do Dr. Henrique Itiberê, é inaugurada a luz elétrica em Paracatu, instalada pelo Major Aristides Rodrigues Lopes.

  • Telégrafo: O sistema telegráfico chegou em 1917, administrado pelo sistema goiano.

  • Estatísticas (1915): O cartório de registro civil anotou 160 nascimentos, 55 casamentos e 120 óbitos no município.

O padre abastado: O Cônego João Marques de Oliveira adquiriu em 1915 uma chácara por 12 contos de réis. Ele era sobrinho do Coronel João Crisóstomo Marques de Oliveira e detentor de uma das maiores fortunas do município.

A EDUCAÇÃO EM PARACATU

Em 1913 o jornal Folha do Povo publicava uma notícia relacionada com a educação primária em Paracatu que transcrevemos na grafia da época: "A lei nº 108, de 20 de janeiro de 1908, auctorizou com effeito ao agente executivo a "adquirir um prédio e adaptal-o para o grupo escolar, fazendo para isso as necessárias operações de crédito".

Em 22 de fevereiro, porém, do mesmo anno, lavrou-se nas notas do 1.º Offício escriptura de compra e doação de uma casa por 10:495$030, sendo compradora e doada a Câmara Municipal, vendedores d. Cândida de Mello Ulhôa e o tenente Fortunato Botelho e doadores drs. Thomaz de Ulhôa e Duarte de Ulhôa, d. Anna Paraízo Cavalcanti e o sr. José Gonçalves de Oliveira Villela. A parte vendida foi de 8:995$030 e a doada de 1:500$000.

Da escriptura consta que os vendedores receberam da Câmara aquella quantia e lhe deram plena quitação.

Fallecida d. Cândida e requerido seu inventário, declarou-se que era carecedor de bens; entretanto o inventariante apresentou-se ultimamente requerendo o pagamento da quantia que diz emprestada a Câmara para compra do prédio destinado ao grupo escolar, sendo que tal empréstimo não dão notícia os livros de escripturação da municipalidade, que naturalmente terá que decidir sobre o caso nas próximas sessões ordinárias.

Nota: o inventário de d. Cândida de Mello Ulhôa, especifica que sua parte na venda do casarão foi parcelada para pagamento anual de cada uma delas. Ocorre que ela faleceu no dito ano de 1908, sendo paga somente a primeira parcela, levando o inventariante a cobrar o restante da dívida frente a Câmara Municipal. Não descobrimos o desfecho do caso (inventário incompleto), mas consta que o prédio foi totalmente doado à posteriori, e dado impulso necessário na educação de primeiras letras em Paracatu.

Em 1916, a Folha do Povo noticia a inauguração do Colégio Atheneu Paracatuense, estabelecimento de ensino voltado para o curso secundário, embora também oferecesse o curso primário em menor escala. A iniciativa deveu-se ao Dr. Henrique Itiberê, então Agente Executivo Municipal com aporte financeiro de homens abastados da cidade e com boa aceitação pela população.

A SAÚDE EM PARACATU

Nas primeiras décadas do século vinte, a saúde existia de forma precária, dependendo da atuação de médicos particulares e boticários.


Categoria

Profissionais de Destaque

 

Médicos

Dr. Sérgio Gonçalves de Ulhoa, Dr. Virgílio Uchoa, Dr. Joaquim Moraes Brochado, Dr. Cândido Gonçalves de Ulhoa.

Farmacêuticos

Júlio César de Melo Franco, Adílio Tolentino Pereira de Castro, Agenor de Araújo Caldas, Anísio Jacinto Botelho.

Dentistas Práticos

José Carneiro de Mendonça, Francisco de Miranda Correia, Arthur Martins de Melo Franco, Nílton Valadares.


Patrocinadores Históricos: Casa Flor da Síria de João Abrão Guerra, Farmácia Popular de Anísio Botelho, Casa Comercial Zaira Adjuto, Advocacia João de Ulhoa, Casa Dudu Rocha.


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