Pular para o conteúdo principal

ARRAIAL DE SÃO LUIZ E SANTANA DAS MINAS DO PARACATU - SÉRIE TRONCOS PIONEIROS 2: ARAÚJO CALDAS/GOMES CALDAS



Por José Aluísio Botelho

ARAÚJO CALDAS

O Português Manoel de Araújo Caldas, era natural de Guimarães, Arcebispado de Braga, sem declinar a freguesia, imigrou para o Brasil, estabelecendo-se em Rio das Contas, Bahia, que fazia parte da rota da mineração, onde casou com Ana Maria, natural da cidade de Salvador. Em Rio das Contas o casal teve pelo menos três filhos que migraram para o nascente arraial das Minas do Paracatu, que descobrimos:
1 - Manoel de Araújo Caldas; filha descoberta:
1.1 Maria da Encarnação de Araújo Caldas;
2 – Antônio de Araújo Caldas, casado com Joana de Almeida Paes, natural da freguesia do Papagaio, Bispado de Mariana, filha legítima de Antônio de Almeida Paes, natural da freguesia de São Sebastião, Rio de Janeiro, e de Maria Soares, natural da vila de Santos, Bispado de São Paulo; filhos descobertos:
2.1 – Maria, batizada em 07/05/1772;
2.2 – Ana, nascida em 20/03/1774;
2.3 – Mariana, nascida em 06/09/1775;
2.4 – Antônio, nascido em 04/02/1777;
3 - José de Araújo Caldas, o velho, casado com Narcisa de Oliveira. Filhos descobertos:
3.1 - José de Araújo Caldas, o moço de alcunha, casado com Justiniana Maria; filho descoberto:
3.1.1 Anastácia, nascida em 10/08/1814 e batizada em 27/08/1814;
3.2 Paulo de Araújo Caldas, batizado em 25/01/1771; casado com Antônia de Oliveira de Almeida (provisão de casamento emitida em 01/12/1789); com geração em outra página.
Encontramos no final do século dezoito e no início do XIX, descendentes que não conseguimos entroncar por falta de documentos. Citamos os nomes a título de informação:
1 - Antônio de Araújo Caldas, casado com Francisca Monteiro; filha descoberta:
1.1 - Maria, nascida em 01/14/1815;
2 - Florência de Araújo Caldas, casada em 1787 com Manoel Rodrigues da Mota; filho descoberto:
2.1 - Geraldo, nascido em 1816;
3 -Maximiano de Araújo Caldas, casado, com descendência;
4 - Joaquim de Araújo Caldas, casado com Domingas Ramos da Silva (provisão de casamento emitida em 25/06/1783);
5 - Ana Geralda de Araújo Caldas;
6 - Maurícia de Araújo Caldas;
7 - Felizarda de Araújo Caldas, casada com Joaquim Rodrigues de Sousa;
8 - Vitória de Araújo Caldas;
9 - Manoel de Araújo Caldas, casado com Domingas de Sousa Dias; filho descoberto:
9.1 João de Araújo Caldas, nascido em 09/02/1813.
10 Ignácio Araújo Caldas, casado com Ana Neta; filho descoberto:
10.1 Joana, nascida em 15/10/1817.
Todos moradores na ribeira do São Pedro.
GOMES CALDAS
Por José Aluísio Botelho
Eduardo Rocha 
Originários da vila de Viana, Viana do Castelo, Portugal, m 1745, vieram para o arraial de São Luiz e Santana, Francisco Gomes Caldas, cuja descendência não conseguimos entabular e o Sargento Mor Félix Gomes Caldas, que casou com Maria Bueno de Camargo, natural de Vila Boa de Goiás, da família do Anhanguera; família abastada na segunda metade do século dezoito, apresentou grande declínio econômico-social ao longo do século dezenove;
 Descobrimos dois filhos do casal:
1 – Luís Gomes Caldas, homem da governança tanto nos tempos do arraial como na vila de Paracatu, casado com Maria Fernandes da Cruz, filha de João da Cruz, português, e de Maria de Godói, natural de São Paulo; filha descoberta :
1.1 – Mariana, batizada em 15/07/1775, sem mais notícias;
Nota: no inventário de seu pai (2ªVara cx. 1814/1825), declara-se que ele não teve herdeiros diretos, o que se presume que ela faleceu na infância.
Herdeiro:
1.2 - Joaquim Gomes Caldas, casado com Maria Pinto.
Nota: não descobrimos o grau de parentesco com o testador.
2 – Félix Gomes Caldas Filho, casado com Feliciana de Sousa Tavares, filha natural do Reverendo Padre Doutor José de Sousa Tavares e de Dona Tomásia Severina dos Reis, mulher solteira, natural do arraial de Paracatu;
Sobre Dona Tomásia Severina dos Reis: em um processo de aplicação sacerdotal, de 1793, arquivado na Arquidiocese de São Paulo, em favor do padre João Nepomuceno, encontramos: ele, filho espúrio de Tomásia Severina dos Reis, ambos naturais da freguesia de Santo Antônio da Manga de Paracatu, e de pai incógnito; neto materno de Domingas Correia, natural da vila de Santos, filha de Felipe Mendes Estrada e de Izabel Pereira, de origem do gentio da nação (índia), e avô incógnito.
Filhos descobertos dentre outros:
2.1 – João Gomes Caldas, batizado em 31/07/1775, e falecido por volta de 1820, pouco menos; senhor e possuidor das fazendas Traíras e Quebra Cangalha;
Inventário: 2ªVara cx. 1819/1820.
Foi casado com Maria Borges de Faria, com quem teve os filhos: 
2.1.1 - Domingos Gomes Caldas, casado com Ana Maria Gonçalves;
2.1.2 - João Gomes Caldas, falecido por volta de 1838, pouco mais ou menos; casado com Perpétua de Jesus Sampaio; foram moradores na fazenda Traíras; filhos:
2.1.2.1 - Antonia Gomes Caldas, falecida em 14/01/1881 aos 60 anos de idade; foi casada com João Cardoso do Rego;
2.1.2.2 - Demétrio Gomes Caldas;
2.1.2.3 - Antonio Gomes Caldas;
2.1.2.4 - Pedro Gomes Caldas; casado em 17/11/1866 com Manoela Rodrigues de Lima, filha de Delfino Rodrigues de Lima e de Joana Soares Mascarenhas;
2.1.2.5 - Jesuína Gomes Caldas, casada com Joaquim Pereira Leal;
2.1.2.6 - Escolástica Gomes Caldas, casada com Caetano Rodrigues Barbosa; 
2.1.2.7 - Prudência Gomes Caldas, falecida solteira em 29/09/1879;
2.1.2.8 - Joana Gomes Caldas;
2.1.2.9 - Ana Gomes Caldas; foi casada com Luiz Gonçalves;
2.1.3 - Luiz Gomes Caldas, casado com Maria Tereza Monteiro;
2.1.4 - Capitão Bernardo Gomes Caldas, casado com Luzia de Melo Franco ou Luzia de Oliveira Caldeira ou Luzia de Oliveira Melo (nomes encontrados nos documentos consultados); fazenda da Chuva.
Inventário: 2ªVara cx. 1840.
Filhos: 
2.1.4.1 - Antonio Gomes Caldas, com 18 anos; casado com Maria Gonçalves Cabeceira; filha descoberta:
2.1.4.1.1 - Clemência Gomes Caldas; casada em 27/08/1868 com Thomaz Joaquim de Oliveira, filho de Joaquim de Oliveira e de Antônia Teixeira do Carmo;
2.1.4.2 - Francisca Gomes Caldas, 16 anos; foi casada com Antonio de Oliveira Costa;
2.1.4.3 - Maria Gomes Caldas, 11 anos; casada com Mamede José do Nascimento; filho descoberto:
2.1.4.3.1 - Luiz Gomes Caldas, falecido em 27/06/1881; foi casado com Francisca de Almeida, falecida em 10/05/1884;
2.1.4.4 - Ana Gomes Caldas, casada com Antonio de Oliveira Costa; filhos descobertos:
2.1.4.4.1 - Emídio de Oliveira Costa, falecido em 29/03/1882;
2.1.4.4.2 - Martinho de Oliveira Costa; casado em 30/06/1868 com Marciana de Barros, filha de Manoel da Cruz Gomes e de Ana Pereira da Silva;
2.1.4.4.3 - Antônia de Oliveira Costa; casada em 23/08/1870 com Francisco Ferreira de Melo, filho de Antonio Ferreira de Melo e de Maria Pereira da Silva;
2.1.4.5 - Bernardo, com 9 anos;
2.1.4.6 - Marcelina Gomes Caldas, com 7 anos; casada em 27/04/1846 com Francisco Monteiro dos Santos; filhos descobertos:
2.1.4.6.1 - José Monteiro dos Santos;
2.1.4.6.2 - Severiana Monteiro dos Santos, casada em 28/04/1890 com Victor Gomes da Silva, filho de Ricardo Gomes da Silva e de Joana Gomes Caldas;
" Aos vinte e sete de mil oitocentos e quarenta e seis, casou Francisco Monteiro dos Santos, 25 anos filho legitimo de Lino Monteiro dos Santos e Anna da Mota com Marcelina Gomes Caldas, 15 annos, filha legitima de Bernardo gomes Caldas e Luiza de Mello."
2.1.4.7 - Joaquim, nascido em 14/07/1833 e batizado em 12/09 do dito ano;
2.1.4.8 - José, nascido em 25/09/1836; 
Filho natural com Domingas Machado:
2.1.5 - Isaac Gomes Caldas, casado em 11/06/1824 com Joana Alves da Conceição; 
2.2 – Tomásia, nascida em 29/12/1776, sem mais notícias;
2.3 - José Gomes Caldas, casado em 1788 com Maximiana Martins Viana.
Fontes:
1 - Arquivo Público Municipal de Paracatu - inventários diversos;
2 - Livros paroquiais da matriz de Santo Antonio de Paracatu;
3 - Guardamoria, 1769 - manuscrito sob a guarda da Biblioteca Nacional do Brasil.

Comentários

Postagens mais visitadas

DONA BEJA E AS DUAS MORTES DE MANOEL FERNANDES DE SAMPAIO

Por José Aluísio Botelho A história que contaremos é baseada em fatos, extraídos de um documento oficial relativo a um processo criminal que trata de um assassinato ocorrido na vila de Araxá em 1836. O crime repercutiu no parlamento do império no Rio de Janeiro, provocando debates acalorados entre os opositores do deputado e ex-ministro da justiça, cunhado do acusado, como se verá adiante. Muitos podem perguntar porque um blog especializado em genealogia paracatuense, está a publicar uma crônica fora do contexto? A publicação deste texto no blog se dá por dois motivos relevantes: primeiro, pela importância do documento, ora localizado, para a história de Araxá como contraponto a uma colossal obra de ficção sobre a personagem e o mito Dona Beja, que ultrapassou suas fronteiras se tornando de conhecimento nacional. Em segundo lugar, porque um dos protagonistas de toda a trama na vida real era natural de Paracatu, e, portanto, de interesse para a genealogia paracatuense, membr...

NETOS DE DONA BEJA - BATISMOS

Por José Aluísio Botelho Disponibilizamos as imagens de assentos de batismos de três netos de Dona Beja, acrescidos dos outros netos, bem como parte da descendência, de acordo com os documentos localizados, filhos de Joana de Deus de São José e do coronel Clementino Martins Borges. Nota: nada se sabe acerca da ascendência de Clementino Martins Borges, embora seu sobrenome é largamente difundido na região do triangulo mineiro e alto paranaíba. Sabe-se que ele faleceu em Estrela do Sul em novembro de 1910 em avançada idade. Alguém tem alguma pista? Batismo de Joana de Deus: "Aos 14 dias domes de Julho de 1838 o Rdo. Pe. José Ferreira Estrella Baptizou solenemente aingnocente Joanna, fa. natural de Anna Jacinta de Sam Jose forão P.P. o coronel João Jose Carneiro de Mendonça e o Alferes Joaquim Ribeiro da Silva epara constar mandei fazer este acento eque assigno. Araxa era supra".  Fonte: Revista O Trem da História, edição 49. Nota: os outros netos de Beja, filhos de Tereza T...

DONA BEJA E O TESTAMENTO DO PADRE

Por José Aluísio Botelho O vigário Francisco José da Silva foi um padre típico do sertão mineiro: fazendeiro abastado, político influente, e mulherengo, como quase todos os padres de seu tempo. Teve participação decisiva na evolução político-administrativo e social da Araxá na época em que lá viveu, entre 1815 e 1845, ano de seu falecimento. Participou, mesmo que discretamente, da Revolução Liberal em Araxá, apoiando seus sobrinhos liberais, liderados pelo coronel Fortunato José da Silva Botelho, no embate político que se travava em Minas nos anos de 1842.  Para saber mais: clique na imagem abaixo para adquirir o livro na Amazon.com Clique aqui para visualizar uma prévia do livro.

FILHA DE DONA BEJA - EDITAL DE PROCLAMAS

NOTÍCIA DE JORNAL PUBLICADO PELO JORNAL ASTRO DE MINAS, EDITADO EM SÃO JOÃO DEL REI -  24 de janeiro 1832, nº650 NOTAS EXPLICATIVAS: 1 - JOSÉ DA SILVA BOTELHO ERA IRMÃO DO VIGÁRIO FRANCISCO JOSÉ DA SILVA. PORTANTO, OS NOIVOS ERAM PRIMOS; 2 - A MÃE DA NOIVA, ANA JACINTA DE SÃO JOSÉ, ERA A LENDÁRIA DONA BEJA DE ARAXÁ; 3 -  JOSÉ DA SILVA BOTELHO FOI O AVÔ AVOENGO DOS BOTELHOS DE PARACATU; 4 - O COMENTÁRIO ABAIXO REFLETIA A OPINIÃO DO EDITOR DO JORNAL; FONTE: EXTRAÍDO DE IMAGEM DIGITALIZADA DO JORNAL DE PROPRIEDADE DA HEMEROTECA DIGITAL DA BIBLIOTECA NACIONAL DO BRASIL.

O CORONEL MANOEL FERREIRA ALBERNAZ E SEUS DESCENDENTES

Por Eduardo Rocha Mauro Cézar da Silva Neiva Colaborou José Aluísio Botelho (Última atualização em 23/09/2024: 1 A família inicial 2 Outros Albernazes, in fine). Família iniciada em Paracatu na era de 1830, quando lá se estabeleceu o alferes/capitão Manoel Ferreira Albernaz, vindo da região de Aiuruoca, sul de Minas, com esposa e filhos, adquirindo a fazenda da Capetinga. Manoel Ferreira Albernaz, o velho (vamos chamá-lo assim), era natural de Taubaté, São Paulo, onde nasceu em 1780, pouco mais (declarou 49 anos em 1832, branco, negociante em processo matrimonial no Porto do Turvo, onde era morador). Tem ascendência ainda ignorada, embora se possa afirmar ser ele descendente do mestre de campo Sebastião Ferreira Albernaz. Casou na capela de Santana do Garambéu, termo de Barbacena, porém ligado ao Turvo (30 km), com Mariana Victória de Jesus, por volta de 1810. Mariana Vitória de Jesus, nascida e batizada na capela de Santana do Garambéu,  filha de Vitoriano Moreira de Castil...

SÉRIE - PIONEIROS DO ARRAIAL DO OURO 5 - FAMÍLIA SILVA NEIVA

Por José Aluísio Botelho Mauro César da Silva Neiva e Eduardo Rocha No lusco - fusco do arraial de São Luiz e Santana das Minas do  P aracatu, final do século dezoito, que em breve iria administrativamente  se transformar em Vila, passando a se chamar Vila do Paracatu do  Príncipe, dois irmãos, cuja procedência não se sabe, lá se estabeleceram. À época, a mineração se encontrava em franca decadência, e a alternativa era a agropecuária rudimentar, baseada em latifúndios. Portanto, os irmãos em questão, João Lourenço e Lourenço da Silva Neiva, adquiriram terras na fértil região do Pouso Alegre , onde edificaram fazendas de criação de gado, casaram e criaram os filhos, gerando troncos da importante e tradicional família Silva Neiva, que se espalhou pelos arredores e alhures. A naturalidade deles  é desconhecida, porém, tudo leva a crer serem de origem portuguesa. Casaram-se com duas irmãs, com descendência adiante: A – João Lourenço da Silva Neiva , falecido ao...