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SÉRIE - PIONEIROS DO ARRAIAL DO OURO 17 - LEME DO PRADO


Por José Aluísio Botelho

Colaboração Eduardo Rocha



De tradicionais famílias paulistas de Itu, Francisco Leme do 

Prado foi o iniciador do sobrenome no arraial de São Luiz e 

Santana das Minas do Paracatu, perpetuado e corrompido

na descendência como Lemes do Prado/Lemos do Prado.

Depois de perambular pelas minas de Cuiabá e de Goiás, 

ele estabeleceu definitivamente com a família no arraial de 

Santo Antonio da Lagoa, pertencente a freguesia da Manga 

de Paracatu. Foi casado com Francisca Cardoso de Godoy,  

também natural de Itu. Transcrevemos abaixo os troncos 

do casal, iniciando pelos


 GODOYS


Teve começo esta família em Baltazar de Godoy, nobre castelhano, que veio a S. Paulo na segunda parte do século XVI em tempo do domínio de Castela no Brasil. Aqui casou com Paula Moreira filha do capitão-mor governador Jorge Moreira, natural do Rio Tinto, Porto, e de Izabel Velho. V Teve:
      Cap. 1.º Belchior de Godoy
Belchior de Godoy casou em 1629 em S. Paulo com Catarina de Mendonça f.ª de Francisco de Mendonça e de Maria Diniz. Faleceu em 1649 e teve pelo inventário (Cartório de órfãos de S. Paulo) 10 f.ºs:
      1-1 Maria de Mendonça;
      1-2 Francisco de Godoy Moreira e Mendonça;
      1-3 Antonio de Godoy Moreira e Mendonça;
      1-4 Belchior de Godoy;
      1-5 Paula Moreira;
      1-6 Domingos;
      1-7 Izabel;
      1-8 Baltazar de Godoy Mendonça, adiante;
      1-9 Beatriz Moreira;
      1-10 Lucrécia Moreira;
1-8 Baltazar de Godoy de Mendonça, f.º do Cap. 1.º, foi 1.º 

casado com Marianna Bueno do Amaral, † em 1683, f.ª de 

Antonio Bueno e de Maria do Amaral de Sampaio; 2.ª vez 

casou com Francisca Cordeiro, natural de Jundiaí, f.ª de 

Domingos Cordeiro Paiva e de Suzana de Almada. Teve 

da 2.ª mulher:

      2-6 Maria de Godoy, f.ª do § 8.º, casou 1.º em 1708 em Itu com Thomé Correa da Câmara f.º de João de Freitas Lopes e de Marcella da Câmara, natural do Rio de Janeiro; 2.ª vez casou em 09/01/1711 em Itu com Manoel Alvares Pimentel f.º de Antonio Pimentel e de Maria Rodrigues.
       
      Casamento Maria de Godoy
       Teve do 2.º marido, † em 1771 em Itu, 6 f.ºs, dentre os quais, a filha:
          3-1 Francisca Cordeiro de Godoy, batizada em 01/01/1712; casada em 1728 em Itu com Francisco Leme do Prado (ausente em Paracatu em 1771) f.º de João do Prado Leme e de Mécia Nunes de Siqueira sua 2.ª mulher.
          Batismo Francisca Cordeiro
        • Transcrito com ligeiras modificações e acréscimos de datas, da “Genealogia Paulistana”, Título dos Godoy, de Luiz Gonzaga da Silva Leme.
OS LEME


          A família Leme, que da Ilha da Madeira passou à vila de S. Vicente pelos anos 1544 a 1550 prendia-se à antiga e nobre família que possuiu muitos feudos na cidade de Bruges do antigo condado de Flandres, nos Países Baixos. O seu primitivo apelido em Flandres era Lems, que significa argila ou grêda (barro fino e delicado), com o que esta família quis salientar a sua nobreza entre os seus compatriotas; em Portugal este apelido foi corrompido em Lemes e Leme, e posteriormente Lemos.
Seguindo o ramo que nos interessa, o qual passou de Flandres a Portugal, e daí à Ilha da Madeira, começaremos por Martim Lems, cavalheiro nobre e rico, que foi senhor de muitos feudos na cidade de Bruges; foi casado e teve, entre outros f.ºs:
A-1 Martim Lems, que passou a Portugal.
A-2 Carlos Lems que foi almirante de França.
          1-4 Capitão Pedro Leme do Prado, descendente de Antonio Lems, foi a princípio morador em S. Paulo, onde batizou os seus filhos de 1632 a 1646; depois mudou-se para a vila de Jundiaí, onde faleceu com testamento em 1658 (Cartório de órfãos Jundiaí). Foi casado como declarou no seu testamento com Maria Gonçalves Preto f.ª de Sebastião Preto; natural de Portugal, este irmão de Innocencio Preto, falecido em 1647, e que foi casado com Maria Moreira. Faleceu Maria Gonçalves muito depois de seu marido em 1674 na mesma vila de Jundiaí. Teve pelo seu inventário com testamento (Cartório de órfãos de Jundiaí) e pelo de sua mulher Maria Gonçalves Preto os 10 f.°s seguintes:
      2-1 O padre Pedro Leme do Prado;
      2-2 Frei Sebastião de Santa Maria;
      2-3 Frei Braz de S. Simão;
      2-4 João do Prado Leme, adiante;
      2-5 Timotheo Leme do Prado;
      2-6 Maria Leme;
      2-7 Maria do Prado;
      2-8 Maria da Estrella;
      2-9 Helena do Prado;
      2-10 Anna Maria do Prado;
      2-4 João do Prado Leme tinha 18 anos em 1658. falecido em 1699. Casou-se com Anna Maria da Cunha de Louvera f.ª de Gaspar de Louvera, natural de Portugal, † em 1660 em Jundiaí, e de Paschoa da Costa. Teve (Cartório de órfãos de Jundiaí) 4 f.ºs, dentre os quais:
          3-4 João do Prado Leme, falecido em 10/01/1727; casou-se 1º em 1687 em Itu com Ignez Cabral f.ª de Matheus Corrêa Leme e de Maria Mendes Cabral; 2ªvez em 20/04/1705 em Itu com Messia ou Mécia Nunes de Siqueira, falecida em 1760 em Curitiba, f.ª de Paulo de Anhaya Bicudo e de Ignez de Chaves.
          Casamento João do Prado Leme

        • Teve q. d.:

          Da 2.ª mulher Messia ou Mécia Nunes teve 

          (Cartório de órfãos de Curitiba) dentre os 11 

          f.ºs seguintes:
           
      4-6 Francisco Leme do Prado, nascido em 1706. Batizado em 21/12/1706; casado em 14/04/1728 em Itu com Francisca Cordeiro de Godoy, batizada em 01/01/1712, f.ª de Manoel Alvares Pimentel e de Maria de Godoy; ausente em Goiás em 1760, segundo inventário da mãe (sic).
      Batismo Francisco Leme do Prado
      Casamento

       
    • Transcrito com adaptações, da obra “Genealogia Paulistana”, títulos dos Leme, de Luiz Gonzaga da Silva Leme.


    • A PRESENÇA NO ARRAIAL DE SÃO LUIZ E SANTANA DAS MINAS DO PARACATU

    • Em 1751, Francisco Leme do Prado já tinha se estabelecido com a família no arraial de Paracatu, morador no arraial da Lagoa, onde vivia de sua “Rossa” (doc. abaixo). Devido a falta de documentos não foi possível completar sua descendência em Paracatu.



    • Teve os filhos descobertos:
    • 4-6-1 Francisco, batizado em 17/10/1732 em Itu; sem mais notícias;
      Batismo - igreja da candelária - Itu

    • 4-6-2 Manoel, batizado em 02/12/1734 em Itu; sem mais notícias;

      Batismo - igreja da Candelária - Itu
    • 4-6-3 Maria Francisca Cordeiro de Godói, nascida em Itu, onde foi batizada em 20/03/1737; casada no arraial de Paracatu com João Rodrigues de Melo,
      natural da vila de Viana, Viana do Castelo, Portugal; 
      Batismo Maria Francisca
      Filhos descobertos:

    • 4-6-3-1 padre João Rodrigues de Melo, nascido no arraial de Paracatu; em *1790 faz justificação de genere para ordenação sacerdotal no arraial de Paracatu; falecido em Barbacena, Mg;
    •  *Documento sob a guarda do Arquivo Público de Paracatu.
    • 4-6-3-2 José Rodrigues de Lima, nascido no arraial de Paracatu; casado em 28/08/1799 na capela da Piedade da Borda do Campo com Maria Antonia de Oliveira, filha do inconfidente José Aires Gomes; tronco de ilustres famílias mineiras, como por exemplo, a família Andrada, de Barbacena;
      Casamento de José Rodrigues de Lima
    •  Para saber mais: clique e leia - José Rodrigues de Lima;
    •  
    • 4-6-3-3 Inês Francisca de Lima, batizada na matriz da Manga, arraial de Paracatu; casada com Amaro da Silva Xavier; com descendência em Paracatu;
      Batismo de Maria filha de Inês
    • 4-6-3-4 Francisca, batizada em 13/12/1765 na matriz da Manga, arraial de Paracatu;

      Batismo Francisca - Matriz da Manga

      4-6-3-5 Francisco Rodrigues de Melo, batizado aos 23/10/1775, sem mais notícias;  

      Batismo de Francisco - Matriz da Manga
    • 4-6-3-6 Matilde, nascida em 08/06/1780 e batizada em 15 do mesmo mês e ano, na matriz da Manga, arraial de Paracatu;
    • Batismo - Matriz da Manga
    • 4-6-4 João, batizado em 14/07/1739 em Itu, sem mais notícias;
    •  
    • Com uma escrava, teve a filha natural:
    •  
      4-6-5 Ana Leme, natural das minas de Cuiabá, adiante.
    • A MISCIGENAÇÃO  
    • Relato de um caso – o índio, o branco e o negro na formação do tipo brasileiro em Paracatu.No Brasil colônia, objeto desse estudo, o homem branco de origem europeia ocupava o topo da pirâmide social, dominando os outros grupos étnicos existentes, tais como índios e negros. Porém, desde o início do processo colonizador, a miscigenação já era fator de expansão demográfica, e consequentemente da formação dos tipos étnicos na colônia. O resultado das misturas entre brancos e índios foi o mameluco; entre brancos e negros, o pardo ou mulato; entre índios e negros, o cafuzo. Por fim, a consolidação da moldagem racial brasileira – o mestiço de uma maneira geral. A história do índio Pimenta, ilustra bem esta formação étnica.
    • O índio Domingos Pimenta (mameluco), natural da Aldeia de Nossa Senhora da Escada de Barueri ou fazenda dos padres do Carmo, também conhecida como Parnaíba (in: História de Santana de Parnaíba), filho de Bernardo Pimenta, homem branco, e de Maria de Siqueira, índia, casa-se com Ana Leme do Prado, parda forra, filha natural de Francisco Lemos do Prado, homem branco, e de uma escrava, cujo nome é ignorado. 
      Batismo Domingos

    • O PROCESSO – em 1759, o índio Domingos Pimenta requer à Câmara Eclesiástica do arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu, autorização para se casar com Ana, parda escrava(sic) de Francisco Leme do Prado; após processo de investigação de provança, ele foi considerado apto para o casamento pretendido. Encontramos dois assentos de batismos de filhos do casal, em que se confirma ser Ana Leme, nascida nas minas de Cuiabá, filha de Francisco Leme do Prado e mãe ignorada.




    • Filhos descobertos:
    • 1 Maria, nascida em 20/01/1766 e batizada a 09/02 do mesmo ano, na matriz da Manga de Paracatu;
    • Batismo Maria- matriz da Manga
    • 2 Antonio, batizado em 30/11/1775 na matriz da Manga de Paracatu.
      Batismo Antonio - matriz da Manga


    • Fontes:
    • 1 – FamilySearch – Brasil, São Paulo, Registros da Igreja Católica, 1640 - 2012, Igreja da Candelária, Itu;
    • 2 – Fragmentos de livros de batismo da matriz de Santo Antonio da Manga – 1758/1777;
    • 3 – Arquivo Público Municipal de Paracatu – processo de justificação de solteiro do índio Domingos Pimenta, 1759.


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Texto José Aluísio Botelho
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Colaboração Mauro César da Silva Neiva


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