Pular para o conteúdo principal

PIONEIROS DO ARRAIAL DO OURO 23 - SOARES CHAVES

Por Eduardo Rocha
Introdução (texto escrito por José Aluísio Botelho)
Soares Chaves – sobrenome originário da ilha de Santa Maria, Açores.
Antonio Soares Chaves, natural da freguesia de Santo Espírito, Município da Vila do Porto, ilha de Santa Maria, Açores, passou as partes do Brasil na década de 1730, fixando em região mineradora no norte da capitania de Minas Gerais. A primeira notícia sobre ele, foi um documento de compra de um sítio em Rio das Pedras, distrito do Serro do Frio, datado de 1736; em 1739 ele requer e obtém carta de sesmaria do dito sítio, com quarto de légua em quadra. Só iremos encontrá-lo novamente em 1751, já morador no arraial de Paracatu, no sopé da serra da Contagem, região do ribeirão São Pedro, onde estava afazendado e vivia de sua roças, e fabricava telhas; o documento em tela se trata de um volumoso processo de devassa movido contra ele por juramento falso, injúria e difamação, decorrentes de uma pendenga de dívida não paga, de uma sorte de telhas feitas por um certo Francisco de Oliveira Franco. Ao final foram todos absolvidos, sendo que o nosso Antonio teve de pagar certa quantia de ouro em pó, para obter uma Carta de Seguro, que atestava sua inocência. Daí por diante não mais tivemos notícias dele. Na sua formação familiar, no tocante a filhos, nunca se casou, mas teve descendência com a escrava Rita, do “gentio” da Guiné, batizada na fé católica no Serro do Frio, a quem alforriou. O casal em concubinato, tiveram oito filhos que propagaram a descendência em Paracatu, e é exemplo típico do caldeamento de raças em Paracatu.
Pois bem,
1Antonio Soares Chaves, com Rita Soares Chaves, falecida entre 1799, com testamento aberto em 03 de janeiro de 1800, vide abaixo.
Senhores e possuidores do sítio Capão da Ponte, cabeceiras do córrego Santa Rita, aonde foram moradores e criaram os filhos.
Inventário: 2ª Vara cx. 1812/1813, com testamento anexo:

" Translado do testamento com que faleceo Ritta Soares Chaves esposto abaixo e declara= em nome de deos trino e uno, amem. Eu Ritta Soares Chaves estando de saude e em meu perfeito juiso e entendimento, que me foi servido....por minha alma no caminho da salvação, ordenei fazer meu testamento da maneira sequinte= encomendo minha alma a santissima trindade, e rogo a deos padre que pela paixam e morte...sou natural dos Gentio da Guiné, baptizada no Serro do Frio Bispado de Mariana, fui escrava de Antonio Soares Chaves que me conferio a liberdade de quem nunca fui casada....deixo oito filhos e são os seguintes, Joaquim, digo seguintes= Soterio (Sotero), Joaquim, Jose, Vicente, Maria, Anna, Catharina, Quiteria... do Capão Ribeirão do Paracatu quinze de setembro de mil setecentos e noventa e sete. Termo de abertura= aos tres dias do mes de janeiro de mil oitocentos annos nesta villa do Paracatu do Principe…". Filhos:
 1-1 Capitão Joaquim Soares Chaves, falecido por volta de 1813; senhor e possuidor das fazendas
Bom Sucesso e Pouso Alegre.
Inventário: 2ª Vara cx. 1812/1813.

"Translado do testamento com que faleceo o capitão Joaquim Soares Chaves como abaixo se declara. Em nome de deos trino e uno amem. Eu Capitão Joaquim Soares Chaves estando de saude e em meu perfeito juiso e entendimento temendo me da morte por não saber da hora determinei fazer o meu testamento e desposiçõens da minha ultima vontade pela forma e maneira seguinte=encomendo a minha alma asantissima trindade e rogo ao padre eterno que pela paixão e morte de seu santissimo filho e meu senhor jesus christo e queira me receber no seu santo reino. rogo a gloria( inelegível) sempre virgem Maria Nossa Senhora santo anjo da minha guarda santo do meu nome e a todos santos e santos da corte do ceu queirão inteceder por mim no tribunal divino para salvação de minha alma....sou natural do Serro do Frio Bispado de Pernambuco, digo Bispado de Marianna filho natural de Antonio Soares Chaves e de Rita Soares Chaves = sou solteiro e nunca fui casado porem naquele estado tive tres filhos a saber: Catharina que faleceu casada com Jose Antonio da Silva de qual matrimonio ficou um filho de nome Joaquim Jose Soares e qual he meu netto = Antonio Soares Chaves estes dois maiores de vinte e cinco annos, Francisco menor aos quais meus dois filhos e netto instituo por meus herdeiros do liquido de meus bens depois de pagar as minha dividas e cumprido os meus legados=o meu corpo sera amortalhado em habito de São Francisco e depositado na Capella de Nossa Senhora do Amparo....Rogo em primeiro lugar a meu filho Antonio Soares Chaves e em Segundo ao senhor Maximiano Rodrigues Fraga em terceiro lugar a meu netto Joaquim Jose Soares...os bens que possuo ( inelegivel ) huma rossa denominada bom sucesso, a parte que me pertence no Poso Alegre e no Capam que ouve por herança da falecida minha may,...Francisco meu filho...Termo de abertura aos vinte e nove dias do mes de dezembro de mil oitocentos treze annos nesta villa de Paracatu do Principe...”. 
Obs.: o capitão Joaquim Soares Chaves em seu testamento, omite o(s) nome (s) da(s) mulher(es) com quem teve os filhos.  
Filhos:
 1-1-1 Catarina Soares Chaves, falecida; casada, ca. 1785, com José Antonio da Silva; filho:
1-1-1-1 Joaquim José Soares;
1-1-2 Antonio Soares Chaves, 25 anos; casado com Rosa Pereira da Silva; filho:
1-1-2-1 Joaquim Soares Chaves, casado em 01/08/1849 na fazenda Pouso Alegre com Gabriela de Sousa Dias, filha de Frutuoso Dias de Sousa, já falecido, e de Frutuosa Nogueira de Sousa.

1-1-3 Francisco Soares Chaves, 6 anos; 
1-2 José Soares Chaves, sem mais notícias; 
1-3 Vicente Soares Chaves, casado com Fulana Mendes Teixeira em 1786; 
1-4 Maria Soares Chaves, casada com Luiz Pinto; 
1-5 Ana Soares Chaves, casada com José Rodrigues Fraga, filho de Braz Rodrigues Fraga e de Catarina de Moreira Vasconcelos, naturais de Pernambuco, Vila de Igarassu, hoje região metropolitana do Recife.
Filhos:

1-5-1 Rita Rodrigues Fraga, casada com Sabino José de Carvalho;
1-5-2 Francisco Rodrigues Fraga, falecido por volta de 1817; casado com Cândida Maria de Miranda.
Inventário: 2ª Vara cx. 1817, com testamento aberto em 27/04/1817.
Filhos:
Obs.: idades no falecimento no pai.
1-5-2-1 Quintino Rodrigues Fraga, 11 anos; casa-se aos 05/08/1834 com Felícia de Pina Vasconcelos, filha natural de Maria da Silva Pontes;
1-5-2-2 Ana Rodrigues Fraga, 9 anos;
1-5-2-3 Domingos Rodrigues Fraga, 6 anos; falecido em 23/05/1856; casado com Domingas Pereira da Silva.
Inventário: 2ªvara cx. 1858.
Filhos:
Obs.: idades no falecimento do pai.
1-5-2-3-1 Anastácia Rodrigues Fraga, 22 anos, solteira;
1-5-2-3-2 Francisca Rodrigues Fraga, 19 anos; falecida em 27/04/1882 aos 45 anos; casada com Joaquim da Silva Pereira, falecido em 20/01/1878; sem descendentes.
Inventário: 2ª Vara cx. 1878.
1-5-2-3-3 Antonio Rodrigues Fraga, 18 anos, solteiro;
1-5-2-3-4 Ignácia Rodrigues Fraga, casada com Joaquim Vieira de Faria;

1-5-2-3-5 Tenente Miguel Rodrigues Fraga, nascido por volta de 1826 e falecido em 23/04/1881 aos 55 anos de idade, filho natural de Mariana da Silva Marques e de Domingos Rodrigues Fraga; casado com Barbara Martins de Abreu, sem descendentes. Moradores no distrito de Guarda Mor.
Inventário: 2ª Vara cx.1881-B.
Em testamento, liberta todos seus escravos:
"Em nome de deus amem. Eu Miguel Rodrigues Fraga, estando doente, mas no inteiro gozo de minhas faculdades, faço o meu testamento, pela forma seguinte: sou filho natural de Mariana da Silva Marques e de Domingos Rodrigues Fraga, ambos já fallecidos e sou casado com Barbara Martins de Abreu, com a qual nunca tive filhos e da qual vivo separado. não tendo herdeiros necessario, concedo liberdade a todos os meus escravos".
1-5-3 Manoel Rodrigues Fraga, assina o testamento a rogo da avó, analfabeta; 
Batismo de Manoel - Matriz de Santo Antonio

1-5-4 Maximiano Rodrigues Fraga, falecido em 10/1818; casado com Francisca da Silva Carvalho. Proprietários das fazendas: Capão, Gorgulho da Ribeira do Escuro, Santa Catarina e Capetinga. Sem descendentes.
Inventário (Francisca): 2ª Vara cx. 1817.
Inventário (Maximiano): 2ª Vara 1818.
Maximiano casado 2.ª vez com Marcelina Pinto de Jesus, teve os filhos:
1-5-4-1 Raimundo, nascido em 28/07/1814;
1-5-4-2 Ana, nascida em 17/03/1816;
1-5-4-3 Rita, nascida em 07/10/1817;
1-5-4-4 Maria Rodrigues Fraga, falecida por volta de 1858; casada com Pedro da Silva Rosa.
Inventário: 1ª Vara cx. I-05.
Com Maria do Carmo Ferreira teve o filho reconhecido pelo pai:
1-5-4-5 João, 12 anos; 

" Trecho do testamento de Maria Rodrigues Fraga:...declaro que sou cidadã brasileira com o que muito me preso, filha legitima de Maximiano Rodrigues Fraga e Marcelina Pinto de Jesus, ambos já falecidos há muitos annos, sou natural do distrito da cidade de Paracatu Provincia de Minas, Bispado de Diamantina, casada que fui em face eclesia com Pedro da Silva Rosa por carta (inelegível) na forma das leis do Imperio, de cujo matrimonio não tive filhos alguns, e nemtive no tempo de solteira, e assim não tenho herdeiros necessarios, filhos ou descendentes ou ascendentes que por direito dirão ser meus Herdeiros. declaro que resido na fazenda do Saco Grande no rio Preto, e na qual tenho uma morada de casas coberta de telhas, e rego d'agôa, quintal, e em cuja casa moro, a qual foi a minha custa, sem adjutorio de pessoa alguma , cuja fazenda me coube por herança de meu finado marido Pedro da Silva Rosa. declaro que possuo na referida fazenda duzentas cabeças de gado curraleiro de criar de toda sorte...termo de abertura. aos vinte e tres de maio de mil oitocentos e cincoenta e oito.....
1-6 Catarina Soares Chaves, casada com José Matheus (Martins) de Araújo;
1-7 Quitéria Soares Chaves, casada com o porta-estandarte Estevão Vieira de Faria.
Filha descoberta:
1-7-1 Teodora Soares Chaves, teve a filha natural:

1-7-1-1 Quitéria Soares Chaves, casada em 03/12/18 com Francisco Pereira de Sousa, filho legítimo de Manoel Pereira de Sousa e de Feliciana de Sousa.
1- 8 Sotero Soares Chaves, sem notícias da descendência.
Notas: 
1- Em uma lista de donativos voluntários, datada de1805, ele doa a quantia de 6$800 réis para a combalida monarquia portuguesa; 
2 - Seu nome perpetuou-se geograficamente, com a denominação de ribeirão Sotero, ao curso d'água existente na região em que viveu afazendado. 
Outros desentroncados
Os três irmãos:
1-9 Manoel Soares Chaves, falecido em 1862; casado que foi com Ana Monteiro do Terço, sem descendência;
1-10 Messias Soares Chaves, falecido em 1864. Casado com Rita Alves, com os filhos:
1-10-1 Luís Soares Chaves;
1-10-2 Gertrudes Soares Chaves;
1-10-3 Cesário Soares Chaves.
1-11 Eleutéria Soares Chaves, sem notícias de sua vida..

Fontes:
Inventários citados no corpo do texto, sob a guarda do Arquivo Público de Paracatu.

Colaboração de José Aluísio Botelho.

Comentários

Postagens mais visitadas

GUARDA-MOR JOSÉ RODRIGUES FRÓES

Por José Aluísio Botelho             INTRODUÇÃO  Esse vulto que tamanho destaque merece na história de Paracatu e de  Minas Gerais , ainda precisa ser mais bem estudado. O que se sabe é que habilitou de genere em 1747 (o processo de Aplicação Sacerdotal se encontra arquivado na Arquidiocese de São Paulo ), quando ainda era morador nas Minas do Paracatu, e embora fosse comum aos padres de seu tempo, aprece que não deixou descendentes*. Que ele foi o descobridor das minas do córrego Rico e fundador do primitivo arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu , não resta nenhuma dúvida. De suas narrativas deduz-se também, que decepcionado com a produtividade das datas minerais que ele escolheu, por direito, para explorar, abandonou sua criatura e acompanhou os irmãos Caldeira Brandt , que tinham assumido através de arrematação o 3º contrato de diamantes, rumo ao distrito diamantino . Documento de prova GENEALOGIA  Fróis/F...

REIS CALÇADO - UMA FAMÍLIA JUDIA NA PARACATU DO SÉCULO XVIII

Por José Aluísio Botelho  Eduardo Rocha Mauro Cézar da Silv a Neiva   Família miscigenada, de origem cristã nova pela linha agnata originária do Ceará . Pois  bem, para o arraial de São Luiz e Santana das Minas do Paracatu provieram  os irmãos Alexandre José dos Reis Calçado e Antônio Rodrigues dos Reis Calçado, naturais da freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Acaracu (atual Acaraú), termo de Aracati, Ceará, filhos naturais do capitão Gaspar Rodrigues dos Reis Calçado, natural do Recife, capitania de Pernambuco, e de Luzia Maria da Rocha, mulher solteira, escrava que foi do mesmo capitão Gaspar dos Reis Calçado , natural da freguesia de Acaracu (Acaraú); Alexandre José, objeto de nosso estudo, nascido em 1764, casou por volta de 178 5 , com Luzia Rodrigues de Oliveira, natural do arraial de Paracatu, falecida em 04/07/1837, filha de Antônio Rodrigues de Oliveira e de Ana Rodrigues de Araújo. Viveu do lucro de suas fazendas, notadamente da loca...

NETOS DE DONA BEJA - BATISMOS

Por José Aluísio Botelho Disponibilizamos as imagens de assentos de batismos de três netos de Dona Beja, acrescidos dos outros netos, bem como parte da descendência, de acordo com os documentos localizados, filhos de Joana de Deus de São José e do coronel Clementino Martins Borges. Nota: nada se sabe acerca da ascendência de Clementino Martins Borges, embora seu sobrenome é largamente difundido na região do triangulo mineiro e alto paranaíba. Sabe-se que ele faleceu em Estrela do Sul em novembro de 1910 em avançada idade. Alguém tem alguma pista? Batismo de Joana de Deus: "Aos 14 dias domes de Julho de 1838 o Rdo. Pe. José Ferreira Estrella Baptizou solenemente aingnocente Joanna, fa. natural de Anna Jacinta de Sam Jose forão P.P. o coronel João Jose Carneiro de Mendonça e o Alferes Joaquim Ribeiro da Silva epara constar mandei fazer este acento eque assigno. Araxa era supra".  Fonte: Revista O Trem da História, edição 49. Nota: os outros netos de Beja, filhos de Tereza T...

DONA BEJA E AS DUAS MORTES DE MANOEL FERNANDES DE SAMPAIO

Por José Aluísio Botelho A história que contaremos é baseada em fatos, extraídos de um documento oficial relativo a um processo criminal que trata de um assassinato ocorrido na vila de Araxá em 1836. O crime repercutiu no parlamento do império no Rio de Janeiro, provocando debates acalorados entre os opositores do deputado e ex-ministro da justiça, cunhado do acusado, como se verá adiante. Muitos podem perguntar porque um blog especializado em genealogia paracatuense, está a publicar uma crônica fora do contexto? A publicação deste texto no blog se dá por dois motivos relevantes: primeiro, pela importância do documento, ora localizado, para a história de Araxá como contraponto a uma colossal obra de ficção sobre a personagem e o mito Dona Beja, que ultrapassou suas fronteiras se tornando de conhecimento nacional. Em segundo lugar, porque um dos protagonistas de toda a trama na vida real era natural de Paracatu, e, portanto, de interesse para a genealogia paracatuense, membr...

ÍNDICE DA SÉRIE 1811 - VILA DE PARACATU DO PRÍNCIPE

Por José Aluísio Botelho Índice da Série: Os Antigos Moradores de Paracatu – Arruamento Completo de 1811 Bem-vindo(a) à série completa do Arruamento da Vila de Paracatu do Príncipe , transcrito diretamente do documento original de 1º de abril de 1811 , preservado no Arquivo Público Municipal de Paracatu. Aqui você encontra todas as ruas, largos, becos, travessas, chácaras e arraiais da vila com os nomes dos moradores, proprietários e valores dos imóveis da época. São mais de 400 registros que ajudam a reconstruir a Paracatu colonial. Você, caro leitor, certamente irá encontrar seus antepassados que lá viveram há duzentos anos. Clique nos títulos abaixo para acessar cada página: Post 1 -  Os Antigos Moradores de Paracatu: Arruamento Completo das Ruas em 1811: RUA DIREITA (Série - Post 1) A rua principal da vila colonial e sua lista completa de moradores. Post 2 –  Os Antigos Moradores de Paracatu: Arruamento Completo das Ruas em 1811: RUA DAS FLORES (Série – Post 2) Origem do ...

DONA BEJA E OS BOTELHOS DE PARACATU

 POR JOSÉ ALUÍSIO BOTELHO Dona Beja e os Botelhos de Paracatu Muito se tem falado, no âmbito familiar e fora dele, acerca do possível parentesco consanguíneo ou por afinidade entre Dona Beja e a família Botelho de Paracatu, ao longo de décadas. Essa dúvida, real ou propositalmente trazida pelos mais velhos — receosos da veracidade do parentesco com a mitológica personagem da história de Araxá, e que levou um dos nossos velhos tios, já falecido, a dizer peremptoriamente certa vez: “Eu não sou parente de uma cortesã” —, persiste até os dias atuais. Ana Jacinta de São José, a mitológica Dona Beja, nasceu em Formiga, Minas Gerais, por volta de 1800, filha natural de Maria Bernarda dos Santos e de pai ignorado. Chegou ao então florescente julgado de São Domingos do Araxá ainda menina, acompanhando a mãe e o irmão Francisco Antônio Rodrigues, talvez à procura de melhores condições de vida, já em princípios do século XIX. Segundo alguns historiadores, ela tornou-se uma mulher bonita, de ...