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MAJOR JOÃO NEPOMUCENO DE SOUSA, DIZEM QUE FOI FUNDADOR DE CIDADE

 Por José Aluísio Botelho

Diz um texto que conta a história de Dianópolis, no estado de Tocantins, que João Nepomuceno de Sousa, natural de Paracatu, é considerado fundador de São José do Duro, ao construir uma capela no lugar, no ano de 1830. Essa afirmação gera controvérsias, até porque, o arraial de São José do Duro vem do século dezoito (1750) com a descoberta de riquíssimas lavras de ouro em suas terras, com a instituição das missões no lugar pelos padres jesuítas, destinada à catequese dos indígenas que habitavam aquela região, dando início à povoação.

Presença em Paracatu

Natural de Paracatu, nascido na região limítrofe da sesmaria Santa Rosa, por volta de 1808 (em uma lista de eleitores de Paracatu, de dezembro de 1847, declara ter 39 anos, negociante), inserido na família Pereira de Sousa/Pessoa de Vasconcelos. Não descobrimos quem foram seus pais, mas foi casado com sua parente, dona Rosa de Jesus Ribeiro, nascida em 1807, filha de José Pereira de Sousa e de Francisca Maria Ribeiro. Fato é que em 1828 ele comparece no inventário do sogro na vila de Paracatu do Príncipe, onde desiste, com assinatura própria, da herança como cabeça de casal, em benefício dos outros herdeiros. Nos anos de 1830/40, é certo que ele estava por lá, quando nascem pelo menos cinco de seus filhos, por nós descobertos: Cândido Nepomuceno de Sousa, João Nepomuceno de Sousa Júnior, este nascido em 1839, Elmira Nepomuceno de Sousa (1841-1926) Horácio Nepomuceno de Sousa, nascido em 1842, falecido em São José do Duro, casado com Brasilina de Sousa Rangel e Aurora Nepomuceno de Sousa Ulhoa (1846-1929). Nesta década, em 1841, ele passa a procuração em Paracatu e reaparece quando é eleito vereador à Câmara Municipal para a legislatura 1845-1848. Somente em 1852, encontramos novas referências ao personagem por ocasião do inventário da sogra: na relação de herdeiros, ele é citado como ausente em lugar incerto e não sabido. No decorrer do processo surge uma carta de seu punho e, em seguida, procuradores por ele nomeados, quando novamente abdica da herança enquanto cabeça de casal de sua mulher Rosa Ribeiro de Jesus. Cremos que, neste ano, ele já estava, talvez, definitivamente estabelecido na região das missões do Duro com parte da família, caso seja a mesma pessoa.

Presença em São José do Duro

As referências ao major João Nepomuceno de Sousa na região das Missões são esparsas e pouco elucidativas quanto a sua origem (naturalidade).

Transcrevemos, a seguir, trechos alusivos a ele, que geram contradições quanto à sua atuação política em São José do Duro:

“Coube ao Major João Nepomuceno de Sousa, minerador no local desde 1840 (assim escrito), a honra de fundador da localidade, bem com a organização do distrito de paz (em 1854) e a emancipação política com a elevação em vila ocorrida em 24 de agosto de 1884. Em 1890 foi instalado o município de São José do Duro, e seu fundador o primeiro Intendente.”

“João Nepomuceno de Sousa não foi o fundador da cidade de São José do Duro e sim primeiro intendente do município (em 1884), após ter sido subdelegado quando o lugar era distrito de Conceição do Norte, que em 1852 emancipou-se e São José do Duro tornou-se independente. Em 1854, ele foi então nomeado juiz de paz do distrito.”

Diante das narrativas acima, podemos afirmar que ele não foi fundador do arraial de São José do Duro e sim, um dos que consolidaram a povoação com a organização do distrito, e, mais adiante, sua emancipação política.

Ainda encontramos referências ao minerador e a seus sócios Manoel Nunes Viana e Cândido Lino de Sousa, ambos de Paracatu, explorando a riquíssima Mina dos Tapuias, bem como ter sido ele administrador da Recebedoria do Duro.

O Major João Nepomuceno de Sousa morreu aos 08/08/1891, e seus restos mortais estão preservados no cemitério ancestral da antiga povoação (Missões).

Embora não haja uma comprovação documental decisiva de que o personagem que localizamos em Paracatu e o que viveu em São José do Duro se trata da mesma pessoa, algumas coincidências sugerem isso:

1 Em 1830, João Nepomuceno de Sousa, tinha idade suficiente para suas aventuras de minerador;

2 A patente militar dos dois era mesma: Major da Guarda Nacional;

3 Sua saída de Paracatu (lugar incerto e não sabido) coincide do seu reaparecimento em São José do Duro na década de 1850;

4 Seus sócios nas atividades minerais na Mina dos Tapuias, eram de Paracatu e de famílias conhecidas: Manoel Nunes Marinho e Cândido Lino de Sousa;

5 Seu filho Horácio Nepomuceno de Sousa faleceu na cidade do Duro, informação constante na certidão de casamento em Paracatu, de uma sua filha Ambrosina Jovita Nepomuceno Lisboa, viúva do primeiro marido, que casou-se em segundas núpcias com o alagoano de Viçosa, Antônio Juvenal de Almeida, filho de Inácio de Almeida Braga e de Maria Senhorinha de Oliveira.

6 Alguns nomes de familiares são homônimos, tais como, Cândido, Salvador, etc. Parentela em Dianópolis: Cândido Nepomuceno de Sousa, referido como neto, casado com Josina Wolney e que foi igualmente intendente do Duro, Salvador Nepomuceno de Sousa, Evangelina Nepomuceno de Sousa, Franklina Nepomuceno de Sousa, Claudiana Nepomuceno, uma das três Dianas que deram origem ao nome Dianópolis.

Fontes:

1 Ayres, Abílio Wolney: O Diário de Abílio Wolney, editora Kelps, Goiânia, Goiás, 2009.

2 Secretaria do Meio Ambiente, Turismo e Cultura (ATM – Associação Tocantinense de Municípios).

3 Biblioteca IBGE – História de Dianópolis.

4 Paracatu, Minas Gerais, registros de inventários, FamilySearch, 1828/1852.

5 Blog – A Raposa da Chapada - Genealogia Paracatuense (famílias Pinheiro da Costa/Pereira de Sousa).

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