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LENDAS DO BRASIL CENTRAL 6 - CRÔNICAS INÉDITAS DE OLYMPIO GONZAGA

Por José Aluísio Botelho

Resgatamos, após minuciosas pesquisas, alguns escritos de Olympio Gonzaga que se encontravam desaparecidos, dentre eles, crônicas que escreveu para seu livro não publicado, Lendas do Brasil Central, transcritas na grafia original, tal como ele as concebeu, sem correções ortográficas e gramaticais. Nos seus textos, as vezes ele não discerne fatos históricos e ficção, personagens fictícios e reais, mostra incoerência narrativa e comete equívocos históricos importantes. Aos nossos leitores cabe avaliar a qualidade dos textos e sua importância para a história de Paracatu.
Crônica (transcrição)
A ruina completa do milionario Felisberto Caldeira Brant, o descobridor de Paracatu (sic – grifo nosso); duelo, prisao sequestro de seus bens, riquissimas baixelas de ouro, diamantes, etc. Todos os membros da família CALDEIRA BRANT FOI EXPOLIADA DE SEUS BENS E REDUSIDA À MISÉRIA.
A idade de Felisberto Caldeira Brandt
Nota: nesta imagem capturada de um documento datado de 1746, em que Felisberto Caldeira Brandt aparece como testemunha, ele defere sua idade - diz ter trinta e seis anos. Nasceu ele portanto por volta de 1710.

Tenho presente velhissimos documentos dos arquivos desta lendaria cidade, sequestro dos bens do descobridor dr PARACATU (sic), Felisberto Caldeira Brant, tendo estudado varias obras que lhe fasem referencias: De Afonso Arinos, Feu de Carvalho, Rodrigo Octavio, Diogo de Vasconcelos, Felicio dos Santos, Milliet de Saint Adolfe, Xavier da Veiga e outros autores. Todos eles fasem notaveis referencias das riquesas nababescas deste bandeirante milionario Felisberto Caldeira Brant, que levou de PARACATU duzentas arrobas de ouro, no ano de 1744.
Entretanto encontrei valiosos documentos da descoberta de PARACATU no ano de 1730 por Lourenço Castanho, que deixou aqui um nucleo de povoadores. Descobri tambem nos arquivos o sequestro dos bens de Felisberto, o grande martir, vitima da invenja de suas imenças riquezas, deste bandeirante que nasceu em São João Del Rei, tendo o sequestro se estendido aos bens de todos os parentes de Felisberto.
Nos sertoes de PARACATU a naturesa ainda sorria virgem e havia ouro em abundancia por toda a parte, espalhadas pelo chão folhetos; pepitas de ouro, que eram catadas em profusão nos leitos dos corregos: Sao Domingos, Corrego Rico, Bandeirinha, Sao Pedro, etc.
Xavier da Veiga nas Efemerides Mineiras nos conta que os capatases de Felisberto Caldeira Brant fasiam diarias de desessete oitavas de ouro.
No ano de 1758 tambem foram sequestradas pelo SANTO OFICIO, por ordem do governo, a fasenda do Espirito Santo, 18 escravos, 100 reses de criar, lavras de ouro no Morro da Cruz das Almas e São Pedro, etc. em Paracatu.
Felisberto Caldeira Brant foi no Tijuco (Diamantina) o celebre CONTRATADOR DE DIAMANTES, tornando-se o homem mais rico de Minas Geraes.
Foi esta grande riquesa que atrahiu a inveja, a cobiça do ouvidor do GOVERNADOR de Minas Geraes.

O BOTÃO DA ROSA

A multidao de povo se achava na capela do Tijuco assistindo a missa domingueira, bem como as pessoas distintas do logar.
A bela Cotinha, sobrinha de Felisberto Caldeira Brant, estava ajoelhada, resando, talvez pensando em seu noivo, um bacharel fidalgo portuguez, foi quando o Ouvidor do Tijuco Dr. José de Moraes Bacelar veio se ajoelhar junto dela, lançando olhares ardentes e cubiças; como a moça Cotinha não lhe correspondesse os seus afetos de amor, o Ouvidor Bacelar atirou um botão de rosa no seio de Cotinha, que se enrubesceu, levantou-se e foi levar a flor a seu pai adotivo de criaçao, Felisberto Caldeira Brant, que tirou a espada da bainha e foi convidar o atrevido o Ouvidor dr. José de Moraes Bacelar para um duelo à porta do templo. Grande alvoroço na egreja entre o povo e as biatas de caponas, (Nos conta com muita graça Afonso Arinos em seu livro O CONTRATADOR DE DIAMANTES)...aqui há um trecho ilegível.
O padre sahiu do altar com a imagem de JESUS CHRISTO E separou os dois contentores, que foram levados para suas casas. Desde este dia que o Ouvidor Bacelar escreveu ao Governador de Minas Geraes o Conde de Bobadela Gomes Freire de Andrade, urdindo tremendas intrigas contra Felisberto, convidando-o para avançarem no gordo sequestro dos bens do Contratador dos Diamantes, (com?) a ajuda do SANTO OFICIO.
Naqueles tempos de horrores, de falta de garantias individuaes, durante o regimem Colonial, era a cousa mais natural deste mundo o sequestro, a prisao, as torturas das pessoas ricas por qualquer rabo de palha, inventado, urdido propositalmente. Foi assim que os magnatas se enriqueceram, e puderam remeter mais de cinco mil crusados do Brasil para Portugal, o senhorio que não tinha dó nem piedade de nos, para se enriquecer à nossa custa.

A PRISÃO, O SEQUESTRO, A RUINA DE FELISBERTO CALDEIRA BRANT

Dias depois do acontecido na capela do Tijuco, foi anunciada com trombeta e caixa a visita do GOVERNADOR DE MINAS GERAES, cuja sede era em VILA RICA.
O perverso Ouvidor Dr. José de Moraes Bacelar, sahiu dois dias antes e foi se encontrar com o GOVERNADOR, os quais urdiram os planos de assalto à fortuna de Felisberto, o CONTRATADOR DE DIAMANTES DO TIJUCO; que no dia aprasado seguiu com sua gente numerosa em bonitos corceís lindamente ajaesados, sendo a de Felisberto em ouro e prata. Depois das saudaçoes das Boas Vindas, Felisberto emparelhou seu cavalo de sua montaria com as montarias do Governador e do Ouvidor Bacelar, que franziu os sobrolhos com odio e disse: PASSE PARA TRAZ, aqui não é seu logar.
O milionario Felisberto Caldeira Brant, que estava acostumado ocupar sempre o primeiro logar nas cerimonias, --Replicou: batendo no peito, eu sou descendente dos Ordonheses de Zamora, de Familia Real e Vosse que é um simples plebeu, que passe.
O GOVERNADOR replicou dizendo: PRENDA ESTE INSOLENTE.
Felisberto foi preso, algeimado e levado para Vila Rica. O pagem de Felisberto jogou seu cavalo por fora correndo e foi contar a esposa de Felisberto dona Branca de Almeida Lara o acontecido.
No mesmo dia a casa de Felisberto foi cercada, dona Branca enxotada de seu riquissimo lar, foi expoliada de seus bens, baixelas de ouro para jantar, para café, mobiliario riquissimo, arcas cheias de ouro, de diamantes, uma riquesa fabulosa, extraordinaria; o perverso Ouvidor Bacelar esfregava as mãos de contente.
A casa estava cercada, garantida, os Meirinhos arrolavam tudo, sem deixar nada. Todos os irmaos e parentes da Familia Caldeira Brant sofreram o terrivel sequestro de seus bens, por ordem do Governador Conde de Bobadela. Um ano depois foi o sequestro já descrito em Paracatu.
Quem melhor discreve esta sena barbara é o escritor patricio Afonso Arinos no seu belo livro: “O CONTRATADOR DE DIAMANTES”, que foi convertido em drama, que foi levado à sena com grandes aplausos, bem como a sena em que Dona Branca atira ao GOVERNADOR suas joias, dizendo: TOME TOME vosses querem é roubar.
Fonte: Afonso Arinos na intimidade, crônicas - Biblioteca nacional do Brasil, divisão de manuscritos.

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Curiosidade: segundo Afonso Arinos de Melo Franco, João de Melo Franco ditou seu testamento ao seu escravo Serafim de Melo Franco, que o redigiu. Abaixo o assento de batismo de Serafi…

FAZENDAS ANTIGAS DE PARACATU E SEUS PRIMITIVOS DONOS

1 - SÍTIO DO ESCURO - Sesmaria concedida em 1759 ao Português João Jorge Portela e sua mulher Josefa Barbosa de Moura e Almeida. Desse casal, descendem pelo ramo materno, os Pimentéis Barbosa e Soares de Sousa;

2 - FAZENDA DO FUNDÃO - Sesmaria adquirida por João de Melo Franco em 1762, distante cerca de dez léguas de Paracatu, na chapada do São Marcos. Em 1819, segundo Pohl, se encontrava em ruínas. Passou à descendência;

3 - FAZENDA CÓRREGO RICO - Foi seu primitivo dono Joaquim de Melo Albuquerque( Seu Melo), falecido em 1880. Era filho do pernambucano Joaquim de Albuquerque e de Ana de Melo Franco;

4 - FAZENDA CAETANO - Pertenceu ao casal Manoel Caetano de Moraes e Joana Maria de Moura e anos mais tarde ao Dr. Sérgio Ulhôa;

5 - FAZENDA MOURA - Foi seu primitivo dono Romão de Moura, que se mudou para o Vão do Paranã, em Goiás, onde deixou numerosa descendência. Posteriormente, passou a ser propriedade do Coronel Fortunato Jacinto da Silva Botelho e seus descendentes;

6 - FAZENDA BROCOTÓ …

FAMÍLIA GONZAGA

GENEALOGIA DA FAMÍLIA GONZAGA – TRONCO DE PARACATU Essa família iniciou-se em 1790, pelo casamento do Capitão Luiz José Gonzaga de Azevedo Portugal e Castro, fiscal da fundição do ouro em Sabará – MG, em 1798, no Rio de Janeiro, com Anna Joaquina Rodrigues da Silva, natural do mesmo Rio de Janeiro, e tiveram oito filhos, listados abaixo: F1 – Euzébio de Azevedo Gonzaga de Portugal e Castro; F2 – Platão de Azevedo Gonzaga de P. e Castro; F3 – Virgínia Gonzaga; F4 – Florêncio José Gonzaga; F5 – VALERIANO JOSÉ GONZAGA; F6 – Luiz Cândido Gonzaga; F7 – José Caetano Gonzaga; F8 – Rita Augusta Gonzaga.

F5 - Valeriano José Gonzaga, natural de Curvelo,Mg, nascido em 21.07.1816 e falecido em 1868 em Paracatu, casou em 21.07.1836, com Felisberta da Cunha Dias, nascida em 15.08.1821 e falecida em 10.08.1910, natural de Curvelo; foi nomeado Tabelião de Paracatu, tendo mudado para o lugar em 1845, aonde tiveram os filhos: N1 - Eusébio Michael Gonzaga, natural de Curvelo, nascido em 21.07.1842 e falecido em 04…

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